Jogos eternos #389: Flamengo 3×0 Deportivo Cali 1981

Flamengo joga hoje contra Independiente Medellín, um adversário que enfrentou apenas uma vez na história, um amistoso em 1964. Para o jogo eterno do dia, eu vou então de um outro time colombiano, mais tradicional, na sagrada Libertadores de 1981.

Disputando pela primeira vez a Copa Libertadores em 1981, Flamengo ficou invicto na fase de grupos e se classificou depois do polêmico jogo contra o Atlético Mineiro. A semifinal era disputada com dois grupos de três times cada. E Flamengo estreou com duas vitórias fora de casa, contra o Deportivo Cali e o Jorge Wilstermann. De volta ao Brasil, Flamengo precisava da vitória contra o Deportivo Cali para se classificar na final com um jogo de antecedência. Em 23 de outubro de 1981, o técnico Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: Raul; Leandro, Figueiredo, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Chiquinho, Baroninho, Nunes.

Até aqui, Zico tinha feito 5 gols na competição: dois gols na ida contra Cerro Porteño, e três gols na volta, num jogo já eternizado no blog, em que Zico ainda fez uma assistência para Baroninho. Porém, nos quatro jogos seguintes da Liberta, Zico passou em branco. Nosso Rei tinha fome de gol. E no Maraca contra Cali, com apenas 10 minutos – sim 10, o ponta-direita Chiquinho passou para o lateral Leandro na direita. Com o olhar cirúrgico e o pé mágico, Leandro cruzou para Zico, que dominou de peito e chutou na sequência, embaixo do travessão, sem chance para o goleiro. Golaço de nosso eterno camisa 10.

O time colombiano reclamou bastante de um impedimento de Zico, que, devemos conceder, parecia realmente existir. Mesmo assim, o juiz confirmou o gol. Porém, a reclamação entrou na cabeça do bandeirinha. Nos minutos seguintes, marcou um impedimento inexistente de Zico, em boa posição de fazer o gol, e logo depois, apitou outro impedimento no gol de cabeça de Nunes, erradamente anulado. Ainda no primeiro tempo, Zico bateu bem uma falta, a bola foi na direção da gaveta, mas o goleiro colombiano fez a grande defesa.

No segundo tempo, o ponta-esquerda Baroninho passou para o lateral Júnior na esquerda. Com o olhar cirúrgico e o pé mágico, Júnior cruzou para Chiquinho, que cabeceou e venceu Valencia. No final do jogo, uma falta para o Mengo, com 25 metros de distância, bem no meio do gol. Para Zico, um meio gol. Zico bateu bem a falta, a bola foi embaixo do travessão. O goleiro falhou e deixou a bola entrar. Gol de Zico, mais uma vez o grande nome do jogo.

Flamengo estava na final, graças a um doblete de Nosso Rei. Ainda faltavam outros dois dobletes de Zico na final e um golaço de falta para chegar no topo da América.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”