Francêsguista

Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #211: Flamengo 4×0 Juventude 2007

    Jogos eternos #211: Flamengo 4×0 Juventude 2007

    Eu não acredito mais ao título do Brasileirão de 2024, mesmo com uma grande arrancada. Mas já teve dias piores, em 2007, Flamengo fechou o primeiro turno do Brasileirão com apenas 4 vitórias e ficou numa vergonhosa penúltima posição. Teve troca de técnico, com a volta de um técnico emblemático do Flamengo, Joel Santana. Flamengo venceu dois jogos consecutivos, mas voltou a perder contra o Palmeiras e ficou na zona de rebaixamento.

    Contra um concorrente direto na luta contra o rebaixamento, Flamengo tinha obrigação de vencer em casa. No 23 de agosto de 2007, Joel Santana escalou Flamengo assim: Bruno; Léo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim, Juan; Rômulo, Cristian, Ibson, Roger, Maxi Biancucchi; Souza. O jogo começou equilibrado e com meia hora de jogo, Juan cruzou e no duelo com Maxi, Régis tocou na mão e o juiz marcou pênalti. Souza, que voltava no time titular depois de 4 jogos de suspensão, foi perfeito na cobrança, pegou o goleiro no contrapé, abriu o placar.

    No segundo tempo, Flamengo tomou conta do jogo, mas nem Rômulo, nem Ibson, nem o capitão Roger Flores, esse mesmo, conseguiram fazer o gol que deixaria Flamengo mais tranquilo. Juventude voltou a acreditar ao empate e quase chegou com uma bola de primeira de Luciano, mas o goleiro Bruno fez autêntico milagre. No minuto seguinte, Michel Neves tocou no travessão de Bruno. Flamengo estava perto de conhecer mais uma vergonha.

    Mas dois minutos depois, Juan, incansável na esquerda, foi perfeito no cruzamento, para a chegada de Obina, que entrou em campo no lugar de Souza. Bola na cabeça de Obina, bola na rede, explosão no Maracanã, mesmo em pequeno número, com 23.772 pagantes. O final do jogo foi só Flamengo, Juan quase fez golaço, deixou dois no chão, mas parou no terceiro. Mas já não tinha mais tempo para quem não era rubro-negro. Nos minutos finais, Ibson abriu na direita para Obina, o artilheiro virou garçom e cruzou para Maxi Biancucchi fazer seu segundo gol com o Manto Sagrado. Jovem de 15 anos na França, eu já era Flamengo na pele e acompanhava do mais perto possível o clube. Sabia que Maxi era primo de Messi e eu estava empolgado, tinha grandes esperanças para ele e o Flamengo, mesmo numa posição tão difícil.

    Enfim, Flamengo fazia o terceiro e fez mais um nos acréscimos. Obina, de novo ele, abriu na esquerda, de novo para Maxi. O camisa 10 do Flamengo chutou forte no travessão, bola tocou no chão, voltou para Ibson, que cabeceou, de novo no travessão. Defesa saiu mal, bola voltou mais uma vez para o incansável Juan, que passou entre três zagueiros, antecipou a saída do goleiro e tocou de bico no fundo das redes para o golaço. A torcida estava feliz, voltava a acreditar na permanência no Brasileirão. Ainda não era tempo de sonhar mais, mas Flamengo arrancou, perdeu apenas 4 jogos até o final do Brasileirão, que acabou com show de Ibson, com show do Maraca, com Fla na Liberta.

  • Times históricos #30: Flamengo 1940

    Times históricos #30: Flamengo 1940

    Em 1940, a Europa já estava em guerra, o futebol parou. Não era o caso da América do Sul, onde a guerra era só nos campos de futebol. No futebol carioca, a maior rivalidade da época era o Fla-Flu. Entre 1936 e 1938, Flamengo foi três vezes vice-campeão carioca, sempre atrás do Fluminense, que conquistou assim o tricampeonato. Em 1939, Flamengo finalmente foi o campeão, com um time cheio de ídolos: os negros Domingos, Leônidas e Jarbas, os argentinos Volante e Valido. Esses jogadores ajudaram o Flamengo a crescer ainda mais, ter uma torcida mais ampla, ter um time campeão. E mais, começou a aparecer no final do ano de 1939 o jovem Zizinho, um dos destaques dos jogos contra o Independiente.

    No início de 1940, Flamengo jogou três vezes contra outro time argentino, San Lorenzo. No primeiro jogo do ano, no 7 de janeiro, uma derrota 1×0 no São Januário. O segundo jogo valia o Torneio Relâmpago e depois do 0x0, San Lorenzo levou o troféu com uma vantagem de um escanteio, um dos critérios numa época ainda sem pênaltis para desempatar um jogo. No terceiro e último jogo, outro amistoso, outra derrota do Flamengo, apesar de 2 gols de Leônidas, que marcava assim os primeiros gols do Flamengo de 1940. No seu livro A Nação, como e por que o Flamengo se tornou o clube com a maior torcida do Brasil, Marcel Pereira escreve: “Há uma razão que explica o platonismo rubro-negro entre 1937 e 1940: o futebol brasileiro era um grande freguês de seu vizinho. A própria seleção brasileira costumava perder mais do que vencer”. Em 1939, a Seleção brasileira levou um 5×1 contra a Argentina e perdeu a Copa Roca 1940 com duas derrotas duras: 1×5 e 1×6, a maior derrota da história contra a Argentina. Com um time apenas de jogadores carioca, e apenas Leônidas como jogador do Flamengo, a Seleção também perdeu em 1940 a Copa Rio Branco contra o Uruguai.

    De volta ao futebol nacional, já em março, Flamengo estreou com uma goleada 5×1 contra o America, 2 gols de Jarbas, 2 de Jorge, um de Caxambú. No torneio início carioca, já em abril, com jogos de 10 minutos apenas, Flamengo eliminou o America depois um 0x0 e mais uma vez o critério dos escanteios, mas parou na semifinal contra São Cristóvão, outro 0x0, agora com apenas um escanteio contra três do São Cristóvão. Na final, Fluminense levou o troféu. Ainda era o poderoso Fluminense de Batatais, Hércules, Tim, Romeu e Russo. Na estreia do campeonato carioca, Flamengo brilhou com uma goleada 8×1 contra Madureira. Em seguida, Fla venceu Botafogo e São Cristóvão, inclusive com um gol de jovem Zizinho.

