Francêsguista

Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #130: Flamengo 3×2 Fluminense 2000

    Jogos eternos #130: Flamengo 3×2 Fluminense 2000

    Hoje é dia de Fla-Flu, meu clássico favorito no futebol. Também é o clássico sobre qual escrevi mais, já são 11 crônicas sobre o Fla-Flu no blog. As possibilidades são (quase) inumerosas e finalmente escolhi para hoje um Fla-Flu de 2000, no campeonato carioca.

    Em 2000, o favorito para ganhar o campeonato era o Vasco de Edmundo e Romário, que facilmente levou o primeiro turno, a Taça Guanabara. Do lado do Flamengo, o técnico Paulo César Carpegiani, campeão do mundo em 1981, pediu demissão depois de uma das maiores vergonhas da história do Flamengo, o chocolate 5×1 contra Vasco no dia de Pascoa.

    Antes de mais uma volta de Carlinhos no banco, a diretoria do Flamengo chamou como técnico interino Carlos César, que tinha feito um grande trabalho com a base do Flamengo, conquistando o campeonato carioca sub-20 em 1999. Depois de uma vitória contra o America na estreia da Taça Rio e de uma classificação na Copa do Brasil com duas vitórias contra Guarani, Carlos César conheceu seu primeiro clássico como técnico, contra Fluminense.

    No 7 de maio de 2000, Carlos César escalou Flamengo assim: Clemer; Maurinho, Juan, Luiz Alberto, Athirson; Leandro Ávila, Rocha, Mozart, Petkovic; Leandro Machado, Reinaldo. Do lado do Fluminense, o time decepcionou na Taça Guanabara com um quinto lugar e, como Flamengo, precisava absolutamente de conquistar a Taça Rio para ver as finais do campeonato. Estreou na Taça Rio com vitória sobre Friburguense, acabando com um jejum de 6 jogos sem vitória no campeonato.

    E no Maracanã, com um pouco menos de 50 mil espectadores, foi Fluminense que abriu o placar, Agnaldo driblando o Clemer antes de chutar no gol vazio. Antes do intervalo, Reinaldo puxou a contra-ataque rubro-negra e conseguiu uma falta, perto da grande área, bem no centro. Tinha a opção do canhoto Athirson ou do destro Petkovic. De qualquer modo, muito medo para o Fluminense. Petkovic, com o estilo particular, cobrou. O goleiro Zetti, com também seu estilo particular, ficou preso na calça, apenas olhou a bola morrer na gaveta. Mais um golaço de Petkovic, e no intervalo, empate no Fla-Flu.

    E no início do segundo tempo, Flamengo virou, com passe de Maurinho para Reinaldo. O lance é cirúrgico, o domínio de Reinaldo é perfeito, eliminando o zagueiro no controle de bola e já ficando em condições de fazer o gol. Zetti saiu, e de novo Reinaldo foi perfeito, derrubando o goleiro com um leve toque para fazer o gol de cobertura. Mais um golaço e agora Flamengo na frente.

    No meio do segundo tempo, Rocha achou Reinaldo, que achou Leandro Machado na grande área. Leandro Machado fez a finta para derrubar um adversário e chutou. Zetti defendeu, a bola foi no alto, Zetti se levantou e (quase) pegou a bola com uma mão. De forma inacreditável, Zetti jogou a bola nas próprias redes. Zetti foi um grande goleiro, mas também é conhecido pelos frangos que tomou, um inclusive já contra o Flamengo no Maracanã em 1993. Eu tinha esquecido que ele jogou no Fluminense, mas ele certamente não esqueceu desse Fla-Flu, com golaços de Petkovic e Reinaldo, com frango próprio.

    No final, Luiz Gustavo fez um gol para Fluminense, sem consequências para Flamengo, o Fla-Flu era rubro-negro. Depois, Flamengo ganhou todos os jogos da Taça Rio e derrotou o Vasco na final. O Rio era Flamengo. Vamos tentar uma primeira vez esse ano, se inspira, Flamengo de 2024.

  • Jogos eternos #129: Guarani 2×3 Flamengo 1982

    Jogos eternos #129: Guarani 2×3 Flamengo 1982

    Sem jogo no meio de semana, vamos aproveitar da pausa para homenagear mais uma vez Zico, que completou neste domingo 71 anos. Campeão de tudo em 1981, Flamengo continuou no início de 1982, um ano histórico no Francêsguista, com o Brasileirão.

    Depois de vários jogos, Flamengo chegou na semifinal, contra Guarani. Hoje na Série B, Guarani foi um time poderoso algumas décadas atrás, tornando-se o primeiro campeão brasileiro do interior, em 1978. Quatro anos depois, o time dirigido pelo José Duarte foi o melhor ataque do Brasileirão e tinha dois craques diferenciados, Jorge Mendonça e Careca.

    No jogo de ida no Maracanã, Flamengo estava desfalcado de Tita e Nunes, substituídos pelos Chiquinho e Peu. No primeiro tempo, Flamengo abriu 2×0 com gols de Zico e Peu, mas quase deixou escapar a vitória no segundo tempo depois do gol de Lúcio, outro craque do time bugrino. O jogo de volta no Brinco de Ouro prometia.

