Jogos eternos #75: Flamengo 2×0 Emelec 2019

De novo, um jogo de 2019. Mas 2019 foi muita emoção, e esse jogo também. O adversário é um time do Equador, Emelec. Para mim, um trauma, com a eliminação da Libertadores 2012 no último minuto, até depois do fim do jogo para Flamengo, no último minuto do jogo entre Olimpia e Emelec. Sete anos depois, o time do Flamengo era muito diferente, mas vinha de outras decepções, em 2017, em 2018. O time era muito bom, faltava um título, nacional, ou melhor, continental.

A Copa Libertadores sempre é diferente, e em 2019, mais uma vez, Flamengo passou da fase de grupos no sufoco, com um 0x0 em Montevidéu contra Peñarol na última rodada. No final, três times empatados com 10 pontos, mas essa vez, deu Flamengo no primeiro lugar, Flamengo nas oitavas, Flamengo contra Emelec, que por sua vez se classificou com mais um milagre. Depois de ter apenas três pontos nas quatro primeiras rodadas, Emelec conseguiu duas vitórias fora da casa, a última contra Cruzeiro no Mineirão, para se classificar nas oitavas.

E no jogo de ida, Flamengo decepcionou mais uma vez com uma derrota 2×0 em Guayaquil. Essa vez, nem podia culpar a altitude, Guayaquil sendo uma cidade no nível do mar. O placar deixava tudo possível para o jogo de volta, o que era nada reconfortante. A desilusão era possível, como era possível uma noite mágica no Maracanã, cheio com 67.664 espectadores. Tudo era possível, até o impossível.

Depois de um mês a trabalhar no centro de treinamento durante a pausa para a Copa América, Jorge Jesus estreou com o Flamengo contra o Athletico Paranaense na Copa do Brasil. Em 6 jogos, o Flamengo de Jorge Jesus brilhou, como no 6×1 contra Goiás, mas também decepcionou, com eliminação contra o Furacão e derrota contra Emelec. Flamengo precisava ganhar, e não qualquer vitória, mas ao menos de dois gols de diferença, Flamengo não podia viver mais uma frustração na Libertadores. No 31 de julho de 2019, Jorge Jesus escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rafinha, Pablo Marí, Filipe Renê; Willian Arão, Cuéllar, Gerson; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol.

Na França, jogo aconteceu meio da semana, meio da noite, mas mesmo trabalhando no dia seguinte, eu não podia faltar esse jogo. Num Maracanã pronto a explodir, Flamengo começou bem, Everton Ribeiro quebrando uma linha com um passe em um toque só, para Renê, que de carinho abriu para Gabigol. Gabigol teve duas oportunidades de fazer o gol, na primeira parou no goleiro, na segunda mandou a bola fora do gol. Mas Flamengo queria o gol de qualquer maneira, e num escanteio curto, Rafinha, que já tinha feito duas assistências no jogo anterior, recebeu a bola, entrou na grande área, conseguiu o pênalti. Em Paris, pouco barulho por causa do horário, mas muita vibração e muito estresse quando Gabigol começou a correr, muita libertação quando Gabigol conseguiu fazer o gol de contrapé. O Maracanã, por sua vez, explodiu.

Em seguida, Bruno Henrique também teve a oportunidade de fazer o gol, mas cabeceou fora. Não desistiu, dois minutos depois, Bruno Henrique ganhou uma bola, escapou do carrinho de um zagueiro, e fez o passe atrás, para Gabigol, para o segundo gol de Gabigol, para mais uma explosão do Maracanã. Em menos de 20 minutos, Flamengo já tinha igualado o placar agregado. No Maraca, no Brasil e em Paris, depois de comemorar com gritos, às vezes altos, às vezes abafados, todo mundo esperava agora uma goleada.

Mas a goleada não veio, não teve quase outros lances no primeiro tempo. No segundo tempo, Flamengo levou mais perigo perto do gol, mas sem fazer o gol. E Emelec teve também oportunidades. E em Paris, tive muito medo. Não entendia porque o time tinha parado de jogar depois do 2×0. Se era possível de fazer dois gols em menos de 20 minutos, era possível de fazer mais um, mais dois gols e ter uma classificação tranquila. Mas não foi o caso, e depois do drama de 2012, eu temia, até antecipava, para ter uma dor menos intensa, um gol de Emelec, uma eliminação do Flamengo.

Mas não teve gol, teve disputa de penalidades. E eu estava ainda menos confiante, cada vez mais vendo Flamengo eliminando. Os quatro primeiros batedores fizeram, 2×2 no placar geral, 2×2 na disputa de penalidades. Empate. E era a vez de Renê. Estava quase certo que ele ia errar, ainda mais quando eu o vi chegar lentamente na bola, de uma maneira horrível, que quase sempre dá errado. Mas ele fez o gol, quebrou o empate. Claro, o doblete de Gabigol foi importante, mas acho que Flamengo começou a ganhar a Copa Libertadores nesse exato momento, quando Renê fez esse gol de pênalti. Ainda mais quando em seguida, Diego Alves, um dos maiores pegadores de pênalti, se não o maior, da história, defendeu a cobrança de Arroyo.

Outro lateral do Flamengo, Rafinha, também bateu, também fez o gol, agora 4×2 para Flamengo. Em Paris, ainda não um total alívio, mas o estresse agora se sentia de uma maneira positiva. E Queiroz parou no travessão, explosão no Maracanã, Flamengo classificado, no sufoco sim quando a tranquilidade era possível no primeiro tempo, mas Flamengo vivo na Libertadores, ainda não campeão, mas daqui até 4 meses, Flamengo campeão sim.

Uma resposta a “Jogos eternos #75: Flamengo 2×0 Emelec 2019”

  1. Avatar de Times históricos #20: Flamengo 2019 – Francesguista

    […] foram vários shows, alguns jogos eternos aqui, uma classificação dramática contra Emelec, uma goleada contra Vasco com nova atuação perfeita do trio de ataque, uma vitória no Ceará com […]

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”