    Zizinho, um ídolo do Flamengo e no Francêsguista, começou a aparecer no Flamengo no final de 1939, com dois jogos contra Independiente. Quando Leônidas brigava com a diretoria, Zizinho brilhava em campo. Aos 18 anos, já era um craque. Escreve Roberto Sander no livro Anos 40, viagem à década sem Copa: “Nesse campeonato de 1940, com apenas 18 anos, ele se tornava titular, mostrando um futebol de precoce resplendor. Apesar de não ser exatamente um homem-gol, e sim um exímio articulador de jogadas, Zizinho marcaria seis vezes. Ele era aquele típico meia, tão escasso hoje em dia, que armava o jogo e chegava à área para concluir”. Ainda Roberto Sander, agora no livro Os dez mais do Flamengo: “Em 1940, Zizinho já mostraria do que era capaz. Jogo após jogo ele se revelava um atleta de categoria superior. Suas atuações provocaram um deslumbramento tal que logo foi alçado ao posto de fora-de-série. Ele passaria a representar algo parecido com o que Leônidas representou em meados da década anterior. Tinha aquele algo mais dos gênios. Seu futebol aliava técnica, lucidez e extrema objetividade. Isso sem falar do drible fácil, dos chutes bem colocados e das penetrações insinuantes pelo campo adversário, que comumente terminavam em gol”.

    Tinha o novo ídolo, mas ainda tinha os antigos ídolos, como Jarbas e Leônidas. Jarbas, considerado como primeiro jogador negro do Flamengo, fez contra Bangu seu 121o gol com o Manto Sagrado, ultrapassando assim Nonô para se tornar o maior artilheiro da história do Flamengo. Mas Leônidas já se aproximava, se não me engano nas contas, fez em maio seu 110o gol no Flamengo, contra São Paulo no Pacaembu, onde brilharia depois com a camisa do São Paulo. Flamengo venceu 2×0 e conquistou a Taça Royal, um torneio amistoso. Quem fez o outro gol foi o argentino Júlio Castilho, era a época do platinismo, quando o futebol argentino era considerado melhor do que o brasileiro. Já no seu primeiro jogo com o Manto Sagrado, Júlio Castilho fazia gol, era campeão com o Flamengo. Era um outro ídolo em formação, mas ainda tinha o Leônidas da Silva. Entre junho e agosto de 1940, Leônidas fez gol em 7 jogos consecutivos, para um total de 13 gols. Fez gol contra Vasco, Fluminense e Bangu, fez hat-trick contra seu antigo clube do Bonsucesso, fez outro hat-trick na estreia do Torneio Rio – São Paulo, contra America, outro clube com quem tinha história. Fez mais um hat-trick, numa vitória 8×2 contra Barroso para se tornar o maior artilheiro da história do Flamengo.

    O Torneio Rio – São Paulo estava de volta no futebol brasileiro, depois de primeira edição em 1933, ano do profissionalismo no Brasil. Depois de uma edição inacabada em 1934, o Torneio Rio – São Paulo voltou a acontecer em 1940 com 9 times, os 7 gigantes das cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, mais a Portuguesa e o America. Contra os times paulistas, Flamengo foi invicto, um empate 2×2 contra São Paulo, vitórias 3×1 contra Palmeiras e o Corinthians. Flamengo era uma máquina de fazer gols, com artilheiros como Leônidas, mas também Armandinho, Jarbas e Castilho. Contra a Portuguesa, Flamengo venceu 9×1, com 6 gols de Leônidas, que agora igualava Nelson em 1933 e Alfredinho em 1936 para se tornar o maior artilheiro do Flamengo em um único jogo. Neste mesmo jogo, Castilho fez 2 gols, seus últimos no Flamengo. Na chegada ao clube, escondeu um problema diabético e morreu logo depois, aos 25 anos apenas, fazendo 6 gols em 9 jogos com o Manto Sagrado. O Mengo perdia assim um jogador que talvez ia ser tornar um dos maiores gringos da história do Flamengo.

    Ainda no Torneio Rio – São Paulo, Flamengo derrotou Vasco 3×0 na Gávea, 2 gols de Leônidas e um de Jarbas. E assim acabou o torneio. Infelizes com a baixa renda dos jogos, os times paulistas simplesmente parraram de jogar o Torneio Rio – São Paulo, que foi interrompido com Flamengo e Fluminense na liderança. A CBD nunca declarou campeões, mas ambos Flamengo e Fluminense se consideram como vencedores da edição, anotando o torneio na lista dos troféus. Acho que merecia um jogo de desempate e precisa da oficialização da CBF, mas como em 1966 quatro times foram declarados co-campeões do torneio interrompido, também faz sentido. E também acho legal de ter uma competição com o Fla-Flu campeão.

    Assim, a única competição do final do ano foi o campeonato carioca. De novo com o duelo Fla-Flu. Tinha o Madureira das “Três Patetas”, Jair Rosa Pinto, Lelé e Isaías, o Vasco de Zarzur, Argemiro e Orlando, o Botafogo de um jovem artilheiro em ascensão, Heleno de Freitas, mas sobretudo tinha o Fla-Flu. Incomodado com a perda do título carioca em 1939, Fluminense contratou pesado, o zagueiro Norival, o meio argentino Spinelli e o atacante Adílson. O Mengo venceu o Fla-Flu 2×1, gols de Leônidas e Jorge, e voltou a um ponto do líder, Fluminense. Assim, o Tricolor contratou mais um jogador para o final do campeonato, o centroavante argentino Rongo, mais uma vez o platinismo. Rongo vinha do River Plate, com quem tinha feito 56 gols em 48 jogos! Já no seu primeiro jogo, Rongo fez 2 gols na vitória 4×2 do Fluminense sobre o America.

