
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #50: Real Potosí 2×2 Flamengo 2007

Flamengo estreia hoje na Copa Libertadores, num jogo em altitude, em Quito. Um jogo de estreia na altitude traz a lembrança do jogo contra Real Potosí em 2007. Comecei a acompanhar o futebol brasileiro de clubes no fim do ano de 2005, com o Mundial de clubes conquistado pelo São Paulo. Em 2006, ainda estava limitado com um site em francês e pouquíssimas notícias. Mas em 2007, descobri o site Placar, que passou a fazer parte de meu cotidiano, lendo todos os dias artigos sobre o Flamengo, já o grande amor de minha vida. Não entendia tudo, mas entendia o que era Flamengo.
Entendia também a dificuldade de jogar na altitude, essa particularidade do futebol sul-americano, mais uma diferença com o futebol europeu. O pré-jogo quase foi apenas sobre a altitude de Potosí, mais de 4.000 metros. Um inferno, diferente mas quase igual do Maracanã, nesses tempos ainda o templo do futebol, um inferno para os adversários. Também relembrava que o time do Real Potosí tinha a identidade do Real Madrid, outro clube de meu coração, um escudo quase igual, um nome Real, uma camisa quase igual. Outra particularidade do futebol sul-americano que começava a conhecer.
No 14 de fevereiro, dia dos namorados na França, o amor de minha vida estava em campo, escalado assim pelo Ney Franco: Bruno; Léo Moura, Thiago Gosling, Moisés, Ronaldo Angelim, Juan; Claiton, Renato Augusto, Renato Abreu; Paulinho, Obina. Comecei a assistir aos melhores momentos de todos os jogos no início de 2007 só, não conhecia ainda bem os jogadores, mas acho que meu coração começava a bater pela raça de Claiton, a juventude de Renato Augusto, as faltas de Renato Abreu e o carisma de Obina, já um herói da conquista da Copa do Brasil de 2006 contra Vasco, que ofereceu o ingresso para a Libertadores de 2007, minha primeira como torcedor do Flamengo. Também já entendia bom o que representava a Copa Libertadores na América do Sul. O goleiro Bruno nunca vai ter a crônica dele na categoria dos ídolos, mas gostava muito dele na época. No banco, entraram ídolos também, Juninho Paulista e Souza.
No inferno de Potosí, quem começou a brilhar foi um brasileiro, Edu Monteiro. O jogador de 35 anos na época, passou toda a careira na Bolívia, e passou entre a zaga do Flamengo para abrir o placar com apenas 13 minutos de jogo. E no final do primeiro tempo, outro estrangeiro do Real Potosí, o paraguaio Ruben Oliveira, aproveitou da apatia da defesa do Flamengo para fazer o gol do 2×0. O estádio virou inferno, era impossível de respirar e relembro de imagens dos jogadores do Flamengo respirando com balão de oxigênio. Flamengo estava derrotado e uma goleada podia até ser temida. Flamengo não conseguia respirar, mas Flamengo nunca morre.
No início do segundo tempo, Roni, que tinha entrado no intervalo no lugar de Juan, aproveitou uma falta de Renato Augusto para fazer um gol de cabeça. E numa outra batida de falta, agora pelo Juninho Paulista, que tinha entrado no lugar de Thiago Gosling, meu ídolo Obina fez outro gol de cabeça. Flamengo conseguia um verdadeiro milagre, um empate tão difícil a alcançar do que o pico mais alto da América do Sul. Estava muito orgulhoso de meu time e dos jogadores, verdadeiros guerreiros. Uma estreia maravilhosa na competição, que será seguida de 5 vitórias na fase de grupos. Daí a decepção ainda mais forte com a eliminação contra Defensor nas oitavas, mas isso é outra história.
Relembro também que a revista francesa So Foot fez um artigo sobre o jogo, falando da altitude. Gostei claro do artigo, mas agora não estava mais limitado as notícias francesas e tinha outros canais de informações para acompanhar, todos os dias, o grande amor de minha vida.
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Times históricos #14: Flamengo 1974

Para hoje um ano histórico que foi a afirmação de Zico. Craque, ele sempre foi. Mas faltava ainda coisas para passar de potencial a potência, e foi em 1974 que ele passou de promessa a já ídolo da Nação. Ainda faltava títulos mas acho que já foi em 1974 que ele se tornou o maior nome do Flamengo, não apenas do time, mas da história do clube. Claro, tinha Domingos, Leônidas, Dida & Cia., mas Zico já aparecia como o maior craque, o maior ídolo do Flamengo.
Zico era a maior promessa da base, mas ainda muito franzino. Em 1970, com a ajuda financeira e a confiança total do futuro presidente George Helal, começou um trabalho físico intenso para desenvolver essa parte do jogo. Em 1971, estreou nos profissionais, em 1972, ganhou o primeiro título, mas ainda era reserva. Em 1973, com Zagallo, começou a jogar mais, 52 dos 72 jogos do Flamengo no ano. Assinou o primeiro contrato profissional e recebeu a camisa 10 pelo funcionário Ayer Andrade, como Ayer Andrade lembrou no livro Zico, 50 anos de futebol, de Roberto Assaf e Roger Garcia: “Estávamos no vestiário do Maracanã. Perguntei ao gringo Doval se ele não poderia deixar o menino entrar com a 10. E ele me falou, naquele português enrolado: ‘Ô Andrade… quem joga sou eu, não é camisa, vai lá e dá a camisa ao menino’”.
Zico começou a se afirmar no fim do ano de 1973. O ano de 1974 prometia ainda mais, com relembra agora o próprio Deus Zico, no mesmo livro: “O Flamengo não se classificou para a fase final do Brasileiro, mas ganhamos quatro das cinco últimas partidas e eu fiz gol em três delas. Então chegou o ano de 1974, eu fiquei crente de que voltaria a ser titular, mas veio no princípio uma desilusão muito grande. O Zagallo saiu e entregou o time para o Joubert, que tinha sido o meu técnico no título juvenil de 1972”. E Zico começou a temporada mais como reserva que como titular.
Zico era reserva com Joubert, e ganhou seu lugar num jogo-treino, jogando sim, com os reservas no início. De novo Zico, de novo no livro Zico, 50 anos de futebol, de Roberto Assaf e Roger Garcia: “Ganhamos o coletivo de 2 a 1, eu fiz os dois gols, fui o melhor, arrebentei mesmo. Na segunda-feira tinha outro coletivo, já que a gente ia jogar na quarta. Quando cheguei na Gávea, o Joubert chamou a mim, o Doval e o Dario numa sala, reuniu nós três e falou assim: ‘Olha, a camisa de titular eu vou dar para o Zico, ele vai jogar, vocês dois vão disputar outra posição’. Era a camisa titular na minha posição, então arrebentei com o treino de novo. Por fim, no jogo contra o time da Iugoslávia, vencemos por 3 a 1 e eu marquei dois gols. Em seguida, fomos para uma excursão. Em Goiatuba, ganhamos de seis e eu fiz dois, no Ceará foram sete e eu fiz mais três, veio o Corinthians no Maracanã com Rivelino e tudo, eu fiz dois, dei dois para o Dario, e falei ‘Porra! Acabou…’”.
Pode parecer exagero, mas tem nenhum exagero nas palavras de Zico, já que Zico é um dos seres humanos mais honestos e humildes que existiu, e tudo pode ser verificado. Inclusive, a goleada 5×1 contra o Corinthians já foi um jogo eterno aqui. O jogo contra o time iugoslavo de Zeljeznicar foi 3×1 sim, com dois gols de Zico sim, e tem como ilustre testemunha o grande escritor Nelson Rodrigues: “Ao longo dos 90 minutos, os iugoslavos foram dominados, envolvidos, batidos. Zico foi uma figura excepcional. É um jogador que está a caminho de uma furiosa plenitude. Como sabe lidar com a bola, como seus passes saem límpidos, precisos. Zico entrou nessa fase em que o jogador faz o que quer com a bola”. Seis dias depois, Flamengo empatou 1×1 contra Desportiva Ferroviaria, Zico fez o gol do Mengo, Zico estava perto da furiosa plenitude.
Zico era uma figura excepcional, fazia o que queria com a bola, já era um líder, uma evidencia para a torcida, uma grande ajuda para os companheiros. Ia fazer uma grande dupla com o saudoso Geraldo, que infelizmente morreu dois anos depois, e ia deixar o Flamengo dos anos dourados ainda mais incrível. Fala ainda Zico, agora no livro Zico: paixão e glória de um ídolo, de Lúcia Rito: “O Geraldo tinha um domínio incrível sobre a bola. Ele jogava sempre com a cabeça em pé, não olhava para baixo, e a bola nunca desgrudava da chuteira dele. Eu ficava muito espantado ao ver aquela telepatia dele com a bola. Só anos depois encontrei outro jogador que fazia o mesmo, o Leandro”.
Geraldo era tão impressionante que obrigou uma outra promessa da base a deixar o meio-campo para a lateral, o que também transformou a melhor Era da história do Flamengo. Um jogador de cabelo Black Power, de habilidade e maestria, Júnior, que virou lateral-direito com a lesão de Garrido na base, até contra a sua própria vontade: “Não queria jogar ali de jeito nenhum. Até porque o Garrido era meu camarada e não queria tirar o lugar dele. Mas me convenceram, já que logo eu estaria nos profissionais, onde o Geraldo era o dono absoluto da ‘oito’, e, na lateral, não tinha ninguém de peso”. Mas ainda não é a hora da estreia de Júnior.