    O jogo prometia e o Brinco de Ouro estava cheio, com 52.002 pessoas, um recorde até hoje, provavelmente para a eternidade. Como a atuação de Zico está na eternidade. No 15 de abril de 1982, o técnico Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: Raul; Leandro, Marinho, Figueiredo, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Tita, Lico, Nunes. Um dos maiores times da história do Flamengo, com apenas uma troca em relação ao time que conquistou o Mundial contra Liverpool, Figueiredo sendo escalado na zaga no lugar de Mozer.

    E o Brinco de Ouro, ainda cheio de fumaças, pegou fogo bem no início do jogo, quando Jorge Mendonça, esquecido na segunda trave, abriu o placar num escanteio. Com esse resultado, quem chegava na final era o Guarani, apoiado pelos mais de 50 mil torcedores. E vinte minutos depois, Zico botou frio no estádio. Vale a pena voltar à jogada antes do escanteio. Zico recebeu no meio de campo, fez um drible “à la Cruyff” para escapar de um adversário, e achou de trivela Lico, que achou de volta Zico com um toque de calcanhar. Zico errou no domínio mas, antes da chegada de um defensor, se recuperou com um toque leve de bico. Era a jogada que precisava ser feita, impressionante a capacidade de adaptação de Zico, ainda mais com uma velocidade para pensar tão alta. A bola foi nos pés de Nunes, que cruzou, um adversário chegou na bola para afastar o perigo de cabeça. Escanteio para o Flamengo.

    Na cobrança, Lico para o ambidextro Júnior, que dominou pé direito, cruzou imediatamente pé esquerdo. De novo, Zico foi perfeito. Percebendo a curva do cruzamento de Júnior, Zico fez um passo atrás para cabecear, sem chance para o goleiro Wendell. Apesar do gol de empate, o estádio ainda era um caldeirão. Relembra Zico no livro Zico, 50 anos de futebol, de Róger Garcia e Roberto Assaf: “Um dos jogos mais complicados foi contra o Guarani, nas semifinais, lá em Campinas. No Rio, vencemos por 2 a 1, eles começaram fazendo 1 a 0. Com a vitória iriam à decisão. Eu empatei de cabeça. Então teve um córner a nosso favor e os caras resolveram jogar tudo dentro do campo. Foi um dia em que eu apelei… com o Leandro. Ele queria bater e eu falei para ele: ‘Não vai bater o córner porra nenhuma. Sai daí’. Aí eu puxei o Leandro pra fora, voltei para dentro do campo, cheguei lá, botei a bola no córner e falei para o Carlos Rosa (o juiz gaúcho Carlos Rosa Martins), que me respeitava muito: ‘Não vamos bater esse córner enquanto não parar isso aí’. Olha, os caras xingaram muito, levei tanta latada… mas depois acalmaram”.

    Guarani dominava o jogo, e Flamengo foi salvo algumas vezes pelo goleiro Raul Plassmann, mais um ídolo desse time inesquecível. Depois, Júnior abriu para Zico, que fez um gol, anulado por um impedimento muito duvidoso. E no início do segundo tempo, Zico acalmou mais uma vez a torcida do Guarani, recebendo um passe de Lico. Com 30 metros de distância, Zico chutou de primeira, fez seu segundo gol do dia, seu segundo golaço.

    Flamengo estava perto da final e o zagueiro Figueiredo, que morreu precocemente em 1984 com apenas 23 anos de idade, se infiltrou na defesa bugrina num estilo inabitual, mas o juiz não marcou um pênalti que parecia evidente. E alguns minutos depois, Zico achou Tita no espaço, que achou Adílio na profundidade. O goleiro defendeu o chute, a bola voltou nos pés de Lico, que chutou na cabeça de um defensor do time de Campinas. Agora, o juiz marcou um pênalti inexistente, que não faz esquecer a grande atuação do Flamengo e de Zico. Sem tremer, Zico fez o pênalti, completou o hat-trick, botou Flamengo na final apesar do gol de Jorge Mendonça nos instantes finais, colocou o Fla perto do título, que seria efetivado num outro jogo eterno, contra Grêmio. O Flamengo era o campeão e para a eternidade, Zico seu maior ídolo.

  • Jogos eternos #128: Flamengo 3×0 Madureira 1996

    Jogos eternos #128: Flamengo 3×0 Madureira 1996

    Flamengo joga hoje contra Madureira para conquistar a Taça Guanabara de maneira invicta, o que foi feito em 1996, um ano histórico no Francêsguista. Neste ano, Flamengo começou perfeitamente o campeonato carioca com 6 vitórias em 6 jogos. Para completar a série, Flamengo buscava mais uma vitória contra Madureira. No 14 de abril de 1996, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Roger; Alcir, Jorge Luís, Ronaldão, Gilberto; Márcio Costa, Mancuso, Nélio, Amoroso; Sávio, Romário.

    O jogo aconteceu na Gávea, com bela festa da torcida. Gostaria muito de ter uma reforma da Gávea para sediar pequenos jogos do campeonato carioca, vem imediatamente com esse estádio uma dose de nostalgia e de saudade, apesar de eu nunca ter assistido a um jogo aqui. Mas foi um estádio que viu desfilar muitos craques, Romário sendo provavelmente o último.