    Fluminense tinha seu artilheiro, mas Flamengo tinha Leônidas. Durante o ano, Leônidas prorrogou seu contrato por 80 contos de réis, uma fortuna na época. Mas não decepcionou. Flamengo goleou e o Diamante Negro fazia chuva de gols: vitória 6×2 contra Bangu com dobletes de Leônidas, Zizinho e Armandinho, goleada 6×0 contra São Cristóvão com 4 gols de Leônidas. Porém, apesar dos gols de Zizinho e Leônidas, Flamengo empatou duas vezes 1×1, contra Botafogo e Vasco. No último jogo, mais uma goleada, 7×1 contra Bonsucesso, com mais 2 gols de Leônidas, que assim chegou aos 30 gols no campeonato carioca. Igualou o recorde de Nilo em 1927 para se tornar o maior artilheiro do campeonato carioca em uma única edição. Porém, Fluminense precisava de uma vitória no último jogo para ser campeão. Flamengo pagou os jogadores do São Cristóvão para dar o máximo, sem sucesso. Com 3 gols de Rongo, Fluminense venceu 5×3 e assim voltou a ser campeão do Rio de Janeiro, mesmo fazendo 10 gols a menos que o Flamengo, 62 para Flu, 72 para Fla.

    Um final triste, ainda mais para Leônidas, que viu seu sucessor, em campo mas não no coração dos torcedores, Pirillo, bater seu recorde de gols já na edição seguinte do campeonato carioca. No início do ano de 1941, Leônidas brigou com o presidente do Flamengo, que o acusou de “fazer corpo mole” e fingir lesões para escapar de jogos sem importância. Leônidas acabou multado, afastado, até preso e acabou vendido. Assim, o ano de 1940, com 43 gols ao total (mesmo número que Gabigol em 2019) foi o último grande ano de Leônidas no Flamengo, um ano com ascensão de Zizinho, com decepção no campeonato carioca, com título no Torneio Rio – São Paulo, com mais uma vez um grande capítulo da história do Fla-Flu.

  • Jogos eternos #210: Corinthians 4×2 Flamengo 1989

    Jogos eternos #210: Corinthians 4×2 Flamengo 1989

    Flamengo joga hoje no campo do Corinthians para o jogo de volta da Copa do Brasil depois de vitória no Maracanã. Um roteiro que já aconteceu na primeira edição da Copa do Brasil, em 1989. Na época, Flamengo passou de Paysandu e Blumenau e chegou nas quartas de final contra o Corinthians. Na ida, uma vitória 2×0 do Mengo, gols de Zico e Nando Pinho. Flamengo podia até perder de 2 gols de diferença e se classificar na semifinal.

    E Flamengo tinha a volta de um ídolo, um dos maiores de sua história. Ao pedido do filho, Júnior voltou ao Flamengo depois de 5 anos longe do Maracanã, na Itália. A despedida programada de Zico no final do ano era um pouco menos dura com a volta de Júnior, a torcida ainda tinha referências da época de ouro, ainda tinha ídolos. Júnior voltou a vestir o Manto Sagrado com dois jogos amistosos na Alemanha e chegou ao Brasil para o jogo de volta contra o Corinthians. No 12 de agosto de 1989, o técnico Telê Santana escalou Flamengo assim: Cantarele; Leandro Silva, Gonçalves, Rogério, Leonardo; Júnior, Aílton, Zinho, Zico; Alcindo, Nando.

    Era a volta da dupla Júnior – Zico, mas quem brilhou primeiro no Pacaembu foi um ainda jovem craque, ainda não tão ídolo do Corinthians, Neto. Com uma cobrança sensacional de escanteio, Neto fez o gol olímpico e abriu o placar. Num duelo de geração e de camisas 10, Zico também não tardou a brilhar, passou entre dois defensores, fixou mais dois e cruzou. Bola chegou até o lado esquerdo nos pés de Leonardo, que também cruzou, Zico chegou, pulou, cabeceou, empatou. O Corinthians precisava de fazer 3 gols para se classificar, Flamengo estava quase na semifinal.

    O Corinthians precisava de 3 gols e fez. No meio do segundo tempo, Viola driblou Cantarele e cruzou para o voleio vitorioso de Giba. Três minutos depois, Eduardo chutou de longe e fez outro golaço, colocou fogo no Pacaembu, esperança para a torcida do Corinthians. Nos 5 minutos finais, o Corinthians fazia o milagre, Neto fazia o gol da classificação. Faltava 5 minutos para impedir uma vergonha ao Flamengo. Era o momento de craques, de ídolos, de gênios, era o momento da dupla Zico – Júnior.

    Faltando três minutos para o final do jogo, Zico antecipou a saída do goleiro Ronaldo Giovanelli para tocar de lado ao Júnior, que, agora sim, fez o gol da classificação. Na celebração, Júnior voou, como voará depois como o Vovô-Garoto, culminando até o título do Brasileirão de 1992 e um golaço de falta, com direito a uma comemoração que justamente relembraria aquela contra o Corinthians. Já no primeiro jogo oficial de volta ao Flamengo, Júnior voltava a brilhar com Zico como começou a fazer 15 anos antes, era decisivo num jogo bastante difícil contra o Corinthians.

  • Jogos eternos #209: Flamengo 3×2 Fluminense 2013

    Jogos eternos #209: Flamengo 3×2 Fluminense 2013

    Hoje é dia de Fla-Flu, meu clássico favorito no futebol carioca, um jogo que eternizei muitas vezes aqui, por exemplo o 5×2 de 1972, o 5×3 de 2010, o 4×1 de 1976, o 2×0 de 2009, o 3×2 de 1993, o 3×2 de 2000, o 3×2 de 2011, muitas vezes 3×2. O Fla-Flu muitas vezes deu espetáculo e como estou de um otimismo feroz quando se trata do Flamengo, quero sonhar com um Flamengo campeão no final do ano, seja no Brasileirão, seja na Copa do Brasil.

