Hoje é o aniversário de um dos maiores laterais esquerdos da história do Flamengo, na tradição de jogadores elegantes, técnicos e ofensivos. Alguns já foram eternizados na categoria dos ídolos, Júnior claro, Athirson também, ainda nosso técnico Filipe Luís.
Numa outra crônica, falei que gostava de dupla de laterais, Leandro – Júnior primeiramente, Jorginho – Leonardo logo depois, ainda teve Rafinha – Filipe Luís no time histórico de 2019. E antes disso, teve Léo Moura – Juan. Quando comecei a assistir aos jogos do Flamengo em 2007, Léo Moura e Juan eram os melhores jogadores do time. Dois laterais, sendo destaques principais de nosso Mengo. Só isso.
Juan, de nome completo Juan Maldonado Jaimez Júnior, nasceu em 6 de fevereiro de 1982, em São Paulo. Passou pela base do São Paulo FC, que também tem tradição de laterais. Sem estrear no Tricolor, foi vendido em 2001 no grande Arsenal de Thierry Henry, Patrick Vieira e Dennis Bergkamp entre outros. Na lateral-esquerda, tinha a concorrência de Ashley Cole e depois de Gaël Clichy. O lateral brasileiro disputou apenas dois jogos com os Gunners e foi emprestado ao Millwall. Em 2004, voltou ao Brasil, no Fluminense, onde conquistou o campeonato carioca de 2005 e foi vice-campeão da Copa do Brasil.
No final de 2005, assinou com o Flamengo, onde foi apresentado ao lado de Ronaldo Angelim e de outros dois reforços bem menos memoráveis, Marabá e Rodrigo. Depois de anos de sofrimento, os torcedores do Flamengo nem sabiam das felicidades que estavam chegando. E a alegria para Juan começou logo na estreia contra a Portuguesa, quando fez um gol num cruzamento de Léo Moura. Uma grande dupla de laterais tinha nascido. Escreveu Marcel Pereira no seu livro A Nação: “Foi com Leonardo Moura e Juan, entre 2006 e 2009, que o rubro-negro voltou a ter uma dupla de padrão verde e amarelo”.
Juan se firmou como titular na lateral-esquerda e ainda fez um golaço de fora da área contra Botafogo no campeonato carioca, um jogo eternizado no Francêsguista. Também fez um gol na goleada 5×1 contra Guarani na Copa do Brasil. Mas em toda sua trajetória no Flamengo, nenhum gol ultrapassa o gol contra Vasco na final da Copa do Brasil de 2006. Escreveu Marcos Eduardo Neves no livro 20 jogos eternos do Flamengo: “Provando a máxima de Gentil Cardoso – ‘A melhor defesa é o ataque’ –, Juan colocou seu nome na história. Cria do São Paulo, com passagem discreta pelo Arsenal, da Inglaterra, Juan Maldonado Jaimez Júnior, de acordo com o último sobrenome, estava no lugar certo. Lateral esquerdo do Flamengo, o jogador, que havia seis meses trocara o Fluminense pelo mais cotado dos Fla-Flus, em busca de maior reconhecimento em seu país natal, estava pronto para se tornar o ‘Don Juan’ de uma noite de gala que entorpeceria a torcida”.
Na ida, Flamengo venceu 2×0, outro jogo eternizado no blog. Tinha uma mão na taça, faltava ao menos um empate para deixar mais uma vez Vasco no vice. Flamengo fez mais. No Maracanã, aos 27 minutos, o lateral-direito Léo Moura chutou, bola foi bloqueada e voltou para o lateral-esquerdo, que se eternizou na história do clube com um chute mortal. Flamengo era bicampeão da Copa do Brasil, Vasco vice, Juan ídolo eterno. O jogador de então 24 anos explicou no final do jogo: “Eu, como lateral, nunca tive a pretensão de fazer um gol na final, ainda mais o do título. Sempre que paro pra pensar que fiz isso, fico meio viajando. Foi mais do que eu tinha sonhado. Foi maravilhoso. Aquilo vai ficar gravado na minha memória para sempre. Foi muito especial, talvez o maior momento da minha carreira”.
Juan continuou a ser decisivo com o Flamengo, principalmente quando valia muito. Na disputa de penalidades contra Botafogo na final do campeonato carioca de 2007, não tremeu e converteu a cobrança dele. Na final de 2008, de novo contra Botafogo, fez duas assistências no segundo jogo que consagrou Flamengo Rei do Rio pela 30a vez. E em 2009, Flamengo completou o tricampeonato carioca em cima do Botafogo, de novo com Juan decisivo. Na ida, provocou um pênalti que ele mesmo converteu. Na volta, fez mais um drible desconcertante para provocar uma falta que Kléberson transformou em golaço. Na disputa de penalidades, outra vez Juan na cobrança, outra vez no fundo do gol, outra vez Flamengo campeão. De novo, Juan ídolo eterno.
Foi eleito na seleção ideal do Brasileirão de 2007, o que lhe rendeu uma convocação na Seleção para o ciclo da Copa de 2010. No início do Brasileirão de 2009, abriu o placar contra Vitória, mas saiu machucado e faltou a metade do Brasileirão. Voltou na reta final do campeonato, com uma nova função. Explicou já na sua volta: “Agora, tenho que ter uma preocupação maior em marcar. Antes, podia atacar com mais liberdade. Tínhamos um esquema de três zagueiros que facilitava a minha vida neste sentido”. Mesmo sem fazer gols, Juan foi importantíssimo no Brasileirão, até o jogo decisivo contra Grêmio. Para Flamengo TV, Juan elegeu esse jogo o mais importante de sua carreira, até na frente do jogo contra Vasco da Copa de 2006. Porque agora, Flamengo era campeão brasileiro, depois de 17 anos na fila. E Juan, um ídolo eterno.
Em 2010, Juan seguiu como titular absoluto, mas sem as atuações impecáveis de antes. Fez seu último gol com o Manto Sagrado contra Grêmio Prudente, sem querer, querendo cruzar, acabando encobrindo o goleiro. Fez seu último jogo contra Santos, para fechar o Brasileirão de forma melancólica. Voltou para seu clube de origem, São Paulo, e conquistou o campeonato paulista de 2012 com o Santos de Neymar. Passou em seguida por vários clubes do Brasil: Vitória, Coritiba, Goiás, Avaí, CSA, Tombense, até pendurar as chuteiras com o Boavista em 2019. Com 32 gols em 256 jogos, é o terceiro maior artilheiro do Flamengo dentro os laterais esquerdos, ultrapassado apenas por Júnior e Athirson. Apenas isso. Conseguiu não ser apenas o cara que fez o gol contra Vasco na final. Porque Juan, durante anos, com desarmes certos, cruzamentos lindos e gols decisivos, foi muito mais que isso.








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