    Contra Madureira, o primeiro tempo foi equilibrado, com maior destaque para Flamengo o Márcio Amoroso, 21 anos na época. Quando era criança, adorava o Mario Amoroso, principalmente depois da final da Copa da UEFA 2002, perdida pelo Borussia Dortmund, mas com 4 jogadores brasileiros no time. Amoroso se destacava pela classe, pena que a passagem dele no Flamengo durou apenas 3 meses e 22 jogos. Contra Madureira, seu chute flirtou com a trave, depois serviu Romário em boas condições, mas o Baixinho não fez o gol, acontecia também.

    Mesmo perdendo um gol, Romário se destacava pela inteligência. Num passe de Nélio, percebeu que era impedido e não participou da jogada. O passe se transformou em cara a cara entre o goleiro e o próprio Nélio, que não evitou a saída de Cássio. Oportunista como sempre, Romário recuperou a bola e escapou dos braços do goleiro. O pênalti era claro, mas o juiz nada apitou. No finalzinho do primeiro tempo, Madureira fez um gol, anulado por impedimento. No intervalo, ainda 0x0.

    Depois da festa da torcida no intervalo, Flamengo voltou melhor no segundo tempo e com apenas um minuto, ainda oportunista, Romário abriu o placar com uma cabeçada sutil que enganou o goleiro. Com uma hora de jogo, Amoroso avançou na defesa de Madureira e o passe para Sávio na direita foi desviado por um zagueiro, mas se transformou em um passe para Romário na esquerda. O Baixinho não perdoou. Fixou o goleiro, tinha condições de fazer o gol, mas deixou de lado para o gol fácil de Sávio.

    No final do jogo, Sávio revidou o presente e achou Romário, que completou o doblete com um gol de carrinho. Romário fazia seu 10o gol na competição em apenas 6 jogos. Flamengo ganhou facilmente, a torcida festou lindamente, e no final, Flamengo conquistou a Taça Guanabara de maneira invicta.

  • Jogos eternos #127: Flamengo 2×1 Vasco 1999

    Jogos eternos #127: Flamengo 2×1 Vasco 1999

    Com a vitória no Fla-Flu, Flamengo está muito perto de conquistar sua 24a Taça Guanabara, um recorde. Também pode conquistar o título de maneira invicta pela primeira vez desde 2011. Antes disso, conquistou o título invicto num tríptico em cima do Vasco, com vitórias em 1989, 1996 e 1999. O jogo de 1996, com show de Sávio e Romário, já é um jogo eterno no Francêsguista. Vamos então para 1999, ainda com Romário, sempre com Romário.

    Como em 2024, o Flamengo estava quase perfeito na hora de conquistar a Taça Guanabara, com 7 vitórias, um empate, um 1×1 no Fla-Flu, e nenhuma derrota. Mas o adversário do dia era o mais poderoso da época, o Vasco, que conquistou sua única Copa Libertadores alguns meses antes. Em 1999, ainda tinha em campo jogadores como Carlo Germano, Mauro Galvão, Felipe, Juninho Pernambucano e Luizão. No 18 de abril de 1999, o técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Clemer; Fábio Baiano, Fabão, Luiz Alberto, Athirson; Jorginho, Vágner, Beto, Iranildo; Leandro Machado, Romário.

    A primeira festa no Maracanã foi o próprio Maracanã, com 96.681 pagantes, mais de cem mil no total, e festa bonita das duas torcidas. Afinal, era o Clássico dos Milhões. A segunda festa foi da torcida do Flamengo só. Com apenas 5 minutos de jogo, Athirson, um ídolo da torcida e no Francêsguista, tabelou com Iranildo e chutou de fora de área para fazer um de seus inumerosos golaços com o Manto Sagrado.

    Iranildo também fez a assistência no segundo gol. Depois de um drible de vaca, Iranildo achou Romário na esquerda. No seu jeito particular, o Baixinho deixou Nena para trás e matou Carlo Germano do pé esquerdo com um chute cruzado indefensável para fazer seu décimo gol no campeonato. Ainda Romário, sempre Romário. No chamado clássico contra a violência, num momento que a Iugoslávia estava destruída, Romário exibiu uma camiseta eternizada, com mensagem em inglês que não precisa de tradução: “No war, peace in the world”. E a festa no Maraca, da torcida rubro-negra, ficou mais bonita ainda.

    Ainda no primeiro tempo, num escanteio, Odvan reduziu a vantagem do Flamengo e botou pressão no jogo. Clemer defendeu chutes perigosos, e Zé Maria e Luiz Alberto deixaram a paz de lado para trocar tapas e ser expulsos. O Flamengo segurou o placar, foi campeão e levantou a (pesada) Taça Guanabara. Vasco ficou com o vice e a história seria repetida algumas semanas depois, agora no campeonato carioca.

    Para fechar a crônica, deixo a palavra para Athirson, que falou sobre esse jogo para Lance!: “É um prazer imenso falar dessa partida. Ficou marcado na minha história vestindo este Manto Sagrado. Foi um dos títulos que eu tive uma representatividade muito grande, junto com o Romário. Tive a felicidade de fazer um gol, foi uma partida incrível, o time do Vasco era superior na parte técnica, mais forte e já consagrado. Sabíamos que tínhamos um rival muito competente… O Maracanã lotado, as duas torcidas fazendo festa. Pude fazer o primeiro gol e trazendo a vantagem para o nosso lado. O jogo ficou ainda mais aberto, de igual para igual, com o Romário ampliando com o segundo gol. O Vasco manteve a pressão, e fomos para cima de um jeito incrível”.