Era a hora da preparação do Brasileirão e Flamengo realizou mais uma excursão, estendendo a magia rubro-negra fora do Rio, do Brasil, da América do Sul. Na África, empatou 4×4 e 3×3 contra a seleção do Zaire, Zico fazendo 2 gols no primeiro jogo, 1 gol no segundo jogo. Com apenas 3 dias de recuperação, perdeu 2×1 contra o Olympiakos na Grécia e depois empatou 2×2 contra a Seleção da Arábia Saudita com 2 gols de Zico. Zico foi de novo o principal nome do Flamengo na primeira vitória do clube na excursão, no último jogo, contra a seleção do Kuwait, vitória 3×2, gols de Zico, Dario e Paulinho. Agora era a hora de começar o Brasileirão.
O Brasileirão de 1974 era por uma vez simples, com 40 clubes. Na primeira fase, 2 grupos de 20 clubes, com os dez melhores classificados na próxima fase. Mas a CBF, ou na época a CBD, sendo a mesma bagunça de sempre, adicionou uma particularidade. Dentro dos dez últimos dos grupos, tinha um time que beneficia de uma rescapagem com um critério extra-esportivo: quem tinha a melhor renda se classificava na segunda fase. Se beneficiariam desse regulamento sem sentido Fluminense e Nacional de Manaus.
Flamengo estreou no Brasileirão de 1974 no Maranhão, contra Sampaio Corrêa, estreou com vitória 2×1, com gols do ídolo Rondinelli, e de Dario, talvez não ídolo do Flamengo mas uma das personalidades mais incríveis da história do futebol brasileiro. Dario marcou de novo contra o América de Natal. No primeiro jogo no Maracanã, um clássico contra Vasco, 1×1, gol de Zico. Flamengo ganhou os 4 jogos seguintes antes de um empate contra o Internacional, de novo com gol de Zico. Com antigos parceiros da base, como Cantarelli, Jaime de Almeida, Vanderlei Luxemburgo e Geraldo, Zico já se afirmava como o líder do time, substituindo nos gramados e no coração dos torcedores o craque argentino Doval.
Depois do empate contra Internacional, Flamengo ganhou 3 jogos seguidos, Zico fazendo gol em todos os jogos. Depois de um frustrante 0x0 contra Olaria, Flamengo venceu 1×0 Grêmio. Gol de quem? Gol de Zico obvio, um autentico golaço, infelizmente sem imagens, ainda eram outros tempos do futebol. No ano da aposentadoria de Pelé, Zico surgiu como um novo Pelé. Futebol de craque, visão de jogo e dribles, e gols, muitos gols. Pelé, Zico, quatro letras para fazer brilhar o Brasil. Flamengo foi um pouco mais irregular no final da primeira fase, com 3 vitórias em 7 jogos, mas fechou a fase no segundo lugar, com um ponto a menos do líder Grêmio. Também foi a melhor defesa do grupo, junto com Grêmio, com 8 gols contra, e a segunda melhor ataque, 29 gols, um a menos do que Grêmio, Internacional e America.
Na segunda fase, tinha 4 grupos de 6 times, onde só o primeiro conseguia um lugar para o quadrangular final. E no grupo do Flamengo, Cruzeiro foi impecável com 5 vitórias em 5 jogos. Flamengo estreou no turno com vitória 3×0 no Guarani, gols de Arílson, Paulinho e Zico. Perdeu contra Palmeiras, empatou contra Bahia, perdeu contra Cruzeiro. A goleada 6×0 contra Paysandu foi inútil, Flamengo foi eliminado e ficou no sexto lugar de um campeonato vencido pelo arquirrival Vasco. Com 12 gols, Zico ficou a 4 gols do artilheiro, que viria a ser um grande amigo, Roberto Dinamite.
Depois de duas semanas de férias, Flamengo estreou no campeonato carioca. Com vitória não, 1×1 contra Bangu, com gol de Zico sim. Zico também deixou o dele na derrota contra Madureira, na vitória contra America. Depois de um doblete de Doval na vitória 2×0 contra São Cristóvão, Zico voltou a marcar, na vitória contra a Portuguesa, na derrota contra Fluminense, de falta, na vitória contra Olaria, no empate contra Bonsucesso. Depois de passar em branco contra Campo Grande, Zico voltou a marcar nos dois clássicos para fechar a Taça Guanabara. Fez 2 gols no 2×2 contra Botafogo, 1 gol no 1×0 contra Vasco. Nos 11 jogos do primeiro turno, Zico marcou em 9 jogos, uma marca impressionante, mas o resto do time era um pouco atrás e Flamengo fechou a Taça Guanabara no terceiro lugar, com 4 pontos atrás do campeão, o America.
O America era justamente o primeiro adversário do Flamengo no segundo turno, a Taça Oscar Wright da Silva. E Flamengo venceu 4×1, Zico abrindo o placar. Zico fez dois, de pênalti e de falta, na goleada 5×1 contra Madureira, obviamente não fez no 0x0 contra Campo Grande, e respondeu, de falta, ao Roberto Dinamite no 1×1 contra Vasco. Depois de uma vitória contra Bonsucesso, Flamengo fechou o turno com dois 0x0 nos clássicos contra Botafogo e Fluminense, e quem foi campeão foi Vasco, com um ponto a mais que Flamengo e Botafogo.
Ficava um lugar para ver o triangular final junto com America e Vasco, o do campeão do terceiro turno, a Taça Pedro Magalhães Corrêa. Mas antes, um jogo amistoso, a Taça deputado José Garcia Neto, que marcou o primeiro dos 876 jogos do Júnior com o Manto Sagrado. Falou Júnior no livro Os dez mais do Flamengo, de Roberto Sander: “Num jogo em Mato Grosso, entrei no lugar do Humberto Monteiro no segundo tempo. No vestiário, quando ajeitava meu cabelo, o Joubert veio falar comigo. Primeiro brincou, implicando com o estilo Black Power que usava: ‘que penteado é esse?’, ele perguntou. ‘É a moda, seu Joubert’. Aí ele jogou uma letra: ‘Se prepara que seu deserto vai virar um oásis’. Entendi o recado e passei a treinar ainda mais com vontade. Sabia que logo teria uma oportunidade”. E Junior virou titular na vitória 1×0 contra Madureira, no campeonato carioca, gol de Zico. Antes disso, Flamengo tinha estreado na Taça Pedro Magalhães Corrêa com uma vitória 2×1 contra Botafogo, 2 gols do argentino Doval, ainda um jogador maravilhoso.
Flamengo venceu Vasco 3×1 com gols de Paulinho, Zico e Doval e empatou 0x0 contra Campo Grande. Assim, Campo Grande tomou nenhum gol de Zico em 3 jogos no campeonato carioca 1974, uma verdadeira proeza de tantos gols que fez Nosso Rei durante a competição. Flamengo venceu o Fla-Flu, mas perdeu no jogo seguinte, apesar de um gol de Zico contra Bonsucesso, o outro time do primeiro turno que não tinha tomado gol de Deus. No último jogo do turno, Flamengo precisava ganhar do America para vencer a Taça, para ver o triangular final. Mas com apenas 6 minutos de jogo, Alex abriu o placar para o America, de Edu Coimbra, irmão de Zico. Na metade do primeiro tempo, Júnior recuperou uma bola no meio de campo, avançou e de 35 metros, chutou forte de pé direito, chutou no gol de Rogério e empatou. Um golaço e no segundo tempo, outro golaço, do perfeito Zico, numa cobrança perfeita de falta. Flamengo no sufoco, mas Flamengo campeão do turno, Flamengo no triangular final.
Uma semana depois, Flamengo e America se reencontraram no Maracanã, para inciar o triangular final. E Flamengo abriu o placar com seu lateral-esquerdo, não Júnior, que jogava na direita, mas outro monumento do Flamengo, Jayme de Almeida. Mas Júnior também fez um gol durante o jogo, de ainda mais longe do que o gol uma semana antes. “Júnior mete o gol que Pelé sonhou” escreveu simplesmente o Jornal dos Sports. Flamengo ganhou 2×1 e Júnior foi eleito homem da partida pelo Globo: “O Flamengo chegou à final com um gol que Júnior marcou em Rogério, chutando de intermediária. Agora o Flamengo também vai decidir o título por causa de um gol seu encobrindo Rogério, conscientemente e com grande habilidade. Além disso, mostrou muita raça e decisão, tanto defendendo quanto atacando. O melhor em campo. Nota 10”. Depois do 0x0 entre o America e o Vasco, Flamengo precisava apenas de um empate contra Vasco para ser campeão.
E foi exatamente o que aconteceu, na frente de 165.358 espectadores, sétima afluência da história do Maracanã, Flamengo e Vasco ficaram no 0x0, Flamengo ficou com a taça de campeão. Com 2 gols contra o America, Júnior se tornava o grande herói do fim da conquista: “Esses gols me marcaram muito. Estava começando nos profissionais e eles aconteceram em jogos decisivos. Deram muita confiança. Acabamos campeões, e, por quase dois anos, fiquei como titular absoluto da lateral-direita” falou Júnior. Mas o grande herói do campeonato, que fez o Flamengo o campeão da cidade, foi Zico, que com 19 gols, deixou escapar sua primeira artilharia do campeonato carioca por um gol de diferença com Luizinho.
