Flamengo joga hoje contra o Estudiantes com o objetivo de se classificar para mais uma final de Copa Libertadores. O empate 0x0 na ida deixa as coisas abertas para o jogo de volta, com favoritismo para o Flamengo. Basta uma vitória simples no Maraca para ver mais uma final da mais bela de todas. Antes do jogo de ida, falei que o Flamengo x Estudiantes, hoje um clássico recente da Copa Libertadores, já foi clássico numa competição extinta, a Supercopa Libertadores. Já eternizei os jogos de 1988 e 1991, eu vou então para um jogo de 1992, que por coincidência, completa hoje 34 anos.
Depois de dois confrontos na primeira fase em 1988 e 1991, com classificação rubro-negra em ambas edições, Flamengo e Estudiantes se encontravam agora nas quartas de final. Na primeira fase, o Mengo eliminou outro brasileiro, o Grêmio. Por sua vez, Estudiantes surpreendeu, eliminando o poderoso Boca Juniors. Para o jogo, a principal dúvida rubro-negra era sobre o artilheiro Gaúcho, que reclamava de dores e não marcava um gol há cinco jogos. Nas colunas do Jornal do Brasil, o próprio Gaúcho admitiu as dificuldades: “Vou colocar para o Carlinhos se seria bom que eu parasse por uns dias, desde que o time não sentisse a minha falta. Não tenho podido treinar impulsão nem velocidade”.
Por causa da tragédia na final do Brasileirão quando uma parte da arquibancada caiu, o Maracanã estava impossibilitado e o jogo foi transferido para o estádio da Moça Bonita, em Bangu. O Estudiantes não gostou e fez uma reclamação à CONMEBOL, o técnico Garisto até falando que “jogar aqui é o fim do mundo”. Porém, na opinião do jornalista Washington Rodrigues, o péssimo estado do gramado favorecia o time argentino: “O Estudiantes de La Plata é uma equipe tecnicamente fraca. É aguerrida, joga com raça, mas não passa disso. Se o gramado do Bangu estivesse beleza, o Flamengo teria grandes chances de vencer sem dificuldades. Como não está, o piso é duro e irregular, Carlinhos terá que entrar preparado para enfrentar dois adversários”. O capitão Júnior também não gostou da escolha da diretoria, que queria um estádio pequeno para botar mais pressão nos argentinos: “A diretoria do nosso clube está dando vantagem para o adversário”.
Antes do jogo, o goleiro Gilmar chamou a torcida para comparecer: “O apoio da torcida rubro-negra sempre foi fundamental para o Flamengo”. Porém, não teve efeito e tinha apenas 1.072 pagantes na Moça Bonita. Assim, logo após o apito inicial, as portas foram abertas gratuitamente para receber mais torcedores. O artilheiro Gaúcho, que não fazia mais gols, foi confirmado como titular, ao lado do jovem Paulo Nunes, o Jornal do Brasil falando antes do jogo da “boa fase de um goiano ‘intocável’”. Em 22 de outubro de 1992, o eterno técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Gilmar; Cláudio, Júnior Baiano, Rogério, Piá; Júnior, Marquinhos, Luís Antônio, Uidemar, Paulo Nunes, Gaúcho.
Como previu Júnior, o gramado não ajudou o Mengo, o Jornal dos Sports escrevendo: “O campo desnivelado e ruim do simpático estádio de Moça Bonita, sem dúvida, prejudicou o desempenho do Flamengo”. Quem também não ajudou foi o goleiro argentino Yorno, que “fez defesas simplesmente incríveis”. Outro que não ajudou foi o trio uruguaio de arbitragem. No final do primeiro tempo, Luís Antônio cruzou, Gaúcho cabeceou e finalmente colocou fim ao jejum de gols. Só que o bandeirinha inventou um impedimento e o placar ficou em 0x0. No intervalo, a catimba argentina parecia vencer.
E também foi assim durante o segundo tempo, com mais faltas do Estudiantes, mais defesas do Yorno. Até que, faltando dez minutos para o final do jogo, o “goiano intocável” Paulo Nunes invadiu a grande área, foi derrubado e conseguiu o pênalti. O artilheiro sem gol Gaúcho cobrou, pegou no contrapé o goleiro imbatível e finalmente abriu o placar. Fez a alegria do pequeno público na Moça Bonita e “fez delirar a grande galera rubro-negra em todo o Brasil”, como escreveu o JDS. Curiosamente, foi o último gol do Gaúcho na temporada. Até o final do jogo, Flamengo teve outros “lances ríspidos” para fazer o segundo gol, sem conseguir. E o jogo ficou tenso até depois do apito final, Júnior Baiano dando um tapa no zagueiro Iribarren sem maiores consequências, ainda era futebol raiz. Enfim, Flamengo conseguiu na Moça Bonita uma pequena vantagem, confirmada uma semana depois com empate na Argentina e classificação para a semifinal.








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