  • Na geral #19: Ganhar Fla-Flu é especial

    Na geral #19: Ganhar Fla-Flu é especial

    A torcida do Fluminense gosta de dizer que “ganhar Fla-Flu é normal”. Acho um absurdo. Primo, porque Fluminense está atrás do Flamengo no retrospecto geral do Fla-Flu. Está atrás até do empate. No Fla-Flu, a vitória do Fluminense é a coisa menos evidente. Segundo, porque ganhar Fla-Flu nunca é normal, ganhar Fla-Flu sempre é especial.

    Foi mais uma vez o caso ontem. O Flamengo não sabe o que é tomar um gol faz oito jogos, passou um mês inteiro sem tomar gol. Rossi está à 695 minutos sem ter o gol vazado, ultrapassando a performance de Diego Alves em 2018, mas ainda à boa distância do recordista absoluto do Flamengo, Cantarele, que ficou 959 minutos sem sofrer gols entre 1978 e 1979. Flamengo tomou apenas um gol no campeonato carioca, no empate 1×1 contra Nova Iguaçu quando jogou com os garotos. Vira agora até pena de ter jogado nos Estados Unidos com o time principal ao mesmo tempo e não privilegiar o início do campeonato carioca.

    O Tite sempre começa a armação de seus times com a defesa. E a defesa rubro-negra, que deixou a desejar em 2023, está mais do que eficaz em 2024. Ainda sinto a falta de um lateral-direito, mas a defesa raramente está em dificuldade. E o Flamengo de Tite já é muito mais que uma defesa imbatível. O meio de campo com Erick Pulgar, De La Cruz e Arrascaeta tem tudo para ficar na história. Com apenas 3 jogadores, tem todas as qualidades que o meio de campo exige, sem esquecer Gerson, no momento lesionado. Tem futebol para jogar bonito e também para ganhar quando o jogo está feio.

    O Everton Cebolinha é um outro jogador quando está nas mãos de Tite e fez mais um grande jogo ontem. Luiz Araújo apareceu um pouco menos, mas tem futebol também. E o Pedro manteve a fama de artilheiro e a fome de gols. As vaias do Maracanã no último jogo foram um absurdo quase tão enorme que dizer que ganhar Fla-Flu é normal. E Pedro respondeu no campo, abrindo o placar contra Fluminense. Bem posicionado na segunda trave, colocou a bola nas redes e depois na barriga, para comemorar o anúncio da paternidade. Merecia um segundo gol, já que Pedro vai ser pai de gêmeos.

    Pedro não fez o segundo gol, mantendo uma media de um gol por jogo, com agora 9 gols em 9 jogos. Mas participou do segundo gol, alias um golaço, que vale a pena repetir desde a cobrança de falta de Fabrício Bruno para De La Cruz, que com dribles e passe, quebrou o meio de campo tricolor e a esperança dos torcedores. De La Cruz para Arrascaeta, de letra para Pedro, também de letra para Everton, que chutou forte. A jogadaça merecia ser finalizada no ângulo, mas o que vale é o gol. Fábio desviou, apenas desviou, e a torcida rubro-negra comemorou.

    Flamengo vencia o Fla-Flu, ficava invicto, sem tomar gol, e é (quase) campeão da Taça Guanabara. Para ser campeão, Fluminense precisa, além da derrota do Flamengo, ganhar seu jogo e reverter um saldo de 11 gols. Isso é a diferença agora entre Flamengo e os demais. Flamengo já está de olho para as semifinais e ainda pode conquistar mais um título invicto.

    Fecho essa crônica, por coincidência a 200a do blog, com meu querido consulado Fla Paris. Espero um grande ano 2024 para meu blog, a Fla Paris e o Flamengo. Depois de perder o último jogo por causa de viagem, foi para mim o primeiro jogo do ano com o consulado. Ontem, a casa de (quase) sempre, o Fleurus, abriu só para nos receber. Tinha umas 30 pessoas, a galera de sempre, Cidel, Danilo, Thiago, Bruno, Sammy, Naldo, teve até a volta de Kevin e Sheyla, que eu não tinha visto desde o Brasil, teve a presença de Michel e Rafael, com quem eu só tinha jogado uma pelada antes. Tinha Marcio, um guia no RJ, que espero ver quando voltarei lá. A saudade de Rio é grande, mas um pouco menos forte com o consulado. Tinha também uma tricolor gentilmente zoada, uma santista com quem gostei de conversar, um francês que começa a se apaixonar pelo Flamengo. Teve cervejas, risadas, shots e cereja do bolo, vitória do Flamengo. O Fla-Flu sempre é especial.