Mesmo assim, junto com um Brasileirão já brilhante, Zico fez um ano 1974 de ouro, ultrapassando o próprio ídolo e o ídolo da torcida, Dida, antigo recordista de mais gols em uma temporada com Flamengo, 46 gols em 1959. Quinze anos depois, com 49 gols, Zico virou o maior artilheiro do Flamengo em um ano, e virou o maior ídolo de uma Nação para a eternidade.
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Jogos eternos #49: Flamengo 0x0 Fluminense 1963

O maior publico da história do futebol para um jogo entre clubes. Um Fla-Flu eterno, para 194.603 espectadores. O Flamengo não tinha vencido o campeonato carioca desde 1955. Flamengo tinha um time muito bom e um meio de campo de sonho com Carlinhos e Gérson. Mas era uma Era de ouro para o futebol carioca, com o Botafogo de Didi e Garrincha, o Vasco de Bellini e Vavá, o Fluminense de Waldo e Telê. Todos campeões, menos o Flamengo. No 15 de dezembro de 1962, Flamengo perdeu o jogo decisivo do campeonato carioca contra o Botafogo, Garrincha sendo o grande herói do jogo. Gérson, que já reclamava dos bichos fracos, foi ao conflito com Flávio Costa em razão de sua função no jogo, onde devia anular Garrincha, sem conseguir, anulando do mesmo jeito seu próprio futebol.
Ainda insatisfeito em 1963, Gérson foi mandado no próprio Botafogo e foi substituído no Flamengo pelo Nelsinho. No campeonato carioca, Flamengo perdeu na primeira fase contra o America e Bangu, e não perdeu mais depois. E no último jogo, precisava apenas de um ponto contra Fluminense para se sagrar campeão. Jogo aconteceu no 15 de dezembro de 1963, exatamente um ano após a derrota 3×0 na final contra Garrincha e Botafogo. Domingo, dia de futebol, o sábado tinha sido um dia de chuva. Esperança de nova chuva e de um publico modesto no Maracanã, mas no 15 de dezembro de 1963, Rio acordou lindo, acordou com sol, e todo mundo foi em direção do Maracanã. “O jogo começava às 15 h. Mas ao meio-dia já estava difícil para entrar. As pessoas se acomodam como podem, penduradas nos túneis de acessos às arquibancadas, sentando de lado entre os degraus, tem gente até na marquise […] Era mais do que um jogo. Daí o ar de Brasil x Uruguai. Era uma coisa que se julgava impossível no Maracanã. Mas aconteceu: via-se, subitamente, alguém escorregar por cima das cabeças da multidão compacta”, escreveu Mário Filho no Jornal dos Sports.
No Maracanã, 177.020 pagantes e 194.603 espectadores. Um número impressionante, nunca atingido antes, e nunca será depois. Esse número, só o Fla-Flu de 1963. E talvez tinha ainda mais que 194.603 espectadores, com uma invasão no Maracanã antes do jogo. Não relembro mais onde ouvi essa história, mas teve gente que estava bloqueada nos corredores do Maracanã, sem conseguir entrar na arquibancada, ainda menos ver o campo. Mas gente que estava lá, a maioria flamenguista. Com tanta gente, obviamente tinha torcedores ainda não ilustres, mas que serão a maior expressão do rubro-negrismo, Zico e Júnior. Relembra Júnior no livro Grandes jogos do Flamengo, de Roberto Assaf e Róger Garcia: “Eu estava no Maracanã naquele Fla-Flu de 1963. Vi o jogo todo nos ombros do velho Leovegildo, já que na arquibancada não conseguimos entrar e fomos para a geral. Eu tinha nove anos, e somente nos ombros dele eu poderia ver o jogo. Lembro-me que, na última bola, aos 45 minutos do segundo tempo, Escurinho, ponta do Fluminense, quase marca. Eu lembro que fechei os olhos e só escutei a galera delirando com o fim da partida e o time campeão. Começava ali a alegria de ser rubro-negro”.
Outro torcedor no Maraca, Radamés Lattari Filho, futuro técnico de voleibol, que fala no livro Carlinhos, de Renato Zanata e Bruno Lucena: “Minha estreia de verdade no Maracanã aconteceu no Fla-Flu de 63. Já tinha ido várias vezes ao estádio, mas este foi o 1° que eu realmente sabia do que se tratava. Durante o jogo, em diversos momentos meu pai falava: ‘Filho veja a elegância do Carlinhos’. Ele realmente foi um grande craque como jogador, treinador e como homem. Suas atitudes dentro e fora do campo sempre serviram de exemplo para diversas gerações.”. Carlinhos era o líder de um time escalado assim pelo Flávio Costa no 15 de dezembro de 1963: Marcial; Murilo, Luiz Carlos, Ananias, Paulo Henrique; Carlinhos, Nelsinho; Espanhol, Aírton, Geraldo e Osvaldo.
No 15 de dezembro de 1963, um jogo eterno no Maracanã, o primeiro Fla-Flu decisivo desde 1941 e as bolas na Lagoa. Flamengo precisava de um empate para ser campeão e recuou durante o jogo. Muita emoção no Maraca, mas nada de gol. Até o último minuto, e um lance de ouro para Escurinho, que podia oferecer o título ao Fluminense. Na frente dele, só a luz de campeão e o goleiro flamenguista, Marcial, 22 anos, quase um desconhecido, que tinha conquistado a vaga de titular durante o campeonato. E Escurinho ficou na sombra, Marcial defendeu o gol, ofereceu o título ao Flamengo. Quarenta e cinco anos depois, falou Marcial para Roberto Assaf: “Havia, naquela época, um conceito de que o time que jogava pelo empate acabava perdendo. O empate era nosso. E pelo menos daquela vez fomos campeões. Trata-se de um jogo absolutamente inesquecível. O Maracanã, com quase 200 mil pessoas, a torcida do Flamengo esperando um título que não ganhava desde 1955. Mas, apesar de tudo, eu estava tranquilo […] O jogo foi muito disputado, os dois times estavam no mesmo nível, e eu pratiquei pelo menos três grandes defesas. A que entrou para a história, e que ajudou a deixar meu nome na história, foi a do chute do Escurinho, quando o jogo estava acabando. A bola quicou e ele pegou de frente, tentando me encobrir. A torcida do Fluminense já ensaiava a comemoração, mas dei dois passos para trás, me estiquei e acabei com ela nas mãos. Joguei também no Atlético-MG, no Corinthians e até na Seleção Brasileira, mas o Fla-Flu de 1963 foi, sem dúvida, a partida mais importante da minha carreira. Em 1967, com 26 anos de idade, tive que optar entre o futebol e o curso de Medicina, pois a matrícula, trancada desde a minha ida para o Rio, perderia a validade, caso eu não voltasse à faculdade. E deixei a bola. Mas a lembrança daquela tarde jamais sairá da minha memória”.
Flamengo era o campeão da cidade, e todo mundo se curva ao campeão, até o mais tricolor dos escritores, Nelson Rodrigues: “Apesar dos trapos, da caspa e da sarna, o profeta é bem-educado. E, como tal, faz questão de cumprimentar a maravilhosa torcida rubro-negra. A solução do empate deu ao Flamengo o título. Ele é o campeão oficial da cidade. Pode sair por aí, tropeçando na própria faixa. Jamais o profeta ousaria discutir a legitimidade do campeonato que o clube da Gávea acaba de levantar”. Outro craque da caneta e da literatura esportiva, o botafoguense Armando Nogueira também eternizou o título do Mengo e a atuação de Marcial: “O Flamengo conquistou o título de campeão 1963 muito mais com os nervos do que com o coração. Os nervos do Flamengo foram os nervos do goleiro Marcial: o Fluminense atacava, penetrava, rolava a bola, fechava o cerco, chutava em gol e Marcial desmoralizava o gigantesco esforço do Fluminense com a simplicidade de um mineiro velho a pitar cigarro de palha nos fundos de uma fazenda”.
E ao lado do Marcial, o grande herói flamenguista foi Carlinhos. O herói e a explicação do sucesso rubro-negro, como foi escrito no Jornal do Brasil: “Não fossem a serenidade neurótica de Marcial e a eficiência técnica de Carlinhos, e o sistema defensiva do Flamengo ruiria, facilmente”. Flamengo tem o orgulho e a alegria de ter um ídolo como Carlinhos. No Jornal dos Sports, Álvaro Queirós também se curvou ao Carlinhos: “Carlinhos é um dos raros remanescentes do time rubro-negro à época em que Flávio Costa retornou a direção técnica do Flamengo, em 1962. Médio volante e grande responsável pela segurança do meio-campo da sua equipe, Carlinhos recebeu o apelido de Aranha tal a aparência de possuir mais de duas pernas, segundo os seus colegas, nas disputas de bolas com os adversários. Suas características essenciais, são a calma e a classe. Acadêmico, talvez seja o único sobrevivente dos volantes clássicos que o Brasil já conheceu. Marcador implacável, destruidor eficiente, dotado de rara habilidade no controle da bola, Carlinhos é chamado de craque das bolas limpas, dada a precisão dos seus passes”.
