Ainda sem jogo do Flamengo esse fim de semana e com a semifinal da Copa Libertadores se aproximando, aproveito a data para relembrar um jogo eterno, da temporada mais inesquecível dos anos recentes do Flamengo.
Em 2019, já na chegada do técnico Jorge Jesus, o Flamengo parecia diferente. As contratações, tanto no início do ano quanto no segundo semestre, renderam em campo. O time jogava bem e ganhava os jogos, fazia os gols e a alegria da Nação. Depois de anos de vexames e frustrações, ainda faltava ganhar os campeonatos. Na Copa Libertadores, Flamengo passou no sufoco e na disputa de penalidades nas oitavas contra Emelec, um jogo eterno no Francêsguista. Nas quartas, eliminou o Internacional, com vitória no Maracanã e empate no Beira-Rio.
Agora era a vez de enfrentar o Grêmio, campeão da Copa Libertadores em 2017. O jogo de ida estava em Porto Alegre, para já dar mais um passo à Glória Eterna. Em 2 de outubro de 2019, o técnico Jorge Jesus escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís; Willian Arão, Gerson, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol. A escalação perfeita, já era um jogaço antes do apito inicial.
Flamengo começou melhor o jogo. Aos 9 minutos, Bruno Henrique escapou da esquerda e cruzou atrás para Arrascaeta, que dominou e chutou com o pé esquerdo. A bola apenas flertou com a trave esquerda. No minuto seguinte, numa bola de meia altura, Bruno Henrique chutou dos 30 metros. A bola apenas flertou com a trave direita. Aos 15 minutos, Paulo Victor errou na saída de bola com a mão, Gerson recuperou e acionou Gabigol na esquerda. De novo, o chute passou perto do gol, mas fora do gol.
Aos 20 minutos, chegou o gol, ou parece que chegou. Filipe Luís cruzou para Gabigol, Paulo Victor saiu com o punho. A bola voltou para Éverton Ribeiro, que tocou no fundo do gol. A Arena do Grêmio se calou, mas foi salva pelo juiz, que anulou o gol por uma falta leve de Gabigol sobre Kannemann. Flamengo não se desanimou. Quatro minutos depois, Bruno Henrique fez uma incursão na defesa gremista e tocou para Gabigol, que se posicionou de frente para o gol, chutou de primeira, no fundo do gol. De novo, o VAR anulou o gol por um impedimento nanométrico, com as duas linhas de marcação sendo uma mesma linha. No final do primeiro tempo, o VAR de novo foi acionado e de novo salvou o Grêmio. A solada de Michel sobre Gerson me parecia, mesmo deixando o clubismo de fora, para ser cartão vermelho. O juiz argentino Néstor Pitana viu diferente e só deu um cartão amarelo.
No segundo tempo, de novo Flamengo foi melhor. Bruno Henrique e Gabigol fizeram uma dupla tabelinha, Gabigol chutou, mas a bola apenas flertou com a trave. O gol, por centímetros, não queria sair. Num contra-ataque, Everton Cebolinha, na época jogador de Grêmio, quase abriu o placar, mas Diego Alves fez a grande defesa. No minuto seguinte, Diego Alves defendeu mais um chute perigoso, agora de Matheus Henrique. Quando o ritmo parecia ter caído, Flamengo finalmente abriu o placar. Na triangulação com Éverton Ribeiro e Gerson, Arrascaeta cruzou na segunda trave. Bruno Henrique pulou, cabeceou, brocou. Sem intervenção do VAR ou do anti-Deus do futebol, o gol foi confirmado. Finalmente e merecidamente, Flamengo estava na frente no placar.
Dez minutos depois, Willian Arão cruzou no chão e Gabigol apareceu para fazer mais um gol. Porém, o VAR anulou de novo o gol por um impedimento, agora sem muita discussão. Nos cinco minutos finais, Everton Cebolinha cruzou forte e Pepê chegou para vencer Diego Alves. Grêmio escapava da goleada sofrida e conseguia um empate inesperado. Com um pouco mais de sorte e de imparcialidade do juiz, era para ser um 5×0 a favor do Flamengo. Para isso acontecer, a Nação precisava esperar 21 dias.








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