    Em 2013, o maior clássico do Rio voltava ao maior palco do mundo, o Maracanã, depois de três anos de obras. No início do Brasileirão, Flamengo andava de maneira modesta, com apenas 14 pontos em 12 jogos e um 13o lugar na tabela. Antes do Fla-Flu, Fluminense tinha os mesmos 14 pontos. A derrota, como em qualquer Fla-Flu, era proibida. No 11 de agosto de 2013, o técnico Mano Menezes escalou Flamengo assim: Felipe; Léo Moura, Wallace, Marcos González, João Paulo; Luiz Antônio, Elias, Gabriel, André Santos; Nixon, Hernane. Do lado do Fluminense, destaque para a dupla de ataque, Rafael Sóbis e Fred.

    E no Maracanã, Fluminense abriu o placar na sua primeira chance, Wallace saiu mal a bola, Rafael Sóbis recuperou e fuzilou Felipe. Flamengo reagiu rapidamente, 10 minutos depois, Elias aproveitou de bom passe de Hernane para ir no cara-a-cara com Diego Cavalieri e foi preciso na finalização para empatar no Fla-Flu. E 6 minutos depois, o gol da virada, o golaço do dia. O lateral Léo Moura deixou a bela entre as pernas de Eduardo, invadiu a grande área, cruzou. Bola ficou um pouco atrás do Hernane, mas com a inteligência, sabedoria e o instinto do artilheiro, Hernane fez o golaço de letra, o Brocador brocou, matou o Fluminense, quase já levou o Fla-Flu antes do intervalo.

    Ainda mais que nos 10 minutos finais do jogo, foi a vez de Fred de se equivocar na grande área numa posição de zagueiro que não era sua, o reestreante André Santos tocou na bola, Hernane tocou de bico, fez o doblete, levou o Fla-Flu. O segundo gol do Rafael Sóbis apenas serviu para definir o placar final: 3×2, Flamengo levava o primeiro Fla-Flu do Novo Maracanã. O Flamengo continuou a oscilar no Brasileirão de 2013, e passou, como Fluminense, perto do rebaixamento. Mas no final da temporada, Flamengo conquistou a Copa do Brasil, fez vibrar o Maracanã, alegrou a Nação.

  • Jogos eternos #208: Flamengo 4×1 Linhares 1996

    Jogos eternos #208: Flamengo 4×1 Linhares 1996

    A Seleção brasileira joga hoje no estádio Mané Garrincha, um estádio onde Flamengo jogou várias vezes desde 1976, com um primeiro jogo e primeira vitória contra Brasília, gols de dois ídolos do Flamengo, Geraldo e Zico. O estádio Mané Garrincha é uma espécie de segunda casa do Flamengo e vinte anos depois da estreia, Flamengo mandava um jogo da Copa da Brasil, na segunda fase contra Linhares, time do Espírito Santo.

    Na sua estreia da Copa do Brasil de 1996, Flamengo venceu Linahres 1×0 no Kléber Andrade, outra casa secundaria do Flamengo, e fez o jogo de volta no Mané Garrincha. No 8 de março de 1996, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Roger; Alcir, Jorge Luís, Ronaldão, Gilberto; Márcio Costa, Mancuso, Djair, Marques; Sávio, Amoroso. Destaque para Márcio Amoroso, antigo ídolo do Guarani e um dos ídolos de minha infância quando jogava no Borussia Dortmund, que fazia neste dia sua estreia com o Manto Sagrado.

    Nascido em Brasília, Amoroso jogava em casa e precisou de menos de 10 minutos para fazer seu primeiro gol no Flamengo. Falta de Djair, cabeçada de Amoroso, gol do Flamengo. No final do primeiro tempo, Flamengo sofreu gol do empate e vaias de sua torcida, também exigente fora do Rio. No intervalo 1×1, nada decidido.

    No segundo tempo, Flamengo dominou, sem fazer o gol, até a chegada do lateral-esquerdo Gilberto, outro a brilhar depois no futebol alemão, no Hertha Berlim, e que venceu o goleiro de Linhares com um chute cruzado. O final do jogo pertence a um ídolo do Flamengo, craque da casa, Diabo e depois Anjo Loiro, Sávio. Num lançamento, Sávio fez um drible de vaca sensacional sobre o goleiro e “só não entrou com bola e tudo porque teve humildade”. A Nação, ainda num estádio raiz longe da reforma para a Copa do Mundo, vibrava e continuou a vibrar com o quarto gol, ainda com Sávio, de pênalti.

    No final, Flamengo vencia 4×1 e passou na próxima fase da Copa do Brasil, depois passou de Coritiba e Internacional, antes de cair na semifinal contra Cruzeiro. Flamengo ainda está vivo na semifinal da Copa do Brasil de 2024, ainda pode sonhar com o penta. Sem esquecer os antigos ídolos como Sávio e outros, que faziam vibrar a Nação, no Rio ou no Mané Garrincha.

  • Jogos eternos #207: Flamengo 2×0 Fluminense 2023

    Jogos eternos #207: Flamengo 2×0 Fluminense 2023

    Eu volto ao Brasil amanhã e minha expectativa, meu sonho, é de assistir ao Fla-Flu no Maracanã. O Fla-Flu sempre é e sempre será um sonho. Meu primeiro jogo no Maracanã foi um Fla-Flu, com vitória 1×0 do Flamengo na Copa Sudamericana 2017. Uma semana depois, assistia a um Fla-Flu eterno, o 3×3 que classificava Flamengo. Em 2022, quando passei a morar um ano no RJ, minha volta na Norte foi um Fla-Flu. E o jogo de despedida da Norte, também foi um Fla-Flu, um decepcionante 0x0 no Brasileirão.

    Durante minha temporada ao Brasil, eu assisti no Maracanã ao título da Copa do Brasil de 2022 e tinha o sonho de ser campeão carioca, nacional e continental no Maracanã. Em 2023, Flamengo perdeu a Recopa Sudamericana nos pênaltis e um mês depois, perdeu a final do campeonato carioca contra Fluminense, abrindo 2×0 na ida, levando goleada 4×1 na volta, uma vergonha. Eu vivi frustrações no Maracanã, mas alegrias também, como a goleada de virada contra Maringá, jogo que assisti com meu amigo da Fla Paris, Waldez. Flamengo se classificava nas oitavas de final, o destino era Fluminense, o destino era Fla-Flu.

