
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #373: Flamengo 3×0 Madureira 1955
Depois de ser quase eliminado do campeonato carioca, Flamengo deu um grande passo para a final e pode perder por até dois gols de diferença no jogo de volta da semifinal. Mas melhor ganhar e fazer gols, nada impede de vencer mais uma vez 3×0, como aconteceu na ida, como aconteceu em 1955 também.
Campeão carioca em 1953, Flamengo queria o bicampeonato em 1954. Conquistou o primeiro turno de maneira invicta, foi bem também no segundo turno, até perder 3×0 o Fla-Flu. O Mengo se recuperou com uma goleada 5×1 sobre Bonsucesso, um jogo eterno no Francêsguista, e empatou duas vezes em seguida, contra Vasco e o America. Precisava de uma vitória em cima do Madureira para também vencer o segundo turno.
Para o jogo contra Madureira, tinha alguns desfalques de alta qualidade, como Rubens, Joel e Zagallo. Mas o Flamengo do tricampeonato 1953-1955 era um grande time, principalmente no setor ofensivo, e não sentiu o peso das ausências. “Esta é uma vantagem que o Flamengo leva, nitidamente, sobre os demais candidatos: tem excelentes reservas e o conjunto, apesar de sensíveis modificações, não perder a sua homogeneidade” escreveu o Correio da Manhã. Em 16 de janeiro de 1955, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: Garcia; Tomires, Pavão, Jadir; Jordan, Dequinha; Paulinho, Índio, Esquerdinha, Evaristo de Macedo, Benítez. Em destaque, o atacante polivalente Paulinho, de 21 anos, que não jogava havia dois meses e que agora tinha uma chance no time titular.
E Paulinho não decepcionou. Com 27 minutos de jogo, ele dominou a bola, com a mão segundo os espectadores do estádio Aniceto Moscoso, sem irregularidade segundo o juiz. Paulinho cruzou, Índio cabeceou e abriu o placar. No segundo tempo, a dupla Paulinho – Índio funcionou novamente, com lançamento de Paulinho e gol de Índio. Paulinho justificava a confiança do técnico e ainda tinha uma jogada para a torcida: “Por fim, aos 34 minutos, Paulinho desferiu violento chute, fixando o ‘placard’ em 3×0”, escreveu com grafia da época o Correio da Manhã. “Paulinho esteve ótimo, e eu não esperava outra coisa dele”, explicou no final do jogo o técnico Fleitas Solich.
Aliás, o técnico paraguaio Fleitas Solich, que mais tarde lançará Zico nos profissionais, entendia como poucos o que era o Flamengo e foi o mestre do rolo compressor rubro-negro. Mesmo assim, preferia ficar modesto: “Pouco fiz para que o Flamengo chegasse até onde está. Foi uma grande vitória, não a de hoje, mas a conseguida até aqui. Uma vitória da força de vontade, da fibra, do sangue rubro-negro. Os jogadores transpuseram todos os obstáculos, um a um, não se atemorizaram diante da derrota e nunca se conformaram com ela. E nas tardes de vitória souberam ser grandes, extraordinários […] Eu repito, só posso me sentir orgulhoso de dirigir e cooperar com os jogadores”.
Flamengo vencia o primeiro turno do campeonato carioca, o segundo também. “O Flamengo é, indiscutivelmente e merecidamente, o campeão. E a torcida começou o carnaval da vitória após o jogo de Conselheiro Galvão”, escreveu o Jornal dos Sports depois do jogo contra Madureira. Porém, mesmo com os dois primeiros turnos conquistados, Flamengo ainda precisava jogar o terceiro turno, sem nenhuma vantagem. Um absurdo denunciado nas colunas de Última Hora pelo grande jornalista francês Albert Laurence: “O Flamengo é campeão. Do segundo turno. Isto é, esportivamente, campeão carioca, de fato e de direito. Pois foi, neste certame também, o melhor quadro da cidade. Assim como em 1953. Mas haverá o terceiro turno. E como todo o mundo vai tornar a sair da estaca zero, os seis ‘grandes’ têm direito agora de nutrir as mesmas esperanças, a rodada derradeira do ‘returno’ (a disputar domingo próximo), virando apenas último treino de conjunto prático para todas, antes do novo ‘campeonato-relâmpago’ que constitui o dito terceiro turno. E quando dizemos que o Flamengo já mereceu o título de bicampeão, bem sabemos que, no seu íntimo, todas as torcidas dos seus adversários estão concordando”.
Flamengo também foi um rolo compressor no terceiro turno. Invicto e invencível, Fla conquistou o terceiro turno, de novo com antecipação, contra Vasco e fez um carnaval na goleada contra Bangu. Campeão dos três turnos, era finalmente o grande campeão da cidade.
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Jogos eternos #372: Flamengo 2×0 Vélez Sarsfield 1998

Flamengo perdeu 1×0 no jogo de ida da Recopa Sudamericana e precisa vencer Lanús por dois gols de diferença para levantar a taça. Vencer os argentinos, seja time grande seja time menor, nunca foi fácil, mas já aconteceu várias vezes na história do Flamengo.
Em 1998, Flamengo vivia uma péssima fase. No Brasileirão, tinha apenas 3 vitórias em 15 jogos e corria sério risco de rebaixamento. Na Copa Mercosul, estava um pouco melhor, mas longe do ideal: duas vitórias e duas derrotas. Nem a principal estrela do time, Romário, escapava das críticas, por alguns gols perdidos, acontecia sim, e um pequeno excesso de peso. Primeiramente nos microfones, o Baixinho rebateu as críticas: “Estou com 72 quilos, sim, e daí? O elefante é gordo, mas quando tem incêndio na floresta ninguém ganha dele na corrida”.
Na Copa Mercosul, se classificavam para as quartas de final o primeiro de cada grupo e os três segundos melhores dentro dos cinco grupos. Contra Vélez, maior a vitória, melhor para o Flamengo. Em 30 de setembro de 1998, o técnico Evaristo de Macedo escalou Flamengo assim: Clemer; Pimentel, Ricardo Rocha, Luiz Alberto, Wágner; Fabiano, Marcos Assunção, Cleisson, Beto; Rodrigo Fabri, Romário. Do lado do Vélez, tinha um de meus primeiros ídolos no futebol, o goleiro paraguaio Chilavert, que brilhou semanas antes durante a Copa do Mundo na minha França, quando eu tinha apenas 6 anos e descobria o futebol.
No Maracanã, bem vazio com apenas 396 pagantes e uma renda de menos de 3.000 reais, Romário precisou de apenas 13 minutos para calar as críticas em campo. Cleisson escapou na esquerda e cruzou na segunda trave, Romário, claro, não perdeu a chance e abriu o placar. Ainda amargo, o Baixinho comemorou de forma discreta. Do lado do Vélez, Chilavert teve sua chance, mas a bola de falta, também por isso adorava o Chilavert, passou em cima do travessão.
