
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #364: Santos 0x1 Flamengo 1980

Flamengo reestreia hoje no Brasileirão, com um novo calendário, o campeonato nacional começando agora já no início do ano. O palco é o Morumbi e o adversário é São Paulo. Há pouco tempo lembrei da estreia do Brasileirão de 1982, também contra São Paulo, mas no Maracanã, com virada do Mengo e show de Zico. Para o jogo eterno do dia, eu fico no Morumbi mas troco de adversário, Santos, para outra estreia de um Brasileirão, também vencido pelo Flamengo no final. E mais uma vez, com Zico decisivo.
Em 1980, Flamengo ainda não tinha conquistado o Brasileirão na sua história. E como é o caso hoje, teve mudança do calendário, fechando o ano de 1979 com o Brasileirão, começando 1980 com o nacional também. Flamengo vinha de uma decepção, com eliminação dura contra Palmeiras no Maraca. Ao menos, isso é diferente em 2026. Menos de três meses depois, Flamengo estava de volta no Brasileirão, agora no Morumbi, contra Santos. Em 24 de fevereiro de 1980, o técnico Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim: Raul; Carlos Alberto, Marinho, Rondinelli, Júnior; Andrade, Carpegiani, Zico; Reinaldo, Adílio, Tita.
No Morumbi, o Flamengo dominou o início da partida. Por pouco, Reinaldo e Adílio não abriram o placar. Aos 20 minutos de jogo, Reinaldo roubou a bola nos pés de João Paulo, aplicou um drible de vaca sobre Neto e serviu Zico. O craque e camisa 10 não perdoou, de primeira chutou firme e colocado, sem chance para o goleiro. Flamengo fazia o primeiro e quase fez mais, com Zico iniciando jogadas brilhantes. Porém, os outros jogadores, principalmente Tita improvisado como centroavante, não concluíram. No intervalo, um gol de vantagem só para o Mengo.
No segundo tempo, Santos reagiu, principalmente com Nílton Batata, que teve duas boas oportunidades. O goleiro Raul impediu o empate. O técnico rubro-negro Cláudio Coutinho também reagiu. “Substituiu Tita por Carlos Henrique e o Flamengo ficou melhor do que estava. Carlos Henrique passou a jogar bem aberto na ponta esquerda e Adílio caiu para o meio dando mais apoio ao meio de campo”, escreveu o Jornal dos Sports. Assim, o Flamengo controlou o jogo e conseguiu a vitória por um gol de vantagem. “A vitória acabou sendo justa, embora o resultado não diga o que foi o jogo. O Flamengo esteve sempre melhor que o Santos e perdeu a grande oportunidade de golear o adversário”, prosseguiu o Jornal dos Sports.
Por sua vez, o Jornal do Brasil concluía sua matéria assim: “Flamengo mostrou no ‘quadrado’ de Coutinho, que tem um novo esquema, mas que precisa reforçar sua defesa e conseguir um centroavante, já que Tita, deslocado para a posição, pouco fez”. Flamengo começava bem o Brasileirão, compraria o artilheiro das decisões Nunes, e fecharia ainda melhor o campeonato.
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Jogos eternos #363: Flamengo 2×0 Bahia 2018

Agora é oficial, Lucas Paquetá entrou na trend “2026 é o novo 2016” e está de volta ao Flamengo. Uma contratação de grande valor, tanto em dinheiro quanto em futebol. Lucas Paquetá ainda tinha muito mercado para jogar na Europa. A atitude do jogador foi decisiva para deixar as libras inglesas e voltar no Maior do Mundo. Prevaleceu o amor rubro-negro.
Para festejar a volta, pensei inicialmente em eternizar um jogo na Arena Corinthians, com vitória 3×0 do Mengo, dois gols de Lucas Paquetá. Porém, faltava na equação o Maracanã, a Nação. Assim, eu vou de um jogo no Maraca, contra Bahia, no início do Brasileirão de 2018. Lucas Paquetá tinha acabado de ser anunciado na lista dos reservas para a Copa do Mundo. Para mim, era o melhor jogador do Brasil da atualidade e merecia uma vaga nos 23 convocados. Não aconteceu, o futebol de Lucas Paquetá ficou no Flamengo, no Maior do Mundo.
Na rodada anterior ao jogo contra Bahia, Flamengo venceu o Atlético Mineiro, um jogo já eternizado no Francêsguista, e tomou a liderança. Na quarta-feira seguinte, São Paulo venceu Botafogo e dormiu na liderança. Flamengo precisava vencer Bahia para retomar seu lugar. Em 31 de maio de 2018, tarde de sol no Rio de Janeiro, o técnico Maurício Barbieri escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rodinei, Léo Duarte, Rhodolfo, Renê; Jonas, Lucas Paquetá, Diego; Éverton Ribeiro, Vinícius Júnior, Henrique Dourado.
