Jogos eternos #185: São Paulo 0x4 Flamengo 2021

Michael está de volta ao Flamengo. Eu estava em favor da contratação dele, ainda mais com a lesão de Everton Cebolinha. Jogou muito no Flamengo em 2021 e parece que foi bem no Al Hilal de Jorge Jesus. Sempre mostrou respeito e carinho a torcida do Flamengo e a história dele no clube parecia inacabada. Pode voltar a dar dribles aos adversários e alegria a torcida, e quem sabe, ganhar a Copa Libertadores. Na primeira passagem, parou na trave, na verdade a alguns centímetros da trave de Weverton. Este desfecho infeliz não pode fazer esquecer tudo que Michael fez com o Manto Sagrado.

E o começo também foi infeliz. Revelação do Brasileirão 2019 com Goiás, contratado pelo Flamengo por 7,5 milhões de euros em 2020, Michael fez um primeiro ano ruim, com apenas 4 gols e 4 assistências em 43 jogos. Foi vaiado pela torcida e entrou em depressão. Falou em 2021 para Barba Fla: “Eu tive depressão no ano passado, sofri muito com isso. Na época, eu estava no hotel e quis me suicidar. Me veio pensamentos ruins e eu queria saber como era me jogar do prédio. Então, eu gritei por socorro, pela minha mulher, pelo doutor Tanure, Diego Ribas, Diego Alves, Filipe Luís, o Rafinha, o Marcos Braz também. Eles me fizeram ser querido, ser abraçado. Eles tiveram um cuidado comigo, que ninguém antes tinha feito”.

Michael se cuidou psicologicamente e consultou psicólogo, se cuidou fisicamente e pediu ao técnico Rogério Ceni para voltar antes da data marcada no treino, fazendo a pré-temporada com a garotada quando os outros ainda estavam de férias. Reencontrou o prazer da vida e do campo, mas o início da temporada de 2021 também foi difícil: apenas 2 gols nos 22 primeiros jogos. Mesmo assim, Michael estava melhor, nos dribles, no ritmo de jogo, no entrosamento com os companheiros. Desequilibrava os adversários, mas ainda não desequilibrava os jogos. E a partir do segundo semestre, com a chegada de Renato Gaúcho no banco, Michael voltou a ser decisivo. Fez o gol da virada na vitória contra Chapecoense, aliás um golaço, fez gol no jogo seguinte na Libertadores, também fez gol na Copa do Brasil, contra ABC e Grêmio. Decidiu quase sozinho o choque do Brasileirão contra Palmeiras. Poderia ter sido o jogo eterno escolhido para exaltar Michael, mas confesso que a perda da final da Copa Libertadores contra o mesmo adversário meses depois ainda pesa.

Michael continuou a driblar adversários, infernizar defesas inteiras, dar assistências para os companheiros, fazer gols para a torcida e a vitória. Às vezes fazia dobletes, como contra Fortaleza e o Atlético-GO. Nos 5 últimos jogos antes do jogo contra São Paulo, Michael tinha feito 5 gols. Num time que tinha muitos desfalques no setor ofensivo (já na época…), Michael virou a referência do ataque, o melhor jogador do time. A partida contra São Paulo foi o reencontro entre Rogério Ceni, que voltou a ser técnico do São Paulo, e Flamengo. Também era oportunidade de vingança para São Paulo, já que foi duramente goleado 5×1 na ida no Maraca, com show de Bruno Henrique, um jogo eterno no Francêsguista.

No 14 de novembro de 2021, Renato Gaúcho escalou Flamengo assim: Hugo Souza; Matheus França, Rodrigo Caio, David Luiz, Renê; Willian Arão, Andreas Pereira, Éverton Ribeiro; Michael, Bruno Henrique, Gabigol. E jogo começou muito bem para Flamengo, Andreas Pareira ganhou uma bola e transmitiu para Bruno Henrique, em um toque para Gabriel, que de cobertura abriu o placar com apenas 23 segundos de jogo. Gabi – BH, uma dupla icônica no Flamengo, com comemoração também icônica, a fusão que queimou o Morumbi. E com 3 minutos de jogo, Michael escapou de Diego Costa na esquerda, acelerou, invadiu a área e cruzou para Bruno Henrique fazer o segundo gol do dia. São Paulo conseguiu piorar o jogo ainda nos 10 minutos iniciais, David Luiz, também em grande forma em 2021, fez o desarme limpo sobre Rigoni, Calleri fez falta dura sobre David Luiz e ganhou o cartão vermelho.

Com 16 minutos de jogo, de novo Michael na esquerda, de novo infernizando Diego Costa, com um drible curto para abrir o pé e chutar. Faltou efeito no chute e Tiago Volpi fez a defesa. E no final do primeiro tempo, Michael recebeu a bola na exata mesma posição, fez o mesmo drible, agora sobre Gabriel Neves, para abrir o pé e o ângulo. E o efeito no chute foi perfeito, bola tocou na trave e morreu na rede. Golaço e comemoração icônica, à la Cristiano Ronaldo.

E no início do segundo tempo, de novo Michael, ainda Michael, sempre Michael. Na esquerda, deixou Diego Costa no chão com mais um drible e chutou aberto, mas Volpi fez a defesa. No rebote, Bruno Henrique impediu a saída na lateral e ganhou a disputa da bola. Cruzou, bola passou na frente de todo mundo, chegou até o pé esquerdo de Michael, chegou até o gol. Michael fazia o segundo dele do dia, o 13o do campeonato e assim virava artilheiro do Brasileirão, na frente de Gilberto e Hulk. Como no jogo do primeiro turno, Flamengo goleava o São Paulo, agora no Morumbi, onde o rubro-negro não vencia desde 2011.

Infelizmente, Michael não fez gol nos 4 jogos seguintes, o mais importante na final da Copa Libertadores, quando entrou em campo com uma hora de jogo, talvez merecia a titularidade nesse jogo por tudo que fez durante o ano. Teve a chance de fazer o gol do título nos minutos finais, mas chutou para fora por pouco. Uma semana depois, Michael fazia seu último jogo, e último gol, com o Manto Sagrado. Agora Michael está de volta e a história pode voltar a ser escrita.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”