Ídolos #53: Joel

Para a crônica #53 dos ídolos do Flamengo, escolho um jogador que brilhou em 1953, ano que marcou o fim do jejum do Flamengo no campeonato carioca. Ainda era muito jovem em 1953, mas já se eternizou na história do clube. Joel foi um jogador “veloz, chegava com facilidade à linha de fundo”, segundo a revista Placar, que ainda escreveu: “Seu cruzamento de curva era sempre bem feito. Surpreendia correndo em diagonal e fazendo muitos gols”. No livro As 10 maiores glórias do Mengão da Série Grandes Clubes, pode se ler: “O estilo de Joel se assemelhava ao dos pontas ditos ‘recuados’, muito em voga a partir da década de 70 – tendência que chegou ao clímax com a escalação de Paulo Isidoro na ponta-direita da Seleção Brasileira em 82. Mas Joel nunca se limitou a fazer a função de ajudar o meio-campo, pois tinha explosão e velocidade dos verdadeiros pontas. Seus dribles eram curtos, sempre suficientes para dar prosseguimento às jogadas, e tinha uma capacidade incrível de fazer cruzamentos em curva, mesmo pressionado pelos zagueiros adversários”.

Joel Antônio Martins nasceu no Rio de Janeiro em 23 de novembro de 1931. Flamengo conquistou suas duas primeiras Copas Libertadores, em 1981 e em 2019, um 23 de novembro. Assim, Joel era predestinado a ser rubro-negro. Porém, começou na casa do rival, o Botafogo. Depois de treinar com os juvenis do Botafogo, Joel assinou com o Flamengo e deixou o clube alvinegro traumatizado. Estreou com o Manto Sagrado no maior confronto da história, o Fla-Flu. “O jovem crack confia nas suas possibilidades e alimenta fortes esperanças em uma exibição convincente e categórica. Entre os veteranos do Fla-Flu, Joel não parece um ‘calouro’, um ‘novato’ que vai fazer seu ‘debut’ numa peleja de tanta responsabilidade”, escreveu no dia do jogo o Jornal dos Sports. Apesar da derrota, o JDS julgou que “foi ótima a estreia de Joel”. O primeiro gol chegou um mês depois, numa goleada 6×0 contra Canto do Rio. Fez outro gol em 1951, no clássico contra Vasco. “Vamos falar de Joel Martins, que suavizou as esperanças, tornando-se o que pouca gente supunha que se tornasse tão depressa”, avaliou o Jornal dos Sports.

Fluminense conquistou o campeonato carioca de 1951 e a Portuguesa o torneio Rio-São Paulo de 1952, competição na qual Joel fez 3 gols em 9 jogos. Logo depois, sob o comando de Flávio Costa, Flamengo partiu para uma excursão no exterior. “Em 18 de maio de 1952, o Flamengo superou um recorde brasileiro que pertencia ao Vasco: completou 21 jogos invicto contra times estrangeiros ao golear o Sport Boys por 5 a 1. Foi no jogo de estreia da excursão ao Peru”, escreveu Marcel Pereira no livro A Nação. Neste jogo, Joel fez dois gols, ainda deixou sua marca nos outros dois jogos do torneio quadrangular do Peru. Foi o primeiro título conquistado pelo Flamengo no exterior. Porém, em terras cariocas, apesar de 7 gols em 20 jogos de Joel, Flamengo viu o rival Vasco se sagrar campeão estadual. O jejum do Flamengo no campeonato carioca se estendia agora por 9 anos.

Flamengo precisava de uma mudança e ela chegou do exterior, com a contratação do técnico paraguaio Fleitas Solich, que tinha acabado de vencer o campeonato sul-americano, primeiro título da história do Paraguai. Na estreia de Solich, Flamengo venceu Santos 3×2 no Maracanã. E o primeiro gol da Era Solich foi marcado justamente pelo Joel, depois de bom passe de Rubens. Com Dequinha no meio e Evaristo e Esquerdinha no ataque, Flamengo tinha um timaço. Ainda tinha os paraguaios, o paredão Garcia atrás e o artilheiro Benítez na frente. Assim, em 1953, na verdade no início de 1954, Flamengo finalmente acabou com o jejum e conquistou o campeonato carioca. Joel participou de 26 dos 27 jogos, fazendo 6 gols.