Fechando assim essa crônica com as palavras de Carlinhos, para Placar em 1970: “Mesmo que viva cem anos, não posso esquecer o 0 a 0 contra o Fluminense, em 63, quando fomos campeões. Foram minutos de tensão e luta. A própria torcida, normalmente tão barulhenta, só conseguiu gritar no fim da partida, e aí foi um carnaval na cidade inteira”. Infelizmente, Carlinhos morreu aos 77 anos, mas para nós flamenguistas, o Carlinhos Violino é eterno, dentre de outras coisas, por causa do Fla-Flu de 1963. E mais que Marcial e Carlinhos, mais que Flávio Costa e Espanhol, esse título foi da Nação. O jogo não eterno pelo 0x0, pelo fim do jejum de 8 anos, pelo 15o título carioca do Flamengo. O Fla-Flu de 1963 é eterno por causa da Nação, a alma do Maraca e o coração da geral, o Fla-Flu de 1963 é eterno por causa de 194.603 pessoas, a maioria louca de alegria após 90 minutos sem respirar. Vale então citar de novo Nelson Rodrigues, um tricolor derrotado, mas um tricolor que teve seu dia de Flamengo, maravilhado com a força da torcida, a energia de um Maracanã que viu o Maior ser o maior mais uma vez: “Que coisa linda, incomparável, a alegria dos rubro-negros. O seu berro, ao soar o apito final, comoveu o Maracanã em suas raízes eternas”.
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Jogos eternos #48: Flamengo 3×0 Real Madrid 1997

Ainda sem jogo do Flamengo hoje, vamos lembrar um jogo eterno do Flamengo. Eu queria escrever sobre esse jogo no início do ano no Mundial dos clubes, mas não deu, Real Madrid não precisa mais esperar, o jogo tão esperado não vai acontecer. Mas já aconteceu um Flamengo x Real Madrid e deu um jogo eterno, uma goleada histórica, um show do ídolo Sávio.
Jogo aconteceu num torneio amistoso, o Troféu Cidade de Palma de Mallorca em 1997. O torneio já não tinha mais o prestígio de alguns torneios amistosos da Europa na década de 1960, mas ainda era importante, e Flamengo já ganhou esse torneio, em 1978, já na frente do Real Madrid. Quase vinte anos depois, os dois times se reencontraram, agora na semifinal do torneio.
No 15 de agosto de 1997, Paulo Autuori escalou Flamengo assim: Clemer; Fábio Baiano (Leandro Neto), Júnior Baiano (Juan), Luiz Alberto, Gilberto; Jamir (Bruno Quadros), Jorginho, Maurinho, Sávio (Iranildo); Lúcio, Renato Gaúcho (Rodrigo Mendes). Um time muito bom, mas do outro lado tinha muitos nomes de peso: Cañizares, Panucci, Sanchís, Seedorf, Guti, Zé Roberto, Mijatovic, Suker e Raúl entre outros.
Real Madrid era o franco favorito, mas Flamengo teve a primeira oportunidade, com Renato Gaúcho, que perdeu o gol cara a cara com Cañizares. Em seguida, uma cabeçada de Raúl foi facilmente defendida pelo Clemer. Amavisca perdeu um gol de pouco pelo Real Madrid. E Sávio começou a brilhar no jogo, com dois dribles e um cruzamento perfeito da esquerda pela cabeça de Maurinho, que abriu o placar com 20 minutos de jogo.
O Real Madrid reagiu com a dupla Mijatovic – Suker no ataque, sem conseguir fazer o gol. O lateral madrilenho Secretário se aventurou fora do escritório e perdeu a bola no seu próprio campo. Sávio desviou de toque leve para Gilberto, que deixou de trivela para Lúcio. A bola passou entre as pernas de Cañizares e Flamengo tinha agora dois gols de vantagem com apenas 30 minutos de jogo. Numa posse de bola de 35 segundos e 12 passes, Flamengo quase fez o terceiro mas Cañizares salvou o Real Madrid. Flamengo continuou a dominar e ainda no primeiro tempo, o chute de Lúcio passou por pouco fora do gol espanhol.
Real Madrid foi melhor no início do segundo tempo, chutou quatro vezes no mesmo lance, mas não fez o gol. Os Deuses do futebol estavam com o Flamengo. O Real tinha a posse de bola, as oportunidades no ataque, mas nada de gol. E Sávio brilhou mais uma vez no lado esquerdo. O Anjo Loiro fugiu do Secretário, voltou atrás para Jorginho, que achou Gilberto, de calcanhar, para Lúcio, já na grande área. Fixou o goleiro para o gol fácil de Renato Gaúcho, mas Cañizares fez o milagre e conseguiu desviar o chute de Renato Gaúcho. Bola voltou nos pés de Maurinho, que só tinha a empurrar a bola nas redes. Maurinho saiu para a comemoração, mas o juiz mal anulou o gol com um impedimento inexistente e salvou um pouco o Real Madrid no momento.
Mas Sávio ainda ia brilhar durante o jogo. Num passe em profundidade, Sávio chegou antes do Secretário, atrasado e completamente perdido, que usou os braços e cometeu o pênalti. Sávio pegou a bola, e com a tranquilidade do craque, achou a gaveta de Cañizares, um gol em cereja do bolo para Sávio, que agora podia ceder o seu lugar para Iranildo. Sávio acabou com o Real Madrid, acabou o jogo, vitória 3×0 do Fla, um jogo eterno.
Na grande final, Flamengo perdeu 2×0 contra Mallorca, os donos da casa, mas o mais importante era o primeiro jogo contra o Real Madrid. E Sávio deixou os madrilenhos tão de boquiaberta, tão maravilhados com a classe de seu futebol, que o Real Madrid o comprou no início do ano seguinte, onde ele ganhou 3 Champions e uma Copa Intercontinental, contra Vasco. E talvez ainda mais importante, no jogo do terceiro lugar, o Real Madrid venceu Vitória de Bahia com grande atuação de um jogador então reserva no Real Madrid, Dejan Petkovic. E Vitória ficou tão maravilhado com a classe do futebol de Petkovic que importou o sérvio no Brasil.
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Jogos eternos #47: Flamengo 3×3 Fluminense 2017

Para a janela internacional, vamos de um jogo internacional, mas de um clássico da cidade, o clássico mais charmoso do Rio, o Fla-Flu. E um Fla-Flu muito especial para mim, o Fla-Flu da Copa Sudamericana em 2017, nas quartas de final.
Eu fui no Brasil pela primeira vez em 2014, para a Copa do Mundo. Por motivo financeiro, não deu para ficar até o primeiro jogo do Flamengo depois da Copa, e voltei na França sem assistir ao meu Mengo. Então na segunda viagem, em 2017, planejei as datas para assistir ao Flamengo no Maracanã, ou ao menos, no Luso-Brasileiro. E vi no início do ano que entre as duas datas da semifinal da Copa Libertadores, tinha um Flamengo x Vasco. As datas de minha viagem eram definidas.
Flamengo foi eliminado na fase dos grupos da Libertadores e foi na Copa Sudamericana. Ainda na França, foi um golpe duro para mim, mas a esperança de uma semifinal de Liberta no estádio virou a esperança de um Fla-Flu nas quartas de final da Sudamericana, nas mesmas datas da semifinal da Libertadores. E depois de dois turnos contra Palestino e a Chape, deu Fla-Flu.
Meu primeiro jogo do Flamengo foi no Maracanã, contra Fluminense. O Fla-Flu sempre foi meu clássico favorito no Rio. E comecei da melhor forma possível, com um Fla-Flu no Maraca, na Norte, com vitória, gol de Éverton, com lágrima no meu olho. Depois, um Clássico dos Milhões, meu segundo clássico favorito claro, Vasco é vice, na Norte de novo, com pouca emoção em campo, e muita emoção na arquibancada.
Eu sonhava de voltar ao Maraca para o Fla-Flu de volta. Mas tinha a incerteza do ingresso. Ainda não era sócio, e não sabia se ia conseguir um ingresso. Mas consegui e relembro de minha alegria na Gávea, com o ingresso na mão e a felicidade no coração. Acho que estava de Este, mas no dia do jogo, a entrada na Norte foi liberada, e fui no que já era meu lugar, a Norte do Maraca.
Relembro também da ansiedade de pré-jogo, nem dava para aproveitar de verdade o show da torcida. Na arquibancada, virou quase irrespirável, tinha pressa do jogo começar só pra aliviar um pouco essa pressão. “O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes” falou uma vez o técnico italiano Arrigo Sacchi. Nesse 1o de novembro de 2017, futebol virou a coisa mais importante das coisas mais importantes.
E no Maracanã, com 41.087 torcedores, um deles ainda mais feliz do que todos os outros, Reinaldo Rueda escalou Flamengo assim: Diego Alves; Pará, Juan, Rhodolfo, Trauco; Willian Arão, Cuéllar, Diego; Éverton Ribeiro, Éverton, Felipe Vizeu. Um time de transição, longe do fracasso de 2015 e também longe do sucesso de 2019. Nesse time, destaques no meu coração para Juan, Cuéllar, Diego e Éverton Ribeiro.
Enfim para meu coração e meu ritmo cardíaco, o jogo começou. E começou mal. Com apenas 3 minutos, na frente da Norte, na frente de meus olhos em pânico, Lucas abriu o placar com um chute muito forte. E com 10 minutos, na frente da Sul, longe de meu coração sempre em sofrência, uma falta para Diego, meu ídolo nessa época. Bem perto do gol, e já no gol. Faltei o gol, estava admirando a arquibancada e a energia da Norte. Meu irmão desconhecido ao lado de mim também faltou o gol, “estava rezando”. Mas a alegria foi a mesma, Flamengo tinha feito o gol do empate, o gol da classificação. Mas jogo ainda estava longe de acabar.
