Jogos eternos #362: Flamengo 2×0 Fluminense 2012

De volta com os titulares, Flamengo venceu Vasco e já se recuperou no campeonato carioca. Agora é vencer outro clássico, o Fla-Flu, para se aproximar das quartas de final. Em 2012, Flamengo começou a segunda fase do campeonato carioca, a Taça Rio, com uma derrota contra Boavista. Se recuperou vencendo Duque de Caxias e enfrentou Fluminense para confirmar.

O Fla-Flu, o primeiro do ano do centenário do Flamengo, tinha muitos desfalques. Com jogo de Libertadores na quarta, o técnico tricolor Abel Braga poupou os principais jogadores, Deco, Thiago Neves e Fred. Do lado do Flamengo, tinha também a Libertadores chegando, e vários jogadores lesionados: Felipe, Léo Moura, Aírton, Willians, Camacho e Maldonado. O Renato Abreu tinha um problema no coração e Botinelli estava suspenso. Assim, em 11 de março de 2012, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Paulo Victor; Rafael Galhardo, Marcos González, David Braz, Magal; Muralha, Luiz Antônio, Kléberson, Thomás; Ronaldinho, Vágner Love.

Antes do apito inicial, o Fla-Flu já tinha dois personagens rubro-negros. O craque mágico de sempre, Ronaldinho, com um tabu que incomodava. Em 11 clássicos cariocas com o Manto Sagrado, Ronaldinho ainda não tinha feito sequer um gol. E tinha também o craque mais esforçado, igualmente pentacampeão em 2002, Kléberson. O meia brilhou no Flamengo no final da década de 2000, alcançando o bicampeonato carioca, o primeiro sob o comando de Joel Santana, e o Brasileirão de 2009. No início de 2011, perdeu espaço no time e foi mandado embora pelo Vanderlei Luxemburgo. Voltou ao Flamengo em 2012, mas não fez sequer um jogo, nem foi inscrito na Copa Libertadores e quase rescindiu. Finalmente, com tantos desfalques no meio de campo, Kléberson foi escalado no Fla-Flu pelo Papai Joel.

No Engenhão – o Maracanã estava com obras – Fluminense começou melhor, mas Paulo Victor fez a primeira de muitas defesas. Flamengo reagiu com Kléberson, que chutou fraco, permitindo a defesa de Diego Cavalieri. Na metade do primeiro tempo, o Ronaldinho Gaúcho apareceu. No meio do campo, abriu na direita e fez uma dupla tabelinha com o lateral-direito Rafael Galhardo, escalado no lugar de Léo Moura. Carleto fez uma falta desnecessária e o juiz marcou pênalti. Na cobrança, Ronaldinho chutou firme e pegou Cavalieri no contrapé. Finalmente, o Bruxo deixava sua magia num clássico carioca.

Quatro minutos depois, o lateral-esquerdo Magal, escalado no lugar de Júnior César, impediu a saída de bola e cruzou na segunda trave. Kléberson recuperou, chutou cruzado e venceu Cavalieri. O agora camisa 30 se tornava mais um personagem efêmero do eterno Fla-Flu. Ainda no final do primeiro tempo, Ronaldinho deu um pisão sobre Wagner. Já tinha recebido um cartão amarelo severo no início do jogo e foi expulso. O Bruxo estava fora, o Fla-Flu se tornava mais difícil e icônico. Precisava de um outro personagem rubro-negro.

E o herói do Fla-Flu se vestiu tudo de branco, calçava luvas. Ainda no primeiro tempo, o goleiro Paulo Victor, escalado no lugar de Felipe, fez defesaça num chute de longe de Carleto. Fez outra defesa milagrosa na frente de Jean, sozinho na grande área. O goleiro até levou os braços no céu. Tinha a proteção do profeta. Em 1963, o grande tricolor Nelson Rodrigues anunciava, pelo meio do profeta, a vitória do Fluminense no Fla-Flu decisivo. E Flamengo foi campeão, com grande atuação do goleiro quase desconhecido Marcial. Depois do título rubro-negro, escreveu Nelson Rodrigues: “ Amigos, ao terminar o grande Fla-Flu, o profeta tratou de catar os trapos e saiu do Maracanã, mas de cabeça erguida. Era um vencido? Jamais. Vencido, como, se temos de admitir esta verdade límpida e clara – o Fluminense jogou mais […] Marcial andou fazendo intervenções decisivas, catando bolas quase perdidas. Amigos, eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta só pode responder: – ‘Pior para os fatos!’”.

No segundo tempo, com um a mais em campo, Fluminense cresceu no jogo. E Paulo Victor foi gigante, com intervenções decisivas, na frente de Rafael Moura, nos chutes de longe de Diguinho e Leandro Euzébio. Flamengo lutou, resistiu e venceu. Repetia o profeta os fatos: com ídolos eternos e heróis improváveis, o Fla-Flu se veste de vermelho e negro.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”