O time de 1972 teve no começo do ano o reforço de alguns craques como o argentino depois naturalizado brasileiro Doval, de volta de um empréstimo na Argentina, e o Paulo César Caju, craque do Botafogo, culpado pela perda do campeonato carioca 1971 contra Fluminense. O capitão do time era o zagueiro paraguaio Francisco Reyes, que morreu precocemente com apenas 35 anos, vítima de uma leucemia. Tinha também bons jogadores, como o centroavante Caio Cambalhota, também antigo jogador do Botafogo, e Wanderley, que depois se tornara Vanderlei Luxemburgo como técnico. Falando de técnico, o de Mengão de 1972 era também antigo botafoguense, mas também passou pelo Flamengo como jogador: o Mário Jorge Lobe Zagallo. Pela primeira vez, não a última, o tricampeão do mundo era o treinador do Mengo.
Flamengo iniciou a temporada de 1972 com dois torneios amistosos, começando com o Torneio Internacional do Rio de Janeiro. Também participaram Vasco e Benfica. O primeiro jogo, contra Benfica, merece um capítulo a parte. Foi uma vitória 1×0 com um golaço de Fio Maravilha, que virou um canto de Jorge Ben. “Foi um gol de classe onde ele mostrou sua malícia e sua raça, foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa”. Fio Maravilha, nos gostamos de você. No último jogo, também no Maracanã, Flamengo ganhou também 1×0, agora com gol de Paulo César Caju. Flamengo começava a temporada como campeão.
Depois, jogou o Torneio General Emílio Garrastazu Médici, popularizado Torneio do Povo. Eram tempos sombrios da ditadura militar. O regime usou o futebol para divertir o povo, esconder a tortura e os desaparecimentos. Então foi Torneio do Povo, com os times de maiores torcidas: Bahia, Atlético Mineiro, Corinthians, Internacional e Flamengo. De novo, Flamengo começou com uma vitória 1×0, contra Bahia, agora com gol de Caio Cambalhota. Contra o Galo, Caju abriu o placar, Doval fez o segundo, Flamengo ganhou. Contra o Timão, Caju abriu o placar, Doval fez o segundo, Flamengo ganhou. Um 0x0 contra o Internacional na Fonte Nova foi suficiente para gritar de novo “é campeão”.
O campeonato carioca foi especial, por ser o do ano de sesquicentenário da independência do Brasil. Uma metade sem o Flamengo, a outra com o Flamengo. Bem melhor a segunda metade. Em 1972 também, a Taça Guanabara passou a ser o primeiro turno do campeonato carioca, e não mais uma competição a parte, como era o caso antes. E o primeiro campeão dessa Taça Guanabara foi o Flamengo, com 9 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota. E uma goleada 5×2 contra Fluminense. Flamengo perdeu a invencibilidade contra São Cristóvão no segundo turno, vencido pelo Flumimense. Vasco ganhou o terceiro turno, precisava de um triangular final para ter um campeão.
O Vasco de Tostão perdeu contra Flamengo e contra Fluminense. A grande final era uma Fla-Flu, a primeira vez desde 1963, quando Flamengo ganhou. Para mim, evitando o clubismo apesar do fanatismo, o time do Fluminense de 1972 era melhor. Tinha os tricampeões Félix e Marco Antônio, um meio-campo de ouro com Denílson, Gérson e Didi, não o Didi bicampeão do mundo, mas também grande jogador, e um ataque muito bom com Jair, Cafuringa e Lula. Para mostrar a qualidade do time, basta dizer que Toninho, que brilhou depois no Flamengo, era reserva.
Um Fla-Flu é sempre especial, uma final ainda mais. E em 1972, a data do jogo foi especial também, um 7 de setembro. 150 anos depois do grito do Ipiranga, tinha outros gritos, agora no Maracanã, de 136.829 torcedores. Nem foi o maior público do campeonato carioca 1972, maior público foi um outro jogo do Flamengo, claro, mas contra Botafogo, com 137.261 torcedores. Contra Fluminense, 7 de setembro de 1972, Doval abriu o placar, e acabou artilheiro do campeonato com 16 gols. Caio Cambalhota, já autor do gol contra Vasco, fez o segundo. Apesar do gol de Jair pelo Tricolor, Flamengo ganhou o Fla-Flu e conquistou a Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil.
O campeonato carioca de 1972 foi especial por um outro motivo. Uma jovem promessa participou de dois jogos, um 0x0 contra Botafogo, o jogo dos 137.261 torcedores, e um 2×2 contra Vasco. O nome da promessa era Arthur Antunes Coimbra, ninguém menos do que o Zico, que ganhava assim seu primeiro título profissional depois de ganhar o campeonato carioca juvenil no mesmo ano. O ano de 1972 também foi um ano de decepção para Zico, como ele explicou no UOL em 2012: “A minha maior tristeza no futebol foi não ter ido à Olimpíada de 72. Eu fiz o gol que classificou o Brasil e meu nome não estava na lista dos convocados. Foi a maior decepção da minha vida. Na hora fui falar com o meu pai que eu queria encerrar a minha carreira e cheguei a ficar dez dias sem ir ao Flamengo”. Graças a Deus, Zico voltou ao Flamengo.
Zico voltou no Brasileirão 1972, com uma vitória contra Sergipe, uma derrota contra Grêmio e dois empates, contra Santos e Cruzeiro, os quatro jogos fora de casa. Flamengo foi eliminado na segunda fase, mas foi na primeira fase que conheceu uma decepção, quero dizer uma humilhação, agora no Maracanã. Numa outra data especial, um 15 de novembro, Flamengo perdeu 6×0 contra Botafogo. Graças a Deus e ao talento time de 1981, o 6×0 foi vingado, mas não totalmente esquecido. Como o time de 1972, com a ginga de Paulo César, os gols de Doval e Caio, a promessa de Zico, não foi esquecido.








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