Jogos eternos #375: Flamengo 4×2 Juventude 2024

Sem jogo do Flamengo antes da final do campeonato carioca, ainda preciso tempo para digerir a demissão de Filipe Luís. Foi um dos maiores técnicos da história do Flamengo, simples assim. Chegou no final de 2024, e já venceu na estreia contra o Corinthians, na semifinal da Copa do Brasil. Ainda venceu o Bahia na Fonte Nova no Brasileirão.

Nessa época, cheguei ao Brasil para um mês de férias, com novas esperanças rubro-negras no coração. E a esperança de vencer mais um Fla-Flu no Maracanã. Não aconteceu, perdeu 2×0. Mas em seguida, Flamengo se classificou para a final da Copa do Brasil e tinha mais um jogo no Brasileirão, contra Juventude. Jogo no Maracanã, eu no Rio de Janeiro, impossível eu faltar esse jogo.

Em 26 de outubro de 2024, para seu quinto jogo como técnico do clube, Filipe Luís escalou Flamengo assim: Rossi; Wesley, Léo Pereira, Léo Ortiz, Ayrton Lucas; Evertton Araújo, Erick Pulgar, Gerson, Arrascaeta; Michael, Gabigol. Um sábado de sol, eu com algumas cervejas já bebidas, com o Manto Sagrado na Norte do Maraca, com a minha maior alegria.

Apenas faltava um gol do Flamengo, depois de 90 minutos frustrantes contra o Fluminense. E contra Juventude, chegou com apenas 7 minutos de jogo. Na pressão alta, característica do Flamengo de Filipe Luís, Erick Pulgar ganhou a bola, tocou para Gabigol, para Arrascaeta, que chutou forte. O goleiro defendeu e bola voltou nos pés de Michael, que fintou, esperou e chutou. Gol do Flamengo, explosão geral no Maraca, explosão particular no meu coração rubro-negro. Tinha tanta saudade de ver o Flamengo marcar um gol no Maracanã.

Flamengo estava bem, mas na metade do primeiro tempo, num contra-ataque, Gilberto fez o gol do empate para o Juventude. Até o final do primeiro tempo, Flamengo teve outras chances, principalmente com o Gabigol, que até fez um gol, anulado por impedimento. Nos acréscimos, Gerson teve outra chance, mas a bola apenas flertou com a trave. No intervalo, ainda uma igualdade no placar, apesar da superioridade do Flamengo em campo.

E já no início do segundo tempo, bem na frente de meus olhos e meu coração na tribuna Norte, Michael fintou, girou e cravou o pênalti. Com a bola nas mãos, meu ídolo Gabigol, que antes nunca, ou quase nunca, errava um pênalti e depois passou a errar com muita mais frequência. O auge das dificuldades foi com o técnico Tite. Gabigol pouco jogava, sempre saindo do banco, às vezes nem entrando em campo. E não fazia mais gols. Nos últimos 14 jogos, uma eternidade de mais de três meses, Gabigol não fez nenhum gol.

Mas agora o técnico era diferente, era Filipe Luís, antigo parceiro do Gabigol no eterno Flamengo de 2019-2022. Bola na marca do penal, eu com as mãos no coração, Gabigol fintou, esperou, cobrou. Gol do Flamengo, gol do Gabigol, que finalmente acabava com o jejum. Tinha tanta saudade de ver um gol de Gabigol no Maracanã.

Cinco minutos depois, no campo do Flamengo, Léo Pereira fez o lançamento longo, característica do Flamengo de Filipe Luís. Michael dominou perfeitamente, tocou para Gerson, que tocou atrás para Arrascaeta. De primeira, na entrada da grande área, tocou no fundo do gol e fez mais uma vez a alegria da torcida. Tinha tanta saudade de ver um golaço do Flamengo no Maracanã.

Na metade do segundo tempo, Edson Carioca fez um gol para o Juventude e colocou o resultado do final do jogo em dúvida. Já nos acréscimos, Gerson, ainda ele, foi lançado em profundidade, outra contra-ataque, outra característica do Flamengo de Filipe Luís. Gerson achou Gonzalo Plata, que dominou e chutou bem para fazer seu primeiro gol com o Manto Sagrado, duas semanas antes de se eternizar no Mineirão. Tinha tanta saudade de ver uma vitória do Flamengo no Maracanã.

Flamengo fazia quatro gols, de contra-ataque, de pênalti ou de jogo de posição, mostrava raça, amor e paixão. Logo depois, conquistou o penta da Copa do Brasil. A temporada de 2025 ainda foi melhor, até a queda de Filipe Luís. Ídolo, nós já temos saudade de você.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”