Francêsguista

Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #126: Flamengo 5×3 Fluminense 2010

    Jogos eternos #126: Flamengo 5×3 Fluminense 2010

    Hoje é dia de Fla-Flu, o clássico mais charmoso do Rio de Janeiro. Desde sempre, ou melhor, desde 40 minutos antes do nada, o Fla-Flu faz a história do futebol carioca e brasileiro. Muitos jogadores brilharam, se eternizaram no Fla-Flu ao mesmo tempo que eternizaram o Fla-Flu. Foi o caso de um dos maiores ídolos do Flamengo, Adriano, que fez um doblete num Fla-Flu decisivo para o título do Brasileirão de 2009 e de novo foi o grande homem do Fla-Flu no início de 2010.

    No campeonato carioca de 2010, Flamengo começou com 4 vitórias. Com um detalhe, em cada jogo, tomou ao menos um gol. Mas Flamengo tinha um grande ataque, uma grande dupla, o “Império do Amor” com Adriano e Vágner Love. No jogo anterior, uma vitória 3×2 contra o Americano, pela primeira vez, Adriano e Vágner Love marcaram no mesmo jogo. E mais impressionante, o gol de Vágner Love foi um golaço talvez único na história do futebol. Na saída da bola, só Adriano e Vágner Love tocaram a bola, uma dupla tabelinha antes do gol de Vágner Love, segundos depois do gol do Americano. Uma dupla de ouro, que mostrava que o amor era mais forte que tudo.

    No 31 de janeiro de 2010, o também ídolo Andrade escalou Flamengo assim: Bruno; Gonzalo Fierro, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Toró, Fernando, Kléberson, Petkovic; Vágner Love, Adriano. Do outro lado, Fluminense estava treinado pelo Cuca, que passou pelo Flamengo em 2009. Apesar da ausência de Fred, Flu tinha um belo time, liderado pelo craque argentino Darío Conca. Fluminense também começou o campeonato carioca de 2010 com 4 vitórias, com outro detalhe, não tomou gol em nenhum jogo. Mas ainda não tinha enfrentado a dupla Adriano – Vágner Love.

    No Maracanã, pronto a ser demolido na sua alma para a Copa do Mundo, Fluminense começou melhor o jogo. Com 13 minutos, Alan aproveitou do bom passe de Diguinho e do mal posicionamento de Juan para abrir o placar. Fluminense continuou a ter controle do jogo e conseguiu um pênalti, transformado pelo Conca, no contrapé de Bruno. Dois minutos depois, outro pênalti, agora pelo Flamengo. Primeiro gesto de amor no Maraca neste dia, Adriano reduziu a vantagem com tranquilidade, também no contrapé de Rafael. No finalzinho do primeiro tempo, num escanteio, Cássio aproveitou da hesitação da defesa rubro-negra para fazer o gol do 3×1. Dono absoluto do jogo, Fluminense estava no caminho de uma vitória quase certa. Fla fez história em 2009 com o hexa, mas Flu também escreveu páginas do futebol brasileiro, se livrando de um rebaixamento quase certo, o que lhe ofereceu o apelido de “time de guerreiros”. Mas o amor é maior que a guerra.

    No intervalo, Andrade sacou Fernando e Petkovic, que não brilhou muito no seu 150o jogo com o Flamengo, o que lhe valeu uma camisa especial. Entraram Willians e Vinícius Pacheco, uma dupla em evidencia já no início do segundo tempo, quando Willians achou Vinícius Pacheco, que achou a trave num chute de longe. Mas Flamengo tinha uma dupla muito melhor. Na cobrança do escanteio que seguiu o chute de Pacheco, a bola subiu no ar, o Imperador foi mais forte que três zagueiros para deixar a bola viva, a bola sobrou nos pés de Vágner Love, que fuzilou Rafael para acreditar na virada.

    Dois minutos depois, Vinícius Pacheco chegou na direita e cruzou atrás, Kléberson chegou em velocidade e chutou, Flamengo chegou ao empate. Depois de sofrer muito no primeiro tempo, Flamengo voltava no jogo, empatou e agora queria mais, queria a vitória e o amor da torcida. Com uma hora de jogo, Álvaro foi expulso com um segundo cartão amarelo, Flamengo estava com um a menos, mas tinha alguma coisa a mais, tinha apoio da torcida nas arquibancadas e tinha o Império do Amor no campo. Faltando dez minutos para o jogo acabar, Toró fez lançamento para Vágner Love, que dominou perfeitamente, driblou um e fez um passe, também perfeito, para Vinícius Pacheco, que só teve a fazer o passe lateral para o gol fácil de Adriano. Pela primeira vez no jogo, Flamengo estava na frente, muito graças a dupla Adriano – Vágner Love.

