Jogos eternos #304: Flamengo 4×1 Atlético Mineiro 2011

Eu considero a temporada do Flamengo de 2011 frustrante. Começou muito bem, com contratação de Ronaldinho e título carioca invicto. Perdeu apenas um dos 42 primeiros jogos da temporada, numa eliminação da Copa do Brasil, competição na época não tanta expressiva. Teve claro o inesquecível 5×4 conta Santos, um jogo eterno que completa hoje exatamente 14 anos. O final da temporada, com um 4.o lugar no Brasileirão e uma eliminação na Copa Sudamericana com goleada sofrida, foi decepcionante, mas teve outros grandes jogos.

Para o jogo contra o Atlético Mineiro, ainda era o início do Brasileirão, Flamengo ainda era invicto, com uma vitória e já quatro empates. Assim, o Atlético Mineiro, mesmo com uma derrota no campeonato, estava na frente na tabela, com um ponto a mais. No 25 de junho de 2011, o técnico Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Felipe; Léo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim, David Braz, Júnior César; Luiz Antônio, Renato Abreu, Ronaldinho; Thiago Neves, Wanderley.

O primeiro tempo foi de poucos lances. Renato Abreu chutou de longe, mas a bola apenas flirtou com a trave. Léo Moura invadiu a grande área e chutou cruzado, mas sem precisão. De contra-ataque, Thiago Neves não conseguiu o drible, nem o pênalti. Para o Atlético Mineiro, Guilheme chutou de voleio, mas Felipe defendeu. No finalzinho do primeiro tempo, Ronaldinho chutou de bico, mas muito no goleiro. E o primeiro tempo acabou assim, sob vaias do Engenhão. Quase um incentivo para Ronaldinho, jogador de tantos jogos eternos, infelizmente um pouco menos com o Manto Sagrado.

E pior ainda para Flamengo, no início do segundo tempo, Serginho cobrou uma falta, Dudu Cearense cabeceou e abriu o placar para o Galo. Vanderlei Luxemburgo mexeu e mudou o sistema tático, entrando em campo Negueba e Deivid, no lugar de David Braz e Wanderley. Ronaldinho acordou, quase empatou de cabeça num cruzamento de Léo Moura, mas bola passou pra fora. Na metade do segundo tempo, Flamengo fez uma jogada rápida, de passes curtos e precisos. Renato Abreu para Thiago Neves para Deivid, que abriu na direita para Negueba, que cruzou. Bola foi desviada e voltou para Ronaldinho, craque de todos os domínios e recursos. O Bruxo dominou meio de barriga meio de quadril, e sem deixar a bola cair, pegou de voleio, mandou a bola na gaveta. Golaço.

Na sequência, Thiago Neves fez quase o mesmo domínio, meio de barriga meio de quadril, e mandou a bomba, que passou por muito perto do gol atleticano. O jogo tinha mudado, Thiago Neves quase virou, mas Réver salvou em cima da linha. Ainda na mesma jogada, um cruzamento de Léo Moura, bola voltou para Ronaldinho quase nas mesmas condições do primeiro gol. Essa vez o Bruxo dominou de sola e chutou cruzado, mas a bola apenas flirtou com a trave. O jogo era do Mengo, mas o placar ainda era de empate.

Faltando quinze minutos para o final do jogo, Deivid brigou por uma bola, que saiu na direita para Negueba, que cruzou forte de primeira. Na segunda trave, Thiago Neves apenas botou o pé para fazer o gol da virada. Flamengo continuou a dominar inteiramente o jogo, sem fazer outro gol, até com gol perdido inacreditável de Deivid, era acostumado com isso. Faltando 5 minutos para o final do jogo, Murulha, que tinha acabado de entrar no jogo, puxou mais um contra-ataque e deixou para Deivid, que chutou com força na gaveta para fazer o gol da vitória.

Nos acréscimos, Ronaldinho dominou de peito e fez jogar o time, que multiplicou os passes sob olés do Engenhão. Bola saiu até o incansável Léo Moura, que invadiu a grande área, fez a finta do cruzamento e finalmente cruzou para Deivid, sozinho na pequena área. Essa vez, Deivid fez o gol, também era acostumado com isso. Era o gol da goleada, de uma vitória empolgante do Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, que tinha condições para ir mais longe do que realmente foi.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”