Na semana passada, Arrascaeta ultrapassou Benítez para se tornar o segundo maior artilheiro estrangeiro da história do Flamengo, atrás apenas de Doval. E fez isso com um golaço de bico, um gesto técnico reservado aos craques e aos pernas-de-pau. Adoro o chute de bico, um gesto eternizado pelo Romário, imortalizado pelo Ronaldo Fenômeno na semifinal da Copa de 2002, agora perpetuado por outro craque, nosso gringo Arrascaeta. E como Flamengo joga hoje contra Grêmio, vamos lembrar de um jogo de 2019, com outro gol de bico de Arrasca.
No meio de 2019, o Flamengo de Jorge Jesus já tinha brilhado, com maior jogo uma goleada 6×1 contra Góias, um jogo eterno no Francêsguista, já com um gol de bico de Arrascata. Mas o time de Jorge Jesus ainda não convencia plenamente. Foi eliminado da Copa do Brasil, passou no sufoco na Copa Libertadores, tomou um 0x3 na Fonte Nova contra Bahia. Uma semana depois da derrota em Bahia, precisava de uma reação, no Maraca, contra Grêmio. No 10 de agosto de 2019, Jorge Jesus escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rafinha, Thuler, Pablo Marí, Filipe Luís; Willian Arão, Cuéllar, Gerson; Arrascaeta, Berrío, Bruno Henrique.
Início do jogo foi animado e equilibrado, com lances perigosos para cada time, mas nada de gol. Aos 29 minutos de jogo, um Arrascaeta já inspirado fez um passe reservado aos craques, inacessível aos pernas-de-pau ou mesmo aos jogadores medianos. No timing, espaço, ângulo certos, tocou levemente na bola para Willian Arão, que fuzilou o goleiro, sem chance de reação. Flamengo passou a dominar o jogo, mas nos acréscimos do primeiro tempo, o VAR, no seu primeiro ano de uso no Brasileirão, marcou um pênalti em favor do Grêmio, transformado pelo Galhardo. No intervalo, Flamengo 1×1 Grêmio.
O Flamengo de Jorge Jesus já era avassalador e assustador, precisou de apenas 5 minutos no segundo tempo para fazer mais um gol. Na esquerda, Bruno Henrique pedalou, gingou na frente do capitão do Grêmio, um tal de Léo Moura, e cruzou, quem sabe chutou. Bola tocou e ficou viva na trave, chegou até os pés mágicos de Arrascaeta. Com reflexo de craque, dominou e sem espaço para armar o chute, só tocou calmamente de bico, sem força mas fora do alcance do goleiro gremista. Mais um golaço, mais um gol de bico, mais uma obra de arte de Arrasca.
No seu estilo particular, Gerson quase fez um golaço com um chute de longe, mas bola morreu no travessão. Arrascaeta quase fez o doblete, mas Júlio César fez defesa milagrosa. E nos acréscimos, outro craque apareceu, Éverton Ribeiro driblou um, driblou dois, e chute fora da área, um chute certo e preciso, diretamente na rede, para a alegria dos 53.970 no Maraca. Flamengo vencia 3×1, se aproximava a 5 pontos do líder Santos, iniciava uma série de 29 jogos invictos, que só ia se terminar na última rodada do Brasileirão, justamente contra Santos, nesta hora muito distante do insuperável Flamengo de Jorge Jesus.








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