  • Jogos eternos #126: Flamengo 5×3 Fluminense 2010

    Jogos eternos #126: Flamengo 5×3 Fluminense 2010

    Hoje é dia de Fla-Flu, o clássico mais charmoso do Rio de Janeiro. Desde sempre, ou melhor, desde 40 minutos antes do nada, o Fla-Flu faz a história do futebol carioca e brasileiro. Muitos jogadores brilharam, se eternizaram no Fla-Flu ao mesmo tempo que eternizaram o Fla-Flu. Foi o caso de um dos maiores ídolos do Flamengo, Adriano, que fez um doblete num Fla-Flu decisivo para o título do Brasileirão de 2009 e de novo foi o grande homem do Fla-Flu no início de 2010.

    No campeonato carioca de 2010, Flamengo começou com 4 vitórias. Com um detalhe, em cada jogo, tomou ao menos um gol. Mas Flamengo tinha um grande ataque, uma grande dupla, o “Império do Amor” com Adriano e Vágner Love. No jogo anterior, uma vitória 3×2 contra o Americano, pela primeira vez, Adriano e Vágner Love marcaram no mesmo jogo. E mais impressionante, o gol de Vágner Love foi um golaço talvez único na história do futebol. Na saída da bola, só Adriano e Vágner Love tocaram a bola, uma dupla tabelinha antes do gol de Vágner Love, segundos depois do gol do Americano. Uma dupla de ouro, que mostrava que o amor era mais forte que tudo.

    No 31 de janeiro de 2010, o também ídolo Andrade escalou Flamengo assim: Bruno; Gonzalo Fierro, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Toró, Fernando, Kléberson, Petkovic; Vágner Love, Adriano. Do outro lado, Fluminense estava treinado pelo Cuca, que passou pelo Flamengo em 2009. Apesar da ausência de Fred, Flu tinha um belo time, liderado pelo craque argentino Darío Conca. Fluminense também começou o campeonato carioca de 2010 com 4 vitórias, com outro detalhe, não tomou gol em nenhum jogo. Mas ainda não tinha enfrentado a dupla Adriano – Vágner Love.

    No Maracanã, pronto a ser demolido na sua alma para a Copa do Mundo, Fluminense começou melhor o jogo. Com 13 minutos, Alan aproveitou do bom passe de Diguinho e do mal posicionamento de Juan para abrir o placar. Fluminense continuou a ter controle do jogo e conseguiu um pênalti, transformado pelo Conca, no contrapé de Bruno. Dois minutos depois, outro pênalti, agora pelo Flamengo. Primeiro gesto de amor no Maraca neste dia, Adriano reduziu a vantagem com tranquilidade, também no contrapé de Rafael. No finalzinho do primeiro tempo, num escanteio, Cássio aproveitou da hesitação da defesa rubro-negra para fazer o gol do 3×1. Dono absoluto do jogo, Fluminense estava no caminho de uma vitória quase certa. Fla fez história em 2009 com o hexa, mas Flu também escreveu páginas do futebol brasileiro, se livrando de um rebaixamento quase certo, o que lhe ofereceu o apelido de “time de guerreiros”. Mas o amor é maior que a guerra.

    No intervalo, Andrade sacou Fernando e Petkovic, que não brilhou muito no seu 150o jogo com o Flamengo, o que lhe valeu uma camisa especial. Entraram Willians e Vinícius Pacheco, uma dupla em evidencia já no início do segundo tempo, quando Willians achou Vinícius Pacheco, que achou a trave num chute de longe. Mas Flamengo tinha uma dupla muito melhor. Na cobrança do escanteio que seguiu o chute de Pacheco, a bola subiu no ar, o Imperador foi mais forte que três zagueiros para deixar a bola viva, a bola sobrou nos pés de Vágner Love, que fuzilou Rafael para acreditar na virada.

    Dois minutos depois, Vinícius Pacheco chegou na direita e cruzou atrás, Kléberson chegou em velocidade e chutou, Flamengo chegou ao empate. Depois de sofrer muito no primeiro tempo, Flamengo voltava no jogo, empatou e agora queria mais, queria a vitória e o amor da torcida. Com uma hora de jogo, Álvaro foi expulso com um segundo cartão amarelo, Flamengo estava com um a menos, mas tinha alguma coisa a mais, tinha apoio da torcida nas arquibancadas e tinha o Império do Amor no campo. Faltando dez minutos para o jogo acabar, Toró fez lançamento para Vágner Love, que dominou perfeitamente, driblou um e fez um passe, também perfeito, para Vinícius Pacheco, que só teve a fazer o passe lateral para o gol fácil de Adriano. Pela primeira vez no jogo, Flamengo estava na frente, muito graças a dupla Adriano – Vágner Love.

    O Fluminense estava derrotado, em campo e no moral, caiu como o último soldado numa guerra perdida. No último minuto, mais um lançamento preciso de Willians, para Adriano, no limite do impedimento. Reinando sozinho, o Imperador teve tempo de olhar para o bandeirinha, se aproximar do goleiro, fazer seu terceiro gol do dia. O Império do Amor derrotava o time de guerreiros com uma virada inesquecível, um 5×3 que eternizava ainda mais o Fla-Flu e um ídolo na Nação, Nosso Didico.

  • Jogos eternos #125: Boavista 2×3 Flamengo 2011

    Jogos eternos #125: Boavista 2×3 Flamengo 2011

    Em 2011, Flamengo tinha contratado um dos maiores jogadores da história do futebol, Ronaldinho Gaúcho. O Gaúcho era nosso, a festa na Gávea foi bonita, e Ronaldinho estreou, já com a faixa de capitão, acho um absurdo, contra Nova Iguaçu, no campeonato carioca. Wanderley fez o único gol da partida, sem a participação de Ronaldinho.

