Jogos eternos #372: Flamengo 2×0 Vélez Sarsfield 1998

Flamengo perdeu 1×0 no jogo de ida da Recopa Sudamericana e precisa vencer Lanús por dois gols de diferença para levantar a taça. Vencer os argentinos, seja time grande seja time menor, nunca foi fácil, mas já aconteceu várias vezes na história do Flamengo.

Em 1998, Flamengo vivia uma péssima fase. No Brasileirão, tinha apenas 3 vitórias em 15 jogos e corria sério risco de rebaixamento. Na Copa Mercosul, estava um pouco melhor, mas longe do ideal: duas vitórias e duas derrotas. Nem a principal estrela do time, Romário, escapava das críticas, por alguns gols perdidos, acontecia sim, e um pequeno excesso de peso. Primeiramente nos microfones, o Baixinho rebateu as críticas: “Estou com 72 quilos, sim, e daí? O elefante é gordo, mas quando tem incêndio na floresta ninguém ganha dele na corrida”.

Na Copa Mercosul, se classificavam para as quartas de final o primeiro de cada grupo e os três segundos melhores dentro dos cinco grupos. Contra Vélez, maior a vitória, melhor para o Flamengo. Em 30 de setembro de 1998, o técnico Evaristo de Macedo escalou Flamengo assim: Clemer; Pimentel, Ricardo Rocha, Luiz Alberto, Wágner; Fabiano, Marcos Assunção, Cleisson, Beto; Rodrigo Fabri, Romário. Do lado do Vélez, tinha um de meus primeiros ídolos no futebol, o goleiro paraguaio Chilavert, que brilhou semanas antes durante a Copa do Mundo na minha França, quando eu tinha apenas 6 anos e descobria o futebol.

No Maracanã, bem vazio com apenas 396 pagantes e uma renda de menos de 3.000 reais, Romário precisou de apenas 13 minutos para calar as críticas em campo. Cleisson escapou na esquerda e cruzou na segunda trave, Romário, claro, não perdeu a chance e abriu o placar. Ainda amargo, o Baixinho comemorou de forma discreta. Do lado do Vélez, Chilavert teve sua chance, mas a bola de falta, também por isso adorava o Chilavert, passou em cima do travessão.

E Romário continuou a perder alguns gols inusitados, com duas tentativas desnecessárias de cobertura. E no final do jogo, o brilho da estrela, o gênio da grande área. Romário pediu a bola de Beto, recebeu na profundidade. Viu a saída do goleiro e antes de tocar a bola, já tinha visto tudo. De primeira, fez apenas o toque leve para tirar o Chilavert da jogada, agora sim a cavadinha inesperada e necessária, genial e imortal. A bola morreu na rede e na comemoração, Romário foi mais ofensivo e mandou um abraço particular para quem o criticou, mostrando o dedo do meio para o pequeno número de torcedores presentes.

Para fechar a crônica, uma palavra sobre Chilavert, que no final do jogo agrediu um fotógrafo brasileiro. Ficou meu ídolo por algum tempo antes de perder a idolatria, com alguns ainda recentes posicionamentos duvidosos e declarações de imensa burrice. Prefiro ficar com o Romário, que merecia jogar a Copa de 1998 pelo futebol que tinha. O Flamengo de 1998 não foi genial e o Romário nem sempre foi. Mas, na frente de um dos maiores goleiros do mundo, o Baixinho ainda tinha seus momentos de genialidade.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”