Flamengo joga hoje contra Bahia no Maracanã. Os dois times estão no G-6, mas nem sempre foi o caso. Em 2003, para o primeiro Brasileirão dos pontos corridos, o momento era mais difícil. Flamengo estava no meio da tabela, no 14o lugar de um campeonato que tinha 24 times. Pior para o Bahia, 4 pontos atrás e na 19a colocação. O jogo valia ouro.
O time do Flamengo da época também era muito diferente daquele de hoje. Provavelmente um dos piores elencos da história do clube, com pouco talento. Para provar isso, basta anunciar a escalação completa para o jogo contra Bahia. Em 8 de agosto de 2003, o técnico Oswaldo de Oliveira escalou Flamengo assim: Júlio César; Rafael, André Bahia, Fernando, Anderson Alves; Fabinho, Fábio Baiano, Fernando Diniz, Felipe; Jean, Edílson. Do lado do Bahia, tinha no banco uma lenda do Flamengo, o grande Evaristo de Macedo.
Ao menos Flamengo tinha seus craques, Felipe, que vivia com as lesões, e Edílson, de volta ao Flamengo depois do grande ano de 2001. Nos dois primeiros jogos em 2003, Edílson deixou seu golzinho e Flamengo venceu os dois jogos. Porém, o Capetinha também tinha problemas de lesão e passou em branco nos 9 jogos seguintes! No Brasileirão de 2003, Felipe e Edílson disputaram apenas um jogo juntos até aqui, uma vitória contra Juventude. O jogo contra Bahia, time do estado natal de Edílson, parecia ideal para acabar com o jejum do atacante.
No Maraca, Flamengo dominou o início da partida. No dia seguinte, o Jornal do Brasil escreveu: “O time rubro-negro tomou logo a iniciativa das ações. Conduzido por Felipe, o time cercava a área do Bahia, sem conseguir, contudo, finalizar. Logo Evaristo de Macedo mandou Preto marcar Felipe em cima, para evitar que o meia acionasse os jogadores de frente. Não adiantou. Felipe continuou levando a melhor sobre a marcação com dribles em quem lhe aparecia pela frente […] O problema é que o Flamengo só tinha Felipe […] Dessa forma o Flamengo só podia mesmo chutar a gol no primeiro tempo de bola parada, resultante de faltas cometidas sobre Felipe”.
Numa falta cravada pelo Felipe, o lateral Anderson Alves quase fez o golaço. Bateu com muita força e a bola explodiu no travessão. Logo depois, outra falta do Flamengo, cravada e cobrada pelo Felipe. Claro, com mais classe e efeito, o Maestro bateu colocado, mas o destino foi igual: o travessão. Flamengo abriu o placar só nos acréscimos, com cabeceio do zagueiro Fernando. No intervalo, apesar da superioridade em campo, o Mengo tinha apenas um gol de vantagem.
O segundo tempo foi um show de bola. Logo no início da segunda etapa, os craques entraram em ação. Felipe fez o passe que quase ninguém tinha visto, um passe reservado aos craques, de visão absurda, de qualidade técnica também. Edílson recebeu, dominou e chutou, colocando a bola diretamente na gaveta. O futebol, quando é bem jogado, pode ser simples assim.
E Felipe continuou a brilhar, a exaltar a beleza do futebol. Jean fez a jogada de pivô para Felipe, que dominou de sola e achou o passe preciso, no espaço certo, no tempo certo também, para Edílson na direita. O Capetinha cruzou no chão e Rafael só teve a empurrar na rede para ampliar.
Dois minutos depois do terceiro gol, outro gol rubro-negro, que começou da mesma forma: nos pés mágicos do Felipe. O Maestro dominou a bola, esperou um pouco para fazer o drible seco e o passe preciso, no meio dos defensores. A bola chegou para Jean, que de novo jogou de pivô, atrás para Rafael. E a jogada rubro-negra acabou do mesmo jeito que o terceiro gol, com gol de Rafael, mas com muita mais classe. De primeira, Rafael encobriu o goleiro e assinou o golaço. E mais uma vez, o Maraca gritava o nome de Felipe, o cérebro do time e o iniciador das jogadas.
Quem iniciava as jogadas era Felipe e quem concluía era Edílson. Dois minutos depois do quarto gol, outro gol rubro-negro. Felipe cobrou o escanteio, Edílson cabeceou e marcou. Simples assim. No final do jogo, com Felipe já substituído, Anderson Alves driblou na esquerda e cruzou para Edílson. O baixinho baiano cabeceou mais uma vez e completou o hat-trick, fechou a goleada 6×0.
O Flamengo de 2003 não convenceu e nem sempre brilhou, bem longe disso, tomou um 0x5 contra Coritiba no jogo seguinte. Mas quando tinha craques em campo como Felipe e Edílson, a magia do futebol aparecia. Simples assim.







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