Jogos eternos #105: Flamengo 2×0 Fluminense 2009

Eu já escrevi numa crônica anterior que o Brasileirão de 2023 estava perdido para o Flamengo. Mas escrevi isso no frio da derrota, e agora, no calor da vitória, ainda quero acreditar ao título. Até porque tem um precedente, um Brasileirão que parecia muito perdido, uma época em que já sonhar para a classificação na Libertadores era sonhar alto. Mas Flamengo é maior que os sonhos mais altos.

Em 2009, depois dos dois terços do campeonato, Flamengo estava na oitava colocação, 12 pontos a menos do que o líder, Palmeiras. Era impossível acreditar ao título, menos para quem queria acreditar, para quem tinha fé e amor pelo Flamengo. Depois do empate 0x0 contra o Internacional, Flamengo afrontava Fluminense, que também conheceu um milagre este ano, se salvando do rebaixamento apesar de apenas 2% de chance de permanecer na Série A num momento do campeonato.

No 4 de outubro de 2009, o técnico e ídolo Andrade escalou Flamengo assim: Bruno; Léo Moura, David Braz, Ronaldo Angelim, Éverton; Airton, Maldonado, Petkovic; Zé Roberto, Dênis Marques, Adriano. Do lado do Fluminense, Darío Conca no campo e Cuca no banco, Cuca que começou o Brasileirão 2009 com o próprio Flamengo e foi demitido depois de 14 jogos, deixando o Flamengo na 11a colocação, muito longe do título.

Para o Fla-Flu, um Maracanã cheio, 78.409 pagantes, um recorde no ano que só seria ultrapassado nos dois últimos jogos do Flamengo no campeonato, e 82.566 presentes. Um Maracanã, já sem geral, mais ainda antigo, pronto a vibrar, a explodir, com o gol do Flamengo, com a grande atuação de um craque, de um ídolo. E o Maracanã começou a vibrar com apenas 4 minutos de jogo e um lance perigoso de Zé Roberto, que jogou muito nesse final do Brasileirão, mas o goleiro Rafael fez a defesa. Adriano também chutou no gol, mas Rafael defendeu de novo. Primeiro tempo foi animado, com lances dos dois lados, mas nada de gol. No intervalo, 0x0.

E o Maracanã vibrou no início do segundo tempo, com uma dupla de ídolos, que brilhou muito no início da década e, a torcida ainda não sabia, ia brilhar ainda mais nesse Brasileirão. Petkovic com um tapa de qualidade bem ao seu estilo para Adriano, que dominou já na direção do gol. Adriano chutou de pé direito e Rafael defendeu mais uma vez. No momento, ainda 0x0. Alguns minutos depois, no campo de Fluminense, Zé Roberto derrubou a bola nos pés de Fabinho, partiu para o ataque, deixou para Adriano. Nosso Didico fez uma finta de corpo e esperou o momento certo para fazer o drible e abrir o ângulo no pé esquerdo. O Imperador chutou entre as pernas de Fabinho sim, de Luiz Alberto também, fez o gol. O Maracanã explodiu, 1×0 no Fla-Flu.

E doze minutos depois, num lançamento aéreo de Léo Moura, Adriano recebeu sozinho na grande área. Dominou perfeitamente e esperou um pouco, só o tempo de o goleiro perder um pouco de seu equilíbrio. Adriano chutou de pé direito, fez seu segundo do jogo, seu décimo quinto do campeonato, deixando para trás os agora ex-artilheiros Diego Tardelli e Jonas. O Maracanã em festa, 2×0 para Fla.

No final, 2×0 para Flu num Maraca cheio de alegria, nosso Didico fazia aqui uma das atuações mais brilhantes de um jogador no Fla-Flu, o clássico mais charmoso de Rio, um clássico que viu desfilar alguns dos maiores craques do futebol. Adriano decidia quase sozinho o Fla-Flu e Flamengo podia sonhar com uma classificação na Libertadores. Mas, a torcida ainda não sabia, Flamengo ia fazer ainda mais.

2 respostas a “Jogos eternos #105: Flamengo 2×0 Fluminense 2009”

  1. Avatar de Jogos eternos #126: Flamengo 5×3 Fluminense 2010 – Francesguista

    […] o Fla-Flu. Foi o caso de um dos maiores ídolos do Flamengo, Adriano, que fez um doblete num Fla-Flu decisivo para o título do Brasileirão de 2009 e de novo foi o grande homem do Fla-Flu no início de […]

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  2. Avatar de Jogos eternos #209: Flamengo 3×2 Fluminense 2013 – Francêsguista, as crônicas de um francês apaixonado pelo Flamengo

    […] muitas vezes aqui, por exemplo o 5×2 de 1972, o 5×3 de 2010, o 4×1 de 1976, o 2×0 de 2009, o 3×2 de 1993, o 3×2 de 2000, o 3×2 de 2011, muitas vezes 3×2. O Fla-Flu […]

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”