A concorrência na frente era cada vez mais forte, com a emergência do ponta-direita Paulinho e do centroavante Dida. Joel participou de 20 dos 27 jogos no campeonato carioca de 1954, de novo fazendo 6 gols. E de novo, Flamengo foi o campeão. Em 1955, Joel foi titular absoluto do Mengo, com 29 dos 30 jogos possíveis no campeonato carioca. E mais uma vez, Flamengo foi o campeão, agora tricampeão. O melhor jogo de Joel no campeonato aconteceu já no início de 1956, quando fez três gols na vitória 4×3 contra Bangu. Outro destaque da temporada foi no Torneio Charles Miller, quando o ponta fez os dois gols da vitória 2×1 sobre Peñarol no Maracanã. No final do ano, fez parte do combinado Flamengo-Vasco, que enfrentou o combinado Racing-Independiente, em homenagem ao falecido presidente rubro-negro Gilberto Cardoso.

Em 1956, Joel fez um golaço para ajudar o Flamengo a conquistar a saudosa Taça dos campeões contra Santos, campeão paulista em 1955. “O extrema desloca-se e da intermediária, atirou uma bomba violenta de canhota que foi aninhar-se nas redes de Manga. Foi um tento maravilhoso pela facilidade com que o ponteiro dominou o couro e a violência que imprimiu ao seu arremate”, descreveu o Jornal dos Sports. Contra São Cristóvão, fez um golaço no final do jogo: “O ponta-direita arrancou na metade da cancha. Foi ultrapassando todos os adversários e já dentro da área, depois de perder e recuperar a bola, mandou um foguete para as redes”. Joel fechou o placar para 12×2, até hoje maior goleada da história do Maracanã.

Com tantas atuações destacadas, Joel finalmente estreou em 1957 na Seleção brasileira, que ainda tentava superar a perda de Julinho Botelho, que foi jogar na Europa. Joel disputou seu primeiro jogo no campeonato sul-americano no Peru, com vitória 4×2 sobre o Chile. Seu primeiro gol chegou já no segundo jogo, numa goleada 7×1 contra o Equador. Porém, apesar de ter feito 23 gols em apenas 6 jogos, o Brasil perdeu o jogo decisivo para a Argentina e ficou com o vice-campeonato. De volta ao Flamengo, Joel fez um gol no Fla-Flu para conquistar no Dia dos Trabalhadores a Taça Brasília, oferecida para comemorar o projeto na nova capital. No campeonato carioca, Flamengo ficou na terceira colocação. Em 21 jogos, Joel fez 9 gols, inclusive um contra quem seria o campeão da cidade, o Botafogo de Didi e Garrincha.

O Brasil disputou dois jogos nas eliminatórias para a Copa de 1958. No primeiro, Joel foi titular na ala direita e Garrincha ficou no banco. Na segunda partida, Garrincha jogou na direita e Joel foi deslocado no lado esquerdo. Na ausência de Julinho, eram os dois concorrentes para uma vaga só. Na sua excelente biografia Estrela solitária, um brasileiro chamado Garrincha, Ruy Castro escreveu: “Joel também era grande jogador. Era sisudo e driblava estritamente o essencial, mas ia em velocidade à linha de fundo dez ou doze vezes por partida e cruzava com grande precisão. O Flamengo o surrupiara do juvenil do Botafogo aos dezessete anos, em 1951, e Carlito Rocha ficara tão indignado que o Botafogo quase compensara porque, desde então, os cruzamentos de Joel haviam produzido centenas de gols para Índio, Benítez, Evaristo e Dida. E o próprio Joel era um goleador, além de ter outras qualidades que os treinadores valorizam: ia e vinha para marcar, corria os noventa minutos e, numa partida normal, perdia três de seus 61 quilos”.

Ruy Castro ainda escreveu: “Joel era inteligente, estudara até o segundo grau e, se havia uma palavra para defini-lo, era ‘ajuizado’. Com os salários e bichos que ganhara no tricampeonato do Flamengo, construirá com seu pai um prédio de dezessete apartamentos na rua Andrade Pertence, na Glória. Poucos jogadores tinham um patrimônio igual. Aos 24 anos, poderia até parar de jogar se quisesse. E, fora do campo, era um monge ou quase. Não bebia nem fumava e, quando uma fã mais dadivosa ia esperá-lo à saída do clube, Joel consultava a folhinha: se o Flamengo jogasse no sábado, ele só faria sexo até terça-feira; se no domingo, até quarta. Guardava suas energias para o jogo”. Ou seja, era um anti-Garrincha.