E Romário continuou a perder alguns gols inusitados, com duas tentativas desnecessárias de cobertura. E no final do jogo, o brilho da estrela, o gênio da grande área. Romário pediu a bola de Beto, recebeu na profundidade. Viu a saída do goleiro e antes de tocar a bola, já tinha visto tudo. De primeira, fez apenas o toque leve para tirar o Chilavert da jogada, agora sim a cavadinha inesperada e necessária, genial e imortal. A bola morreu na rede e na comemoração, Romário foi mais ofensivo e mandou um abraço particular para quem o criticou, mostrando o dedo do meio para o pequeno número de torcedores presentes.
Para fechar a crônica, uma palavra sobre Chilavert, que no final do jogo agrediu um fotógrafo brasileiro. Ficou meu ídolo por algum tempo antes de perder a idolatria, com alguns ainda recentes posicionamentos duvidosos e declarações de imensa burrice. Prefiro ficar com o Romário, que merecia jogar a Copa de 1998 pelo futebol que tinha. O Flamengo de 1998 não foi genial e o Romário nem sempre foi. Mas, na frente de um dos maiores goleiros do mundo, o Baixinho ainda tinha seus momentos de genialidade.
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Jogos eternos #371: Flamengo 8×0 Madureira 1982

Flamengo joga hoje contra Madureira na semifinal do campeonato carioca. A classificação para a grande final é decidida em dois jogos, melhor então vencer na ida. Melhor ainda, ganhar de goleada. Vamos então para hoje com a maior goleada da história do Flamengo x Madureira, ao lado de um jogo de 1957.
Em 1982, Flamengo era o campeão carioca e começou o estadual com duas goleadas, sobre Campo Grande e a Portuguesa. Porém, logo depois foi surpreendido pelo Americano, que derrotou o Mengo 1×0. Flamengo precisava de uma reação, esperada pelo presidente Antônio Augusto Dunshee de Abranches: “O importante é vencer por qualquer escore, mas uma goleada agora no Maracanã levantaria ainda mais o brio da torcida, que ficou triste com a derrota”.
Em 4 de agosto de 1982, o técnico Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: Cantarele; Antunes, Marinho, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Wilsinho, Lico, Tita. Mesmo sem Raul e Leandro, Flamengo tinha quase a força máxima, um time máximo. Já antes do apito inicial, tinha pena para o pobre Madureira. E em campo foi pior.
No Maracanã, apenas um pouco mais de 10 mil viram a goleada. Com 8 minutos de jogo, Zico, bem na direita, cruzou perfeitamente, Tita chegou, cabeceou e abriu o placar. Logo depois, o artilheiro virou garçom, com um gol bem ao estilo do Flamengo dessa época. Antunes deixou de trivela para Andrade, que em um toque procurou e conseguiu a tabelinha com Tita, chutou e achou a rede. Madureira já estava bem perdido em campo.
Cinco minutos depois, Wilsinho aplicou um drible desmoralizante sobre o zagueiro e deixou para Zico, que só teve de empurrar a bola na rede para fazer seu primeiro gol do dia. No minuto seguinte, outro gol, bem parecido ao primeiro, com cruzamento da direita, agora de Tita. Adílio caiu no chão para cabecear e vencer mais uma vez o goleiro. Ainda no primeiro tempo, agora um cruzamento do lado esquerdo, de Lico. Zico teve tempo para matar a bola com o pé direito e matar o goleiro com o pé esquerdo. No intervalo, Flamengo 5×0.
E Madureira só teve 15 minutos para respirar. Logo no início do segundo tempo, Flamengo fez mais um gol, sem imagem. Uma pena porque o Jornal dos Sports aponta um golaço: “Mal começou a fase final e Lico fez o sexto gol, ao tocar de fora da área por cobertura”. Na metade do segundo tempo, Mozer ultrapassou sua função de zagueiro, foi ao ataque e cruzou. Zico chegou e pegou de primeira para completar o hat-trick, já seu 7o gol do campeonato, chegando ao final do campeonato à artilharia máxima pela sexta e última vez de sua carreira.
Antes do apito final, Zezé, que fazia sua estreia com o Manto Sagrado neste jogo, cruzou na esquerda. Tita matou de peito, matou uma última vez o goleiro com um drible seco e decretou o placar final: 8×0 para o rubro-negro. Para o Jornal dos Sports, Zico foi “para variar, o melhor do time, mais uma vez. Esteve presente em praticamente todas as jogadas ofensivas, fez lançamentos precisos, driblou, correu e disparou de novo na artilharia do campeonato”. Do lado do Madureira, a avaliação do Jornal do Brasil mostra como foi o jogo: “No Madureira o melhor, apesar de oito gols, foi o goleiro Mauro, que evitou um placar mais elevado”. No Maracanã, o jogo foi totalmente do Flamengo, que chegou à goleada esperada, com o brilho do maior jogador de sua história.
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Jogos eternos #370: Flamengo 3×1 Botafogo 2018

Flamengo joga hoje contra Botafogo em pleno carnaval, para uma vaga na semifinal do campeonato carioca. Em 2018, também teve um Flamengo x Botafogo decisivo durante o carnaval, na semifinal da Taça Guanabara.
Por causa de reformas no Maracanã, o jogo aconteceu no Raulino de Oliveira em Volta Redonda, onde Flamengo andava invicto em clássicos: 8 jogos, 5 vitórias e 3 empates. Em 10 de fevereiro de 2018, o técnico Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: César; Pará, Réver, Juan, Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá, Diego; Éverton Ribeiro, Éverton, Henrique Dourado. Destaque para Henrique Dourado, artilheiro do Brasileirão de 2017 com a camisa do Fluminense e que fazia sua estreia com o Manto Sagrado. Outra estreia era a de Diego com a camisa 10. Depois de jogar o Brasileirão de 2017 com a camisa 35, Diego assumiu a camisa 10 que era naturalmente dele.
No Raulino de Oliveira, com a maestria de seu novo camisa 10 Diego, Flamengo dominou completamente o início de jogo. Henrique Dourado quase fez de cabeceio e Lucas Paquetá mandou uma bola de falta no travessão. Aos 35 minutos, outra falta cirúrgica de Diego, o pequeno motorzinho Éverton chegou, cabeceou e abriu o placar em Volta Redonda.
O segundo tempo começou como o primeiro ato: dominação inteira do Flamengo. Aos 4 minutos do segundo tempo, Éverton Ribeiro deixou para Diego que cruzou na segunda trave. Lucas Paquetá, de primeira, deixou a bola perto do gol, para a chegada de Henrique Dourado. O artilheiro chegou, ceifou, ampliou a vantagem. O Ceifador fazia gol na estreia, fazia sua comemoração icônica e depois dedicou o gol ao filho, que acabava de completar 6 anos.