E no fim do primeiro tempo, um escanteio para Fluminense, na minha frente, uma cabeçada de Renato Chaves, ninguém na segunda trave, e Fluminense de novo na frente no placar, de novo classificado para a semifinal. E no início do segundo tempo, de novo uma bola parada, de novo uma cabeçada de Renato Chaves, agora com a ajuda do travessão, de novo um gol de Fluminense, longe de meus olhos, perto de minha raiva no coração, perto de meu desespero na cabeça. Fluminense tinha dois gols de vantagem e o sonho virava pesadelo. O Fla-Flu era o ápice de minha viagem no Brasil, não podia perder.
A esperança nunca saiu de mim e dobrou quando Vini Jr entrou em campo. Desde a base, ele foi meu ídolo, meu garoto do Ninho, meu craque da base. Sempre adorei Vini e ainda hoje é meu jogador favorito da atualidade. Entrou e mudou o jogo. Com apenas três minutos em campo, deu um bom passe para Éverton Ribeiro, que, como o gênio que foi e ainda é, achou Felipe Vizeu com um toque de calcanhar maravilhoso. Felipe Vizeu fez o gol do 3×2, o gol que ia inflamar o Maraca até o fim o jogo. Não sei se já gritei com tanta voz, com tanto coração na minha vida.
E Reinaldo Rueda fez entrar um outro craque da base, Lucas Paquetá. Também ídolo para mim, adoro ele, mas tem menos espaço no meu coração que Vinícius. E com dois minutos de Paquetá em campo, foi de novo Vini Jr que fez a diferença. Agora na direita, um drible de vaca sobre de Marlon e uma falta de Douglas. Faltava, tempo adicional incluído, dez minutos de jogo. Faltava um gol. Eu só aguentava porque não tinha escolha.
Uma falta perto da área, na direita, perto de meus olhos e de minha alma, um lance ideal para o gol da classificação. Respirar é a coisa mais natural do mundo, mas Flamengo é a coisa mais amada do mundo, e ficou difícil de combinar os dois, amar e respirar, respirar e amar. Ainda hoje, posso ligar nesse estado emocional durante o jogo. Enfim o apito, e Pará, menos ídolo, cruzou, para a cabeçada de Willian Arão. Meu coração parou, Flamengo empatou. Falta agora palavras para descrever o que aconteceu na minha pele e na minha alma.
Willian Arão jogou mais de 350 jogos, alguns muitos bons, outros mais difíceis e até jogos ruins. Mas minha maior recordação é esse gol, onde ele conseguiu transformar minha segunda temporada no Brasil, onde o pesadelo do jogo virou sonho eterno. Também nesse paragrafo tento descrever minha felicidade, o que sentiu na hora do gol, mas às vezes Flamengo é indescritível, quem é, sabe, quem não é, nunca vai entender.
Flamengo estava na semifinal, voltei no meu hostel, na favelinha de Pereira da Silva, com brilho nos olhos, sorriso no rosto, euforia no corpo, deleitação na alma. Nesse 1o de novembro de 2017, estava sozinho no Rio, mas esse dia foi um dos mais alegres de minha vida.
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Ídolos #13: Rondinelli

O Deus da Raça. Rondinelli. De nome completo, é Antônio José Rondinelli Tobias. Nem sabia que tinha Antônio no início, que tinha Tobias no fim. No Flamengo, apenas Rondinelli. Ou o Deus da Raça. No Flamengo, tem dois Deuses, o Zeus Zico, pai de todos os Deuses, e Ares Rondinelli, Deus da guerra, Deus da Raça. No Flamengo, teve muitos gênios da bola, Deuses da técnica, mas a torcida gosta ainda mais de uma coisa, a raça, o carisma, a vontade de morrer em campo para defender o Manto Sagrado. E dessa raça flamenguista, Rondinelli foi o maior representante.
Rondinelli nasceu no 26 de abril de 1955, no São José do Rio Pardo, estado de São Paulo. Foi na base do Flamengo em 1968 e estreou no time principal com apenas 16 anos, em 1971, mesmo ano do que a estreia do Zico. Em 1973 estreou o saudoso Geraldo, em 1974 Júnior, em 1975 Adílio e Júlio César, em 1976 Leandro e Andrade, em 1977 Tita. Uma geração de ouro e uma expressão eterna: “Flamengo, o craque faz em casa”. Mas por pouco, esse time não foi desmentido.
Em 1975 e 1976, Flamengo viu a Máquina Tricolor de Carlos Alberto, Rivelino e Paulo César conquistar o campeonato carioca. Em 1976, Flamengo perdeu a Taça Guanabara nos pênaltis contra Vasco, Zico e Geraldo errando o pênalti deles. Em 1977, Fla perdeu a decisão do campeonato carioca, de novo contra Vasco, de novo nos pênaltis, essa vez com Tita errando. Flamengo precisava ganhar e decepcionou no Brasileirão de 1978 com um 16o lugar. Flamengo precisava ganhar. Cláudio Coutinho foi chamado como técnico e o campeonato carioca de 1978 era a última chance antes de fazer mudanças no time e vender alguns jovens jogadores.
No 3 de dezembro de 1978, com 120.433 espectadores no Maracanã, Flamengo decidiu mais um título carioca contra Vasco. A palavra agora com Marcelo Schwob, no seu livro Seleção brasileira de histórias do futebol: “Com o time que já tinha (Zico, Júnior, Toninho, Carpegiani, Adílio e cia.), era uma injustiça o fato de o Flamengo ter até então perdido em duas finais seguidas (1976 e 1977) decididas nos pênaltis com o Vasco. O Flamengo estava virando freguês do time cruzmaltino e se ocorresse mais uma, o grande time seria fatalmente desfeito, o que seria uma perda para o futebol. Mas aos 42 minutos da segunda etapa, quando o jogo permanecia empatado (0x0), placar que faria o Vasco mais uma vez campeão carioca em cima do Flamengo, eis que o zagueiro Rondinelli sobe mais alto que toda a defesa vascaína e faz o gol da vitória, que daria o Campeonato Carioca de 1978 para o rubro-negro, iniciando a trajetória mais vitoriosa da história do clube nos cinco anos seguintes. Apesar de seu futebol não muito técnico, mas sempre empenhando e corajoso, Rondinelli atingia o Olimpo da história do Flamengo”. Nesse dia, Rondinelli virou o Deus da Raça para sempre e escreveu o primeiro capítulo do maior Flamengo de todos os tempos.
Agora a palavra para o herói do título, Rondinelli, que falou para Placar em 2018: “Realmente foi um divisor de águas. Vínhamos de fases adversas, de nenhuma conquista de campeonato. Vejo de uma forma positiva em relação à liderança do nosso maior ídolo, Zico. Isso sempre contribuiu para que os jogadores chegassem ao clube e se espelhassem nessa geração enquanto profissionais. Foram grandes conquistas, o ambiente de trabalho, amizade, confiança, respeito, amor. Gratidão desde o presidente até o funcionário mais humilde do clube, que nos ensinaram a ter amor por esta sigla CRF”. Nesse jogo, Rondinelli não fez só o gol como anulou completamente Roberto Dinamite. Um jogo eterno contra Vasco, um golaço do Deus da Raça num escanteio de Deus.
Agora a palavra para Deus, para Nosso Rei Zico: “Aquele gol é o que mais me arrepia até hoje quando revejo”. Quando encontrei Zico, nesse eterno 18 de novembro de 2022, ele falou sobre esse gol. E foi Zico que bateu o escanteio, sob protestos de uma parte da torcida que queria ver Zico na grande área. Mas a curva foi perfeita e a cabeçada de Rondinelli ainda mais. Com Carisma, com Raça, com Força, CRF, três letras perfeitas.
Agora a palavra com o genial escritor tricolor Nelson Rodrigues sobre o gol de Rondinelli: “Daqui a cinquenta anos, dirão os que viveram o grande dia: ‘Nunca o Flamengo foi tão Flamengo!’”. E é exatamente isso, só Rondinelli podia fazer esse gol, que tem a cara do Flamengo, um gol de luta, de raça, de conquista.
Rondinelli jogou no Flamengo até 1981, mas desfalcou a decisão do Brasileirão 1980. Jogou a partida de ida, quando saiu machucado. “Durante uma jogada complicada na área, o Palhinha, de maldade, me deu um chute no maxilar e eu caí desacordado. O juiz não marcou nem falta. Saí de campo ainda desmaiado e a consequência é que, até hoje, só tenho trinta por cento da audição do ouvido esquerdo. Fui operado para corrigir as várias fraturas do maxilar e não pude jogar a finalíssima no Maracanã. Sou cheio de fios de aço e parafusos” relembrou Rondinelli. Sua ausência no jogo de volta foi noticiada pelo grande João Saldanha, que escreveu para o Jornal do Brasil no dia seguinte do jogo: “Claro que o Flamengo estava merecendo o jogo do Maracanã. Mas Rondinelli faz muita falta. Manguito ou Marinho podem ser complementos para o zagueiro efetivo mas os dois juntos deixa uma coisa um pouco vulnerável”. Só o Rondinelli era invulnerável na zaga, protegido pelo e defendendo o Manto Sagrado.