No Maracanã lotado com mais de 50 mil, o primeiro lance de perigo foi justamente para Lucas Paquetá. Num passe de Diego, o meia chutou de longe, no meio do gol, o que permitiu a defesa do goleiro. Logo depois, Lucas Paquetá fez bom lançamento para Vinícius Júnior, que cruzou. Jonas não ajustou bem o chute e a bola passou em cima do travessão. Paquetá vivia uma grande fase, num cruzamento da esquerda, dominou de peito, aplicou um chapéu e tentou uma bicicleta. Faltou um pouco de força para fazer o golaço. Na metade do primeiro tempo, ainda Lucas Paquetá, agora de cabeceio num escanteio de Diego. O goleiro desviou no travessão e impediu a abertura do placar. No Maraca, era Flamengo só, quase só Paquetá.
Faltando cinco minutos para o intervalo, Diego fez uma incursão na defesa baiana e deixou para Renê. O lateral errou no chute, o que se transformou em uma tabelinha com Diego. No domínio, Diego enganou o goleiro e só teve a empurrar a bola nas redes para abrir o placar. Nos acréscimos do primeiro tempo, Henrique Dourado fez o passe atrás para Lucas Paqueta. O meia dominou, deixou para Renê e já chamou a bola de volta na frente do gol. Agora o lateral não errou e completou a tabelinha no espaço certo. De cavadinha, Lucas Paquetá fez o golaço e foi comemorar com a Nação. Teve dancinha, Maraca lotado, golaço de Paquetá. Agora sim, a festa era completa.
No início do segundo tempo, Vinícius Júnior, outro craque da base que precisa voltar em casa, inflamou ainda mais o Maracanã com várias pedaladas na frente de João Pedro. O segundo tempo ficou mais equilibrado, com maior lance para o Bahia. Diego Alves, que vestia a camisa amarela dos grandes goleiros do Flamengo, fez uma dupla defesa na frente de Zé Rafael e depois Élber. A vitória era do Mengo, a liderança também. A festa era no Maraca, comandada pela dancinha de Lucas Paquetá. Infelizmente, Flamengo perdeu um pouco o folego no resto do Brasileirão e Lucas Paquetá não conseguiu a grande conquista que merecia com seu clube de coração. Agora o livro rubro-negro de Paquetá está reaberto.
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Jogos eternos #362: Flamengo 2×0 Fluminense 2012

De volta com os titulares, Flamengo venceu Vasco e já se recuperou no campeonato carioca. Agora é vencer outro clássico, o Fla-Flu, para se aproximar das quartas de final. Em 2012, Flamengo começou a segunda fase do campeonato carioca, a Taça Rio, com uma derrota contra Boavista. Se recuperou vencendo Duque de Caxias e enfrentou Fluminense para confirmar.
O Fla-Flu, o primeiro do ano do centenário do Flamengo, tinha muitos desfalques. Com jogo de Libertadores na quarta, o técnico tricolor Abel Braga poupou os principais jogadores, Deco, Thiago Neves e Fred. Do lado do Flamengo, tinha também a Libertadores chegando, e vários jogadores lesionados: Felipe, Léo Moura, Aírton, Willians, Camacho e Maldonado. O Renato Abreu tinha um problema no coração e Botinelli estava suspenso. Assim, em 11 de março de 2012, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Paulo Victor; Rafael Galhardo, Marcos González, David Braz, Magal; Muralha, Luiz Antônio, Kléberson, Thomás; Ronaldinho, Vágner Love.
Antes do apito inicial, o Fla-Flu já tinha dois personagens rubro-negros. O craque mágico de sempre, Ronaldinho, com um tabu que incomodava. Em 11 clássicos cariocas com o Manto Sagrado, Ronaldinho ainda não tinha feito sequer um gol. E tinha também o craque mais esforçado, igualmente pentacampeão em 2002, Kléberson. O meia brilhou no Flamengo no final da década de 2000, alcançando o bicampeonato carioca, o primeiro sob o comando de Joel Santana, e o Brasileirão de 2009. No início de 2011, perdeu espaço no time e foi mandado embora pelo Vanderlei Luxemburgo. Voltou ao Flamengo em 2012, mas não fez sequer um jogo, nem foi inscrito na Copa Libertadores e quase rescindiu. Finalmente, com tantos desfalques no meio de campo, Kléberson foi escalado no Fla-Flu pelo Papai Joel.