Na metade do segundo tempo, Kieza fez um gol para o Botafogo, que começou a acreditar numa improvável virada. Renatinho cobrou uma falta, para fora. E nos acréscimos, com a vitória já quase certa, Vinícius Júnior, que entrou no lugar de Lucas Paquetá, recebeu de fora da área, abriu o pé e achou a gaveta do Jefferson para fazer o golaço e matar o Botafogo. A comemoração também é icônica, histórica, de Souza até Hernane, de Gabigol até Bruno Henrique. Ainda garoto de 17 anos, Vinícius Júnior fez o chororô e esquentou o final do clássico. Flamengo estava na final, Botafogo só podia chorar. No carnaval carioca, a festa era rubro-negra.
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Jogos eternos #369: Flamengo 2×1 Vasco 1955
Sem jogo hoje e com o carnaval se aproximando, eu vou de um jogo aniversariante de 71 anos atrás, quando o Flamengo também antecipou o carnaval. No campeonato carioca 1954, Flamengo conquistou os dois primeiros turnos e só precisava de mais uma vitória para ser campeão, sem necessidade de jogar uma final nem de vencer o último jogo do terceiro turno. Para conquistar o título, o adversário era ideal, Vasco.
Já campeão carioca de 1953, o Flamengo do feiticeiro Fleitas Solich continuou a brilhar em 1954, até no início de 1955 quando o campeonato carioca se estendeu. Para o jogo decisivo contra Vasco, Pavão e Evaristo, dúvidas antes da partida, foram confirmados. Em 12 de fevereiro de 1955, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: García; Tomires, Pavão; Servílio, Dequinha, Jordan; Rubens, Paulinho, Índio, Evaristo de Macedo, Benítez.
O Vasco também tinha um timaço, principalmente Pinga, Vavá e Ademir. Este último abriu o placar no seu estilo particular, com um rush passando na frente de Dequinha e Jordan. Logo depois, o zagueiro vascaíno Elias se machucou, mas sem substituições na época, ficou em campo. Flamengo aproveitou. No final do primeiro tempo, “Benítez deu ótimo passe à Índio que avançou em direção à meta. Elias, seu oponente não pôde intervir, o ‘center-forward’ após alguns passos não teve dificuldade em atirar rasteiro, no canto esquerdo, cortando qualquer possibilidade a Victor González de praticar a defesa”, escreveu o Jornal do Brasil no dia seguinte.
Flamengo empatou e virou na metade do segundo tempo. “Paulinho foi otimamente servido por Rubens. Desvencilhou-se de seu marcador e logo depois de entrar na área, deu uma ‘queda de corpo’ para iludir Victor González e desferiu no outro lado um violento shoot enviesado, desempatando o prélio”, prosseguiu o Jornal do Brasil. Vale a pena dizer que outros jornais como o Correio da Manhã e o Jornal dos Sports vieram assistência de Índio e não de Rubens. Certeza é que o gol foi de Paulinho, que foi segundo o Jornal dos Sports, “a ‘arma secreta’ do bicampeonato. Voltando a repetir a brilhante atuação que cumpriu frente ao America, o veloz e arisco ponteiro rubro-negro, com seus constantes deslocamentos e infiltrações, conseguiu desmoronar o sistema defensivo da retaguarda vascaína”.
Fla virou, o juiz apitou e o Mengo foi campeão, bicampeão. Era uma festa em campo, no vestiário, nas arquibancadas e em toda a cidade. Foi a “vitória do legítimo campeão”, “um triunfo de campeão, de uma equipe harmoniosa e raçuda que impôs a transcendência de sua categoria”, para o Jornal dos Sports, que relatou o apito final e a festa rubro-negra no gramado: “Os jogadores abraçavam-se. Uns riam, outros choravam de emoção num espetáculo que impressionou vivamente”.
Nos vestiários, o técnico paraguaio Fleitas Solich ficou emocionado: “Dirigir estes rapazes é uma satisfação. O feito deles constitui a maior alegria de minha vida esportiva”. O presidente Gilberto Cardoso abraçou o “crack paulista” Rubens e foi ao banheiro, de terno, sapatos e gravata. Ainda o Jornal dos Sports, sobre o eterno presidente: “E Gilberto Cardoso que esqueceu-se que era Dr. presidente do clube, saiu radiante com os cabelos e correrem água, camisa ensopada e calças e sapatos completamente embebidos. Era a alucinação, o extremo a que podem chegar os homens quando reduzem-se a simples torcedores, esquecendo-se de suas condições e atribuições. Mas não era para menos. O Flamengo vencerá de forma inilidível um campeonato e só podia ser assim: muita euforia, muitos aplausos, muita alegria”.
No Maracanã, a alegria se contagiava. De novo o Jornal dos Sports: “Nas arquibancadas, a torcida do Flamengo começou a dar início ao carnaval da vitória cantando sambas e fazendo aparecer bandeiras e flâmulas numa demonstração que a torcida compareceu já na certeza de que seria à noite do título supremo. A noite do bicampeonato que o Flamengo tanto perseguiu e conquistou-o de forma extraordinária e merecidamente”. No público, entre os “simples torcedores” e anônimos, tinha uma estrela, a famosa atriz e cantora Carmen Miranda, que fez sucesso nos Estados Unidos e estava de volta ao Brasil. Assistiu pela primeira vez a um jogo no Maracanã, que tinha menos de 5 anos de vida, torcendo claro, para o Flamengo.
A festa rubro-negra se espalhou nas ruas de Rio de Janeiro. “O estádio do Maracanã demorou a ser abandonado pela grande torcida do Flamengo. E esta quando o fez, foi para realizar passeatas pelas ruas que circundam o estádio terminando pela cidade. Foi uma noite rubro-negra. Uma noite em que o Flamengo comemorou a conquista de um título justo e brilhante sob todos os aspectos”, fechou o Jornal dos Sports. O carnaval rubro-negro se estendeu até o final do campeonato, quando Flamengo venceu Bangu e desfilou com a escola de samba da Mangueira, outro jogo eternizado no Francêsguista. E a alegria prosseguiu até o final do campeonato carioca de 1955, até o início de 1956, quando Flamengo alcançou o tricampeonato carioca. Já sem Carmen Miranda e Gilberto Cardoso, que faleceram durante o ano de 1955. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #368: Vitória 1×2 Flamengo 2002

Na última crônica, eternizei um jogo de 2002, uma das piores temporadas da história do Flamengo. Deu sorte, Flamengo goleou 7×1 Sampaio Corrêa e se classificou para as quartas de final do campeonato carioca. No Brasileirão de 2006, Flamengo também começou mal, com apenas um ponto em dois jogos. Antes do jogo de hoje contra Vitória no Barradão, fico então com o ano de 2002, em que Flamengo também foi mal no campeonato nacional.
No Brasileirão de 2002, Flamengo fez uma campanha pífia, começando com 5 vitórias, 4 empates e 8 derrotas. Na rodada anterior, Flamengo perdeu o clássico contra Vasco e ficou na zona de rebaixamento. Faltando poucos jogos para o final da primeira fase, Flamengo precisava reagir na Bahia e escapar de um vergonhoso rebaixamento. Em 20 de outubro de 2002, o técnico Evaristo de Macedo escalou o Flamengo assim: Diego; Alessandro, André Bahia, André Dias, Alessandro Alves; Felipe Melo, André Gomes, Jorginho, Fábio Baiano; Zé Carlos, Liédson. Um time ruim sim, mas com obrigação de vencer.
