Sem jogo do Flamengo hoje, eu vou de um jogo aniversariante e aproveito o momento para homenagear um saudoso jogador do Flamengo. Na semana passada, completaram-se 10 anos desde que o Gaúcho nos deixou de uma forma tão precoce, com apenas 52 anos, de um maldito câncer de próstata.
De nome completo Luís Carlos Tóffoli e – claro – oriundo do Rio Grande do Sul, Gaúcho começou a carreira no próprio Flamengo, onde fez apenas dois jogos entre 1982 e 1984. Passou por vários clubes e voltou no Flamengo no início de 1990, onde já começou a fazer seus gols, principalmente de cabeça. Gaúcho foi um dos maiores centroavantes e talvez o maior cabeceador da história do Flamengo.
Gaúcho mostrou sua habilidade com a cabeça em vários estádios do Brasil. No Maracanã claro, mas também num estádio ao mesmo tempo pequeno e gigante, o estádio da Gávea. Nos anos 1990, Flamengo mandou vários jogos na Gávea, principalmente no campeonato carioca. Na edição de 1990, Gaúcho começou a competição com 5 gols em 8 jogos. Desses 5 gols, já três foram de cabeçada.
Em 25 de março de 1990, para enfrentar o Campo Grande, o técnico Valdir Espinosa escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Mário Carlos, Fernando César, André Cruz, Leonardo; Ailton, Júnior, Zinho; Marcelinho Carioca, Alcindo, Gaúcho. O Flamengo vivia mais uma vez um momento delicado, o técnico Espinosa tinha o cargo ameaçado e o estádio da Gávea estava quase vazio, com menos de 1.500 presentes.
E o Espinosa salvou sua cabeça com cabeçadas. Na metade do primeiro tempo, Alcindo cruzou na direita, Gaúcho pulou, cabeceou e abriu o placar. No segundo tempo, o garçom virou artilheiro. O Maestro Júnior cobrou perfeitamente uma falta, Alcindo conseguiu o cabeceio e venceu o goleiro.
Quando a vitória parecia certa, Flamengo se complicou a vida. Teve um gol mal anulado do Campo Grande, que logo depois, fez um gol, agora validado pelo juiz, que mesmo assim errou na súmula em atribuir o gol ao Nilton. A torcida rubro-negra podia tremer o empate, mas o Gaúcho salvou o jogo e o técnico com o que sabia fazer. Na esquerda, Leonardo cruzou bem alto, Gaúcho pulou ainda mais alto, ao menos mais alto que os adversários, e cabeceou firme para definir o placar.
No Jornal dos Sports, Gaúcho ganhava a nota 7: “Dois gols de cabeça. Uma impulsão impressionante, ganhando a maioria das jogadas”. Apenas foi superado pelo baixinho Marcelinho Carioca: “O grande nome do jogo. Substituiu Edu sem se incomodar até em vestir a camisa 10 que já foi de Zico. Errou pouquíssimos passes, nunca deu mais do que três toques na bola e iniciou as jogadas de todos os gols do Flamengo”. Com a magia nos pés de Marcelinho e a magia no ar de Gaúcho, o Flamengo, mesmo em crise, era capaz de muita coisa.








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