Eu já escrevi antes do Fla-Flu que a partir de agora, todo jogo tem obrigação de vitória, ainda mais que normalmente. Flamengo venceu o Fla-Flu e seguiu líder do campeonato, com apenas um ponto a mais que Palmeiras. O Bahia x Flamengo tem obrigação de vitória rubro-negra, mesmo com o Bahia fazendo uma grande temporada, mesmo o jogo sendo na Fonte Nova, onde sempre é difícil de jogar.
Em 1987, Flamengo também tinha obrigação de vencer o Bahia no campo deles. Na muitas vezes já falada Copa União, Flamengo decepcionou no primeiro turno, apenas alcançando um sexto lugar de um grupo de 8 times. No segundo turno, estreou com vitória 1×0 sobre Botafogo, empatou em 1×1 contra o Grêmio e perdeu por 1×0 contra o Atlético Mineiro. Na época já, o maior rival era Palmeiras, que Flamengo derrotou no Maracanã, num jogo que marcou a volta de Zico, mesmo ainda com muitas dores no joelho. Cinco dias depois, o Flamengo ainda precisava vencer, agora na Fonte Nova, contra Bahia.
Flamengo jogava sem Jorginho, em fim de contrato e que ainda não havia renovado. No seu lugar, foi escalado o jovem Leandro Silva, que disputava assim seu primeiro jogo oficial com o Manto Sagrado, depois de dois amistosos em Angola no mês de agosto. Na zaga ficava o quase homônimo e muito mais ídolo, Leandro. Em 12 de novembro de 1987, o eterno técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Leandro Silva, Leandro, Edinho, Leonardo; Andrade, Aílton, Zinho, Zico; Renato Gaúcho, Bebeto.
Na Fonte Nova, a grande dupla Renato Gaúcho – Zico quase funcionou no início do jogo. Renato Gaúcho cruzou, Zico tentou uma bicicleta que passou só um pouco em cima do travessão. Uma pena, teria sido um dos gols mais bonitos do Zico com o Manto Sagrado, se não o mais bonito. Em seguida, Bahia quase abriu o placar com nada menos que cinco chutes consecutivos, mas o time rubro-negro todo segurou bem e o saudoso Zé Carlos fez duas defesas decisivas.
Já no segundo tempo, o Bobô, principal figura do campeonato brasileiro vencido pelo Bahia no ano seguinte, teve um cara-a-cara com Zé Carlos e chutou para fora. Com uma hora de jogo, Bebeto cobrou um escanteio e tentou o gol olímpico. O goleiro baiano defendeu milagrosamente e tirou a bola do gol, Zinho pegou de voleio e abriu o placar.
Dez minutos depois, Bebeto, cria do rival Vitória, roubou uma bola nos pés do zagueiro Pereira, driblou o goleiro Rogério e chutou no gol vazio. Era apenas o segundo gol de Bebeto no campeonato, em 8 jogos. Para o jovem craque, que se casaria dois dias depois, era um novo começo. Na verdade, para o time todo, já que Zico viu o jogo como um “divisor de águas”. Flamengo tinha um time cheio de craques e sim, era candidato ao título brasileiro.








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