No Barradão, o jogo prometia ser difícil já que Vitória ainda estava invicto em casa na temporada: 21 vitórias, 6 empates e nenhuma derrota entre jogos do Nordestão, do supercampeonato baiano, da Copa do Brasil e do Brasileirão. E o início do jogo realmente foi difícil para o Mengão. Leílton e Aristizábal tiveram chance para o time baiano, sem fazer. Aos 14 minutos, Flamengo finalmente reagiu. No lado esquerdo, Liédson pedalou e cruzou, Felipe Melo ajustou na cabeça. Zé Carlos, baiano oriundo de Ipirá, pegou de voleio e abriu o placar no Barradão.
O resto do primeiro tempo aconteceu sem muitas emoções, a não ser uma dupla expulsão de Xavier e Zé Carlos, deixando o jogo em 10 contra 10. Numa falta de Fernando de bem longe, Diego fez uma bela defesa e o intervalo chegou com uma vantagem de um gol para o Flamengo. No início do segundo tempo, outra falta de Fernando, agora mais colocada que forte, outra grande defesa de Diego. Com uma hora de jogo, num cruzamento da direita, Liédson, baiano oriundo de Cairu, cabeceou e ampliou o placar.
Liédson foi um dos únicos a se salvar no time de 2002 e ainda ameaçou a meta do Vitória, sem fazer gol. Até o final do jogo, Vitoria fez um gol em cobrança de falta de Allan Dellon e Fábio Baiano, baiano oriundo de Feira de Santana, foi expulso. Flamengo resistiu, a vitória era do rubro-negro que jogava em branco. O Mengo foi o único a vencer Vitória no campo deles em 2002, saía da zona de rebaixamento e se aproximava da permanência, confirmado algumas semanas depois. Mesmo nos anos ruins, com elenco fraco, tinha espaço para uma vitória na Bahia. Imagina então agora.
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Jogos eternos #367: Flamengo 5×2 Olaria 2002

Flamengo começou muito mal a temporada de 2026, em todas as competições. Em 8 jogos, teve apenas uma vitória e já acumula cinco derrotas. Ainda está vivo no campeonato carioca, mas tem obrigação de vencer o último jogo contra Sampaio Corrêa, melhor ainda de goleada.
Os números são os piores desde 2002, quando Flamengo esperou seu 16o jogo da temporada para finalmente vencer uma partida! No ano do penta, o torneio Rio – São Paulo, que vivia sua última edição, teve uma reformulação, com um número recorde de 16 participantes. Um ano depois do inesquecível campeonato carioca de 2001 com o gol de Pet, o campeonato estadual ficou em segundo plano e foi chamado de Caixão. O nome era uma referência ao folclórico cartola Eduardo Viana, presidente do Americano e da própria FERJ, e que tinha o apelido de Caixa D’Água. Como é o caso em 2026, Flamengo jogou o Carioca de 2002 com um time de reservas e juniores. O time titular já era limitado e o rubro-negro fechou o primeiro turno na lanterna, com apenas uma vitória em 11 jogos. Tinha desinteresse em campo, na televisão e nas arquibancadas, destaque negativo para um Fla-Flu em Olaria na frente de apenas 200 pessoas.
E Flamengo, mesmo com os titulares de volta, não melhorou na segunda fase, a Taça Rio. Perdeu contra Madureira e Volta Redonda e empatou contra o America. Já eliminado sem glória da fase de grupos da Copa Libertadores, Flamengo precisava de uma reação, contra Olaria. Em 28 de abril de 2002, o técnico Lula Pereira escalou Flamengo assim: Júlio César; Alessandro, Juan, Flávio, Athirson; Rocha, Fabiano Cabral, Felipe Melo, Juninho Paulista; Andrezinho, Leandro Machado.
No estádio Giulite Coutinho em Mesquita, Flamengo começou bem o jogo. Com apenas três minutos de jogo, Leandro Machado aproveitou de um rebote do goleiro para abrir o placar. Aos 16 minutos, Juninho fez um belo gol de falta para ampliar o placar. O artilheiro virou garçom, Juninho Paulista fez um belo passe para Felipe Melo, que deslocou o goleiro e fez o terceiro gol do jogo. No final do primeiro tempo, Olaria conseguiu fazer o gol da esperança, 3×1 no placar parcial.
Num campeonato bizarro, num jogo bizarro, Olaria trocou de camisa no intervalo, o que não melhorou muito a visibilidade do jogo. O que não mudou é o domínio do Flamengo. Felipe Melo deixou a bola passar entre suas pernas, que chegou até o pé mágico de Athirson. Com um chute de bem longe, Athirson achou a gaveta e fez mais um golaço no jogo. No final do jogo, Olaria fez um gol de pênalti e no finalzinho, numa triangulação com Juninho Paulista e Leandro Machado, Roma fez outro belo gol para decretar o placar final: 5×2.
Flamengo goleou, reagiu um pouco no campeonato e levou o Fla-Flu no Maracanã “quase lotado”, com 7.647 pessoas. A reação foi bem modesta, Fla empatou contra Vasco e perdeu contra Botafogo, Bangu e o Americano. O Americano do Caixa D’Água conquistou os dois turnos, mas não conquistou o título. Mais bizarro ainda, os quatro gigantes eram classificados no terceiro turno pelo único motivo de ser grande, sem necessidade de resultados. Assim, Flamengo, lanterna na Taça Guanabara e no 7o lugar na Taça Rio, foi no terceiro turno.
Como Botafogo e Vasco, Flamengo usou o time de reservas. Apenas Fluminense, no ano do centenário, usou a força máxima. Na semifinal, outra bizarrice, Fluminense levou no último minuto um gol de cabeça do goleiro de Bangu, anulado sem motivo pelo juiz. Na final, contra o Americano, Fluminense venceu e levou o Caixão, o “pior campeonato carioca da história”. Para o Flamengo, mesmo num torneio abaixo das expectativas baixas, sempre tinha a possibilidade de uma goleada.
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Ídolos #50: Juan Maldonado

Hoje é o aniversário de um dos maiores laterais esquerdos da história do Flamengo, na tradição de jogadores elegantes, técnicos e ofensivos. Alguns já foram eternizados na categoria dos ídolos, Júnior claro, Athirson também, ainda nosso técnico Filipe Luís.
Numa outra crônica, falei que gostava de dupla de laterais, Leandro – Júnior primeiramente, Jorginho – Leonardo logo depois, ainda teve Rafinha – Filipe Luís no time histórico de 2019. E antes disso, teve Léo Moura – Juan. Quando comecei a assistir aos jogos do Flamengo em 2007, Léo Moura e Juan eram os melhores jogadores do time. Dois laterais, sendo destaques principais de nosso Mengo. Só isso.
