Jogos eternos #323: Corinthians 1×2 Flamengo 1999

Depois do susto na Copa Libertadores, Flamengo volta no Brasileirão, com a posição de líder ameaçada pelo Palmeiras. Antes do jogo contra o Corinthians, tinha muitas opções de jogos eternos, tanto nos anos recentes que nas épocas mais antigas. Mas fazia um tempinho que não escrevi sobre Romário, eu vou então de um jogo de 1999, como o Baixinho sendo mais uma vez o nome do jogo.

E um Corinthians x Flamengo de 1999 no Pacaembu, com doblete de Romário, inclusive um golaço, todo mundo tem o mesmo lance na mente, talvez menos Amaral, que procura até hoje a bola neste elástico inesquecível. Porém, já escrevi sobre este jogo, que aconteceu no início do ano de 1999 para o Torneio Rio – São Paulo. Hoje eu vou do Corinthians x Flamengo no final do ano, no Brasileirão.

E quem fazia a festa antes do jogo era o Corinthians. O Timão merecia o apelido com Dida no gol, Rincón, Vampeta e Ricardinho no meio, Edílson e Luizão no ataque. Era o atual campeão brasileiro e começou o Brasileirão de 1999 de maneira perfeita: 7 jogos e 7 vitórias! E mais, o jogo contra o Flamengo era no dia do aniversário do clube, que celebrava os 89 anos da fundação. O Flamengo, que já oscilava no início do Brasileirão com 4 vitórias e 3 derrotas, parecia ser apenas a próxima vítima. Talvez justamente por isso o Flamengo era perigoso e poderoso. Em 1.o de setembro de 1999, o eterno técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Clemer; Pimentel, Luiz Alberto, Fabão, Athirson; Jorginho Araújo, Leandro Ávila, Beto, Fábio Baiano; Leandro Machado, Romário.

E quem fez a festa no início do jogo ainda era o Corinthians. Com apenas 5 minutos de jogo, o Timão fez a diferença com seus craques. Ricardinho ganhou uma bola no círculo central e achou na direita Edílson, que esperou um pouco e achou do outro lado Luizão. O centroavante só teve a empurrar a bola na rede para abrir o placar. Logo depois, Luizão quase fez o segundo, mas chutou para fora. O Corinthians ainda atacava, Edílson tabelou com Luís Mário e chegou sozinho na pequena área para fazer o gol. Clemer saiu do gol e fez sua primeira defesaça do jogo.

Aos 27 minutos de jogo, Pimentel lançou a bola, perfeitamente dominada pelo Beto, que ainda fez o toque leve, nas costas da zaga corintiana, em direção ao Romário. Também de costas, o Baixinho dominou de peito, tocou uma vez na bola para se posicionar na frente do gol, e na continuidade da jogada, chutou forte, chutou firme, chutou no cantinho de Dida. Golaço de Romário, que ainda exibiu na comemoração uma mensagem na camisa: “Armas não protegem, matam”.

Quem matava era o próprio Romário. Aparecia pouco no jogo, mas sempre de maneira letal. Sete minutos depois do gol do empate, Beto, em posição de ponta-esquerda, cruzou. Romário subiu mais alto que Augusto, mais alto que o céu paulista. O Baixinho cabeceou e virou, calou o Pacaembu e estragou a festa corintiana.

No segundo tempo, foi a vez de Clemer brilhar, defendendo um pênalti que ele mesmo tinha concedido. Clemer ainda defendeu um chute potente de Edílson e um quase golaço de calcanhar de Fernando Baiano. O campeão – ex e futuro, o aniversariante, era o Corinthians sim, mas quem fazia a festa era a torcida do Mengo, com mais uma atuação memorável de seu craque e ídolo, o Baixinho Romário.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”