    Três dias depois, no 6 de fevereiro de 2011, o Mengão estava de novo em campo, e Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz, Egídio; Maldonado, Willians, Renato Abreu; Thiago Neves, Ronaldinho, Deivid. Um time de alta qualidade, principalmente no meio de campo e no ataque, e que tinha estreado perfeitamente no campeonato carioca: 5 jogos, 5 vitórias. Só faltava o primeiro gol de Ronaldinho Gaúcho com o Manto Sagrado.

    No Moacyrzão de Macaé, o trio ofensivo, que ia brilhar muito em 2011 com 21 gols para cada um, começou a brilhar na metade do primeiro tempo. No meio de campo, Thiago Neves fez um longo lançamento para Deivid, que chegou antes do goleiro, quase obrigado a cometer o pênalti. A cobrança, claro, para Ronaldinho. O destino, claro, as redes, Ronaldinho chutou forte, chutou cruzado e deixou o primeiro gol dele com o Flamengo. Um gol histórico num jogo eterno.

    No início do segundo tempo, a jogada começou com dois jogadores que mereciam a faixa de capitão, Renato Abreu fez o passe lateral na altura da linha de meio-campo. Léo Moura avançou, avançou até chegar quase na grande área, quando fez o drible. Com dois toques, eliminou o adversário e chegou na altura da linha do gol, quando cruzou. Deivid, à 50 centímetros do gol, conseguiu fazer o gol de cabeça.

    Flamengo estava perto da vitória, mas dois minutos depois, Frontini conseguiu reduzir a vantagem. E à dez minutos do fim do jogo, Frontini aproveitou da falha de Welinton para recuperar a bola e chutar, o chute foi desviado pelo Jean e enganou Felipe, que não teve tempo de voltar para impedir o empate. Mas o jogo do primeiro gol de Ronaldinho Gaúcho merecia uma vitória, e um gol lindo para acabar com o jogo. Willians para Thiago Neves, de trivela para Ronaldinho. Com seu jeito particular, Ronaldinho deixou o adversário chegar nas costas, conseguiu ficar com a bola até achar Willians na esquerda para completar a triangulação. Willians fixou o zagueiro e o driblou na esquerda, antes de cruzar na segunda trave para o gol fácil de Negueba, que tinha entrado em campo quatro minutos antes.

    O Flamengo conseguia uma sexta vitória consecutiva num campeonato que ia conquistar de maneira invicta. O Flamengo era o campeão e o Gaúcho era nosso.

  • Ídolos #30: Gamarra

    Ídolos #30: Gamarra

    Hoje é o aniversário de um ídolo do Flamengo, o paraguaio Gamarra. Antes de Pablo Marí, Gamarra é a prova que um jogador pode se tornar ídolo do Flamengo mesmo com poucos jogos com o Manto Sagrado. Com coincidência, ou talvez não, Gamarra e Pablo Marí têm o mesmo número de jogos com o Flamengo: apenas 30. Não é a única semelhança entre os dois zagueiros gringos, os dois tinham classe, os dois eram limpos nos desarmes, os dois brilharam com o Manto Sagrado.

    Carlos Alberto Gamarra Pavón nasceu no 17 de fevereiro de 1971 em Ypacaraí, no Paraguai. E já no nascimento, tinha uma ligação com o Brasil, foi chamado assim em homenagem ao capitão do Tri, Carlos Alberto Torres. Gamarra estreou profissionalmente com o Cerro Porteño, jogou as Olimpíadas de 1992, foi campeão paraguaio em 1994 e assinou em 1995 com o Internacional de Porto Alegre, que já teve um craque zagueiro gringo, o chileno Elías Figueroa. No Inter, Gamarra conquistou a Taça Conmebol 1996 e o campeonato gaúcho 1997. Também foi eleito na seleção ideal do Brasileirão em 1995 e 1996, quando recebeu a Bola de Prata pelo Placar. Nesses dois anos, também ficou na seleção ideal sul-americana, agora com eleição do jornal uruguaio El País. Em 1997, pela primeira eleição do futebolista paraguaio do ano, agora nomeado pelo jornal ABC Color, Gamarra levou o troféu. Repetiu a dose em 1998, apesar de uma primeira passagem um pouco frustrante na Europa, no Benfica.

    Gamarra também é ídolo da seleção paraguaia, foi o primeiro jogador a chegar aos 100 jogos com a Albirroja. Parecia que o Paraguai sempre caía nas quartas de final da Copa América, foi o caso com Gamarra em 1993, 1995, 1997, 1999 e 2004, e caía nas oitavas da Copa do Mundo, foi o caso em 1998 e 2002, de novo com Gamarra. Gamarra levou uma medalha quando foi o capitão do Paraguai que chegou até a final das Olimpíadas de 2004. O Paraguai levou a medalha de prata depois de derrota contra a Argentina de Ayala, Heinze, Mascherano, Tévez e outro (futuro) ídolo do Inter, D’Alessandro.