Flamengo ganhou o Brasileirão e Rondinelli desfalcou também o time nos títulos de 1981, porque ele já havia sido negociado no Corinthians, a diretoria flamenguista apostando nos zagueiros ainda mais jovens, Figueiredo e Mozer. Rondinelli até jogou no Vasco, mas não tem importância. Jogou em vários clubes até pendurar as chuteiras em 1985, mas a alegria de jogar saiu antes. “Acabou em 1981, quando saiu do Flamengo” falou Rondinelli. No Flamengo, foram 10 anos, 407 jogos e 12 gols. Mas acho que Rondinelli é de um gol só. Esse gol de 1978, voando na defesa do Vasco, no céu do Maracanã, e com uma cabeçada só, o Deus da Raça ofereceu a melhor definição do que é Flamengo.
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Jogos eternos #46: Flamengo 7×0 Universidad de Chile 1999

Aproveitando da janela internacional para voltar a um jogo internacional, na Copa Mercosul 1999. A Copa Mercosul foi criada um ano antes para ser a segunda competição continental na América do Sul. Na época, só tinha dois times para cada país na Copa Libertadores e a Copa Mercosul virou um torneio muito prestigioso. Na primeira edição, o Palmeiras de Arce, Zinho e Alex ganhou na final do Cruzeiro de Dida, Valdo e Müller.
Na edição de 1999, participaram os 5 grandes da Argentina (Boca, River Plate, Independiente, Racing e San Lorenzo) e o Vélez Sarsfield de José Luis Chilavert. Participaram também os 3 maiores do Chile (Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad de Catolica), os 2 maiores do Uruguai (Peñarol e Nacional) e os 2 maiores do Paraguai (Olímpia e Cerro Porteño). E no Brasil, 7 times, todos dos 12 gigantes originais do futebol brasileiro: Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Vasco. Um torneio com 20 clubes, todos da elite do futebol sul-americano. Juntos, esses 20 times já conquistaram 420 campeonatos nacionais. A Copa Mercosul de 1999 talvez é o torneio mais disputado da história do futebol sul-americano.
Flamengo ficou no grupo E e começou com duas vitórias contra Olímpia e Colo-Colo. Em seguida, perdeu contra Universidad de Chile e o jogo de volta contra Olímpia. Depois de um empate contra Colo-Colo, a situação era complicada. Para se classificar, Flamengo precisava vencer do Universidad de Chile no último jogo e torcer para uma derrota do Colo-Colo para conquistar o segundo lugar. Ou, para depender apenas de si mesmo, se classificar como um dos melhores terceiros dos grupos. A condição era de ganhar pelo menos de quatro gols do Universidad de Chile. Parecia difícil, quase impossível mas nada é impossível para o Flamengo.
No 7 de outubro de 1999, uma quinta-feira de noite, poucos acreditavam num milagre: apenas 6.050 pagantes no Maracanã, mas 11 guerreiros em campo, escalados assim pelo saudoso Carlinhos: Róbson, Maurinho, Juan, Ronaldo, Marco Antônio; Leandro Ávila, Fábio Baiano (Marcelo Rosa), Beto; Caio (Iranildo), Leandro Machado (Rodrigo Mendes), Romário. Um time razoável com um craque diferenciado e que ia fazer a diferença, Romário.
Flamengo precisava ganhar, precisava golear, precisava atacar e começou o jogo atacando, fazendo gols, muitos gols. Com apenas 5 minutos, Fábio Baiano cruzou, Romário dominou no ar e sem deixar a bola cair no sol, procurou o gol de voleio. O goleiro defendeu, mas Caio foi o mais rápido para chegar na bola, chutar no gol, abrir o placar. Flamengo 1×0, jogo começou bem.
Depois, foi o início do show Romário. Com 16 minutos, dominou de peito e tentou um passe em profundidade. A defesa chilena interveio, mas Romário foi o mais rápido para chegar na bola. Escapou do carrinho de um defensor, driblou um zagueiro, driblou o outro, 3 defensores no chão e o goleiro na frente, que saiu do gol e já sabia o que ia acontecer. Com tranquilidade, será que Romário sabia fazer de outro jeito?, de meio bico meio trivela, deixou a bola na gaveta. E uma mensagem na camisa debaixo do Manto Sagrado para a torcida, para os fãs, para quem pode entender “Seja forte com força e fé, você saira desse”. Flamengo 2×0, a metade do caminho já estava feita.
Um minuto depois, apenas um minuto depois, uma saída duvidosa do goleiro, Fábio Baiano foi o mais rápido para chegar na bola e cruzou para Caio. Não tinha mais goleiro, mas tinha defensores na linha do gol. Defensores e Romário. A bola bateu no Romário, que, dando um carrinho, fez mais um gol. Romário também sabia fazer gols na raça. Flamengo 3×0, só faltava um gol.
E o gol salvador veio ainda no primeiro tempo. Leandro Ávila recuperou uma bola no campo da Universidad do Chile, deixou para Beto, na frente para Leandro Machado, que achou de cabeça na direita Fábio Baiano. Goleiro defendeu, Leandro Machado foi o mais rápido para chegar na bola, mas Vargas defendeu de novo. A bola flirtou com a linha do gol, e Romário foi o mais rápido para chegar na bola e a empurrar de trivela no fundo das redes. Flamengo 4×0, o terceiro do Romário, Flamengo classificado.
No segundo tempo, um drible de vaca de Leandro Machado na grande área e um chute, goleiro defendeu com o pé. Bola voltou fora da grande área, Marco Antônio foi o mais rápido para chegar na bola e chutar. Bola foi desviada, bola foi no gol. Flamengo 5×0, virou um show, agora sem a participação de Romário.
Mas claro, Romário não podia deixar de aparacer durante o jogo. Podia até desaparecer durante um tempo, fazer a defesa esquecer dele, e aparecer de novo no momento certo, na hora de fazer o gol. No lado esquerdo, Caio pegou a bola e voltou no centro do campo, evitando dois defensores. Fez um passe em diagonal sensacional para Romário, um domínio na direção do gol, e um chute sem muita convicção, mas suficiente para fazer o quarto dele no jogo. E mais importante, era o gol 200 do Baixinho com o Manto Sagrado. Flamengo 6×0, com mais um show do ídolo da torcida.
Flamengo estava classificado mas queria a maior goleada da história da Copa Conmebol. No final do jogo, de novo na direita, Maurinho cruzou na frente do gol. Romário desviou da ponta do pé para Rodrigo Mendes, que chutou forte, sem chance para o pobre goleiro. Flamengo 7×0, uma goleada histórica, um jogo eterno.
Com esse grande jogo e 4 gols de Romário, Flamengo se classificava nas quartas de final. Passou do Independiente, do Peñarol e, já sem Romário que brigou com a diretoria, conquistou a Copa Conmebol depois de mais dois jogos eternos contra Palmeiras. Um time campeão, que quase foi eliminado na primeira fase, mas era um time de raça e de coração, de força e fé, e de um gênio da grande área, Romário.
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Jogos eternos #45: Flamengo 1×0 Vasco 2022

Para dar sorte para o jogo de hoje, vamos lembrar um jogo de apenas um ano de existência, mas um jogo onde Flamengo tinha uma vantagem de um gol sobre o Vasco, numa semifinal do campeonato carioca, em 2022.
Na época, Flamengo tinha conseguido a vitória no jogo de ida com um placar magro, 1×0, gol de Gabigol, de pênalti. Em 2023, placar foi maior, mas com vantagem igual: 3×2 Mengão. Como em 2023, o Flamengo de 2022, de outro português, Paulo Sousa, ainda estava longe de convencer. Mas estava perto de uma primeira decisão no ano, e no 20 de março de 2022, Flamengo foi escalado assim: Hugo Souza; Rodinei (Matheuzinho), Fabrício Bruno, David Luiz, Filipe Luís; Willian Arão, João Gomes, Arrascaeta (Léo Pereira); Lázaro (Marinho), Gabigol (Éverton Ribeiro), Pedro.
Na frente de 58.478 espectadores, jogo começou equilibrado, com leva vantagem do Vasco, mas Hugo Souza fez boas defesas. Hugo Souza deixou de brilhar em alguns jogos e tomou alguns frangos duros, mas acho que ele é um bom goleiro e que, se corrige alguns pontos fracos, pode ter uma carreira linda. Flamengo reagiu e Pedro quase fez o gol, mas o goleiro vascaíno fez a defesa. Ultimo lance do primeiro tempo foi de Nenê, livre na entrada da área, para achar o ângulo flamenguista do pé esquerdo mágico, mas bola fugiu das redes. No intervalo, Flamengo 0x0 Vasco.
Primeiro lance do segundo tempo, de novo Nenê, de novo fora do gol do Flamengo. Nenê inflamou a torcida vascaína, mas Hugo Souza fez de novo grande defesa num chute poderoso de Edimar. Flamengo reagiu, cabeçada fora do gol de Léo Pereira, chute defendido de Pedro. E Flamengo fez o gol. De novo Arrascaeta, cruzamento da direita para a esquerda, para Lazaro, com um toque, bola na pequena área. Pedro perdeu a bola, Willian Arão não, de pé esquerdo, o jogador mais antigo do elenco fez o gol da vitória, o gol da classificação, o gol da final, o gol da decisão.