No Engenhão – o Maracanã estava com obras – Fluminense começou melhor, mas Paulo Victor fez a primeira de muitas defesas. Flamengo reagiu com Kléberson, que chutou fraco, permitindo a defesa de Diego Cavalieri. Na metade do primeiro tempo, o Ronaldinho Gaúcho apareceu. No meio do campo, abriu na direita e fez uma dupla tabelinha com o lateral-direito Rafael Galhardo, escalado no lugar de Léo Moura. Carleto fez uma falta desnecessária e o juiz marcou pênalti. Na cobrança, Ronaldinho chutou firme e pegou Cavalieri no contrapé. Finalmente, o Bruxo deixava sua magia num clássico carioca.
Quatro minutos depois, o lateral-esquerdo Magal, escalado no lugar de Júnior César, impediu a saída de bola e cruzou na segunda trave. Kléberson recuperou, chutou cruzado e venceu Cavalieri. O agora camisa 30 se tornava mais um personagem efêmero do eterno Fla-Flu. Ainda no final do primeiro tempo, Ronaldinho deu um pisão sobre Wagner. Já tinha recebido um cartão amarelo severo no início do jogo e foi expulso. O Bruxo estava fora, o Fla-Flu se tornava mais difícil e icônico. Precisava de um outro personagem rubro-negro.
E o herói do Fla-Flu se vestiu tudo de branco, calçava luvas. Ainda no primeiro tempo, o goleiro Paulo Victor, escalado no lugar de Felipe, fez defesaça num chute de longe de Carleto. Fez outra defesa milagrosa na frente de Jean, sozinho na grande área. O goleiro até levou os braços no céu. Tinha a proteção do profeta. Em 1963, o grande tricolor Nelson Rodrigues anunciava, pelo meio do profeta, a vitória do Fluminense no Fla-Flu decisivo. E Flamengo foi campeão, com grande atuação do goleiro quase desconhecido Marcial. Depois do título rubro-negro, escreveu Nelson Rodrigues: “ Amigos, ao terminar o grande Fla-Flu, o profeta tratou de catar os trapos e saiu do Maracanã, mas de cabeça erguida. Era um vencido? Jamais. Vencido, como, se temos de admitir esta verdade límpida e clara – o Fluminense jogou mais […] Marcial andou fazendo intervenções decisivas, catando bolas quase perdidas. Amigos, eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta só pode responder: – ‘Pior para os fatos!’”.
No segundo tempo, com um a mais em campo, Fluminense cresceu no jogo. E Paulo Victor foi gigante, com intervenções decisivas, na frente de Rafael Moura, nos chutes de longe de Diguinho e Leandro Euzébio. Flamengo lutou, resistiu e venceu. Repetia o profeta os fatos: com ídolos eternos e heróis improváveis, o Fla-Flu se veste de vermelho e negro.
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Jogos eternos #361: Flamengo 1×0 Vasco 2005

Flamengo conseguiu apenas um ponto nos três primeiros jogos do campeonato carioca, saindo de uma derrota no Raulino de Oliveira. Já falam de um risco de rebaixamento, a meu ver de forma exagerada. Ainda tem três jogos na primeira fase para se reerguer e chegar às quartas de final. Começa hoje, contra quem sabe de rebaixamento, Vasco.
A luta contra a queda era bem mais intensa e assustadora no Brasileirão de 2005. Flamengo começou o campeonato nacional com duas vitórias, três empates e já seis derrotas antes de enfrentar Vasco. Flamengo estava no Z-4, junto com o Vasco. Assim o jogo foi nomeado o “Clássico dos desesperados”. Flamengo estava numa fase bem ruim, pior ainda nos clássicos. Não vencia um clássico desde a final do campeonato carioca de 2004, vencida contra Vasco com 3 gols de Juan. Desde então, foram seis empates, cinco derrotas e nenhuma vitória.
Para o Clássico dos desesperados, em 17 de julho de 2005, o técnico Celso Roth escalou Flamengo assim: Diego; Léo Moura, Henrique, Júnior Baiano, Rodrigo Arroz; Da Silva, Augusto Recife, Souza, Renato Abreu; Juan, Obina. Como era de esperar, o jogo foi ruim, com poucos lances perigosos, muitos chutes bem longe do gol. Aos 35 minutos, o meia Souza, que fazia sua estreia no Flamengo, chutou de longe. A bola foi desviada por Ciro e enganou o goleiro vascaíno para fechar sua trajetória na gaveta.
Apesar do gol do Flamengo, jogo continuou fraco, sem muito perigo de gol. Júnior Baiano, que tinha feito um gol contra improvável no jogo anterior contra São Paulo, quase repetiu a dose, a bola escapando milagrosamente do gol, Júnior Baiano implorando o céu. Léo Moura, um quase estreante – era apenas o sexto jogo dele com o Manto Sagrado – quase fez, mas parou na trave. O gol de Souza era suficiente para a alegria da torcida, o alívio rubro-negro. Flamengo voltava a vencer depois de 7 jogos, acabava com o jejum nos clássicos, saía do Z-4. O Vasco sempre é o adversário ideal para sair de uma crise.
