A lista dos ídolos do Flamengo é grande, é gigante, tão gigante que o Flamengo é gigante. No topo, claro, Zico. Cada flamenguista tem sua própria lista, com nomes consagrados e nomes mais esquecidos. Cada flamenguista tem seu ídolo particular e nessa categoria vou falar sobre jogadores mais comuns, talvez até perebas, mas que vestiram o manto sagrado.
Mas para começar essa categoria, nada de pereba, embora ele não esta também de grande habilidade. Meu ídolo particular, meu primeiro ídolo, foi ídolo da Nação. Tem o mesmo nome do que um dos meus maiores ídolos no futebol, o Garrincha. Manoel Francisco dos Santos para driblar na direita e cruzar para o gol de Manoel Brito de Filho, o Obina. Até escolher o nome de Manoel para meu filho faz sentido.
Comecei a acompanhar o futebol brasileiro de clubes em 2005. Antes, não faltava a paixão, faltava o acesso as informações. Tudo que eu podia ter sobre futebol de clubes brasileiros valia ouro. Relembro de uma matéria do Onze Mondial sobre o Vasco, relembro de algumas imagens do Telefoot sobre as pedaladas do Robinho em 2002, o gol de Fred em 3,14 segundos na Copinha em 2003, a briga do Romário com um torcedor do Flu também em 2003. Poucas coisas, muitas poucas coisas. Única coisa que eu tinha do Flamengo era a figurinha do Edílson no álbum Panini da Copa de 2002, onde tinha o clube dele, o Flamengo, que não era mais o clube dele, mas não sabia disso. Adorava Edílson só porque achava que jogava no Flamengo.
Em 2005, com acesso à Internet, descobri o site Sambafoot, em francês, porque na época eu não falava português. O site falava mais sobre a Seleção e brasileiros jogando na Europa, mas tinha algumas informações sobre o futebol de clubes. Acompanhei assim o Mundial de clubes 2005 conquistado pelo São Paulo. Depois, comecei a arriscar a leitura em português no Placar com a ajuda de um tradutor online. Enfim, o Flamengo se aproximava de mim, eu me aproxima do Flamengo. Comecei a acompanhar os melhores momentos dos jogos, comecei a conhecer os jogadores.
Obina foi meu primeiro ídolo no Flamengo. Não tinha muita habilidade, mas tinha muita raça. Um carisma forte, uma identificação incrível com a torcida. Eu adorava Obina porque a torcida adorava Obina. Na verdade, acho que meu primeiro ídolo no Flamengo foi a própria torcida.
Mas Obina merecia toda essa idolatria. Fez gols decisivos, como na final da Copa do Brasil 2006 contra Vasco, que realmente foi meu primeiro título com flamenguista. Brilhou na decisão do campeonato carioca 2008 contra Botafogo. Mas não foram só os gols decisivos contra os rivais, Obina tinha uma coisa impalpável a mais, essa pequena coisa indescritível que faz a diferença entre um jogador comum e um ídolo. E Obina realmente era melhor do que Eto’o. Essa comparação não precisa de comparações, Obina era melhor do que Eto’o, fato, todo flamenguista sabe disso.
Obina saiu do Flamengo em 2009, depois de apenas um jogo no Brasileirão contra o Santo André. Suficiente para ser campeão brasileiro, depois de ser vencedor da Copa do Brasil e tricampeão carioca. Depois, acompanhei a carreira dele com grande carinho, no Palmeiras, no Atlético-MG e no Bahia. Ainda hoje Obina é meu ídolo. Mas tinha esquecido que voltou no Flamengo em 2010, para apenas dois jogos, sem brilho. Fica outras memórias, por exemplo eu gostava do atacante nigeriano Obinna, só porque era um quase Obina. Em 2008, mudei a capa do jogo PES para ter uma especial do Obina. Na capa, na lombada, tinha só Obina, meu ídolo.
Obrigado Manoel, para todas as alegrias com você me deu com o manto sagrado.








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