    Mas a passagem mais marcante de Gamarra com a seleção nacional foi na Copa do Mundo de 1998. Já falei que completei 6 anos durante a Copa do Mundo e só relembro bem da final, quando torcia pelo Brasil, contra a França, meu próprio país de nascimento. O futebol tem razões que a própria razão desconhece. Apesar de não lembrar assistir ao jogos, sei que assisti a alguns, como o jogo de abertura, quando Ronaldo Fenômeno botou o Brasil no meu coração para sempre. Também assisti ao oitava de final entre a França e o Paraguai, porque o goleiro paraguaio Chilavert era para mim um ídolo quase à altura de Ronaldo. Gamarra foi menos marcante para mim, mas se o Paraguai segurou tão bem esse jogo durante muito tempo, também foi graças ao Gamarra. E mais impressionante, Gamarra fez isso sem cometer nenhuma falta, como não fez já nos 3 primeiros jogos. Uma Copa inteira, sem falta, apesar de enfrentar jogadores como Hristo Stoichkov, Raúl, Nwankwo Kanu, David Trezeguet e Thierry Henry. O nome dos jogadores é suficiente para explicar a façanha de Gamarra. Ainda mais impressionante, Gamarra jogou contra a França machucado, com o ombro deslocado.

    Depois da Copa, Gamarra voltou ao Brasil, no Corinthians, e voltou a colecionar recompensas individuais: ficou no time ideal do Brasileirão, no time ideal sul-americana, foi eleito jogador paraguaio do ano e ficou no segundo lugar da eleição do jogador sul-americano do ano, perdendo só para Martín Palermo. Foi campeão brasileiro em 1998, campeão paulista em 1999 e voltou a tentar a sorte na Europa, agora no Atlético de Madrid. De novo sem sucesso, o Atlético de Madrid foi até rebaixado do campeonato espanhol. E Gamarra voltou ao Brasil, agora no Maior do Mundo, o Flamengo.

    Carlos Gamarra estreou com o Manto Sagrado em setembro de 2000, com uma vitória 3×0 contra Santos no Brasileirão, já anulando completamente o Edmundo no Maracanã. Apesar dos grandes jogadores no time, Flamengo decepcionou e nem se classificou para as oitavas de final. Gamarra também participou da Copa Mercosul 2000, quando Flamengo foi eliminado nas quartas de final depois de dois jogos contra o River Plate. Entre os dois jogos, o único gol de Gamarra com o Manto Sagrado, num Fla-Flu. No Maracanã, Agnaldo abriu o placar para Fluminense já no segundo tempo. Quinze minutos depois, Petkovic cobrou o escanteio, que passou na frente de todo mundo, até os pés de Edílson, do outro lado, que cruzou. O já capitão Gamarra mandou de primeira, fez o gol do empate, o golaço. Esse time tinha grandes jogadores, mas problemas ainda maiores, com briga de egos e falta de pagamento da ISL, parceria do time. Mesmo sem conquistar títulos em 2000, Gamarra ficou pela quarta vez na seleção ideal sul-americana do ano.

    E em 2001, Gamarra voltou a conquistar títulos. No campeonato carioca, Gamarra se machucou no jogo de ida da final e não disputou o jogo de volta, quando Petkovic se eternizou no minuto 43. Mesmo assim, Gamarra conquistou o campeonato carioca, depois de já ter no currículo o campeonato gaúcho e o campeonato paulista. Em julho, Flamengo chegou na final da Copa dos campeões, que valia vaga na Libertadores. Flamengo conquistou o título depois de dois jogos contra o São Paulo, uma vitória 5×3 na ida, uma derrota 3×2 na volta, dois jogos eternos no Francêsguista. Depois de nove anos, Flamengo voltava na Copa Libertadores. Mas esses dois jogos foram os últimos de Gamarra com o Manto Sagrado. Explica o próprio Gamarra no GloboEsporte, sobre ISL: “Eles me deram um dinheiro na frente, e depois a gente fracionou que tinha que ser nos 12 meses de trabalho. E eu recebi dois meses… Fiquei dez meses sem receber. Mas fui muito feliz no Flamengo. A gente se divertia. Só que as necessidades que a gente via no pessoal que tava começando eram totalmente diferentes das nossas, que já tinha um pouco de dinheiro guardado. Muitos estavam passando muito mal. Até os funcionários a gente tinha que ajudar pra no dia seguinte eles voltarem. O Flamengo tava numa crise muito forte. Apareceu um grego que disse ‘vou te pagar, vem comigo’, e eu acertei com o AEK, da Grécia”. Um fim totalmente compreensível, uma grande pena que a ISL fez uma gestão tão desastrosa.

    Gamarra voltou na Europa, no AEK, e conquistou a Copa da Grécia de 2002. Jogou mais uma Copa do Mundo, mais uma vez sem cometer nenhuma falta, mais uma vez com eliminação nas oitavas. Depois, assinou com a Inter de Milão, uma passagem que teve mais baixos que altos, com concorrência duríssima, mas tempo suficiente para conquistar a Copa da Itália de 2005. E mais uma vez, Gamarra voltou ao Brasil, agora no Palmeiras. E mais uma vez, voltou a brilhar, ficou ao lado de Diego Lugano na seleção ideal do Brasileirão e da seleção sul-americana em 2005. Jogou mais uma Copa do Mundo, em 2006, quando fez gol contra antes da primeira falta. No primeiro jogo, o Paraguai perdeu 1×0 contra a Inglaterra com um gol contra de Gamarra aos 2 minutos de jogo. O Paraguai foi eliminado na primeira fase e Gamarra voltou a jogar no seu pais, quando assinou com o Olímpia, onde pendurou as chuteiras em 2007.