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Jogos eternos #360: Volta Redonda 1×3 Flamengo 1997

Com um empate e uma derrota no campeonato carioca, Flamengo já tem obrigação de vencer hoje o Volta Redonda no Raulino de Oliveira. Em 1997, também era o caso. Flamengo ficou fora da final da Taça Guanabara por um pontinho a menos que Vasco. Na Taça Rio, começou mal, com dois empates contra Botafogo e Madureira, o que foi o fim da linha para o técnico Júnior.
O novo técnico Sebastião Rocha estreou com um 1×1 contra Internacional na Copa do Brasil, gol de Romário. De volta ao campeonato carioca, o Mengo perdeu o Fla-Flu 3×2 apesar de dois gols de Romário. A vitória contra Volta Redonda era obrigação. Em 22 de abril de 1997, o técnico Sebastião Rocha escalou Flamengo assim: Fábio Noronha; Marcelo Ribeiro, Júnior Baiano, Juan, Athirson; Jamir, Maurinho, Evandro, Lúcio; Sávio, Romário.
No Raulino de Oliveira, a situação se complicou ainda mais para o Mengo logo no início da partida. Com apenas dois minutos, Volta Redonda abriu o placar graças a um gol de Ângelo. Flamengo reagiu com seu artilheiro de sempre, Romário. O Baixinho recebeu, dominou de peito, tabelou, chutou cruzado, sem chance para o goleiro. Ainda no primeiro tempo, Flamengo virou com um golaço de falta do zagueiro Júnior Baiano, que achou a gaveta do goleiro.
No segundo tempo, mais uma falta de Júnior Baiano, que agora achou Romário. O Baixinho dominou mais uma vez de peito, tirou um zagueiro com dois dribles secos sensacionais, fintou mais um e colocou a bola no fundo da rede. Simples assim. Romário fazia seu 17o gol em 15 jogos e se tornaria mais uma vez o artilheiro da competição. O Flamengo venceu no Raulino, mas nem foi até o final do campeonato. Com falta de datas por causa da Copa dos campeões e do início do Brasileirão, Fla brigou com a federação carioca e desistiu do torneio estadual.
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Jogos eternos #359: Bangu 2×5 Flamengo 2002

Flamengo joga hoje contra Bangu no mítico estádio da Moça Bonita. O Mengo não tinha jogado lá contra o alvirrubro desde 2002, uma derrota 2×1, aliás o último revés do Flamengo contra Bangu. Para o jogo eterno do dia, eu vou então do penúltimo jogo, um mês antes.
A competição não era o campeonato carioca, mas o Torneio Rio – São Paulo, que vivia em 2002 sua 25a e última edição. Também foi a edição com o maior número de participantes, 16 times, 9 de São Paulo e 7 de Rio de Janeiro. Na fase final, os quatro participantes eram paulistas, o que evidenciou a crise do futebol carioca. De fato, Flamengo começou muito mal a competição com dois empates, cinco derrotas e nenhuma vitória!
O rubro-negro se recuperou, vencendo o Corinthians no Maracanã e o America, já na Moça Bonita. Três dias depois, Flamengo estava de novo no campo de Bangu agora para enfrentar o time local. Em 20 de março de 2002, o técnico João Carlos escalou Flamengo assim: Júlio César; Maurinho, Juan, Fernando, Athirson; Felipe Melo, Leandro Ávila, Beto, Juninho Paulista; Andrezinho, Leandro Machado.
Jogo começou mal para o Flamengo e aos 11 minutos, Renatinho abriu o placar para Bangu, quase sem querer. Flamengo reagiu rapidamente, Beto fez uma incursão na defesa alvirrubra e achou Juninho Paulista que, de primeira e com a ajuda da trave, empatou. Beto também iniciou o gol da virada com uma falta perigosa. O goleiro falhou, no rebote Felipe Melo chutou, bola quicou no travessão, de novo Felipe Melo, com cabeceio no gol vazio. No final do primeiro tempo, Juninho Paulista aproveitou da apatia da defesa para fazer seu segundo gol do dia. O Flamengo estava muito perto da vitória.
Como no primeiro tempo, Bangu começou melhor a segunda etapa e chegou ao gol, graças a Léo Guimarães. Mas a esperança banguense foi curta. De novo Beto iniciou uma jogada decisiva, com bola para Andrezinho, que recolocou Flamengo com dois gols de vantagem. E dois viraram três, Andrezinho achou Juninho Paulista, que abriu o pé, de novo de primeira, para achar o outro canto, completar o hat-trick e fechar a goleada. Na Moça Bonita, o dono era o Mengo.
