Flamengo fez o primeiro passo e eliminou o Cruz Azul da Copa Intercontinental. O destino agora é Pyramids, time do Egito. É a segunda vez da história que Flamengo joga contra um time egípcio, a primeira e última vez foi há quase três anos, na mesma competição, embora com um formato diferente. Só que o jogo contra Al Ahly em 2023 valia nada.
Na época, a eliminação na semifinal contra Al-Hilal foi uma desilusão. Acho que pesou o fato do torneio acontecer no início de 2023, com uma nova temporada, com jogadores diferentes, e loucura, com novo treinador depois da brilhante passagem de Dorival Júnior. Mas o Flamengo também teve soberba, principalmente a torcida, louca para ver a hora do Real Madrid chegar. Hoje, a coisa me parece ser bem diferente, talvez pela mudança do formato do torneio, talvez pelas lições aprendidas.
E assim o jogo no Marrocos contra Al Ahly valia nada. Mas jogando com o Manto Sagrado, o jogo sempre vale. E mais, tinha que escapar de mais uma vergonha, de mais uma derrota para não fechar a competição no quarto lugar, o que no Brasil apenas Palmeiras teve o vexame de fazer, perdendo em 2021 a disputa pelo terceiro lugar, justamente contra Al Ahly.
Em 11 de fevereiro de 2023, o técnico Vítor Pereira escalou Flamengo assim: Santos; Varela, David Luiz, Fabrício Bruno, Ayrton Lucas; Thiago Maia, Vidal, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabigol, Pedro. Na época, eu morava na Rocinha, e depois da desilusão contra Al-Hilal, ninguém ligava para o jogo. Assisti ao jogo no meu amado restaurante Amarelinho, quase vazio neste momento – jogo aconteceu ao meio dia no Brasil. Era um jogo longe de meus sonhos, mas era jogo do Mengo, era jogo para valer.
Aos 10 minutos de jogo, no estádio Ibn Batouta de Tanger, Arrascaeta achou na grande área Varela, que caiu. O juiz marcou pênalti, Gabigol cobrou e abriu o placar. Na Rocinha e no Brasil inteiro, uma alegria bem tímida, o Mundial já era perdido. Gabigol vestia agora a camisa 10 e já não correspondia mais, fazendo gols apenas de pênalti, perdendo um gol feito depois de cabeceio de Pedro. Flamengo não estava bem no jogo e cedeu o empate no final do primeiro tempo num escanteio. A vergonha maior ameaçava.
No início do segundo tempo, Gabigol perdeu outro gol no ataque, Thiago Maia na defesa se atrapalhou e cometeu pênalti. Ali Maâloul cobrou, Santos defendeu e salvou o rubro-negro. Porém, três minutos depois, Abdelkader se divertiu na grande área flamenguista, fintou na frente de três jogadores, achou espaço para chutar e vencer Santos. Al Ahly virou, o Flamengo de 2023 parecia ser só frustração.
Na metade do segundo tempo, Ayrton Lucas chegou perto do gol e foi derrubado pelo Mohahmed. Com auxílio do VAR, o juiz anulou o pênalti que tinha apitado, mas expulsou o jogador egípcio. Mesmo com um jogador a mais, Flamengo não conseguia impor o ritmo do jogo e quase sofreu o terceiro gol. Faltando 15 minutos para o final do jogo, Gabigol cruzou, o goleiro do Al Ahly se atrapalhou com o zagueiro, Pedro aproveitou para tocar de cobertura e empatar. Alguns minutos depois, o juiz marcou outro pênalti, agora para o Flamengo. Gabigol cobrou com categoria, fez o segundo dele no jogo. Flamengo virou e finalmente se aproximou do terceiro lugar.
Nos acréscimos, Pedro aproveitou de outra falha da zaga egipciana e também fez o segundo dele para definir o placar. Pedro já tinha feito um doblete na semifinal e se sagrou artilheiro da competição com 4 gols. Flamengo, mesmo num ano muito ruim, vencia o time do Egito e conseguia um terceiro lugar de pequena consolação para a torcida. O ano de 2025 é bem diferente, e o jogo contra Pyramids não vale mais nada, vale tudo.







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