No último jogo, Flamengo apenas empatou com Santos e tem agora só um ponto a mais que o vice-líder, Palmeiras. Agora o Brasileirão entrou na reta final e cada jogo tem obrigação de vitória. Ainda mais um clássico, ainda mais um Fla-Flu.

Faz dez anos que Flamengo e Palmeiras brigam entre si para o título brasileiro. Em 2016, o Fla-Flu também aconteceu na 30a rodada. Palmeiras tinha os mesmos 60 pontos. Só que o Flamengo não tinha 61 pontos, mas 57, não era líder, mas vice. Nesta altura do campeonato, fazia toda a diferença. Vencer o Fla-Flu já era obrigação. Em 13 de outubro de 2016, há quase exatamente dez anos, o técnico Zé Ricardo escalou Flamengo assim: Alex Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz, Jorge; Willian Arão, Márcio Araújo, Alan Patrick, Diego; Fernandinho, Leandro Damião. O Flamengo já era candidato ao título em 2016, mas era muito diferente do que hoje.

Com o Maracanã perto da falência depois dos Jogos Olímpicos, o Fla-Flu aconteceu no Raulino de Oliveira em Volta Redonda. Sem o Maraca, o Fla-Flu perde um pouco de sua essência. E Fluminense jogava em branco. Também acho que o Fla-Flu deve ser rubro-negro contra tricolor. Mas enfim, era assim, e o que não pode faltar é emoção e tradição, afinal o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada. Com apenas 40 segundos do jogo, Fluminense quase abriu o placar, com um chute de Richarlison passando perto da trave.

Flamengo reagiu no minuto seguinte, conseguindo um escanteio, finalmente sem efeito. Aos 12 minutos, o vice-capitão Diego cobrou uma falta, o capitão Réver pulou, cabeceou e abriu o placar. Fluminense reagiu com um lance quase idêntico, mas na falta de Scarpa, Cícero não conseguiu tocar na bola. Sem maiores lances de emoção, o primeiro tempo acabou com vantagem mínima do Mengo. No intervalo, os dois times promoveram uma ação de marketing, com torcedores cobrando pênaltis. Um torcedor flamenguista provocou a torcida rival, outro torcedor tricolor não gostou e os dois começaram a brigar antes de ser detidos pela polícia. Mesmo sem os jogadores em campo, o Fla-Flu ganhava essência.

Bem no início do segundo tempo, Gustavo Scarpa cruzou, Cícero cabeceou, Marcos Júnior chegou e empatou. O empate só permaneceu por dez minutos. Num cruzamento da direita de Pará, Fernandinho teve tempo de dominar a bola e vencer o goleiro. E o Fla-Flu ganhou ares dramáticos no final. Henrique empatou de cabeça, mas o juiz de linha imediatamente levou a bandeira. Numa época ainda sem VAR, o jogo foi paralisado por 8 minutos. O juiz principal confirmou o gol num primeiro momento e finalmente anulou o gol duvidoso. Nos Fla-Flus é o Aí, Jesus. E o Fla-Flu era do Mengo.

Ao mesmo tempo, Palmeiras apenas empatou contra Cruzeiro e tinha agora 61 pontos. O Flamengo estava só um pouquinho atrás, com 60 pontos. Quase a situação de hoje, só que os lugares dos dois times estão invertidos. Flamengo líder, Palmeiras vice. E repito uma última vez, o Flamengo de hoje é muito diferente do Flamengo de dez anos atrás.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”