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Jogos eternos #358: Flamengo 2×1 Portuguesa-RJ 2022

Flamengo estreia hoje na temporada, marcada pelo novo calendário do futebol brasileiro. O campeonato carioca tem agora menos data. Acho uma boa iniciativa, com um torneio muito desequilibrado e que não tem o prestígio de antes. O que não muda é Flamengo começar a temporada com o time sub20.
O calendário cada vez mais cheio, o Flamengo chegando longe nas competições, faz anos que o clube estreia o campeonato carioca com seus garotos da base. Em 2022, já era o caso, e Flamengo já começava o torneio contra a Portuguesa. Até o treinador mudava. Em 26 de janeiro de 2022, o técnico Fábio Matos escalou Flamengo assim: Matheus Cunha; Wesley, Cleiton, Gabriel Noga, Marcos Paulo; Igor Jesus, Yuri, Matheus França; Lázaro, Thiaguinho, André Luiz.
No estádio Luso-Brasileiro, casa da Portuguesa e antiga casa do Flamengo, o jogo se animou nos primeiros minutos. O centroavante André Luiz pegou a bola e desequilibrou a defesa da Lusa, conseguindo o pênalti. Na cobrança, Lázaro pegou o goleiro no contrapé e abriu o placar. Do outro lado, o goleiro Matheus Cunha também brilhou, com uma defesa sensacional com o pé. Cada time teve seus momentos no primeiro tempo, que acabou com um gol de vantagem para o Mengo.
E Flamengo fez o segundo gol no início do segundo tempo. Thiaguinho cruzou, o goleiro Carlão desviou, Lázaro pegou de voleio, com rebote, no fundo das redes. Num escanteio, Sánchez descontou, mas não impediu a vitória rubro-negra, o brilho de Lázaro, grande nome do jogo. Lázaro ainda não vingou no futebol, muito menos no Flamengo. Já no meio do ano de 2022, foi vendido por 7 milhões de euros ao Almería, time da Espanha, onde não se firmou. O Flamengo ainda tem muitos garotos no Ninho para brilhar com o Manto Sagrado.
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Jogos eternos #357: Flamengo 3×2 São Paulo 1961
Antes da nova temporada, volto para um jogo aniversário que completa hoje 65 anos. A competição era amistosa, com uma única edição, mas com cara de Copa Libertadores. Com sedes em Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Montevidéu, o Gran Torneo Internacional de Verano, idealizado pelo presidente do Boca Juniors, Alberto Jacinto Armando, teve oito participantes: Flamengo, Vasco, São Paulo, Corinthians, Boca Juniors, River Plate, Nacional, Cerro. Apenas a ausência de Peñarol e Santos impede o torneio de ser o mais prestigioso possível.
Flamengo estreou bem na competição com vitória sobre o Corinthians no Pacaembu, um jogo já eternizado no Francêsguista. Os três outros jogos da rodada acabaram em empate e assim o Flamengo já era o líder isolado do torneio. De volta ao Maracanã, jogava contra São Paulo, que na estreia cedeu um empate 2×2 contra Vasco depois de vencer 2×0.
Para Flamengo, a dúvida era a presença de Dida, que tinha uma lesão na coxa. Finalmente, o ídolo rubro-negro, que tinha feito um gol no jogo anterior, foi confirmado. Em 7 de janeiro de 1961, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: Ari; Joubert, Bolero, Jadir, Jordan; Carlinhos, Gérson; Luís Carlos, Babá, Dida, Henrique Frade. Do lado do São Paulo, tinha alguns veteranos no time como o goleiro Poy e o elegante lateral-direito De Sordi, além de uma lenda do Flamengo no banco: o técnico Flávio Costa.
No Maracanã, São Paulo começou melhor. Aos 8 minutos de jogo, Paulo aproveitou de uma dupla falha do zagueiro Bolero e do goleiro Ari para abrir o placar. No restante do primeiro tempo, Flamengo tinha a bola, sem saber o que fazer. Até o grande locutor Oduvaldo Cozzi se desesperou: “Esse ataque do Flamenga está fazendo tricot, não, ponto de cruz. Aliás, não sei o que, mas a verdade é que está bordando demais”. A situação piorou para Flamengo com a lesão de Jadir, substituído por Nelinho. Ainda no primeiro tempo, Moacir entrou no lugar de Luís Carlos e iniciou a jogada do empate: Moacir para Henrique, para Gérson, para Dida, para Babá. “Babá, ao receber livre, chutou forte, cruzado e rasteiro. Poy pulou para a direita mas a bola entrou pela esquerda numa falha do goleiro, que ainda tentou defender com o pé, mas não conseguiu”, escreveu no dia seguinte o Jornal do Brasil.