Gabigol quase fez o segundo, mas o chute de cobertura flirtou com a trave. Hugo Souza quase falhou, mesmo num grande jogo dele podia falhar, mas foi salvo pela trave. Ultimo lance foi de Marinho, mas não mudou o placar, não mudou o classificado pela grande final, Flamengo, em cima do velho freguês, Vasco.
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Ídolos #12: Leônidas

A camisa 12 no Flamengo é da torcida. Para a 12a crônica, eu poderia ter escolhido Júlio César como ídolo, que vestiu a camisa 12 na sua volta ao clube, justamente para homenagear a torcida. Júlio César é muito ídolo do Flamengo e ele merece a crônica dele aqui. Mas hoje eu vou de um jogador antigo, de uma época tão antiga que nem tinha número nas costas dos jogadores, mas eu vou de um jogador que se confundiu com a torcida, que representou a torcida como ninguém, Leônidas da Silva. Vale começar a crônica com essa fala de um gênio do jornalismo, Luiz Mendes: “Leônidas não foi melhor do que Pelé. Mas também não foi pior”.
Leônidas não vestiu a camisa 9, não vestiu a camisa 10, não vestiu a camisa 12, Leônidas vestiu o Manto Sagrado. Nasceu no Rio de Janeiro em 1913, apenas 25 anos após o fim da abolição oficial do escrevidão. Cresceu nos subúrbios pobres, onde começou a jogar peladas, descalçado, com bola de papéis. Futebol já era paixão das crianças humildes, mas nos campos oficiais, era coisa de ricos. Na elite do futebol carioca, tinha poucos clubes que aceitavam negros no time deles: Bonsucesso, Syrio e Libanez, São Cristóvão, Bangu, Vasco. E, com exceção do Bangu, Leônidas passou pelo todos esses clubes, com muito brilho.
Jogando no Bonsucesso, Leônidas foi chamado na seleção carioca e foi o destaque do campeonato brasileiro de seleções estaduais de 1931, com 2 gols na final contra São Paulo. No mesmo ano, Leônidas falou para Globo: “O elemento de cor entre num grande clube nunca é bem recebido. O único clube grande que recebe com simpatia esses elementos é o Vasco. Nos outros grandes teams, o elemento negro não muda de cor. É um negro… Portanto, é melhor ficar onde se é cercado de consideração. E é por isso que eu ficarei no Bonsucesso”. No ano 1932, Leônidas assinou com o America, mas por causa do racismo, não foi bem recebido. Ainda foi acusado de ter roubado a coleira de uma senhora da alta sociedade, de ser uma vergonha para os ricos espectadores nas arquibancadas. No salão nobre dos clubes, a presença de Leônidas e dos outros jogadores não era bem-vista.
Em 1932, Leônidas fez seu primeiro gol de bicicleta. “É possível que o gol de bicicleta não seja criação minha, mas antes de mim não vi ninguém fazê-lo”, explicou Leônidas. Na Argentina, a jogada é conhecida como “chilena”, por causa do chileno Ramón Unzaga, que fazia esse gesto antes de Leônidas. Mas no Brasil, e nos meus livros franceses de futebol quando eu era criança, o inventor foi Leônidas. Porque ninguém fazia a bicicleta com tanta facilidade, tanta classe e tanta frequência do que Leônidas. Nesse mesmo ano de 1932, Leônidas foi convocado na Seleção brasileira, o que virou problema para o presidente da CBD, que até tentou impedir a convocação de Leônidas. Não conseguiu, e, ao lado do zagueiro Domingos, Leônidas brilhou no Uruguai, com dois gols no Centenário contra os campeões mundias para conquistar a Copa Rio Branco. Leônidas virou o Diamante Negro, Domingos virou o “melhor back do continente”, Peñarol comprou Leônidas, Nacional comprou Domingos. Domingos foi campeão uruguaio, e Leônidas brilhou mais nas noitadas alcoolizadas de Montevidéu do que nos campos.
Leônidas era carioca de alma, voltou ao Brasil, voltou no Rio, no único grande clube que aceitava negros e pobres: Vasco. Com a Seleção brasileira, Leônidas jogou a Copa do Mundo 1934. O Brasil foi eliminado após apenas um jogo e Leônidas fez o único gol do Brasil na Copa na Itália. Leônidas foi campeão carioca 1934, e assinou com o Botafogo, onde foi campeão carioca 1935. Era o melhor jogador do país, mais ainda não era o ídolo do país. Faltava alguma coisa divina, faltava Flamengo.
Leônidas se declarou flamenguista na imprensa e o dirigente botafoguense Carlito Rocha mandou ele embora. Obrigado Carlito. Leônidas assinou em 1936 com o Flamengo, onde o presidente José Bastos Padilha transformou o clube, abrindo as portas para os jogadores negros. Fausto no início do ano, Domingos depois, mas sobretudo Leônidas. Mais do que Fausto e Domingos, mais do que a imprensa escrita e o rádio, foi Leônidas que fez do Flamengo o clube do povo. Fez a alegria do pobre, o orgulho do negro, com gols, carisma, luta em campo e fora do campo contra o racismo. Em apenas três meses, fez 23 gols. Leônidas foi um fenômeno, como apareceu um a cada geração. Foi o maior de seus tempos, a ligação entre Friedenreich, que vestiu o Manto Sagrado em fim de carreira, e Pelé, que vestiu o Manto Sagrado uma vez, em 1979. Leônidas nem precisava ganhar títulos para ganhar o coração do povo, viu o Fluminense dos ricos, dos brancos, dos italianos, dos paulistas, conquistar o tricampeonato carioca entre 1936 e 1938.
Em 1938, Leônidas tornou-se definitivamente o ídolo do povo com a Copa do Mundo, na minha França. No primeiro jogo, fez três gols contra a Polônia. Fez um gol de novo contra a Tchecoslováquia, e marcou de novo contra a mesma Tchecoslováquia no jogo desempate. Machucado, desfalcou o jogo contra a Itália e o Brasil deixou escapar a taça. No jogo pelo terceiro lugar, Leônidas fez 2 gols na vitória 4×2 contra a Suécia e o Brasil fez sua melhor campanha em Copa. Leônidas merecia uma Copa, mas a Segunda Guerra mundial o impediu de ter uma outra chance. Mesmo sem o título final, foi suficiente para voltar como o herói do povo, para voltar como o Homem-Borracha, apelido dado pelos franceses, ainda maravilhados com a “magia negra” de Leônidas. Escreveu A Gazeta no 14 de julho de 1938: “O povo arrancou Leônidas do automóvel na praça Mauá. O grande center-forward nacional rogava que se afastassem porque queria respirar. Os fuzileiros navais, na impossibilidade de o isolar, usaram cassetetes e conseguiram metê-lo num carro-forte. Não obstante, a massa popular acompanhou o veículo na esperança de abraçar Leônidas. É um fato inédito. Não há memória na cidade de que nenhum vulto proeminente necessitasse socorro da polícia, a fim de evitar que morresse nos braços do povo”.
Leônidas era um dos três homens mais famosos do país, com Getúlio Vargas e Orlando Silva. Politica, música e futebol. Leônidas virou garoto-propaganda de várias empresas, teve o chocolate Diamante Negro da Lacta, vendeu a goiabada Peixe, fez apresentações num cassino. Quem relembre é Zizinho, que estreou no Flamengo em 1939 e sucedeu ao Leônidas como o ídolo da Nação: “Depois que terminou o campeonato carioca de 1938, o Leônidas foi contratado pelo Cassino da Urca para mostrar como foram feitos os gols dele no campeonato. E Leônidas foi lá para o palco e cada dia fazia um lance de um jogo. Foi uma atração enorme. Mas quando Leônidas terminou o contrato dele, ele um dia foi lá no Cassino da Urca. Eles disseram assim: ‘Aqui não. Negro não entra.’ […] Ele tinha dinheiro para entrar, só que não deixaram”. Mais uma vez, a aberração e a vergonha do racismo.
Em 1939, o Flamengo acabou com um jejum de 12 anos e enfim conquistou o campeonato carioca, com uma rodada de antecedência. Com 10 gols, Leônidas não foi o artilheiro do time, mas foi a principal figura, alimentando os companheiros do ataque, os argentinos Alfredo González, com 13 gols, e Valido, com 12 gols. No 24 de dezembro de 1939, numa derrota 3×4 contra o Independiente na Argentina, também jogo de estreia de Zizinho com o Manto Sagrado, Leônidas fez um gol de bicicleta. “O gol de Leônidas não surpreenderia tanto se não constituísse uma dessas jogadas históricas, inéditas em matches de futebol. […] Dentro da área, antes que o couro chegasse ao solo, estando mesmo mais alto do que um homem de estatura média, o Diamante Negro salta espetacularmente de costas para o gol e de bicicleta, num verdadeiro salto mortal, consagra o terceiro gol” escreveu o Globo Sportivo.