    Carlos Alberto Gamarra conseguiu ser ídolo em vários clubes do Brasil e o Flamengo não é exceção. Com o Manto Sagrado, foram apenas 30 jogos e 1 gol. Mas na verdade, foi muito mais do que isso. Foi classe, foi garra, foi liderança. Única coisa que faltou foi justamente as faltas, as faltas apitadas pelo juiz, as faltas de pagamento da ISL também. Mas Gamarra marcou os torcedores flamenguistas que acompanharam a época, mostrou, 20 anos antes do Marí, que sim, era possível fazer marcação impecável, sem recorrer a violência.

  • Jogos eternos #124: Flamengo 3×0 Sergipe 1985

    Jogos eternos #124: Flamengo 3×0 Sergipe 1985

    Vamos voltar a combinar o estádio do jogo do dia com o do jogo eterno, mais uma vez no Nordeste, agora no Sergipe no estádio Lourival Baptista, em Aracaju. Flamengo jogou pela primeira vez no Batistão em 1969, ano de inauguração do estádio. Para hoje, vamos voltar a um jogo de 1985, um amistoso contra Sergipe.

    Depois de ser eliminado na segunda fase do Brasileirão de 1985, Flamengo fez alguns amistosos no Brasil, entre Santa Catarina e o Nordeste. No 6 de agosto de 1985, para o jogo contra Sergipe, o técnico Sebastião Lazaroni escalou Flamengo assim: Cantarele; Jorginho, Ronaldo, Mozer, Adalberto; Andrade, Adílio, Zico; Elder, Paulo Henrique, Bebeto. Tinha o meio de campo de ouro dos anos 1980, Zico tinha acabado de voltar a vestir o Manto Sagrado depois de dois anos na Itália. Era mais velho sim, mas o craque é sempre craque, para a eternidade.

    O adversário, Sergipe, conquistou o campeonato sergipano 1984, mas decepcionou no Brasileirão de 1985, com a 44a e última colocação da classificação geral. O estádio, o Lourival Baptista, era lotado. E o operador de câmera perdeu o início do primeiro gol, mas dá para perceber que o chute de Mozer foi belo, e mais importante, a finalização foi nas redes. Ainda no primeiro tempo, o craque apareceu, Zico recebeu na grande área na direita e cruzou alta, o então jovem Bebeto só teve a empurrar de cabeça a bola nas redes.

    O terceiro e último gol do dia, já no segundo tempo, foi um golaço. Mais uma vez um cruzamento alto para Bebeto, mas essa vez, Bebeto dominou de peito e, de costas para o gol, girou, chutou, gavetou. Bebeto jogou a idolatria para fora com a ida no Vasco e ele não teria a crônica dele na categoria dos ídolos, mas mesmo assim, não pode esquecer que ele jogou muito com o Flamengo.

    No final, uma vitória fácil do Flamengo, mas o melhor jogador da partida, inclusive com troféu nas mãos, foi o goleiro de Sergipe, Luizinho. Só isso serve para mostrar o quanto jogava o Flamengo dos anos 1980, um time que ficou na eternidade.

  • Jogos eternos #123: Flamengo 3×0 Volta Redonda 1993

    Jogos eternos #123: Flamengo 3×0 Volta Redonda 1993

    Flamengo joga hoje contra Volta Redonda e vamos rapidamente voltar a um jogo no ano histórico de 1993, no Caio Martins. No 23 de abril de 1993, o técnico Jair Pereira escalou Flamengo assim: Adriano; Cláudio, Júnior Baiano, Rogério, Andrei; Marquinhos, Luís Antônio, Júlio César Garcia, Djalminha, Marcelinho Carioca; Nílson. Um time jovem, com vários craques da casa.

    E os craques da Gávea brilharam, já no segundo tempo, Luís Antônio de trivela para uma bola alta, desviada de cabeça pelo Djalminha, nos pés de Marcelinho Carioca, que chutou com um toque só, um chute cruzado, que bateu na trave e entrou nas redes. Marcelinho Carioca, um ídolo no Francêsguista, também fez o segundo, um golaço, fixando o goleiro com um drible de corpo antes de fazer o gol.

    No final do jogo, o terceiro e último gol do dia, com uma bola mal defendida pela zaga de Volta Redonda, o também jovem craque Djalminha chegou, bateu de primeira, bateu de voleio, e fez o gol. Uma vitória fácil, com estampa e selo da base do Flamengo. Uma pena que essa geração promissora, campeão da Copinha 1990, da Copa do Brasil 1990 contra Goiás, do campeonato carioca 1991 contra Fluminense, do Brasileirão 1992 contra Botafogo, foi desmontada assim. Acho que com outro craque da base, Sávio, a trajetória de Romário no Flamengo teria sido bem diferente e bem mais vitoriosa coletivamente.

O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”