A diretoria do Flamengo fez um dos maiores absurdos da história do clube. Filipe Luís, campeão do Brasileirão e da Copa Libertadores há menos de quatro meses, foi demitido. Escrever isso ainda parece uma loucura absoluta.
Eu estava num voo para o Brasil quando Flamengo jogou contra Madureira no jogo de volta da semifinal. Com a vitória 3×0 na ida, estava confiante para Flamengo chegar até a final. Uma virada do Madureira parecia improvável. Quando o voo posou, liguei a Internet e entrei no Instagram. Antes mesmo de saber o resultado do jogo, vi que Filipe Luís tinha sido demitido. Imediatamente, pensei que Flamengo tinha levado a virada improvável. Só um roteiro impossível podia explicar a queda de um dos maiores técnicos da história do clube. Depois, vi que Flamengo tinha vencido 8×0. Deve ser um caso único na história do futebol mundial, um clube vence 8×0 e a diretoria demite o técnico. Um absurdo. Ontem comentei isso com um vendedor na praia de Copacabana, que me disse sorrindo: “Devia ganhar 20×0”.
Verdade que o Flamengo de 2026 não convenceu e pouco venceu. Perdeu a Supercopa do Brasil e a Recopa Sudamericana, duas competições que Flamengo precisa vencer sim, mas que não definem o sucesso ou não de uma temporada. Verdade também que perder essas duas competições lembram o péssimo ano de 2023, de longe a pior temporada recente do Flamengo. E com a demissão de Filipe Luís, parece ainda mais 2023.
Em 2022, também teve uma dupla de títulos no Brasil e na América, com a Copa do Brasil e a Copa Libertadores. E a diretoria rubro-negro já tinha feito um erro grosseiro, mandando embora o técnico Dorival Júnior, de forma injusta. Ainda mais para contratar o português Vítor Pereira, que com o Corinthians, tinha sido o vice de Dorival Júnior na Copa do Brasil. No Flamengo de 2023, Vítor Pereira perdeu a Supercopa e a Recopa. Pior ainda, perdeu a final do campeonato carioca contra Fluminense, de maneira improvável, uma se não a maior frustração de minha vida num estádio de futebol. E foi ali o fim da linha do português.
Depois, a diretoria do Flamengo improvisou, contratou Jorge Sampaoli, que convenceu ainda menos, que também foi vice. E ainda teve a passagem apagada de Tite, até finalmente se recuperar com o Filipe Luís. E o ciclo começa de novo, ou se fecha de novo, não sei mais. Filipe Luís ganhou quase tudo entre 2024 e 2025. Concordo que não é motivo para ficar com o técnico. Motivo era o que 2026 podia trazer, já a final do campeonato carioca contra Fluminense, o Brasileirão, a Copa Libertadores, quem sabe mais. Agora não tem mais.
Antes mesmo da demissão de nosso ídolo, a diretoria negociava com o Leonardo Jardim para o substituir. Outro português que foi bem no Brasil. Mas Flamengo não é o Corinthians, não é o Cruzeiro, é o Flamengo, é diferente de tudo. E já vejo 2023 se aproximar, o Leonardo Jardim não render, a diretoria sem solução e piorar ainda mais com a nomeação de outro técnico, que vai render ainda menos. Claro, espero estar errado, mas acho que o Flamengo vai pagar caro pelo erro da diretoria. Pior ainda, ou igualmente ruim, a gente também perdeu o assistente Rodrigo Caio, que mostrou muita classe ao se demitir ao mesmo tempo que o Filipe Luís. Os dois são ídolos, têm muita classe, o que não é o caso da diretoria agora.
Enfim, só resta a torcer pelo Flamengo, para conquistar o primeiro título do ano ainda este domingo, para Leonardo Jardim ser um substituto convincente do Filipe Luís. O ano de 2026 mal começou, mas na verdade, nem começou. Falta muitas coisas para chegar ainda, infelizmente sem o FL, com tristeza no coração. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.







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