Juan, de nome completo Juan Maldonado Jaimez Júnior, nasceu em 6 de fevereiro de 1982, em São Paulo. Passou pela base do São Paulo FC, que também tem tradição de laterais. Sem estrear no Tricolor, foi vendido em 2001 no grande Arsenal de Thierry Henry, Patrick Vieira e Dennis Bergkamp entre outros. Na lateral-esquerda, tinha a concorrência de Ashley Cole e depois de Gaël Clichy. O lateral brasileiro disputou apenas dois jogos com os Gunners e foi emprestado ao Millwall. Em 2004, voltou ao Brasil, no Fluminense, onde conquistou o campeonato carioca de 2005 e foi vice-campeão da Copa do Brasil.
No final de 2005, assinou com o Flamengo, onde foi apresentado ao lado de Ronaldo Angelim e de outros dois reforços bem menos memoráveis, Marabá e Rodrigo. Depois de anos de sofrimento, os torcedores do Flamengo nem sabiam das felicidades que estavam chegando. E a alegria para Juan começou logo na estreia contra a Portuguesa, quando fez um gol num cruzamento de Léo Moura. Uma grande dupla de laterais tinha nascido. Escreveu Marcel Pereira no seu livro A Nação: “Foi com Leonardo Moura e Juan, entre 2006 e 2009, que o rubro-negro voltou a ter uma dupla de padrão verde e amarelo”.
Juan se firmou como titular na lateral-esquerda e ainda fez um golaço de fora da área contra Botafogo no campeonato carioca, um jogo eternizado no Francêsguista. Também fez um gol na goleada 5×1 contra Guarani na Copa do Brasil. Mas em toda sua trajetória no Flamengo, nenhum gol ultrapassa o gol contra Vasco na final da Copa do Brasil de 2006. Escreveu Marcos Eduardo Neves no livro 20 jogos eternos do Flamengo: “Provando a máxima de Gentil Cardoso – ‘A melhor defesa é o ataque’ –, Juan colocou seu nome na história. Cria do São Paulo, com passagem discreta pelo Arsenal, da Inglaterra, Juan Maldonado Jaimez Júnior, de acordo com o último sobrenome, estava no lugar certo. Lateral esquerdo do Flamengo, o jogador, que havia seis meses trocara o Fluminense pelo mais cotado dos Fla-Flus, em busca de maior reconhecimento em seu país natal, estava pronto para se tornar o ‘Don Juan’ de uma noite de gala que entorpeceria a torcida”.
Na ida, Flamengo venceu 2×0, outro jogo eternizado no blog. Tinha uma mão na taça, faltava ao menos um empate para deixar mais uma vez Vasco no vice. Flamengo fez mais. No Maracanã, aos 27 minutos, o lateral-direito Léo Moura chutou, bola foi bloqueada e voltou para o lateral-esquerdo, que se eternizou na história do clube com um chute mortal. Flamengo era bicampeão da Copa do Brasil, Vasco vice, Juan ídolo eterno. O jogador de então 24 anos explicou no final do jogo: “Eu, como lateral, nunca tive a pretensão de fazer um gol na final, ainda mais o do título. Sempre que paro pra pensar que fiz isso, fico meio viajando. Foi mais do que eu tinha sonhado. Foi maravilhoso. Aquilo vai ficar gravado na minha memória para sempre. Foi muito especial, talvez o maior momento da minha carreira”.
Juan continuou a ser decisivo com o Flamengo, principalmente quando valia muito. Na disputa de penalidades contra Botafogo na final do campeonato carioca de 2007, não tremeu e converteu a cobrança dele. Na final de 2008, de novo contra Botafogo, fez duas assistências no segundo jogo que consagrou Flamengo Rei do Rio pela 30a vez. E em 2009, Flamengo completou o tricampeonato carioca em cima do Botafogo, de novo com Juan decisivo. Na ida, provocou um pênalti que ele mesmo converteu. Na volta, fez mais um drible desconcertante para provocar uma falta que Kléberson transformou em golaço. Na disputa de penalidades, outra vez Juan na cobrança, outra vez no fundo do gol, outra vez Flamengo campeão. De novo, Juan ídolo eterno.
Foi eleito na seleção ideal do Brasileirão de 2007, o que lhe rendeu uma convocação na Seleção para o ciclo da Copa de 2010. No início do Brasileirão de 2009, abriu o placar contra Vitória, mas saiu machucado e faltou a metade do Brasileirão. Voltou na reta final do campeonato, com uma nova função. Explicou já na sua volta: “Agora, tenho que ter uma preocupação maior em marcar. Antes, podia atacar com mais liberdade. Tínhamos um esquema de três zagueiros que facilitava a minha vida neste sentido”. Mesmo sem fazer gols, Juan foi importantíssimo no Brasileirão, até o jogo decisivo contra Grêmio. Para Flamengo TV, Juan elegeu esse jogo o mais importante de sua carreira, até na frente do jogo contra Vasco da Copa de 2006. Porque agora, Flamengo era campeão brasileiro, depois de 17 anos na fila. E Juan, um ídolo eterno.
Em 2010, Juan seguiu como titular absoluto, mas sem as atuações impecáveis de antes. Fez seu último gol com o Manto Sagrado contra Grêmio Prudente, sem querer, querendo cruzar, acabando encobrindo o goleiro. Fez seu último jogo contra Santos, para fechar o Brasileirão de forma melancólica. Voltou para seu clube de origem, São Paulo, e conquistou o campeonato paulista de 2012 com o Santos de Neymar. Passou em seguida por vários clubes do Brasil: Vitória, Coritiba, Goiás, Avaí, CSA, Tombense, até pendurar as chuteiras com o Boavista em 2019. Com 32 gols em 256 jogos, é o terceiro maior artilheiro do Flamengo dentro os laterais esquerdos, ultrapassado apenas por Júnior e Athirson. Apenas isso. Conseguiu não ser apenas o cara que fez o gol contra Vasco na final. Porque Juan, durante anos, com desarmes certos, cruzamentos lindos e gols decisivos, foi muito mais que isso.
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Jogos eternos #366: Flamengo 1×0 Internacional 1987

Flamengo joga hoje contra o Internacional no Maracanã, na segunda rodada do Brasileirão depois de derrota contra São Paulo na estreia. Há um ano, até menos, o Mengão começou o Brasileirão em cima do Internacional e o final foi feliz. A lógica é sonhar com mais um Brasileirão, é virar decacampeão. Para dar sorte, vamos lembrar um Brasileirão conquistado em cima do Inter, a Copa União de 1987.
O Brasileirão de 1987 não foi apenas o campeonato mais polêmico do Brasil. Também foi um dos maiores. Só grandes times, só craques em campo, só estádios cheios. Já falei na crônica sobre o time histórico de 1987 do contexto da criação de Copa União. O Clube dos 13, reunindo as maiores potências do futebol brasileiro, conseguiu o que a CBF não sabia fazer: organizar e financiar o campeonato nacional. Conseguiu patrocinadores como Varig, Othon e Coca-Cola, conseguiu o apoio da grande mídia, como Placar e Globo. Foi uma revolução, um “golaço do futebol brasileiro” segundo o jornalista Juca Kfouri, que não pode ser chamado de flamenguista. O também não-flamenguista Armando Nogueira viu “um momento decisivo na história do futebol brasileiro”. Ivan Drummond, agora sim flamenguista, foi além: “É a ressurreição do futebol brasileiro”.