Com um estilo mais limpo e defensivo, também com gol na preparação contra a Bulgária, Joel levou vantagem sobre Garrincha no início. Foi titular nos dois primeiros jogos da Copa, enfrentando a violência do lateral inglês Slater. “Joel foi então novamente escalado, com a advertência de que tabelasse com Didi e se enfiasse pelo meio para evitar Slater. Veio o jogo e, no primeiro tempo, Joel seguiu as instruções. Atuou mais pelo meio e quase marcou um gol, salvo em cima da linha pelo zagueiro Billy Wright com o goleiro McDonald batido. No fim do segundo tempo, Joel empolgou-se, foi ciscar na ponta direita, enfrentou Slater – e Slater o acertou feio”, prosseguiu Ruy Castro.

E assim, com uma mistura de lesão e de necessidade de mais ginga, Joel foi para o banco, Garrincha entrou no time titular ao mesmo tempo que Pelé, que pegou o lugar de outro ídolo rubro-negro, Dida. Sem substituições na época, Joel não apareceu mais durante o torneio. A briga entre os dois concorrentes ficou sã. Quando era reserva, Garrincha, no seu estilo habitual, gozava Joel, chamando-o de “Fon-fon” porque falava de um jeito particular, quase fanho. Quando o Brasil foi campeão com duas assistências de Garrincha na final, Joel foi “o primeiro a pular a cerca para abraçar o Garrincha”, segundo o Ruy Castro, que finalizou: “Surgiu uma imensa bandeira da Suécia. Gilmar segurou uma ponta, Paulo Amaral a outra, com Garrincha abraçado a Joel na primeira fila”. Dois craques na ala direita, dois campeões do mundo.

De volta ao Brasil, Joel fez 6 gols nos 10 jogos do campeonato carioca que participou. Teve oito vitórias, dois empates e nenhuma derrota. Por coincidência, ou não, Flamengo perdeu os dois jogos que disputou sem Joel, um nome consagrado do futebol. A Copa do mundo conquistada pelo Brasil reforçou o desejo dos clubes europeus de contratar os craques brasileiros. Valência, que já tinha no seu elenco dois antigos jogadores do Vasco e do Fluminense, Válter e Waldo Machado, fez uma oferta para Joel e o Flamengo tardou para se alinhar. Era o fim da linha.

Mostrando personalidade e caráter, Joel assinou com Valência, como ele próprio explicou para o Jornal dos Sports: “Se tinha vontade de ficar? Claro. Entretanto, em face da oferta, e em face do silêncio do Flamengo, na ocasião, comprometi-me com o Valência. Dei, então, minha palavra de honra que firmaria contrato. O Valência desistiu de procurar outro jogador, fiado no compromisso que firmei, verbalmente. Agora, se faltasse com a palavra, eu seria o primeiro a me considerar um pilantra”. O Flamengo tentou reverter a decisão, sem efeito. “Joel é um profissional muito cioso de sua palavra. Garantiu ao vice-presidente do Flamengo que não tinha, como não podia ter, é claro, qualquer contrato assinado com o Valência. Tinha sim, e isso valia muito para ele, a sua palavra”, ainda escreveu o JDS.

Com o acerto definitivo, Joel concedeu uma entrevista ao Jornal dos Sports. Homenageou seu técnico no Flamengo, Fleitas Solich, “perfeito em tudo o que fala e prevê” e seu concorrente na Seleção, Garrincha, mostrando nenhuma mágoa com o técnico Vicente Feola: “No lugar de Feola, também eu teria escalado Garrincha. Sua decisão não poderia ter sido mais inteligente […] Até que Feola esperou muito, creia. Na forma em que se encontrava, ninguém poderia pretender o lugar de Garrincha, quanto mais suplantá-lo. ‘Mané’ viajou com o diabo no corpo!”. O técnico Fleitas Solich lamentou a saída de Joel: “Igual a Joel é difícil de se encontrar. O denodo com que ele se emprega nas regras, o amor à camisa, o respeito às ordens ditadas por mim, dele fizeram um jogador de rara qualidade”.