    O Fla-Flu me oferecia a possibilidade de ver um jogo a mais no Maracanã. O jogo de ida foi decepcionante, com um empate sem gol. A temporada de 2023 foi tão frustrante que eu já quase esperava uma eliminação. Mas já sabia que eu ia voltar na França daqui dois meses e queria ainda sonhar, com a Copa do Brasil, com o Flamengo, com o Fla-Flu. No 1o de junho de 2023, Jorge Sampaoli escalou Flamengo assim: Matheus Cunha; Fabrício Bruno, David Luiz, Léo Pereira; Wesley, Thiago Maia, Erick Pulgar, Gerson, Ayrton Lucas; Arrascaeta, Gabigol.

    No Maracanã, Fluminense foi o primeiro a levar perigo, com dois chutes de Cano, sem fazer gol. Ma meia hora de jogo, Gerson lançou a bola com todo mundo na grande área, Fabrício Bruno cabeceou na pequena área, Arrascaeta cabeceou na gaveta. Não lembro bem, mas acho que perdi esse gol ao vivo, ou só vi o final, quando a bola já estava quase na rede. Muitas vezes me encantava na Norte, admirava a Nação e perdia momentos em campo. O mais importante é que a Nação estava feliz, Flamengo estava na frente no Fla-Flu.

    No segundo tempo, Fla quase fez o segundo. Ganso errou no passe e Gerson foi no cara-a-cara com o goleiro, mas Fábio defendeu. Na sequência, Éverton Cebolinha chutou na trave, Gabigol chutou de primeira e Fábio ainda fez a defesa. O jogo era equilibrado, podia sair um 1×1 desesperante ou um 2×0 encantador. Num giro sensacional, Éverton Ribeiro quase fez o golaço, mas bola passou um pouco em cima do travessão. No final do jogo, outro quase golaço, num estilo de zagueiro forte e técnico, Fabrício Bruno driblou vários jogadores mas não conseguiu finalizar na grande área.

    E nos acréscimos, finalmente o gol, finalmente o livramento, finalmente a classificação. Éverton Ribeiro abriu na direita para Wesley, que cruzou, Éverton Cebolinha chutou mal, mas Gabigol estava na segunda trave para fazer o gol e a alegria da Nação. “Festa na favela” cantava a torcida, eu também, faço parte da Nação que é o pesadelo de muitos. O Fla-Flu era rubro-negro, eu podia voltar na Rocinha com um sorriso e o sonho de mais um título, que finalmente não veio. Arrascaeta e Gabigol foram os artilheiros do Fla-Flu, dois jogadores que decepcionaram em 2024, mas com a chegada de Filipe Luís no banco, com eu de volta ao Rio de Janeiro, ainda quero sonhar com uma recuperação dos dois, com um Fla-Flu feliz, com a Nação gritando no final “É campeão”.

  • Jogos eternos #206: Universidad Católica 2×3 Flamengo 2022

    Jogos eternos #206: Universidad Católica 2×3 Flamengo 2022

    A Seleção brasileira joga hoje no Chile, vamos então lembrar um jogo do Flamengo no Chile, na campanha da Copa Libertadores de 2022, que quase quase foi perfeita. Flamengo estreou com 2 vitórias, contra o Sporting Cristal e Talleres, antes de jogar contra a Universidad Católica, talvez o adversário mais perigoso da fase de grupos.

    No 28 de abril de 2022, o técnico Paulo Sousa escalou Flamengo assim: Santos; Isla, Pablo, Willian Arão, Filipe Luís; Thiago Maia, João Gomes, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol. No estádio San Carlos de Apoquindo, na cidade de Las Condes, comuna de Santiago, Flamengo precisou de apenas 8 minutos para abrir o placar. Bem lançado pelo Bruno Henrique, Gabigol olhou o gol e chutou no gol, sem chance para o goleiro. Apenas 8 minutos depois, a Universidad Católica empatou com a ajuda de Isla, que fez gol contra.

    Ainda no primeiro tempo, a dupla Bruno Henrique – Gabigol voltou a funcionar. Até voltou a funcionar o trio de ouro de 2019 com Arrascaeta, que fez grande passe no ar chileno para Bruno Henrique na esquerda. Com a velocidade de sempre, Bruno Henrique deu o pique e cruzou para Gabigol, que só teve a tocar o pé na bola, a bola no fundo das redes. Assim, Gabigol fazia seu 26o gol na Libertadores (1 com Santos e 25 com Flamengo), deixava Fred e Palhinha para trás e se tornava o segundo maior artilheiro brasileiro da história da Copa Libertadores, atrás apenas de Luizão. Hoje, mesmo reduzindo bem o ritmo e com a ameaça de Pedro que chega perto, Gabigol é o maior artilheiro brasileiro da Copa Libertadores.

    No segundo tempo, depois de mais uma arrancada impressionante de Bruno Henrique, Gabigol passou perto do hat-trick mas chutou para fora. E a Universidad Católica ameaçou Flamengo, até com bola na trave e reclamação de um pênalti, Isla, no próprio país, parecida perdido no jogo. Flamengo só respirou nos 10 minutos finais, Paulo Sousa brilhou nas escolhas táticas, com a entrada em campo de Pedro, Marinho e Lázaro. O primeiro desarmou, o segundo lançou, o terceiro golaçou. O craque da casa Lázaro dominou bem a bola, deixando-a um pouco no ar e chutou na gaveta para fazer o golaço do dia.

    Nos acréscimos, foi a vez de Pablo fazer gol contra, o que não impediu a vitória do Flamengo. Com 3 gols do Mengo (até 5 contando os gols contra), 2 de seu maior artilheiro na competição, poderia ter sido uma noite perfeita no Chile. Era sem contar com a estupidez do ser humano. Um torcedor chileno imitou um macaco em direção aos brasileiros, outros lançaram pedras e sinalizadores no setor do Flamengo, machucando uma criança de 10 anos. No jogo de volta, a direção do Flamengo acertou, convidando o jovem Thiago para o jogo no Maracanã e no CT do Flamengo para conhecer os jogadores. O ser humano e o futebol também são capazes de grandes coisas.