No segundo tempo, o jogo mudou. Agora o relato do Diário da Noite: “A fisionomia da partida foi inteiramente mudada. O Flamengo deu ‘show’, reagiu sensacionalmente e passou de dominado a dominador”. Flamengo teve duas oportunidades com Babá e Dida, mas Poy fez grandes defesas. “Pressão espetacular do Flamengo. Defesa espetacular de Poy”, escreveu o Jornal dos Sports. Flamengo era espetacular, Poy também, Dida ainda mais. Agora a palavra para o Jornal do Brasil: “Dida recebeu uma bola na entrada da área, matou-a no peito, invadiu, ultrapassando Geraldo e Gérsio, e com chute espetacular, venceu Poy”.
Apenas três minutos depois, o juiz uruguaio marcou um pênalti polêmico para o São Paulo. “Flamengo lutou contra o São Paulo e o juiz”, escreveu o Diário de Notícias, quando o Diário da Noite julgou que o juiz era “muito confuso e prejudicando visivelmente o conjunto carioca”. Dino aproveitou do presente e empatou mais uma vez no jogo. Flamengo pressionou para conseguir uma segunda vitória na competição. No final do jogo, o pequeno Babá “deu violento chute de primeira, que passou a meia altura, pela esquerda de Poy, rumo ao fundo das redes”. Graças a sua dupla de baixinhos Dida – Babá, Flamengo vencia mais um e seguia isolado na liderança. Vinte dias depois, Flamengo derrotava Cerro no Centenário e levantava a taça inédita.
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Jogos eternos #356: Flamengo 4×0 Paysandu 1916
Começa um ano novo com a esperança de muitas vitórias e taças rubro-negras. É assim desde 100 anos, até mais. Já em 1916, o Flamengo tinha sua grandeza e sua galeria de troféus. Como em 2026, era o então bicampeão carioca. E o futebol do Flamengo, a torcida também, já iam além dos limites do Rio de Janeiro.
Em 1916, para os 300 anos da cidade de Belém, o carioca Eduardo Pessoa, um dos fundadores do Paysandu de Belém, convidou o Flamengo para uma excursão. Flamengo era gigante já na fundação, com vários jogadores oriundos do Fluminense, time campeão do carioca de 1911. Faltava para o Flamengo o título carioca, que só veio em 1914. Um ano depois, Flamengo foi bi, agora de maneira invicta. E o prestígio do clube só aumentou. Escreveu o jornal paraense Estado do Pará para a chegada da delegação do Flamengo na cidade: “Os players que hoje deverão pisar em terras paraenses, além de representar o expoente máximo do ‘football’ carioca, como campeões que são do Rio de Janeiro, em dois anos sucessivos, constituam como que uma seleção da mais fina mocidade da capital da República”.
Flamengo já tinha jogado fora do Rio de Janeiro, no Paraná em 1914 e um jogo em São Paulo em 1915. Mas pela primeira vez jogava no Norte e criava laços indestructíveis com essa região do Brasil. Depois de uma viagem de nove dias, a delegação foi recepcionada calorosamente em Belém por 2 mil paraenses, inclusive o governador do Pará, Enéas Martins, e o prefeito de Belém, Antônio Martins Pinheiro. Já no primeiro jogo, ainda no final do ano de 1915, Flamengo conquistou um troféu, a Taça Jornal Folha do Norte, goleando uma seleção paraense por 5×1. Harry Welfare foi o destaque do jogo, com 3 gols.
Na verdade, Harry Welfare nem jogava no Flamengo. Era jogador do Fluminense, um quase irmão do Flamengo. Era o melhor jogador do Brasil, até hoje o sexto artilheiro da história do Fluminense. Inglês nascido em 1888, jogou no Liverpool e veio ao Brasil em 1913 como professor no Gymnasio Anglo-Americano. Centroavante ambidestro de 1,90 m, era conhecido como o Tanque inglês e foi artilheiro do campeonato carioca em 1915. No mesmo ano, foi um dos destaques na vitória 5×2 da seleção carioca, a primeira da história sobre a seleção paulista. Escreveu Mário Filho no seu clássico livro O Negro no futebol brasileiro: “Era como se o Fluminense estivesse usando uma arma proibida. Os outros clubes de espada, o Fluminense de revólver, de metralhadora”.
E para a excursão no Pará, Flamengo conseguiu ter a metralhadora tricolor. Welfare não decepcionou. Na estreia, três gols. Flamengo jogou de novo contra a seleção paraense, já no 1o de janeiro de 1916. De novo, Welfare fez um gol no empate 1×1. Assim, um outro jogo foi marcado para designar o campeão da taça do tricentenário de Belém. Antes disso, teve um jogo contra o Paysandu local, com disputa do Troféu Artístico.