A Copa União aconteceu e foi um sucesso. Na estreia porém, o Flamengo perdeu contra o São Paulo, talvez mais um sinal para o decacampeonato chegar. O início já foi o fim da linha para o técnico Antônio Lopes, substituído pelo Carlinhos, já eterno como jogador, ainda não como técnico. O Flamengo era considerado como um time decadente. Sócrates se aposentou, Mozer e Adílio foram vendidos, Leandro e Zico viviam com lesões. “Cada partida que Leandro disputa é uma obra de arte do departamento médico”, afirmou o médico do Flamengo, o Dr Giuseppe Taranto quando o jornalista Cláudio Mello e Souza escreveu: “Por mais brioso e disciplinado que seja, Zico voltará ao time do Flamengo mais como símbolo do que como jogador. Ninguém nega que ele sabe tudo de bola. Depois de certo tempo e de muitas contusões, porém, o saber, simplesmente, deixa de poder”.
Durante o campeonato, o jovem Leonardo chegou da base, o zagueiro Edinho chegou da Itália, Renato Gaúcho se afirmou. E Zico voltou, podia fazer o que sabia fazer, ainda que de momentos pontuais, faltando vários jogos. Foi um time misto entre a juventude e a experiência, mas de craques só, todos com passagens na Seleção brasileira, exceção para o também craque Ailton. Lembra Zico no livro 100 anos de bola, raça e paixão, do trio Arturo Vaz, Paschoal Ambrosio Filho e Celso Júnior: “Era um time muito bom. Tinha o Zé Carlos, o Jorginho, o Leandro, o Andrade, o Ailton, o Zinho, o Bebeto, o Renato… Era só craque […] Estava com os meniscos arrebentados. Tinha que operar, mas aí não jogaria. Os médicos então deram uns pontos no joelho. Eu não podia saltar e nem apoiar a perna esquerda na queda. Quando fiz um gol de falta contra o Santa Cruz […] dei um pulo, porém, quando caí, sem querer me apoiei com a perna esquerda. Os pontos arrebentaram na hora. Nos jogos seguintes meu joelho inchava muito. Ficava o tempo todo com uma bolsa de gelo fazendo tratamento”.
O campeonato ultrapassou as ambições dos dirigentes do Clube dos 13. A CBF queria sua fatia do bolo, mesmo sem ser convidado para a festa. Explicou Juca Kfouri para a Folha de S. Paulo em 1995: “Em 1987, a CBF anunciou que não tinha dinheiro para organizar o campeonato brasileiro. Então, os 13 clubes de maior torcida no país resolveram fundar o Clube dos 13 e fazer o campeonato, ao qual se deu o nome de Copa União. A CBF aceitou […] Diante do sucesso do evento – que teve média de 21 mil torcedores e mais o equivalente a 20 mil pessoas por jogo em patrocínio, números europeus – os clubes que ficaram de fora pressionaram a CBF para que fosse realizado um campeonato paralelo, uma espécie de Segunda Divisão, e o SBT se interessou em transmiti-lo. Foi então, já com a Copa União em andamento, que a CBF impôs no regulamento do seu torneio que deveria haver um cruzamento entre o que chamou de Grupo Verde, Copa União, e o Grupo Amarelo, a Segunda Divisão. Os clubes da Copa União, por unanimidade, e muito antes da fase final, resolveram desconhecer a novidade da CBF”. Tem muitos detalhes para os detalhistas, muitas verdades e mentiras para os cegos do clubismo e uma única verdade: o Brasileirão de 1987 foi a Copa União.
Na semifinal contra o Atlético Mineiro, um jogo eterno na história do Flamengo e no Francêsguista, o Mengo venceu no Mineirão com gols de Zico, Bebeto e Renato Gaúcho, um trio mágico. Lembra o jornalista Mauro Beting no excelente livro No campo e na moral, Flamengo campeão brasileiro de 1987, de Gustavo Roman: “Zico já seria importante, só por ser o Zico. Nesse esquema montado pelo Carlinhos, ele atuou um pouco mais à frente, encostando e municiando os atacantes Renato e Bebeto. E foi justamente por esse posicionamento que o Galo conseguiu marcar gols decisivos, contra o Santa Cruz e o Atlético, este no Mineirão. Até pelo nível de exigência absurdo que ele se impunha, o Zico queria ganhar um campeonato importante pelo Flamengo, para compensar o pênalti perdido na Copa de 1986. Ele se sacrificou demais e atuou no sacrifício as últimas quatro partidas”.
Com tantas dores, Zico cedeu seu lugar para Flávio no Mineirão e a cena se repetiu no Beira-Rio, no jogo de ida da final. Bebeto abriu o placar e quase no minuto seguinte Amarildo empatou para um placar final de 1×1. Fala Zico, no mesmo livro de Gustavo Roman: “Nosso time era experiente demais. Sabia o que queria. Fomos pra Porto Alegre para marcar forte e aguentar a pressão do Inter. Só que nossa marcação foi tão eficiente que eles não conseguiram nos atacar. E nós só não saímos de lá com a vitória porque eles conseguiram empatar o jogo dois minutos depois de abrirmos o placar. De qualquer forma, o resultado foi fantástico para a gente. No Maracanã, não perderíamos o título de maneira alguma”. Acrescenta Renato Gaúcho no livro 6x Mengão de Paschoal Ambrosio Filho: “Todo mundo que vem jogar contra o Flamengo, no Maracanã, já está sabendo da força que vai encontrar na arquibancada. E eu, antes mesmo de jogar no Flamengo, já sentia essa força. Eu sabia o que era encarar o Fla no Maracanã. Além de termos um grande time, liderado pelo Zico, nós tínhamos a força da torcida”.
No dia do segundo jogo da final, uma forte chuva deixou dois mortos no Rio de Janeiro e ameaçou a boa conduta do jogo. Mesmo assim, foram mais de 90 mil pessoas no Maracanã, inclusive Franz Beckenbauer, que no dia anterior, dirigiu a seleção alemã num amistoso contra o Brasil no estádio Mané Garrincha. Antes do jogo, teve um minuto de silêncio por outra tragédia, um acidente aéreo cinco dias antes no Peru, que matou todo o time e comissão técnica do Alianza Lima. Em 13 de dezembro de 1987, exatamente seis anos após Flamengo conquistar o mundo em Tóquio, o técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo; Andrade, Ailton, Zinho, Zico; Renato Gaúcho, Bebeto. A grande notícia era a titularidade de Zico, dúvida antes do jogo, como ele mesmo explicou depois: “Ficou aquela coisa: joga ou não joga, joga ou não joga. Fui para o jogo. Eu entrava apavorado porque sabia que tinha uma bomba-relógio aqui no joelho. Ia ter que operar”.
