Flamengo volta hoje no Brasileirão, que agora virou obrigação. Para a última rodada do primeiro turno, Flamengo joga contra Mirassol, um adversário que nunca enfrentou na história. Vou então para a lembrança de dia de um outro jogo contra um adversário inédito, que também joga em amarelo, Criciúma em 1988.
Depois de um início bem mediano no Brasileirão de 1988, com apenas duas vitórias em 7 jogos, Flamengo trocou de técnico e chamou o que é para mim o maior técnico da história do futebol brasileiro, Telê Santana. E Telê estreou com estilo no Flamengo, com vitória 5×1 sobre Guarani, onde o próprio Telê passou como jogador. Cinco dias depois, era a estreia do Telê no Maracanã, contra Criciúma, adversário contra Flamengo nunca tinha jogado, a não ser um amistoso em 1982 com uma derrota 4×2. No 28 de outubro de 1988, o técnico Telê Santana escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Xande, Aldair, Darío Pereyra, Leonardo; Luvanor, Delacir, Zinho, Zico; Sérgio Araújo, Bebeto. Alias, o 28 de outubro é um dia especial para o Flamengo, sendo o dia do flamenguista celebrando o São Judas Tadeu, padroeiro do Flamengo.
E no dia do Flamenguista, brilhou um jogador, um dos líderes da Seleção de Telê, o maior ídolo do Flamengo, Zico, “maestro e mais que maestro”. Aos 35 anos, Zico vivia com lesões, tanto que o jogo contra Criciuma valendo pela 10.a rodada do Brasileirão, foi apenas o quarto de Zico. Mas quem sabe nunca desaprende. Porém, sua primeira falta, pertinho da grande área, faltou de potência e o goleiro fez a defesa fácil. Zico não era só batedor de faltas, era maestro do time. Uma embaixadinha para vencer dois adversários no meio de campo e um passe preciso, milimétrico na profundidade para Sérgio Araújo, para Bebeto, para o fundo da rede.
Era só o início do show de Zico. Dribles, passes curtos, longos, até extra-longos, Zico não errava nenhuma. Uma pedaladinha e um drible seco para tirar um zagueiro, o passe e já solicitando a tabelinha, recebendo e já jogando de outro lado de calcanhar. Zico tinha tudo, extra-tudo. O segundo gol foi quase um replay em câmera invertida, Zico no meio do campo, o passe preciso, milimétrico na profundidade, agora para Zinho, de novo para Bebeto, de novo no fundo da rede.
No segundo tempo, de novo Zico no início da jogada, no meio do campo. E já sabe, um passe, mesmo com o pé esquerdo, preciso, milimétrico na profundidade. Bebeto pegou na velocidade e fez a finta para esperar um pouco. Zico não era tão rápido que Bebeto, tão rápido que ele mesmo anos antes, mas sabia tudo da bola. Chegou na entrada da grande área, chutou de primeira. Um chute poderoso, preciso, que passou em baixo do travessão por centímetros. Um chute indefensável, o gol da vitória certa. Um gol do maior ídolo, que mesmo no crepúsculo da carreira, iluminava o coração do torcedor, no dia do flamenguista e em cada dia do ano.








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