Antes da nova temporada, volto para um jogo aniversário que completa hoje 65 anos. A competição era amistosa, com uma única edição, mas com cara de Copa Libertadores. Com sedes em Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Montevidéu, o Gran Torneo Internacional de Verano, idealizado pelo presidente do Boca Juniors, Alberto Jacinto Armando, teve oito participantes: Flamengo, Vasco, São Paulo, Corinthians, Boca Juniors, River Plate, Nacional, Cerro. Apenas a ausência de Peñarol e Santos impede o torneio de ser o mais prestigioso possível.

Flamengo estreou bem na competição com vitória sobre o Corinthians no Pacaembu, um jogo já eternizado no Francêsguista. Os três outros jogos da rodada acabaram em empate e assim o Flamengo já era o líder isolado do torneio. De volta ao Maracanã, jogava contra São Paulo, que na estreia cedeu um empate 2×2 contra Vasco depois de vencer 2×0.

Para Flamengo, a dúvida era a presença de Dida, que tinha uma lesão na coxa. Finalmente, o ídolo rubro-negro, que tinha feito um gol no jogo anterior, foi confirmado. Em 7 de janeiro de 1961, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: Ari; Joubert, Bolero, Jadir, Jordan; Carlinhos, Gérson; Luís Carlos, Babá, Dida, Henrique Frade. Do lado do São Paulo, tinha alguns veteranos no time como o goleiro Poy e o elegante lateral-direito De Sordi, além de uma lenda do Flamengo no banco: o técnico Flávio Costa.

No Maracanã, São Paulo começou melhor. Aos 8 minutos de jogo, Paulo aproveitou de uma dupla falha do zagueiro Bolero e do goleiro Ari para abrir o placar. No restante do primeiro tempo, Flamengo tinha a bola, sem saber o que fazer. Até o grande locutor Oduvaldo Cozzi se desesperou: “Esse ataque do Flamenga está fazendo tricot, não, ponto de cruz. Aliás, não sei o que, mas a verdade é que está bordando demais”. A situação piorou para Flamengo com a lesão de Jadir, substituído por Nelinho. Ainda no primeiro tempo, Moacir entrou no lugar de Luís Carlos e iniciou a jogada do empate: Moacir para Henrique, para Gérson, para Dida, para Babá. “Babá, ao receber livre, chutou forte, cruzado e rasteiro. Poy pulou para a direita mas a bola entrou pela esquerda numa falha do goleiro, que ainda tentou defender com o pé, mas não conseguiu”, escreveu no dia seguinte o Jornal do Brasil.

No segundo tempo, o jogo mudou. Agora o relato do Diário da Noite: “A fisionomia da partida foi inteiramente mudada. O Flamengo deu ‘show’, reagiu sensacionalmente e passou de dominado a dominador”. Flamengo teve duas oportunidades com Babá e Dida, mas Poy fez grandes defesas. “Pressão espetacular do Flamengo. Defesa espetacular de Poy”, escreveu o Jornal dos Sports. Flamengo era espetacular, Poy também, Dida ainda mais. Agora a palavra para o Jornal do Brasil: “Dida recebeu uma bola na entrada da área, matou-a no peito, invadiu, ultrapassando Geraldo e Gérsio, e com chute espetacular, venceu Poy”.

Apenas três minutos depois, o juiz uruguaio marcou um pênalti polêmico para o São Paulo. “Flamengo lutou contra o São Paulo e o juiz”, escreveu o Diário de Notícias, quando o Diário da Noite julgou que o juiz era “muito confuso e prejudicando visivelmente o conjunto carioca”. Dino aproveitou do presente e empatou mais uma vez no jogo. Flamengo pressionou para conseguir uma segunda vitória na competição. No final do jogo, o pequeno Babá “deu violento chute de primeira, que passou a meia altura, pela esquerda de Poy, rumo ao fundo das redes”. Graças a sua dupla de baixinhos Dida – Babá, Flamengo vencia mais um e seguia isolado na liderança. Vinte dias depois, Flamengo derrotava Cerro no Centenário e levantava a taça inédita.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”