Antes do jogo, o clima era de amizade. Escreveu o jornal Estado do Pará no dia do jogo: “O Paysandu Sport Club, querendo manifestar o mais frisante testemunho de sua forte amizade aos players da Delegação Flamenga, dando mostras, assim, de superior espírito de camaradagem que sabe cultivar como sportsmen da envergadura dos distintos moços que nos visitam, adquiriu um valioso brinde que ofertará hoje, no intervalo dos halftimes, ao captain-geral e representante do Clube de Regatas do Flamengo, sr. Emmanuel Nery”. Em 3 de janeiro de 1916, o técnico, ou melhor, o captain-geral Emmanuel Nery, escalou Flamengo assim: Baena; Píndaro, Nery; Cuthbert, Coriolano, Gallo; Antonico, Juvenal, Welfare, Batista, Paulo Buarque.
Outra época do futebol, dos meios de comunicação também, bem do mundo em geral, há poucas informações nos jornais cariocas sobre a partida, demorando alguns dias para chegar até a capital. “Quinta-feira última a equipe carioca encontrou-se com a do Paysandu, o club campeão do Pará, derrotando-a por 4 goals a nihil, marcados dous por Welfare, um pelo Gallo e outro por Paulo Buarque”, escreveu a Gazeta de Notícias, quando o relato do Jornal do Brasil foi assim: “O ‘match’ foi bom, porém, fraco, vencendo com facilidade o Flamengo por 4×0”. Com a ajuda preciosa do Celso Júnior, dono do incrível site Flaestatísticas, é possível ter os minutos dos gols, todos no primeiro tempo: Paulo Buarque aos 10 minutos, Welfare aos 16, de pênalti, e aos 22, e Gallo aos 37. Ainda é possível dizer que Flamengo jogava com a antiga e polêmica camisa Cobra-Coral, que vivia seus últimos meses por causa da Grande Guerra e da semelhança com a bandeira alemã. Um outro mundo, mas já com Flamengo gigante.
Voltando ao Tanque inglês, Harry Welfare não jogou o quarto jogo da excursão, contra Remo. “A falta de Welfare na linha desequilibrou o ataque formidável dos cariocas. Incontestavelmente, esse extraordinário player é o eixo dessa poderosa linha e a garantia do ‘team’”, julgou O Estado do Pará. Mesmo sem Welfare, Flamengo venceu 3×2 e conquistou mais um troféu, a Taça Clube do Remo. Flamengo ainda levou a Taça Bancada Paraense no Congresso, com vitória 2×0 sobre a seleção paraense. O último jogo aconteceu em 9 de janeiro de 1916 e foi interrompido por causa da chuva. Sem tempo para continuar o jogo, a Taça Tricentenário do Belém foi oferecida aos visitantes, Flamengo. A delegação rubro-negra voltou ao bordo do navio Brasil e foi recebida no Palácio do Catete pelo prefeito carioca Rivadávia da Cunha Correia. Com quatro taças e recepções calorosas, Flamengo começava a escrever sua história de amor com o Norte do Brasil.
Para fechar, mais umas linhas sobre Harry Welfare. Depois da excursão, o Tanque inglês voltou ao Fluminense, onde foi tricampeão carioca entre 1917 e 1919. Ainda conquistou o campeonato carioca de basquete em 1924. Depois, se tornou ídolo do Vasco, agora como técnico, onde conquistou três vezes o campeonato carioca. Treinou o clube durante mais de 10 anos, dirigindo lendas como Jaguaré, Domingos, Fausto e Leônidas. E com quatro taças, cinco jogos e seis gols, Harry Welfare foi, durante uma excursão no Pará, um ídolo do Flamengo, vestindo o Manto Sagrado, ainda de Cobra-Coral.
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Jogos eternos #355: Flamengo 2×1 Independiente 1939
Antes de fechar um ano de glórias, volto bem atrás no tempo, em 1939. Também foi um ano de glórias para o Flamengo, conquistando o campeonato carioca depois de 12 anos na fila. Também era uma época conhecida como platinismo, com um complexo de inferioridade em relação aos argentinos. O complexo de ‘vira-latas’ piorou com a derrota 5×1 em pleno São Januário na Copa Roca, com gol de “honra” de Leônidas, maior craque e ídolo do Brasil e do Flamengo. Explica Roberto Sander no seu excelente livro Anos 40: viagem à década sem Copa: “Esse resultado gerou um trauma que acompanhou a seleção por boa parte da década de 1940. Tínhamos um colossal complexo de inferioridade. Víamos os argentinos como europeus”.