Antes do último jogo, contra Canto do Rio, Joel recebeu de Jaime de Almeida e dos companheiros “um rico quadro, com lembrança do Flamengo. Joel visivelmente emocionado agradece aos seus companheiros”, como relatou o Jornal dos Sports. Claro, Flamengo venceu o jogo e, melhor ainda, Joel abriu o placar, antes de se despedir definitivamente dos companheiros. Ou talvez não, já que o próprio Joel falou antes de sair: “Voltando ao Brasil, gostaria de reingressar no Flamengo”. Os números “finais” de Joel, 98 gols em 298 jogos com o Manto Sagrado, já apontavam uma volta ao Maior do Mundo.

A estreia de Joel no Valência, contra o Bilbao, foi brilhante, como escreveu o Jornal dos Sports: “Joel conseguiu uma estreia sensacional na linha do Valência, ao lado de Válter e Machado, sendo talvez o melhor jogador no campo e marcando o gol único da vitória”. Na Espanha, Joel disputou três temporadas, conseguindo um quarto lugar na Liga espanhola em 1959. Com a camisa do Valência, marcou 27 gols e fez 11 assistências em 86 jogos segundo o site Ciberche, que ainda escreveu sobre Joel: “Seu jogo não lembrava o típico jogador brasileiro, enfeitado de firulas. Joel era um jogador muito técnico, mas seu jogo era cadenciado […] Chegou com status de estrela, mas não demorou para ser questionado pela exigente torcida do Mestalla, que cobrava alegria e brilho. Porém, seu caráter introvertido e fleumático pouco o fez mudar seu estilo. Vestiu a camisa do Valência durante duas temporadas e meia, nas quais alternou dias inspirados com partidas em que praticamente não aparecia”.

Em conflito com o técnico Domènec Balmanya, Joel pediu para sair do clube espanhol. O Flamengo, claro, não tinha esquecido seu antigo ídolo e repatriou o ainda craque. Joel reestreou contra São Paulo no torneio Rio-São Paulo, que Flamengo ainda não havia conquistado na sua história. Depois de duas vitórias, Flamengo teve três derrotas consecutivas, inclusive um humilhante 7×1 contra o Santos de Pelé. Em seguida, Joel fez um gol na vitória contra Palmeiras e fez um jogo brilhante contra Santos quando Flamengo devolveu a goleada com uma vitória 5×1.

A consagração veio no último jogo, contra o Corinthians. Num jogo difícil, já eternizado no Francêsguista, Flamengo fez a diferença apenas no segundo tempo. No livro 100 anos de bola, raça e paixão, de Paschoal Ambrósio Filho, Arturo Vaz e Celso Júnior, pode-se ler: “Germano bateu o tiro de canto, e a bola passou por todos na área, indo até Joel na direita. E o ponteiro cabeceou com categoria para o canto das redes de Cabeção, fixando o placar de 1 a 0”. Com muito estilo, Joel fazia assim seu gol 100 com o Manto Sagrado. No final do jogo, Dida repetiu a dose e Flamengo conquistou o título inédito.

No campeonato carioca de 1961, Joel passou em branco durante o torneio inteiro! Flamengo acabou no segundo lugar, mas muito longe do Botafogo. Joel finalmente reencontrou o caminho do gol no início do ano de 1962, no torneio internacional de Guadalajara. Também achou a rede na Europa, fazendo dois gols contra a Seleção da Noruega, outro jogo eterno no blog. Apenas dois dias depois, agora na Suécia, Joel fez três gols, seu segundo hat-trick no Flamengo. No campeonato carioca, Joel marcou 4 gols em 22 jogos, mas o veterano técnico Flávio Costa o deixou de fora para o jogo decisivo contra Botafogo.