  • Jogos eternos #205: Flamengo 5×1 Bangu 1915

    Jogos eternos #205: Flamengo 5×1 Bangu 1915

    Flamengo fez na última semana mais um passo rumo ao novo estádio, tomando posse do terreno do Gasômetro. Eu acho que o Maracanã, além de ser a alma do futebol carioca, é a casa do Flamengo. Foram, em quase 75 anos, tantos jogos, tantas vitórias, tantos títulos, tantos gols, tantas explosões de alegria da torcida, na geral e nas arquibancadas. É nossa casa, mas o Maracanã foi destruído na alma para a Copa de 2014 e o futebol moderno exige um estádio próprio. Acho a localização do Gasômetro ótima e o novo estádio marcará um novo capítulo da história do Flamengo, como aconteceu tantas vezes desde o primeiro jogo do clube, contra Mangueira em 1912.

    Nos primeiros anos de futebol, Flamengo mandava seus jogos em outros estádios: Laranjeiras do Fluminense e General Severiano do Botafogo. Gigante desde o primeiro jogo, Flamengo conquistou seu primeiro campeonato em 1914, com vitória no Fla-Flu, no General Severiano. O time de futebol do Flamengo ganhou a simpatia dos remadores do clube, ainda o esporte mais nobre da cidade, e ganhou novos torcedores no Rio de Janeiro, uma cidade de mais ou menos 1,5 milhão de pessoas na época. Em 1915, a torcida rubro-negra (e de listras brancas) lotou o General Severiano num jogo contra Botafogo, o jornal O Imparcial falando de “uma animação nunca vista”. Flamengo já era o mais querido e precisava de uma casa para mandar seus jogos.

    O clube de Paissandu, como se escrevia na época, abandonou o futebol em 1914. Antes, o clube de origem inglesa jogava no bairro nobre de Laranjeiras, no estádio da rua Paysandu, conhecido pela tribuna de madeira e pelas palmeiras centenárias. O dono do estádio era a família Guinle, ligada ao Fluminense. O estádio tinha um dono, mas não tinha time. Assim, a partir de 1915, a família Guinle alugou o estádio ao Flamengo, que fez obras no local, perpetuando assim já a tradição do Fla-Flu, dois clubes às vezes irmãos às vezes inimigos. No estádio da rua Paysandu, Flamengo, campeão mais recente e ainda invicto no campeonato de 1915, iniciava um novo capítulo de sua história.

    A estreia do Flamengo no estádio da rua Paysandu aconteceu para a última rodada do campeonato carioca 1915. Flamengo precisava de um empate para ser campeão. E mais, Flamengo podia ser campeão invicto, antes só Fluminense tinha conseguido a façanha. No 31 de outubro de 1915, o Ground Committee liderado pelo zagueiro Emmanuel Nery escalou Flamengo assim: Baena; Píndaro, Nery; Coriolano, Gallo, Sidney Pullen; Arnaldo, Gumercindo, Borgerth, Riemer, Paulo Buarque.

    No time do Flamengo, destaques para Borgerth, o fundador da seção de futebol no Flamengo, para o atacante Riemer, que ultrapassou em 1915 o próprio Borgerth para se tornar o maior artilheiro do Flamengo, para Arnaldo, que fez 4 gols no primeiro jogo da história do Flamengo, e para o meio-campista Sidney Pullen, um inglês que jogava no Paissandu e ingressou o Flamengo depois do clube abandonar o futebol. Sidney Pullen ainda jogou na Seleção brasileira em 1916, voltou na Europa como soldado na Primeira Guerra mundial, voltou como ídolo ao Flamengo para ser mais três vezes campeão com Flamengo.

    No estádio da rua Paysandu, o primeiro adversário era Bangu, já um clube de operários e que ajudou a aproximar o futebol carioca do povo. Flamengo jogava com a camisa chamada “cobra coral”, sem o azar do “papagaio de vintém”, ainda diferente da camisa tradicional do remo, mas já mais parecida, uma camisa rubro-negra com pequenas listras brancas, assim ganhou o apelido de cobra coral. E ganhou a camisa, ganhou o estádio, ganhou a torcida, ganhou o Flamengo. Contra Bangu, Riemer marcou 2 gols, inclusive o primeiro gol rubro-negro da história do estádio. Seus 14 gols no campeonato só foram ultrapassados pelo artilheiro do Fluminense e talvez melhor jogador de Rio, o também inglês Harry Welfare. Paulo Buarque, Arnaldo e Gumercindo também fizeram gol, Flamengo goleou 5×1, Flamengo foi campeão, pela primeira vez de maneira invicta. Já no seu primeiro jogo na sua nova casa, ainda não estádio próprio, deixo isso para outra crônica, Flamengo fazia festa para sua torcida, Flamengo era o Rei de Rio.

  • Ídolos #38: Filipe Luís

    Ídolos #38: Filipe Luís

    Filipe Luís começa uma nova fase da carreira. Era uma certeza que um dia ia se tornar o técnico do Flamengo. A dúvida é se ele vai ser um grande treinador, mas já junta uma galera de grandes nomes que foram técnicos do Flamengo depois de brilhar com o Manto Sagrado: Zagallo, Carlinhos, Jayme de Almeida, Paulo César Carpegiani, Andrade. Já ídolo do Flamengo, falta a Filipe Luís se eternizar na grande galeria dos técnicos rubro-negros.

    Filipe Luís nasceu no 9 de agosto de 1985, no Santa Catarina, terra de imigrantes europeus, como poloneses, italianos e austríacos, origens do próprio Filipe Luís. Aprimorou seu futebol com futsal, que praticou até os 14 anos. Virou um jogador com técnica limpa e domínios certos. Começou a carreira profissional no Figueirense, onde foi bicampeão catarinense antes de ir na Europa, no Ajax Amsterdam, onde sequer jogou. Passou na reserva do Real Madrid e finalmente chegou na primeira divisão da Espanha com o Deportivo La Coruña, terra de brasileiros, como Rivaldo, Bebeto ou ainda Djalminha.

