Jogos eternos #383: Flamengo 7×1 Goytacaz 1979

Ainda sem jogo do Flamengo hoje, eu vou de outro jogo aniversariante, com uma partida de 1979, a temporada em que Zico fez mais gols. Apenas pelo Flamengo foram 81 gols, e pode acrescentar 7 gols com a seleção brasileira e um gol com uma seleção FIFA no Monumental contra o campeão do mundo, a Argentina.

No final de março, Zico já vinha de um jogo com 3 gols contra o São Cristóvão. E tinha uma boa notícia para os torcedores rubro-negros em particular e os apaixonados do futebol em geral, Pelé ia vestir o Manto Sagrado ao lado de Zico para um amistoso contra o Atlético Mineiro, marcado uma semana depois. “Pelé e Zico é até uma covardia”, escreveu o Jornal dos Sports. Mas tem outra covardia mais simples: ter Zico no seu time.

No “I Campeonato Estadual”, chamado depois de campeonato carioca especial, Flamengo ainda andava invicto e seria o caso até o final da competição. O adversário era Goytacaz, essa era a novidade do campeonato, incluía times do interior. Em 29 de março de 1979, o técnico Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim: Cantarele; Toninho Baiano, Rondinelli, Manguito, Júnior; Andrade, Tita, Zico; Luisinho, Júlio César, Reinaldo.

Com um time bem inferior, o Goytacaz apostou na violência. Deu muito errado. E logo no início, começou o show do Flamengo, ou melhor, o show do Zico. Com 10 minutos, claro 10, Toninho fez belo cruzamento e Zico cabeceou para abrir o placar. “O domínio do campeão carioca era absoluto e o marcador bastante justo”, escreveu o Jornal dos Sports. Ou talvez até injusto, de tanta dominação rubro-negra. Só no final do primeiro tempo Flamengo conseguiu o segundo gol, com o primeiro pênalti do dia, claro cobrado pelo Zico.

Ainda no primeiro tempo, Goytacaz aproveitou de uma falha de Cantarele para fazer um gol e voltar com apenas um gol de atraso. E ainda aumentou a agressividade em campo. “O espetáculo, que poderia ter sido bonito desde o início, foi comprometido pela violência do Goytacaz, sob as vistas complacentes do juiz”, julgou o Jornal do Brasil. No início do segundo tempo, Flamengo teve outro pênalti. Outra vez Zico, outra vez no canto esquerdo. Gol do Flamengo, gol de Zico. O Goytacaz estava perdido em campo e cometeu outro pênalti nove minutos depois. Zico cobrou no mesmo lugar e já fazia seu quarto gol do jogo.

Entre tantos pênaltis, chegou o golaço do dia. Na esquerda, o grande ponta Júlio César levantou com facilidade a bola, Júnior completou a tabelinha com uma cabeçada leve. De primeira, Júlio César tocou mansamente na segunda trave, para a chegada de Zico, para o quinto gol dele. Em 10 jogos do campeonato, Zico tinha feito ao menos um gol em todos os jogos e já chegava aos 20 gols! “No segundo tempo, o que o Flamengo fez em campo só tem uma qualificação: covardia”, ainda escreveu o Jornal dos Sports.

No final do jogo, uma mão de Carlinhos e mais um pênalti para o Flamengo. Zico trocou de lado mas o destino foi o mesmo: bola na rede, gol do Flamengo, gol de Zico. Nosso Rei fazia seu sexto gol na partida e ingressava em um clube com apenas Nelson, Alfredinho e Leônidas, outros que fizeram 6 gols num jogo do Flamengo, todos 40 anos ou mais atrás. Na verdade, Zico está sozinho no clube dele, o do maior ídolo do Flamengo.

O show do Flamengo terminou com um gol de falta e pode crer, não foi de Zico. Na direita, Júlio César cobrou perfeitamente e foi o melhor jogador humano do jogo. Zico era outra coisa, de outro planeta. E o Flamengo nem precisava de Pelé, tinha Zico. Na manchete, o Jornal dos Sports foi certeiro: “É Zicovardia”.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”