O campeonato carioca começa hoje e a taça terá o nome de Zico, uma homenagem mais que justa para quem ainda é, e provavelmente para sempre, o segundo maior artilheiro do campeonato carioca com 241 gols em 295 jogos, atrás apenas do amigo já falecido, o vascaíno Roberto Dinamite. Zico foi campeão carioca em 1972, 1974, 1978, 1979, 1979 Especial, 1981, 1986, artilheiro em 1975, 1977, 1978, 1979, 1979 Especial e 1982.
Em 1979, teve um campeonato carioca especial, apenas com os times da cidade de Rio de Janeiro e os 4 melhores times do campeonato fluminense de 1978, Americano, Fluminense de Nova Friburgo, Goytacaz e Volta Redonda. Ainda em 1979, teve o campeonato carioca com 18 times, da cidade e do estado. Flamengo venceu os dois torneios, completando um tricampeonato iniciado com o inesquecível campeonato de 1978 e o gol de Rondinelli contra Vasco. Já Zico vivia sua maior fase de artilheiro: 26 gols em 17 jogos no campeonato especial, 34 gols em 26 jogos no campeonato carioca.
Zico começou o campeonato carioca de 1979 com doblete contra Bonsucesso e São Cristóvão, fez 3 contra Bangu, 6 contra Niterói, um jogo eterno no Francêsguista. Fez os 4 do Mengo na vitória 4×3 sobre Goytacaz, os 2 no 2×0 contra a Portuguesa, deixou o dele contra Olaria, Vasco e Campo Grande. Em seguida, Flamengo foi surpreendido no Maracanã com uma derrota 1×0 sobre Americano e jogou uma semana depois contra Serrano, time de Petrópolis, onde jogou Garrincha antes de ir no Botafogo. No 12 de agosto de 1979, o técnico Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim: Raul; Manguito, Antunes, Rondinelli, Júnior; Andrade, Paulo César Carpegiani, Zico; Tita, Júlio César, Cláudio Adão.
No Maracanã, Flamengo rapidamente fez o primeiro gol, com uma jogada mágica de Júlio César Uri Geller, um dos maiores dribladores da história do clube. Na esquerda, Júlio César driblou um, deixou a bola entre as pernas de um outro e cruzou. Zico foi na primeira trave e mesmo sem tocar a bola, sua atividade forçou o goleiro a sair, que também não chegou na bola, que saiu até os pés de Cláudio Adão para o gol fácil.
Em seguida, Tita fez um passe no ar, Zico dominou de peito e chutou cruzado, sem chance para o goleiro. O terceiro gol, ainda no primeiro tempo, parece um lance repetido do gol precedente, mas de câmera inversa. Passe de Tita, domínio de Zico, chute cruzado, agora de pé esquerdo. O destino foi o mesmo, fundo da rede. Antes do intervalo, chegou a jogada mais mágica de Zico no jogo, não um gol, mas um passe. Claro Zico não era só artilheiro, também era quem iniciava a jogada, pensava o jogo, fazia o passe de mestre. E fez a magia, um passe alto, fácil, bonito, com a ponta do pé, leve, alegre, para Carpegiani, perfeitamente colocado para fazer o quarto gol do Mengo.
No segundo tempo, Serrano fez o gol de honra, Jorge Demolidor cruzou para o gol de Edu, mesmo nome que o irmão de Zico e ídolo do America. O último gol do jogo começou nos pés de Antunes, outro jogador que tem o nome de um irmão de Zico, Antunes Coimbra brilhou no futebol carioca nos anos 1960 com a camisa de Fluminense e do America. Antunes, agora o do Flamengo, que fazia contra Serrano apenas seu quarto jogo com o Manto Sagrado, driblou um e deixou para Zico, que em um toque e com a visão de jogo de sempre, abriu na direita para Andrade, que se firmou no time titular neste ano de 1979 depois de um empréstimo na Venezuela. Andrade recebeu a bola, esperou, fez a finta. Como bom artilheiro, Zico se colocou na grande área, pedindo a bola, recebendo a bola. Como craque absoluto do futebol, Zico dominou de sola, com um giro para se livrar do zagueiro, não perdeu tempo para chutar de pé esquerdo, para o fundo do gol, para o terceiro gol pessoal do dia.
No final, vitória 5×1 do Flamengo, com 3 gols de Zico, uma assistência mágica de Zico, que ainda teve participação no primeiro gol do jogo. Infelizmente, Zico sentiu o peso do calendário, foram 77 jogos na temporada, e fez apenas 1 gol nos seus últimos 6 jogos do ano, se machucou e faltou os 12 últimos jogos da temporada, impedindo os números finais de ser ainda mais impressionantes. Mesmo assim, foram 34 gols no campeonato carioca, 81 gols na temporada com Flamengo, 89 gols contando os gols com a Seleção e uma seleção da FIFA. Tem a dúvida de até onde poderia ter chegado o Zico, quem sabe 100 gols no ano, fica minha certeza, que me perdoam Leônidas, Dinamite ou Romário, mas Zico é o maior jogador da história do campeonato carioca e a taça poderia, cada ano, receber o nome dele.








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