Não por acaso o Flamengo contratou vários craques argentinos, até jogadores comuns, nessa época. Entre 1937 e 1944, nada menos que 22 jogadores argentinos vestiram o Manto Sagrado, com destaque para Volante, Valido e González. Também não por acaso o Independiente, campeão argentino de 1939, foi convidado para uma excursão no Brasil no final do ano. Em 24 de dezembro de 1939, venceu Flamengo por 4×3, um jogo eternizado no blog apesar da derrota, com estreia de Zizinho e golaço de bicicleta de Leônidas. Uma semana depois, uma revanche foi marcada no São Januário, casa do Vasco em particular e do futebol brasileiro em geral.
A derrota do Flamengo no primeiro jogo sobre Independiente foi considerada injusta pela imprensa carioca. Assim, uma ‘revanche’ foi marcada, inicialmente em 1o de janeiro de 1940, finalmente um dia antes, ou seja, um ano antes. Escreveu o Correio da Manhã: “Revanche é um modo de dizer. O que os donos da temporada queriam era outro jogo em que o rubro-negro participasse porque é um gremio de maior torcida da cidade. Pensaram que era só chamar os teams a campo e a população inteira correria para ver o cotejo”. Em 31 de dezembro de 1939, o técnico Flávio Costa escalou Flamengo assim: Yustrich; Domingos, Newton Canegal; Artigas, Jocelino, Médio; Sá, Zizinho, Jarbas, González, Leônidas.
No São Januário, Flamengo precisou de apenas quatro minutos para impor sua superioridade sobre os argentinos. “Jarbas cobrou bem um corner concedido por Lecéa, e González, saltando com o zagueiro portenho, cabeceou firme para assinalar o primeiro goal do Flamengo”, escreveu no dia seguinte o Jornal dos Sports. E Flamengo continuou a dominar o jogo, impor seu ritmo, seu futebol. Agora a palavra para a Gazeta de Notícias: “Sucedem-se os ataques, e doze minutos após, Zizinho de posse do couro, dá a Leônidas que driblando toda a defesa obtem o segundo goal do Flamengo”. O Mengão tinha nas mãos uma dupla de ouro, com os dois principais jogadores de duas épocas distintas, mas infelizmente, foi pouco aproveitada em campo.
Outro lamento, agora de um dia só, era a possível goleada sobre Independiente, que finalmente não chegou. No segundo tempo, Flamengo sentiu tanto o desfalque do insuperável Domingos na zaga, como depois do argentino González na frente. Leônidas também se machucou, mas ficou em campo. O juiz argentino não viu um pênalti óbvio sobre Leônidas e o Independiente passou a ter mais controle do jogo, ainda sem brilhar. Yustrich impediu com brilho um gol de Zorila, mas finalmente foi vencido por Martinez.
“Nítida e indiscutível vitória do Flamengo sobre o Independiente por 2×1” manchetou a Gazeta de Notícias. O Globo Sportivo foi além: “A campanha do Independiente em canchas cariocas veio alterar, profundamente, uma ideia que se formara após a disputa da Copa Roca – a respeito do futebol argentino. Supunha-se antes que, dificilmente o campeão da AFA experimentaria um revés em toda a temporada internacional. O que sucedeu foi o contrário. Desiludiu o Independiente”. Talvez o futebol brasileiro ainda não era melhor que o futebol argentino. Mas o campeão carioca Flamengo, com seus craques do quase passado Domingos e Leônidas, com seu craque do já presente Zizinho, era melhor que o campeão argentino. E com os craques do futuro, o Flamengo será o Maior do Mundo.
Acabava assim um ano, uma década, num mundo em guerra. “Há no Flamengo esta predestinação para ser, em certos momentos, uma válvula de escape às nossas tristezas”, escreveu uma vez José Lins do Rego. O eterno Nelson Rodrigues escolheu a felicidade: “A alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda ou mais dilacerada, ou mais santa, só sei que é diferente”. O Flamengo, campeão ou não, sempre foi o dono do Rio de Janeiro, só por causa da torcida. E já era o caso nos primórdios do futebol, quando se falava ‘goal’ em vez de ‘gol’, ‘team’ em vez de ‘time’, quando Flamengo era “um gremio de maior torcida da cidade”, onde “a população inteira correria para ver o cotejo”. Explicava o maior de todos, o Mário Filho: “Por que o Flamengo tornou-se o clube mais amado do Brasil? Porque o Flamengo se deixa amar à vontade…”.
Para fechar mais uma gloriosa página do Flamengo, de novo a palavra para o tricolor que mais entendeu a alma rubro-negra, Nelson Rodrigues: “Por onde vai, o Rubro-Negro arrasta multidões fanatizadas. Há quem morra com seu nome gravado no coração, a ponta de canivete. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia”. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.