    O Fluminense estava derrotado, em campo e no moral, caiu como o último soldado numa guerra perdida. No último minuto, mais um lançamento preciso de Willians, para Adriano, no limite do impedimento. Reinando sozinho, o Imperador teve tempo de olhar para o bandeirinha, se aproximar do goleiro, fazer seu terceiro gol do dia. O Império do Amor derrotava o time de guerreiros com uma virada inesquecível, um 5×3 que eternizava ainda mais o Fla-Flu e um ídolo na Nação, Nosso Didico.

  • Jogos eternos #125: Boavista 2×3 Flamengo 2011

    Jogos eternos #125: Boavista 2×3 Flamengo 2011

    Em 2011, Flamengo tinha contratado um dos maiores jogadores da história do futebol, Ronaldinho Gaúcho. O Gaúcho era nosso, a festa na Gávea foi bonita, e Ronaldinho estreou, já com a faixa de capitão, acho um absurdo, contra Nova Iguaçu, no campeonato carioca. Wanderley fez o único gol da partida, sem a participação de Ronaldinho.

    Três dias depois, no 6 de fevereiro de 2011, o Mengão estava de novo em campo, e Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz, Egídio; Maldonado, Willians, Renato Abreu; Thiago Neves, Ronaldinho, Deivid. Um time de alta qualidade, principalmente no meio de campo e no ataque, e que tinha estreado perfeitamente no campeonato carioca: 5 jogos, 5 vitórias. Só faltava o primeiro gol de Ronaldinho Gaúcho com o Manto Sagrado.

    No Moacyrzão de Macaé, o trio ofensivo, que ia brilhar muito em 2011 com 21 gols para cada um, começou a brilhar na metade do primeiro tempo. No meio de campo, Thiago Neves fez um longo lançamento para Deivid, que chegou antes do goleiro, quase obrigado a cometer o pênalti. A cobrança, claro, para Ronaldinho. O destino, claro, as redes, Ronaldinho chutou forte, chutou cruzado e deixou o primeiro gol dele com o Flamengo. Um gol histórico num jogo eterno.

    No início do segundo tempo, a jogada começou com dois jogadores que mereciam a faixa de capitão, Renato Abreu fez o passe lateral na altura da linha de meio-campo. Léo Moura avançou, avançou até chegar quase na grande área, quando fez o drible. Com dois toques, eliminou o adversário e chegou na altura da linha do gol, quando cruzou. Deivid, à 50 centímetros do gol, conseguiu fazer o gol de cabeça.

    Flamengo estava perto da vitória, mas dois minutos depois, Frontini conseguiu reduzir a vantagem. E à dez minutos do fim do jogo, Frontini aproveitou da falha de Welinton para recuperar a bola e chutar, o chute foi desviado pelo Jean e enganou Felipe, que não teve tempo de voltar para impedir o empate. Mas o jogo do primeiro gol de Ronaldinho Gaúcho merecia uma vitória, e um gol lindo para acabar com o jogo. Willians para Thiago Neves, de trivela para Ronaldinho. Com seu jeito particular, Ronaldinho deixou o adversário chegar nas costas, conseguiu ficar com a bola até achar Willians na esquerda para completar a triangulação. Willians fixou o zagueiro e o driblou na esquerda, antes de cruzar na segunda trave para o gol fácil de Negueba, que tinha entrado em campo quatro minutos antes.

    O Flamengo conseguia uma sexta vitória consecutiva num campeonato que ia conquistar de maneira invicta. O Flamengo era o campeão e o Gaúcho era nosso.

  • Ídolos #30: Gamarra

    Ídolos #30: Gamarra

    Hoje é o aniversário de um ídolo do Flamengo, o paraguaio Gamarra. Antes de Pablo Marí, Gamarra é a prova que um jogador pode se tornar ídolo do Flamengo mesmo com poucos jogos com o Manto Sagrado. Com coincidência, ou talvez não, Gamarra e Pablo Marí têm o mesmo número de jogos com o Flamengo: apenas 30. Não é a única semelhança entre os dois zagueiros gringos, os dois tinham classe, os dois eram limpos nos desarmes, os dois brilharam com o Manto Sagrado.