    Na Coruña, Filipe Luís virou titular absoluto, teve uma série impressionante de 66 jogos da Liga como titular, entre o 2 de dezembro de 2007 e o 23 de janeiro de 2010. A série foi interrompida contra o Athletic Bilbao, quando Filipe Luís abriu o placar e no mesmo lance do gol, se chocou com o goleiro do Bilbao e quebrou o perônio. O lateral-esquerdo só voltou nos dois últimos jogos da temporada a faltou a Copa do Mundo de 2010, tinha estreado com a Seleção no último jogo das eliminatórias, quando Dunga o botou em campo contra a Venezuela.

    Referência na Espanha, Filipe Luís assinou com o Atlético de Madrid e virou uma referência na Europa inteira. Já no primeiro jogo com o Atlético, Filipe Luís fez uma assistência para Diego Costa marcar o único gol da partida e ainda foi eleito melhor homem do jogo. O primeiro gol de Filipe Luís chegou na mesma temporada, numa vitória 3×0 sobre a Real Sociedad. Sobretudo, o lateral brasileiro ganhou muitos títulos com o time de Diego Simeone: a Liga Europa 2012 contra o Athletic Bilbao de Marcelo Bielsa, a Supercopa da UEFA semanas depois contra Chelsea com show de Falcão, a Copa da Espanha contra o Real Madrid de José Mourinho, no Santiago Bernabéu. Muito títulos para um time que ganhava nada nos anos 2000.

    E mais, no auge do Barcelona de Messi e do Real Madrid de Ronaldo, o Atlético de Madrid conquistou a Liga espanhola de 2014, a primeira do clube desde 18 anos, com 3 pontos a mais do Barcelona e do Real Madrid. Os dois gigantes ultrapassaram os 100 gols no campeonato, mas a defesa do Atlético Madrid foi vazada apenas 26 vezes em 38 jogos. Ao lado dos companheiros Courtois, Godín e Juanfran, Filipe Luís foi eleito na seleção ideal da Liga.

    Para a Copa de 2014, Filipe Luís ficou apenas na lista de suplentes, atrás de Marcelo e Maxwell. A Seleção ainda tinha uma qualidade absurda na lateral-esquerda. Logo depois, realizou um sonho e assinou no Chelsea, para jogar a Premier League. E foi campeão, conquistando um título que não vinha desde 2010 para os Blues. Porém, Filipe Luís participou de apenas 15 jogos, 9 como titular. Jogador de classe, mostrou que também era homem de classe, afirmando que Azpilicueta merecia a titularidade. Filipe Luís participou da League Cup, até fazendo gol contra Derby County nas quartas de final, mas não jogou a final, também vencida pelo Chelsea.

    Depois de um ano na Inglaterra, voltou no Atlético de Madrid, voltou a conquistar títulos, porém ficou no banco, tanto na final da Liga Europa 2018 que na Supercopa da UEFA, também em 2018, conquistadas contra Olympique de Marselha e o Real Madrid. Com a Seleção, jogou as Copas América de 2015 e 2016 e disputou 4 jogos da Copa do Mundo de 2018, mostrando a mesma classe que no Atlético. Na amarelinha, fez 2 gols, contra o Peru em 2015 e contra a Bolívia em 2016, bem servido pelo Neymar. Ainda brilhou na Copa América de 2019 conquistada pelo Brasil, mas sem o mesmo espaço no Atlético, buscou novos desafios. Era a hora de voltar ao Brasil.

    Em julho de 2019, Filipe Luís foi anunciado no Flamengo e foi mais um da geração de 1985, com Rafinha, Diego Alves e Diego Ribas, o amigo quase irmão que incentivou a contratação de Filipe Luís, ao lado do presidente Rodolfo Landim. Ao lado de Rafinha, Filipe Luís se juntou ao Gerson e Pablo Marí como reforços no meio da temporada de 2019. Flamengo estava mudando de patamar. Depois de 14 anos na Europa, Filipe Luís voltava no Brasil, ainda jogando em alto nível. Eu só não sabia se tinha muito o ADN do Flamengo, eu me encanto mais com laterais esquerdos mais ofensivos, como Júnior ou Juan no Flamengo, Roberto Carlos ou Marcelo no futebol brasileiro. Mas Filipe Luís me conquistou com a publicação de uma foto ao lado do Vô, Filipe Luís bem jovem, vestindo um Manto Sagrado bem antigo. “Sentimento que passa de pai para filho, de vô para neto”, publicou. Do Rio para o mundo, do Maraca para a glória eterna.

    Filipe Luís também me conquistou em campo, com atuações seguras, com classe, qualidade técnica, profissionalismo, liderança. Na estreia, perdeu 3×0 contra Bahia, mas depois, foram só vitórias ou empates no pior dos casos, até se eternizar no clube com a conquista da Libertadores, no Milagre de Lima. Fez seu primeiro gol com o Manto Sagrado em 2020, no Fla-Flu do campeonato carioca, depois de uma assistência absurda de Gabigol. O segundo gol também foi num Fla-Flu, agora no Brasileirão. Também fez gol contra Santos e conquistou mais um Brasileirão no início de 2021. Ganhou a admiração de um outro lateral-esquerdo, o vascaíno Pedrinho: “É um gênio. Ele não tem velocidade, força, não tem drible. Mas joga mais do que todo mundo, só com a cabeça”.

    Em 2022, fez seu quarto e último gol no Flamengo, em mais um clássico, na vitória 2×1 sobre Vasco. Na final da Copa do Brasil contra o Corinthians, a decisão foi para a disputa de penalidades, Filipe Luís foi o primeiro a bater para Flamengo e perdeu. Sem consequências, depois de última cobrança de Rodinei, Flamengo foi campeão, Filipe Luís conquistava um dos únicos títulos que ainda lhe faltava no Flamengo. Dez dias depois, ainda era titular para mais uma final de Copa Libertadores, contra o Athletico Paranaense, mas saiu machucado depois de apenas 20 minutos de jogo. Sem consequências, Flamengo foi campeão e teve despedida de festa para Diego Alves e Diego Ribas.