Era uma luta para o tetra entre o Internacional, campeão em 1975, 1976 e 1979 e o Flamengo, campeão em 1980, 1982, 1983. O campeão do final dos anos de 1970 contra o campeão do inicio de 1980, para uma quarta coroa. No mesmo dia, Sport e Guarani empataram 11×11 na disputa de penalidades, não tem erro, o desempate acabou em empate mesmo. E, menos os torcedores dos dois times, ninguém ligava, o Brasil parou para ver a verdadeira decisão no Maracanã. E Flamengo começou a ganhar antes mesmo de vencer no placar. Bem no início do jogo, um urubu invadiu o campo. “Reza a lenda que, se o bicho for capturado por alguém do time adversário (como aconteceu no Fla x Flu decisivo do Carioca de 1983), o rubro-negro perde o campeonato. Quem tratou de ir à caça da ave foi o ponta Renato”, escreveu Gustavo Roman. Renato Gaúcho pegou o urubu sob os delírios da torcida, o Flamengo já tinha a vantagem psicológica.
Bola rolando, Jorginho cruzou na direita aos 15 minutos. O Internacional se defendeu e a bola caiu nos pés de Paulo Roberto. Renato Gaúcho não desistiu e ganhou a bola com a mesma facilidade que tinha pegado o urubu. Com mistura de raça e técnica, tentou invadir a grande área, a defesa colorada afastou o perigo, ainda de maneira parcial. A bola voltou a ser rubro-negra. A magia do Flamengo voltou. Em um toque, Ailton para Zinho, Zinho para Andrade. A bola é bem tratada, fica nos pés do mestre. Lembra Andrade no livro 20 jogos eternos do Flamengo de Marcos Eduardo Neves: “As pessoas esperavam que eu chutasse. Eu batia bem de fora da área, estava numa posição boa. Mas conduzi a bola de cabeça erguida, vi a movimentação do Bebeto na diagonal e a defesa saindo. O Bebeto era um jogador que, no olhar, entendia tudo. Quando meti, ele arrancou. O Taffarel tentou sair, mas hesitou. No que hesitou, o Bebeto chegou antes e deu o toquinho. A mesma alegria que ele teve com o gol, eu tive com o passe. Saí correndo que nem maluco naquele campo enlameado. Era um passe que significava o título”.
O Maracanã explodiu, das arquibancadas até a geral, com “um típico gol do Flamengo, muito toque de bola e finalização precisa” segundo Galvão Bueno. Bebeto, que tinha feito apenas dois gols nos dois primeiros turnos, deixou sua marca em cada jogo das semifinais e finais, ultrapassando Zico na artilharia: “Acabei artilheiro do Flamengo. Isso me emociona muito. Tudo o time mereceu esse título. O gol nasceu de uma jogada que faço sempre com o Andrade. Ele toca pra mim e eu giro o corpo levando meu marcador. Achei até que a bola estava mais para o Taffarel. Mas entrei com tudo e cheguei na frente”.
O Maracanã ainda se inflamou com chapéu de Renato Gaúcho, dribles de Jorginho, de Zico, de Andrade. O time tinha só craques, era talvez o melhor time do mundo, com certeza melhor que Porto e Peñarol, que jogaram a decisão do Mundial no mesmo dia. Zico quase achou a gaveta num cobrança de falta e deixou a torcida mais uma vez feliz com um toque de calcanhar. E mais ainda no minuto seguinte, agora com uma caneta. Mesmo com o joelho inchado, Zico tinha futebol para todo mundo, sobretudo para a Nação rubro-negra.
Com tanta chuva, o gramado ficou pesado, o que impediu o Mengão de brilhar ainda mais. “O campo nos prejudicou demais. Nosso time era muito técnico. Talvez, um dos melhores da história do clube. Mesmo assim, dominamos a partida e fizemos um jogo brilhante. Atuamos com a cabeça e o coração de um campeão. Foi sensacional. Mostramos que éramos time de chegada”, lembrou Zico. O Internacional precisava fazer um gol, mas o Zé Carlos, que jogava com a camisa de Nielsen, campeão carioca em 1978 como goleiro reserva, teve pouco trabalho. Do outro lado, Bebeto, Renato Gaúcho e Zinho por duas vezes quase fizeram o gol do título, sem vencer Taffarel.
O ritmo do jogo era intenso, na esquerda Zinho acelerou e deixou para Bebeto cruzar. Zico dominou de peito, fintou, eliminou dois zagueiros no mesmo drible, mas não conseguiu finalizar. Merecia muito esse gol. “Fiquei triste, lendo nos jornais que eu estava acabado, que deveria parar, deixar de enganar o Flamengo. Foi duro enfrentar esses ataques. Eu não me sentia incapaz de continuar jogando. Aprendi a lidar com a minha limitação atual e ser útil ao Flamengo”, falou Zico depois. Um Zico limitado vale mais de que qualquer jogador. Pouco tempo depois, Zico driblou um colorado, obrigando-o a cometer a falta. Zico caiu no círculo central e olhou para o banco, para a placa do juiz assistente com o número 10. Era a saída do maior ídolo do maior clube do Brasil, na frente da maior torcida do mundo, que cantava a plenos pulmões e com toda a alma: “Zico, Zico, Zico”.
O técnico Carlinhos sabia o valor do ídolo a quem um dia, no crepúsculo de sua brilhante carreira de jogador, deu as chuteiras em sinal de passagem de testemunho. Falou Carlinhos depois do jogo: “Não posso destacar qualquer jogador na partida, mas não tenho como deixar de falar de Zico. Ele foi de uma importância fundamental para o Flamengo. Mas não apenas pelo nome que possui e que preocupa o adversário. O que destaco nele foi o espírito de união e a força que transferiu aos mais jovens, fazendo com que estes entrassem em campo psicologicamente em condições de render tudo o que podiam”. Por isso tenho um carinho especial para o título de 1987. Tinha uma Seleção, o saudoso goleiro, os jovens laterais que serão campeões do mundo em 1994, a zaga experiente que brilhou nas Copas de 1982 e 1986, o meio de campo com a experiência de Andrade e a juventude de Zinho, o tão precioso e trabalhador Ailton, uma dupla ofensiva com Renato Gaúcho e Bebeto, que tem tudo que um ataque pode sonhar, tinha tudo isso sim. Mas tinha sobretudo Zico, que voltava de lesões, de um pênalti perdido, de críticas duras, de muitos sofrimentos. Zico voltou, brilhou e venceu. Um roteiro de filme, com um final feliz.
Como líder do time, ao deixar o gramado, Zico pediu raça aos onze companheiros em campo para os minutos finais. Como um símbolo, num dos últimos lances da partida, uma falta do Internacional, foi o atacante Renato Gaúcho que afastou o perigo com um cabeceio. Era um time de técnica, de raça também. De um coração de campeão. Zé Carlos pegou uma última bola, a geral pegou fogo, o juiz pediu a bola e apitou. Flamengo era campeão, tetracampeão.
