Flamengo joga hoje contra o Atlético Mineiro no jogo de volta da Copa do Brasil, depois de perder 1×0 na ida. Em 2022, Flamengo também jogou contra o Atlético Mineiro nas oitavas da Copa do Brasil, também perdeu de um gol de diferença na ida, também precisava virar na volta.
Verdade que em 2022 o jogo de volta era no Maracanã, assim a virada parecia mais fácil. Ainda no Mineirão, depois da derrota 2×1 no jogo de ida, Gabigol prometeu aos atleticanos: “Quando eles forem para lá, vão conhecer o que é pressão e o que é inferno”. Mas ainda precisava de um jogão, de um Maraca lotado, o que foi o caso, com 62.624 pagantes, 68.747 presentes, e mais, contando os que invadiram o estádio sem ingresso. E o Maracanã virou um inferno mesmo, com uma das festas mais lindas dos anos recentes, uma festa que conquista até quem não torce para o Flamengo, mas apenas gosta de shows de torcidas em estádios de futebol. No Maraca, muita fumaça e um mosaico obvio e anunciador: “bem-vindo ao inferno”. O Flamengo começou a virar o jogo neste momento, sem os jogadores ainda em campo, apenas a Nação na arquibancada, cantando, gritando, infernizando.
No 13 de julho de 2022, o técnico Dorival Júnior escalou Flamengo assim: Santos; Rodinei, Léo Pereira, David Luiz, Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabigol, Pedro. Flamengo entrou em campo com tudo. Aos 12 minutos de jogo, número da torcida, Éverton Ribeiro fez grande passe para Arrascaeta, que cortou do pé direito, fez uma finta e chutou com o pé esquerdo. O Maracanã esperou, suspirou, Éverson salvou com grande defesa de uma mão só. O clima era tenso, David Luiz e Hulk se desentenderam e o juiz precisou intervir. O clima em campo se acalmou, o Maracanã não.
No final do primeiro tempo, num bom cruzamento de Rodinei, Pedro cabeceou, Éverson fez outra grande defesa num estilo atípico. E no finalzinho do primeiro tempo, Pedro agora no estilo garçom, usando o corpo para segurar a bola e puxar o ataque, servindo Arrascaeta na profundidade. O craque uruguaio chegou antes do Éverson, tocou de carrinho e a bola, lentamente, delicadamente, suavemente, foi morrer na rede. O Maracanã explodiu.
O placar estava empatado na soma dos dois jogos, mas como o Gabigol e toda a Nação prometeram, o Maracanã virou um inferno. Com uma hora de jogo, de novo os protagonistas principais do jogo. Falta de Éverton Ribeiro, cabeceada de Pedro, e na segunda trave, Arrascaeta tocando na bola com o cabeção, caindo no chão. Everson fez a defesa, a bola flirtando com a linha de gol. Depois de hesitação, o juiz apitou o gol. Depois de consulta ao VAR, o gol foi confirmado. Era a segunda explosão do Maraca, o segundo gol do Arrasca, o gol do ídolo, o gol da classificação. Do inferno ao paraíso, o Flamengo virou e, meses depois, conquistou o tetra da Copa do Brasil.








Deixe um comentário