Mais uma vez eu vou de um jogo de 2001, algumas semanas depois do jogo de ida da final da Copa dos Campeões contra São Paulo e do jogo contra Corinthians no Brasileirão. Nos dois jogos, o ídolo Petkovic brilhou, como brilhou no jogo eterno contra o Vasco nesse mesmo ano de 2001, gol de Pet, tri do Flamengo.
Flamengo deu em 2001 alegrias, com títulos no campeonato carioca e Copa dos Campeões, mas deu também temores, principalmente no Brasileirão. Depois do jogo vencido no Morumbi contra o Corinthians, Flamengo perdeu 3 jogos consecutivos, o último o Fla-Flu. Em 21 jogos no Brasileirão, Flamengo somava 20 pontos e corria um sério risco de rebaixamento. Mas tinha alguns craques, o goleiro Júlio César e o cérebro Petkovic.
Cruzeiro tinha também craques como Maicon e Ricardinho, além de Luisão e Jussiê, que brilhou depois na França. No 8 de novembro de 2001, com um pequeno público de 14.167 pagantes no Mineirão, Zagallo escalou Flamengo assim: Júlio César; Alessandro, Leonardo Valença, Gilmar, Anderson Alves; Rocha, Jorginho, Beto, Petkovic; Roma, Reinaldo. Zagallo tinha fé, com camisa 13 nas costas, e a fé pode trazer milagres.
Quem começou o jogo melhor foi Cruzeiro, mas Flamengo tinha um grande goleiro, Júlio César, que desviou uma falta perigosa de Ricardinho. Flamengo quase fez gol com um chute de Alessandro, mas o meia Sérgio Manoel salvou em cima da linha. Depois, foi um show de Júlio César, com várias grandes defesas, e quando estava vencido, estava salvo pela trave.
Mas Flamengo estava longe da vitória, precisava de uma jogada individual, de um lance de gênio para fazer a diferença. E foi o caso, faltando 10 minutos para o jogo acabar. O início da jogada foi muito parecido ao segundo gol do Flamengo contra o Corinthians algumas semanas antes, com passe no chão de Alessandro vindo da direita. Como contra o Corinthians, primeira intenção de Petkovic foi de chutar. Como contra o Corinthians, mudou de raciocínio durante o lance, dominou o lance abrindo ao mesmo tempo o espaço no pé direito. Contra o Corinthians, Pet chutou e fez o golaço. Talvez a defesa de Cruzeiro tinha também esse lance na memória. Abedi fechou o espaço, mas Petkovic, como gênio que era, adaptou-se mais uma vez, deixou a bola de calcanhar para Beto chutar de primeira, para fazer o gol da vitória.
No finalzinho, mais uma defesa de Júlio César, que caiu nas lágrimas na entrevista depois do jogo. Flamengo ganhava um jogo importantíssimo, e depois de mais três derrotas e duas vitórias, Flamengo garantia a permanência no Série A, com apenas dois pontos a mais do que o primeiro rebaixado. Não é nenhum exagero dizer que sem Júlio César e Petkovic, Flamengo provavelmente teria conhecido neste ano a maior vergonha que um grande clube pode conhecer.








Deixe um comentário