Hoje é dia de Fla-Flu, o clássico mais charmoso do Rio de Janeiro. Desde sempre, ou melhor, desde 40 minutos antes do nada, o Fla-Flu faz a história do futebol carioca e brasileiro. Muitos jogadores brilharam, se eternizaram no Fla-Flu ao mesmo tempo que eternizaram o Fla-Flu. Foi o caso de um dos maiores ídolos do Flamengo, Adriano, que fez um doblete num Fla-Flu decisivo para o título do Brasileirão de 2009 e de novo foi o grande homem do Fla-Flu no início de 2010.
No campeonato carioca de 2010, Flamengo começou com 4 vitórias. Com um detalhe, em cada jogo, tomou ao menos um gol. Mas Flamengo tinha um grande ataque, uma grande dupla, o “Império do Amor” com Adriano e Vágner Love. No jogo anterior, uma vitória 3×2 contra o Americano, pela primeira vez, Adriano e Vágner Love marcaram no mesmo jogo. E mais impressionante, o gol de Vágner Love foi um golaço talvez único na história do futebol. Na saída da bola, só Adriano e Vágner Love tocaram a bola, uma dupla tabelinha antes do gol de Vágner Love, segundos depois do gol do Americano. Uma dupla de ouro, que mostrava que o amor era mais forte que tudo.
No 31 de janeiro de 2010, o também ídolo Andrade escalou Flamengo assim: Bruno; Gonzalo Fierro, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Toró, Fernando, Kléberson, Petkovic; Vágner Love, Adriano. Do outro lado, Fluminense estava treinado pelo Cuca, que passou pelo Flamengo em 2009. Apesar da ausência de Fred, Flu tinha um belo time, liderado pelo craque argentino Darío Conca. Fluminense também começou o campeonato carioca de 2010 com 4 vitórias, com outro detalhe, não tomou gol em nenhum jogo. Mas ainda não tinha enfrentado a dupla Adriano – Vágner Love.
No Maracanã, pronto a ser demolido na sua alma para a Copa do Mundo, Fluminense começou melhor o jogo. Com 13 minutos, Alan aproveitou do bom passe de Diguinho e do mal posicionamento de Juan para abrir o placar. Fluminense continuou a ter controle do jogo e conseguiu um pênalti, transformado pelo Conca, no contrapé de Bruno. Dois minutos depois, outro pênalti, agora pelo Flamengo. Primeiro gesto de amor no Maraca neste dia, Adriano reduziu a vantagem com tranquilidade, também no contrapé de Rafael. No finalzinho do primeiro tempo, num escanteio, Cássio aproveitou da hesitação da defesa rubro-negra para fazer o gol do 3×1. Dono absoluto do jogo, Fluminense estava no caminho de uma vitória quase certa. Fla fez história em 2009 com o hexa, mas Flu também escreveu páginas do futebol brasileiro, se livrando de um rebaixamento quase certo, o que lhe ofereceu o apelido de “time de guerreiros”. Mas o amor é maior que a guerra.
No intervalo, Andrade sacou Fernando e Petkovic, que não brilhou muito no seu 150o jogo com o Flamengo, o que lhe valeu uma camisa especial. Entraram Willians e Vinícius Pacheco, uma dupla em evidencia já no início do segundo tempo, quando Willians achou Vinícius Pacheco, que achou a trave num chute de longe. Mas Flamengo tinha uma dupla muito melhor. Na cobrança do escanteio que seguiu o chute de Pacheco, a bola subiu no ar, o Imperador foi mais forte que três zagueiros para deixar a bola viva, a bola sobrou nos pés de Vágner Love, que fuzilou Rafael para acreditar na virada.
Dois minutos depois, Vinícius Pacheco chegou na direita e cruzou atrás, Kléberson chegou em velocidade e chutou, Flamengo chegou ao empate. Depois de sofrer muito no primeiro tempo, Flamengo voltava no jogo, empatou e agora queria mais, queria a vitória e o amor da torcida. Com uma hora de jogo, Álvaro foi expulso com um segundo cartão amarelo, Flamengo estava com um a menos, mas tinha alguma coisa a mais, tinha apoio da torcida nas arquibancadas e tinha o Império do Amor no campo. Faltando dez minutos para o jogo acabar, Toró fez lançamento para Vágner Love, que dominou perfeitamente, driblou um e fez um passe, também perfeito, para Vinícius Pacheco, que só teve a fazer o passe lateral para o gol fácil de Adriano. Pela primeira vez no jogo, Flamengo estava na frente, muito graças a dupla Adriano – Vágner Love.
O Fluminense estava derrotado, em campo e no moral, caiu como o último soldado numa guerra perdida. No último minuto, mais um lançamento preciso de Willians, para Adriano, no limite do impedimento. Reinando sozinho, o Imperador teve tempo de olhar para o bandeirinha, se aproximar do goleiro, fazer seu terceiro gol do dia. O Império do Amor derrotava o time de guerreiros com uma virada inesquecível, um 5×3 que eternizava ainda mais o Fla-Flu e um ídolo na Nação, Nosso Didico.








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