Em 1940, Leônidas foi pela primeira vez o artilheiro do campeonato carioca, com 30 gols, igualando o recorde de Nilo em 1927. Mas Fluminense foi o campeão, com um ponto a mais do que Flamengo. Nesse ano, num amistoso contra a Portuguesa vencido 9×1, Leônidas fez 6 gols, um recorde do clube na época. Leônidas também tornou-se o maior artilheiro da história do Flamengo, ultrapassando Nonô, que tinha feito 123 gols entre 1920 e 1930. Mas o ápice da glória já tinha passado, Leônidas começava a ter problemas com a diretoria do Flamengo. Em 1941, machucado no joelho, recusou-se a entrar num jogo amistoso na Argentina. Rebelde, ou apenas sensato, seguiu firme quando o autoritário Flávio Costa sugeriu que Leônidas podia entrar em campo alguns minutos, a fim de preservar a cota oferecida ao Flamengo pelos times argentinos. Leônidas foi criticado pelo presidente Gustavo de Carvalho, também autor do primeiro gol da história do Flamengo em 1912, e que acusava Leônidas de fazer corpo mole. Leônidas deixou de receber a diária e respondeu ao presidente com uma carta: “Eu estava doente. Eu não podia jogar […] Profissional de football não é escravo”.
Ainda pior para Leônidas, o ídolo no povo foi na cadeia. Em 1935, por ser arrimo de família, o único a sustentar a família, Leônidas, 21 anos na época, podia escapar do serviço militar. Precisava de um documento, e Leônidas foi enganado por um sargento, comprando um falso documento. Leônidas foi na prisão militar, foi operado no joelho realmente machucado e passou 8 meses na prisão, jogando todos os dias peladas, uma vez com o time dos oficiais, uma vez com o time dos soldados. Leônidas era o povo, com a classe do rico, comprando vários ternos de primeira qualidade. No Flamengo, Leônidas foi substituído com sucesso pelo Pirillo, que bateu o recorde do próprio Leônidas, fazendo 39 gols no campeonato carioca 1941. Mesmo assim, Pirillo às vezes era vaiado pela própria torcida e era vítima das críticas do locutor flamenguista Ary Barroso. Não tinha nada a ver com ele, o povo só não podia ver um outro jogador do que Leônidas no ataque do Flamengo, ninguém representava o povo como o Leônidas fazia. O ídolo da Nação saiu da cadeia, mas não voltou ao Flamengo. Recusou-se a jogar no maior do mundo se o presidente ainda era Gustavo de Carvalho. Perdeu a queda de braço, deixou o Flamengo como maior artilheiro do clube, com 153 gols em 149 jogos. Hoje, fica na sétima posição, com seu lugar ameaçado pelo Gabigol. Mas ainda é hoje, e provavelmente para sempre, o artilheiro com a maior média de gols, mais de um gol por jogo. Com 37 gols em 37 jogos, Leônidas também tem a maior média de gols da Seleção brasileira.
Leônidas jogou depois no São Paulo, onde foi ídolo do povo já na chegada dele na cidade, mais de 100.000 pessoas participaram na sua recepção na estação de trem. “Nem um ministro de Estado, nem o maior escrito vivo, nem Portinari já tiveram recepção tão vibrante” escreveu o Jornal dos Sports. Leônidas bateu vários recordes, fez muitos gols, ganhou muitos títulos, foi o primeiro ídolo do São Paulo. Mas infelizmente para a maior torcida do Brasil, não era mais do Flamengo. Jogou até 1949, pendurando as chuteiras quando viu que não tinha chance de participar da Copa do Mundo 1950 depois de vários conflitos com o autoritário Flávio Costa, já no Flamengo, ainda mais na Seleção. Talvez com Leônidas no ataque, o Brasil teria vencido sua primeira Copa no Maracanã.
Quando se fala dos ídolos do Flamengo, já falei que é mais fácil de separar a Era pré-Zico da Era Zico e o que foi depois. No meu top 5 de ídolos de 1978 para cá, Zico obviamente no topo, e Leandro com a camisa 2. E depois, sem ordem particular a não ser alfabética de tanto é difícil escolher: Adriano, Gabigol e Júnior. E para a Era pré-Zico, outros cinco nomes, também pela ordem alfabética: Carlinhos, Dida, Domingos, Leônidas, Zizinho. Mas acho que o nome de Leônidas seria um dos primeiros escolhidos se tinha que escolher mesmo. Não vou escolher hoje, mas Leônidas também faz parte de um dos outros tops 5 meus. Jogador da Era da pré-televisão, existem poucas imagens do Leônidas. Mas existem algumas, e já pode ver toda a classe dele, a facilidade no domínio, a ginga no drible, a determinação na hora de fazer o gol. Até apenas em fotos, Leônidas respira a classe do autentico craque. “Leônidas era, em termos de estilo, um misto de Pelé e Romário. Organizava jogadas com o mesmo brilho com que as concluía. Era do tamanho de Romário e, no entanto, fazia muitos gols de cabeça”, explicou Luiz Mendes. Imagina só, Pelé e Romário no mesmo corpo, na mesma cabeça para pensar e nas mesmas chuteiras para driblar, gingar, marcar, maravilhar os espectadores, o povo. Vira até injustiça para os adversários.
Voltando ao meu top 5, se eu tinha a chance de assistir os melhores lances e partidas inteiras de jogadores dessa Era, acho que vou de Leônidas, Garrincha porque também tem poucas imagens dele nos jogos, Heleno de Freitas e outros dois flamenguistas, Domingos e Zizinho. Mas se tinha que escolher apenas um jogador, acho que seria Leônidas. Porque, para fechar a crônica sobre o ídolo do povo, vou corrigir o que escrevi precedentemente: Leônidas não é um fenômeno que aparece uma vez a cada geração, é um craque que apareceu apenas uma vez e não vai aparecer mais.
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Jogos eternos #44: Flamengo 2×0 Vasco 1991

O jogo eterno de hoje não foi uma semifinal do campeonato carioca, mas foi um jogo importante no caminho do título de 1991. Como em 2023, Fluminense tinha vencido a Taça Guanabara e assim já tinha o passaporte para a final do campeonato carioca. Ficava apenas uma vaga, para o vencedor da Taça Rio de Janeiro e Flamengo estava na luta com Botafogo e Vasco, o adversário do dia.
Foi um jogo de muitos lances, craques em campo e show de torcidas. No Maracanã, 42.734 espectadores, não um número impressionante para a época, mas as vezes é melhor ter 42.734 apaixonados do que 70.000 caladinhos. No 24 de novembro de 1991, neste ano e em 1992 o campeonato carioca foi disputado após o Brasileirão, o saudoso Carlinhos escalou Flamengo assim: Gilmar; Charles Guerreiro, Júnior Baiano, Wilson Gottardo, Piá; Uidemar, Júnior, Nélio (Marquinhos), Zinho; Paulo Nunes (Fabinho), Gaúcho. No Vasco, alguns nomes como Carlos Germano, Alexandre Torres, França, Bismarck e Bebeto. Um jogo de craques em campo.
Na entrada dos times em campo, um show das torcidas. O antigo jogador do Flamengo Bebeto teve a primeira oportunidade depois de um drible sobre Júnior Baiano, mas chutou fraco. O mesmo Júnior Baiano foi o primeiro jogador do Flamengo a ter uma chance de gol após uma falta perfeitamente cobrada pelo pé direito de Júnior. Júnior também deu um bom passe para Gaúcho, que quase fez o gol depois de um drible de giro, mas a bola saiu do gol de Carlos Germano. Num bom cruzamento de Charles Guerreiro, Gaúcho teve mais uma chance de voleio, mas Carlos Germano defendeu. A torcida do Flamengo sentia o gol e empurrava o time. Paulo Nunes para Júnior, e um lindo toque de pé direito, com a classe do mestre Vovô-Garoto. Na finalização, Zinho, de cabeça, mais colocada do que com potência, colocada no canto oposto do Germano. Um golaço e Flamengo na frente do placar.
No segundo tempo, Willian tentou fazer o gol para Vasco, a bola foi bloqueada pela zaga do Flamengo e voltou nos pés de Júnior, que com tranquilidade e classe, deu duas embaixadinhas e um passe longo atrás para o goleiro Gilmar. Um ano depois, será impossibilitado um goleiro pegar com as mãos um passe de um companheiro, a Dinamarca abusando da antiga regra na final da Eurocopa 1992.
Júnior, de novo ele, sempre ele, deu bom passe para Paulo Nunes, que chutou cruzado, mas sem força. Nesse momento, infelizmente uma briga entre torcedores no Maracanã. Quando tem 42.734 apaixonados num mesmo lugar, tem alguns burros pelas leis da probabilidade. Vasco tentava empatar, e Júnior, ainda Júnior, deu um bom cruzamento, agora com o pé esquerdo, para a cabeçada de Gaúcho, que passou um pouco em cima do gol de Carlos Germano. Júnior estava na finalização também com um chute pé esquerdo, mas de novo Carlos Germano defendeu. Um jogo de muitos lances.
No meio do segundo tempo, o segundo gol do Flamengo saiu dos pés de… Júnior, evidentemente. Uma falta no lado esquerdo, de pé direito. Bola alta para a cabeça de Gaúcho, que com inteligência, tentou achar um companheiro perto da pequena área. O companheiro foi Fabinho, que tinha entrado no lugar de Paulo Nunes, e que fuzilou Carlos Germano. Flamengo 2×0 Vasco. Festa no Maraca, festa na favela e festa em campo, quando um torcedor foi dentro das quatro linhas para abraçar Júnior. Um jogo de show de torcidas.
Apesar de mais um lance do Vasco, nenhum outro gol saiu, e Flamengo ganhou o Clássico dos Milhões, depois ganhou a Taça Rio de Janeiro e depois ganhou o campeonato carioca, o primeiro desde 1986, que tinha começado com um Fla-Flu eterno. Mais uma vez, aprende Flamengo de 2023.








