
Encontrei Deus, Nosso Rei, O Galinho de Quintino, Arthur Antunes Coimbra. Zico. E como a vida é bem-feita, essa crônica da categoria da Geral, é a número 10, como a camisa que Zico eternizou com o Manto Sagrado.
Encontrar Zico fazia parte das coisas que eu queria fazer durante minha temporada no Brasil. Imaginava ser no Centro de Futebol Zico, o CFZ lá no Recreio dos Bandeirantes, mas quando soube que ele estava no Leblon para o lançamento do livro A história com o Flamengo, de Luís Miguel Pereira, não perdi a ocasião. Eu ia encontrar Zico, ainda sem acreditar, sem ousar sonhar.
Realizei o sonho de muitos flamenguistas, encontrar Zico. Mas também um sonho que muitos flamenguistas já realizaram. Porque Flamengo é uma Nação, tem muita muita gente, e é o maior sonho de muitos flamenguistas de encontrar nosso maior ídolo, e porque Zico é muito muito acessível. Então ele já realizou o sonho de muita gente, e continua a fazer isso para minha alegria.
A humildade de Zico é bem conhecida. Uma coisa que me marcou é que, claro, todo mundo queria sua foto como o Nosso Rei. Servi três vezes de fotografo para as pessoas na minha frente. E a cada vez, Zico olhava o celular, claro, mas não por 3 ou 4 segundos e depois voltava a assinar os livros, e tinha muitos livros. Não, Zico olhava o celular até o fotografo baixar o celular. Assim, ele tinha certeza que teve tempo para a pessoa tirar uma foto legal. Parece pequena coisa, mas não é.
Zico brincou também com um garoto, falando do gol de Rondinelli contra Vasco em 1978. “E pesquisa quem bateu o escanteio!”. E depois o momento de minha maior emoção, meu encontro com Zico. Falei que era francês, mas o nome para a assinatura era “Marcelino”, porque para os brasileiros “Marcelino” é mais fácil que “Marcelin”. Então Zico brincou comigo também: “Francês e se chama Marcelino? Quer nos enganar, é francês paraguaio!”. Zico é de uma simplicidade extrema, te deixa a vontade apesar de o momento ser irreal. Mas sim, sou bem francês, sou flamenguista e sou fã de Zico.
Já falei que Flamengo tem muita chance de ter uma torcida assim. E Flamengo, e a torcida, têm muita chance de ter um ídolo maior como o Zico. É a personificação do Flamengo, de Quintino até o Mundo. Nunca desrespeitou o clube, nunca se colocou acima do clube, apesar de representar tanto para o Flamengo. A relação entre Zico e o Flamengo é única no Brasil, não tem outro clube que tem um ídolo como Zico é ídolo no Flamengo.
Já falei também que meu melhor momento no Rio com o Flamengo desde minha chegada foi o AeroFla, um momento único da demonstração do que é a torcida do Flamengo. Em segundo, tem que ser um momento no Maracanã, o pré-jogo da final da Copa do Brasil contra o Corinthians. Terceiro, provavelmente um título, o da Libertadores, vivido na Rocinha. Tem também o Fla-Flu e o reencontro com Gabriel, cantando o hino juntos depois do gol do Ganso que não calou o Maracanã. Tem também claro a recepção dos campeões no Centro do RJ, um momento único entre os jogadores e a torcida. Mas acho que o encontro com Zico supera todos esses momentos. Esses outros momentos, eu sei que estava lá, mas não conheço a data. Vou ter que aprender a data do Tri sim, mas a data do encontro com Zico, o 18 de novembro de 2022, fica marcada na história. E acho que agora todos os 18 de novembro, até o fim de minha vida, vou relembrar que nessa data encontrei Deus.
No 18 de novembro de 2022, Zico conseguiu fazer mais uma proeza, ele conseguiu se tornar ainda mais ídolo do que ele era antes para mim.







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