De novo a palavra para Zico: “Quando deixei o campo para Flávio entrar estava sentindo muitas dores. Já sabia que teria que operar mais uma vez. E foi no vestiário, logo após o apito final que nos garantiu a taça com gol de Bebeto, que senti uma das maiores emoções da minha vida. Dava para sentir a explosão da torcida com a conquista, seguida por um coro de ‘Zico, Zico’ que ecoava dentro do meu coração. Retornei ao campo coroado para cobrar ao lado dos meus companheiros, mas parecia que o Maracanã inteiro estava me passando energia. Era o ponto final de uma jornada vitoriosa a ser dividida com quem jogou, com quem esteve no banco de reservas, com toda a equipe de apoio e com um décimo segundo jogador que sempre está presente nas grandes conquistas rubro-negras: a torcida”. E o título tinha um sabor ainda mais especial para Nosso Rei: “Foi um título emocionante. Não só em função de tudo que eu havia passado, mas por causa do Thiago. Foi o primeiro ano que ele pôde me acompanhar melhor, nunca tinha me visto”. Foi uma união entre um pai e um filho, um ídolo e uma Nação, uma justiça divina e uma realidade mágica em campo.
No Maracanã, a taça foi entregue pelo Carlos Miguel Aidar, presidente do Clube dos 13 e também do São Paulo FC, bem longe das rivalidades mesquinhas de hoje entre os clubes gigantes. “A CBF deve entender que o Flamengo é o autêntico campeão brasileiro. Não tem sentido fazer com que ele e o Inter cruzem com quem vem de baixo”, ainda falou Aidar. A mídia, seja carioca, seja paulista, também considerava a Copa União como o Brasileirão. “A imediata comoção que tomou contra de todos no Maracanã tratou de impor o direito que a CBF insiste em desprezar. Como deixar de reconhecer o mérito de campeão brasileiro a um time que, mesmo com seus altos e baixos, se destacou entre os 16 melhores do nosso futebol? Como apagar a eufórica vibração? Como torná-la ilegal?”, questionou o Jornal do Brasil, que ainda manchetou: “Fla colore o futebol de vermelho e preto”. Até uma das maiores glórias do futebol homenageou Flamengo, o alemão Franz Beckenbauer falando: “Fiquei encantado com os toques rápidos do time do Flamengo e, principalmente, com Zico, que mostrou sua genialidade em vários lances”.
Para fechar, não o (não)debate com os idiotas do clubismo, mas apenas a crônica sobre um dos maiores jogos da história do Flamengo, de novo a palavra de Zico no livro 100 anos de bola, raça e paixão, publicado em 2012: “Ninguém me tira essa conquista. Quem levou porrada fui eu, quem se sacrificou fazendo tratamento 24 horas por dia para jogar fui eu. Tenho sangue e passaporte português. Se eu chegar em Portugal e contar que aqui no Brasil a CBF não considera esse título porque no campeonato de 1987 o campeão da primeira divisão tinha que disputar a condição de melhor do Brasil com o campeão da segunda divisão, vão dizer que é piada. E realmente é. Não tem jeito. O Flamengo foi tetra em 87 e atualmente é hexa”. Ouso mais, no final do ano, o Flamengo será deca.
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Jogos eternos #365: Flamengo 3×0 Athletico Paranaense 2020

Flamengo joga hoje na Supercopa do Brasil contra o Corinthians, no estádio Mané Garrincha. Os dois times já se enfrentaram na competição, em 1991, na segunda e última edição durante muitos anos. O Corinthians venceu e a competição sumiu do calendário brasileiro. Assim, Flamengo nunca tinha vencido a Supercopa, perdendo a oportunidade contra São Paulo em 2007 e o próprio Corinthians em 2010. O torneio apenas voltou em 2020, de novo com Flamengo.
Em 2019, Flamengo foi campeão de quase tudo. Campeonato carioca, Brasileirão, Copa Libertadores. No nível nacional, apenas deixou a Copa do Brasil, para o Athletico Paranaense, que também conquistou a Copa Sudamericana 2018 e se afirmou como uma potência nacional. Inclusive, o Furacão eliminou Flamengo nas quartas de final da Copa. Para o Flamengo, era uma possível vingança. Sobretudo, era a celebração do maior time da América, liderada pelo Jorge Jesus no banco e vários craques em campo. Um time de artistas, destaque para o trio inesquecível de 2019, Arrascaeta – Bruno Henrique – Gabigol.
Como é o caso hoje, o jogo aconteceu no Mané Garrincha, palco de grandes decisões nacionais. Em 16 de fevereiro de 2020, o técnico Jorge Jesus escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Gustavo Henrique, Filipe Luís; Willian Arão, Gerson, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol. Com exceção de Gustavo Henrique no lugar de Pablo Marí, era o time que se eternizou em Lima. Em 2020, Flamengo ainda jogava por música.
No Mané Garrincha, o Flamengo era bem superior e já dominou no início do jogo. Com apenas três minutos de jogo, Willian Arão, bem lançado pelo Gabigol, quase surpreendeu Santos para abrir o placar. Aos 15 minutos, de novo Gabigol como garçom, com ótimo cruzamento, agora para Bruno Henrique, que fugiu da zaga e deslocou o goleiro com um cabeceio certíssimo. O Mengo já estava na frente, como jogava fácil o Flamengo de Jorge Jesus.
O Flamengo fez um e queria mais. Era assim o Flamengo de Jorge Jesus. Aos 28 minutos de jogo, Filipe Luís cruzou, Márcio Azevedo recuou mal, “olha a besteira que fez” falou Galvão Bueno, de volta a narração depois de faltar a final da Libertadores por problemas de saúde. Oportunista, Gabigol aproveitou o presente, pegou a bola e já exibiu a placa: “Hoje tem gol do Gabigol”. A taça já estava nas mãos rubro-negras. O Furacão virou brisa e só conseguiu reagir no final do primeiro tempo. Diego Alves fez uma defesa segura num chute de Marquinhos Gabriel e ainda saiu da grande área com um cabeceio certo para afastar o perigo.
No início do segundo tempo, Flamengo continuou a dominar, mas nem Gabigol, num chute fora, nem Arrascaeta, numa falta fora, nem Bruno Henrique, falhando driblar o goleiro, conseguiram achar o gol. Na verdade, Bruno Henrique e Gabigol já tinham feito um gol durante a partida. Apenas faltava Arrascaeta para completar o trio mágico de 2019. Na metade do segundo tempo, Bruno Henrique escapou na esquerda, “partiu 35 quilômetros por hora”, Gabigol já na grande área, pronto para o gol. O passe de BH27 foi desviado pelo goleiro e sobrou para Arrascaeta, que pegou de primeira, no meio do gol vazio, no fundo da rede. O trio era completo, a goleada também. O Flamengo prolongava o ano mágico de 2019, a Supercopa estava de volta e já acabava na galeria de taças rubro-negras.