O imortal Nelson Rodrigues, antes mesmo do jogo, lamentou a decisão nas colunas do Jornal dos Sports: “Flamengo resolveu modificar o team. Leio nos jornais que Joel vai sair e que, provavelmente, jogará nos aspirantes. É uma iniquidade. Em primeiro lugar, não se tira um crack de enorme experiência e que, além do mais, atravesse uma ótima fase. Amigos, vamos omitir o óbvio, isto é, que Joel está jogando muitíssimo bem. É um crack que tem tudo: talento, metier e paixão. É um homem que se dá todo em cada match e que disputa cada bola com desesperado elan. Há jogadores que, por vezes, chegam a parar em campo. Joel, nunca. Persegue a vitória até a última gota de luta. É, sobretudo, o crack das grandes batalhas. Uma decisão precisa do jogador que une a garra à classe, a paixão à lucidez. Como é curioso o destino de Joel! Sempre lhe cabe um papel de sacrifício. Como é um temperamento bom, todos abusam de sua imensa simpatia humana. Na Suécia, foi um monstro de entusiasmo e eficiência. Tinha de jogar na frente e atrás. Estava na defesa e no ataque. Matava-se em campo pelo Brasil. E teve de ceder lugar a Garrincha. O que se pode alegar é que era o Mané. Desta vez, não […] Não é justo, nem vantajoso para o Flamengo. Repito: não se humilha um grande jogador e que, além do mais, sempre demonstrou uma imensa vocação rubro-negra. Ou será que, na hora decisiva, o Flamengo se faz de cego, surdo e mudo para a fidelidade exasperada de um dos seus melhores elementos? Seria uma tremenda ingratidão”.

Sem Joel, com show de Garrincha, Flamengo perdeu 3×0 e não conquistou o título. O último gol de Joel chegou antes, numa derrota contra o America. Em 1963, o ponta campeão do mundo participou de apenas três amistosos, fazendo seu último jogo na URSS. Os números finais são impressionantes: 115 gols em 413 jogos. Até hoje, é o 18o maior artilheiro da história do Flamengo. Joel ainda jogou duas temporadas no Vitória, tempo suficiente para conquistar o campeonato baiano de 1964. Depois da aposentadoria, voltou ao Flamengo, trabalhando como olheiro e como técnico da base, com o mesmo profissionalismo que tinha em campo. “Já testei mais de oito mil garotos, em quatro anos de trabalho”, detalhou uma vez o craque.

Joel Antônio Martins morreu no primeiro dia do ano de 2003. No dia seguinte, o Jornal dos Sports fez uma linda homenagem: “Joel integrou a equipe tricampeã estadual (53-54-55) e conquistou a Copa do Mundo de 1958. Carioca do Catete, foi ídolo de uma geração que vibrou com as jogadas de Dida e os dribles do atual técnico Evaristo de Macedo. Não será lembrado apenas pelo futebol veloz que o consagrou, mas sobretudo pelo exemplo de caráter. Joel costumava dizer aos amigos, que eram muitos, ter sido abençoado por Deus por ter conseguido ser titular na Copa de 58 por dois jogos, mesmo tendo Garrincha no grupo […] O craque deixará saudade naqueles que cresceram dentro do clube e aprenderam vendo-o treinar as divisões de base por muitos anos, tendo revelado, entre outros ídolos, Zico, Leandro, Andrade, Mozer e Adílio”. No velório, “uma bandeira do Flamengo, clube ao qual dedicou boa parte de sua vida, foi estendida no caixão, que também recebeu uma chuva de pétalas de rosas. O hino do clube também foi cantado baixinho, sem o entusiasmo de quando Joel brilhava nos gramados”, completou o JDS.

Hoje, Joel é um pouco esquecido, substituído por outros ídolos mais recentes. Não se esquece que durante um século, foi considerado o maior ponta-direita da história do clube. No livro A Nação, Marcel Pereira elege o maior Flamengo da década de 1950, claro com Joel no ataque, ao lado de Dida, Evaristo, Índio e Zagallo. Para a “seleção dos primeiros cinquenta anos do futebol do Flamengo”, Joel estava de novo lá, junto com Dida e nomes mais antigos como Vevé, Pirilo e Leônidas. E no “Time dos sonhos”, agora da história inteira do Flamengo até a publicação do livro em 2010, de novo tem Joel, ao lado de Dida e Leônidas, e claro, essa vez também de Zico. Em 1984, jornalistas do Placar também elegeram um time do Flamengo de todos os tempos. De novo com Joel, que divide o ataque com Zico, Vevé e Leônidas. Ou seja, Joel é um imortal do Flamengo.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”