Flamengo precisa de uma vitória no Maracanã contra o Millonarios para se classificar nas oitavas de final da Copa Libertadores. Quarenta anos atrás, Flamengo também precisava de derrotar um time colombiano em casa para ir, na época de forma antecipada, na próxima fase da Liberta.
Flamengo começou muito bem a Copa Libertadores de 1984 com um jogo já eternizado aqui, uma vitória 4×1 contra Santos na estreia, depois um empate contra o mesmo América de Cali na Colomba, e duas outras vitórias, contra Júnior Barranquila e de novo contra Santos. Flamengo precisava apenas de uma vitória para ir na semifinal, na época dois grupos de três times onde só o primeiro chegava na final.
No 3 de maio de 1984, o técnico Cláudio Garcia escalou Flamengo assim: Abelha; Leandro, Figueiredo, Guto, Júnior; Bigu, Adílio, Elder; Tita, Edmar, Bebeto. Antes do apito inicial, teve um minuto de silêncio em homenagem ao ministro da justiça colombiano, Rodrigo Lara Bonilla, assassinado três dias antes pelos homens de Pablo Escobar, o que marca o início da guerra entre o narcoterrorismo e o estado colombiano.
Mesmo órfã de Zico, que jogava na Itália, Flamengo era um timaço, candidato ao título. E começou melhor o jogo, começou com um golaço, um dos gols coletivos mais bonitos não só da história do Flamengo, mas da história do futebol de maneira geral. Na direita, Elder para Júnior, em um toque para Edmar, em um toque para Bebeto, em um toque de novo para Júnior. O Capacete abriu para Adílio, que chutou cruzado para abrir o placar. Um golaço coletivo, uma triangulação com os jogadores tocando de primeira, a finalização de Adílio, também com um toque só. Uma jogada perfeita, rápida demais para as câmeras de televisão, para o comentarista e claro, para a defesa colombiana.
Oito minutos depois, Leandro, bem posicionado como sempre, ganhou a bola e lançou Adílio no espaço vazio. Adílio cruzou de primeira, Bebeto voleiou de primeira, bola embaixo do travessão, bola no gol, mais um golaço do Flamengo. Antes do intervalo, na parte do campo do Flamengo, Bebeto conservou a bola de costas, abriu para Adílio, que achou Elder com um pouco de espaço. Elder escapou do carrinho de um defensor com classe, abriu na esquerda para Edmar que, com uma pedalada sensacional, eliminou um zagueiro, cruzou na grande área para Elder que completou a tabela, completou a goleada com mais um golaço. Parecia rápido demais para o América de Cali, parecia fácil demais para Flamengo.
Flamengo levou o pé e no meio do segundo tempo, o peruano César Cueto fez o gol para o América com um belo chute de fora da área. E Flamengo reagiu, com Bebeto, que mesmo com o carrinho violento do defensor, não desistiu da jogada, recuperou, levantou-se, teve tempo de cruzar. E Tita, com a camisa 10 de Zico nas costas, com a visão de jogo do craque que ele era, nem tocou a bola, mas fez a jogada decisiva. Apenas a finta foi suficiente para enganar dois adversários, para dar espaço ao Edmar, que chutou de primeira, fez o quarto gol flamenguista do dia, fez a alegria da geral. No final, aproveitando da falha do goleiro Abelha, Cueto fez mais um gol, apenas para definir o placar: 4×2 para Flamengo, que se classificava assim na próxima fase da Copa Libertadores.








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