    Filipe Luís renovou o contrato por mais um ano e era o último remanescente da geração 1985. Provavelmente o mais flamenguista também. Inteligente como sempre, preparou a pós-carreira ainda jogando, seguindo cursos da CBF e conseguindo a Licença A. Em 2023, jogou menos numa temporada melancólica para o Flamengo e pendurou as chuteiras depois de jogo contra Cuiabá no Maracanã, onde recebeu homenagem ao lado de Rodrigo Caio, outro ídolo de 2019. Com o Manto Sagrado, Filipe Luís fez 176 jogos, ganhou um total absurdo de 132 vitórias, conquistou um total ainda mais absurdo de 10 títulos, fez 4 gols, fez 9 assistências, fez a alegria do torcedor já consagrado, ajudou o Flamengo a conquistar mais torcedores, meninos que sonhavam e vibravam com um Flamengo vencedor. “Sentimento que passa de pai para filho, de vô para neto”.

    Logo no início de 2024, Filipe Luís virou técnico da base no Flamengo, com o amplo apoio da Nação, conquistando com o time Sub-17 a Copa Rio contra o rival Vasco. Passou a dirigir o time Sub-20 e conquistou um título ainda mais importante, inédito para o clube, a Copa Intercontinental Sub-20 contra o Olympiacos. Era só uma questão de tempo antes de Filipe Luís virar técnico do time principal do Flamengo. Acontece agora, de novo com o amplo apoio da Nação. A dúvida é se ele vai se tornar um grande técnico do Mengo. A certeza é que ele foi um dos maiores laterais da história do Flamengo.

    No início de 2024, uma enquete com 50 jornalistas elegeu os maiores laterais da história do Flamengo. Leandro e Júnior são quase hors-concours. Não podemos esquecer outras grandes duplas de laterais, Jorginho e Leandro no final dos anos 1980, Léo Moura e Juan nos anos 2000. Gosto de duplas de laterais, e Filipe Luís também formou uma ao lado de Rafinha. Na hora da despedida de Filipe Luís, tinha eternizado no Francêsguista o ídolo de Filipe Luís, outro lateral-esquerdo de classe e técnica limpa, Athirson, outro candidato. Também não podemos esquecer os jogadores mais antigos, Biguá, Jordan, Paulo Henrique. Na enquete do GloboEsporte, Filipe Luís ficou atrás de Júnior e Leandro, claro, mas ficou em terceiro, seus 342 pontos bem na frente dos 259 de Léo Moura e 193 de Jorginho. Meu voto pessoal seria 1 – Leandro e 2 – Júnior. Depois, minha dúvida seria entre Jorginho e Filipe Luís, talvez Jordan. Bem que não tive que escolher, prefiro ficar na dúvida. Minha certeza é que Filipe Luís foi um dos maiores laterais do Flamengo, fez mais que honrar o Manto Sagrado, foi e ainda é ídolo rubro-negro.

  • Jogos eternos #204: Bahia 2×2 Flamengo 1995

    Jogos eternos #204: Bahia 2×2 Flamengo 1995

    Mesmo com a chegada de Filipe Luís no banco do Flamengo, ainda é difícil para mim de estar optimista para o final da temporada, principalmente no Brasileirão. Antes do jogo contra Bahia na Fonte Nova, volto para uma temporada que também começou com grandes sonhos e acabou com decepções ainda maiores, a de 1995.

    Em 1995, Flamengo contratou a chamada “maior ataque do mundo”, Romário e Edmundo se juntando ao craque da casa, Sávio. Na primeira fase do Brasileirão, Flamengo decepcionou muito. Ganhou apenas dois jogos, contra Bragantino e Juventude, dois jogos eternos no Francêsguista, empatou mais dois jogos e perdeu 7 vezes! Assim, acabou na última colocação de seu grupo… Uma vergonha, mas ainda tinha a esperança de conquistar a segunda fase para se classificar nas semifinais. Fla começou com vitória contra Criciúma e ficou no 0x0 no Fla-Flu.

    Para a terceira rodada da segunda fase, Flamengo jogou contra Bahia, que também tinha 4 pontos na segunda fase até aqui. No 21 de outubro de 1995, o saudoso Apolinho Rodrigues escalou Flamengo assim: Paulo César; Luís Carlos Winck, Válber, Ronaldão, Alexandre; Márcio Costa, Djair, Rodrigo Mendes; Sávio, Edmundo, Romário. O melhor ataque do mundo e talvez a pior defesa do campeonato.

    Na Fonte Nova, Flamengo começou melhor, com uma dupla de grandes sonhos e pesadelos ainda maiores. Edmundo tabelou com Romário, driblou um zagueiro e foi desequilibrado por um segundo. Romário continuou o lance e abriu o placar de bico, antes de partir para o abraço com o então amigo Edmundo. No final do primeiro tempo, Edmundo no meio de campo achou Romário, que no seu estilo particular, driblou um zagueiro antes de abrir o pé, sem chance para o goleiro. Mais um abraço para Edmundo, que virou garçom de artilheiro Romário, já com 8 gols no Brasileirão, sem saber que seriam seus últimos do campeonato. No intervalo, a vitória de Mengo parecia ser certa.

    E a vitória parecia ainda mais certa nos 10 minutos finais do jogo, ainda com 2 gols de vantagem para Flamengo. Mas Bahia inflamou a Fonte Nova com uma falta de Lima para a cabeçada mortal do zagueiro Ronald. E nos acréscimos, o goleiro rubro-negro Paulo César falhou de forma inacreditável, Raudnei aproveitou e empatou de cabeça, Flamengo deixava escapar a vitória certa. O empate parecia a norma para Flamengo no segundo turno, com 7 empates em 12 jogos. Flamengo fechou a fase na 7a colocação de seu grupo, longe do primeiro Botafogo, um final sem emoção, com muita frustração.

O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”