Flamengo reestreia hoje na mais bela de todas, a Copa Libertadores. O Mengo joga no Peru, contra o Cusco, time de pouca tradição na Copa Libertadores, com apenas três participações na fase de grupos até aqui. Para o jogo eterno do dia, eu vou então de um jogo contra um dos maiores times do Peru, o Alianza Lima, em 1958, dois anos antes da criação da Copa Libertadores.
Flamengo começou a temporada de 1958 com uma excursão na América do Sul, como era de costume na época. Estreou no Peru, contra o Alianza Lima, campeão peruano em 1957. O técnico rubro-negro Fleitas Solich ainda não tinha a certeza de ficar no cargo e foi substituído para a excursão pelo antigo ídolo Jaime de Almeida. Para o primeiro jogo do ano, em 9 de janeiro de 1958, Jaime de Almeida escalou Flamengo assim: Fernando; Joubert, Pavão; Jadir, Dequinha, Jordan; Moacir, Joel, Zagallo, Dida, Henrique Frade.
Flamengo jogava em Lima, cidade de tantas alegrias rubro-negras mais de 60 anos depois. “O interesse e a expectativa que cercaram esta primeira apresentação do tricampeão carioca, foi das maiores, refletindo-se perfeitamente na plateia monumental que compareceu ao estádio Nacional de Lima, lotando-se quase que totalmente”, escreveu no dia seguinte o Jornal dos Sports. Com apenas 16 minutos de jogo, Flamengo já abria o placar. O Jornal dos Sports descreveu o gol de Henrique, “que concluindo perigosa trama do ataque rubro-negro, onde todos os jogadores participaram, conseguiu burlar a vigilância do goleiro Ormenho, com tiro seco e rasteiro no canto esquerdo da meta peruana”.
Flamengo chegou ao intervalo com um gol de vantagem. “Não se pode negar a justiça do marcador final do primeiro tempo”, julgou o Jornal dos Sports. No segundo tempo, o time local foi melhor e ameaçou a meta rubro-negra. O goleiro Fernando fez algumas defesas e impediu o empate. “Até os dez minutos da fase final, as ações pertenceram inteiramente ao Alianza, travando seu ataque, tremendo duelo com a defensiva rubro-negra, que saiu vitoriosa neste período crítico, mantendo incólume sua cidadela. E, a partir do décimo minuto, a equipe carioca, refeita da pressão dos locais, começou a manobrar com maior desenvoltura, equilibrando as ações”, prosseguiu o Jornal dos Sports. E na metade do segundo tempo, Jordan abriu para Zagallo. O ainda não campeão do mundo cruzou, Dida chegou e fez o segundo tento do Mengo.
O segundo gol mudou o panorama do jogo. Ainda o Jornal dos Sports: “Flamengo passou a atuar livremente, manobrando dentro do campo contrário, exercendo por vezes, tremendo bombardeio à meta de Ormenho, que efetuava milagrosas intervenções, tudo fazendo para evitar a conquista do terceiro tento rubro-negro que se apresenta iminente”. Dida e Zagallo tocaram na trave, teve um gol mal anulado de Henrique, mas nada de terceiro gol. Flamengo vencia 2×0, um “resultado justíssimo” segundo o Jornal dos Sports.
Já o Jornal do Brasil relatava a avaliação da imprensa do Peru: “Atribuem ao quadro carioca qualidades de domínio da bola se bem que com o que se considera a tradicional falha do futebol brasileiro: nervosismo na área de gol e falta de iniciativa final para consignar o tento”. Flamengo fechou a excursão com apenas uma derrota em 8 jogos, contra o Racing, e teve uma vitória de prestígio contra o Boca Juniors na Bombonera. Realmente, 1958 foi um ano de brilho do futebol brasileiro.






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