    Carlos Alberto Gamarra Pavón nasceu no 17 de fevereiro de 1971 em Ypacaraí, no Paraguai. E já no nascimento, tinha uma ligação com o Brasil, foi chamado assim em homenagem ao capitão do Tri, Carlos Alberto Torres. Gamarra estreou profissionalmente com o Cerro Porteño, jogou as Olimpíadas de 1992, foi campeão paraguaio em 1994 e assinou em 1995 com o Internacional de Porto Alegre, que já teve um craque zagueiro gringo, o chileno Elías Figueroa. No Inter, Gamarra conquistou a Taça Conmebol 1996 e o campeonato gaúcho 1997. Também foi eleito na seleção ideal do Brasileirão em 1995 e 1996, quando recebeu a Bola de Prata pelo Placar. Nesses dois anos, também ficou na seleção ideal sul-americana, agora com eleição do jornal uruguaio El País. Em 1997, pela primeira eleição do futebolista paraguaio do ano, agora nomeado pelo jornal ABC Color, Gamarra levou o troféu. Repetiu a dose em 1998, apesar de uma primeira passagem um pouco frustrante na Europa, no Benfica.

    Gamarra também é ídolo da seleção paraguaia, foi o primeiro jogador a chegar aos 100 jogos com a Albirroja. Parecia que o Paraguai sempre caía nas quartas de final da Copa América, foi o caso com Gamarra em 1993, 1995, 1997, 1999 e 2004, e caía nas oitavas da Copa do Mundo, foi o caso em 1998 e 2002, de novo com Gamarra. Gamarra levou uma medalha quando foi o capitão do Paraguai que chegou até a final das Olimpíadas de 2004. O Paraguai levou a medalha de prata depois de derrota contra a Argentina de Ayala, Heinze, Mascherano, Tévez e outro (futuro) ídolo do Inter, D’Alessandro.

    Mas a passagem mais marcante de Gamarra com a seleção nacional foi na Copa do Mundo de 1998. Já falei que completei 6 anos durante a Copa do Mundo e só relembro bem da final, quando torcia pelo Brasil, contra a França, meu próprio país de nascimento. O futebol tem razões que a própria razão desconhece. Apesar de não lembrar assistir ao jogos, sei que assisti a alguns, como o jogo de abertura, quando Ronaldo Fenômeno botou o Brasil no meu coração para sempre. Também assisti ao oitava de final entre a França e o Paraguai, porque o goleiro paraguaio Chilavert era para mim um ídolo quase à altura de Ronaldo. Gamarra foi menos marcante para mim, mas se o Paraguai segurou tão bem esse jogo durante muito tempo, também foi graças ao Gamarra. E mais impressionante, Gamarra fez isso sem cometer nenhuma falta, como não fez já nos 3 primeiros jogos. Uma Copa inteira, sem falta, apesar de enfrentar jogadores como Hristo Stoichkov, Raúl, Nwankwo Kanu, David Trezeguet e Thierry Henry. O nome dos jogadores é suficiente para explicar a façanha de Gamarra. Ainda mais impressionante, Gamarra jogou contra a França machucado, com o ombro deslocado.

    Depois da Copa, Gamarra voltou ao Brasil, no Corinthians, e voltou a colecionar recompensas individuais: ficou no time ideal do Brasileirão, no time ideal sul-americana, foi eleito jogador paraguaio do ano e ficou no segundo lugar da eleição do jogador sul-americano do ano, perdendo só para Martín Palermo. Foi campeão brasileiro em 1998, campeão paulista em 1999 e voltou a tentar a sorte na Europa, agora no Atlético de Madrid. De novo sem sucesso, o Atlético de Madrid foi até rebaixado do campeonato espanhol. E Gamarra voltou ao Brasil, agora no Maior do Mundo, o Flamengo.

    Carlos Gamarra estreou com o Manto Sagrado em setembro de 2000, com uma vitória 3×0 contra Santos no Brasileirão, já anulando completamente o Edmundo no Maracanã. Apesar dos grandes jogadores no time, Flamengo decepcionou e nem se classificou para as oitavas de final. Gamarra também participou da Copa Mercosul 2000, quando Flamengo foi eliminado nas quartas de final depois de dois jogos contra o River Plate. Entre os dois jogos, o único gol de Gamarra com o Manto Sagrado, num Fla-Flu. No Maracanã, Agnaldo abriu o placar para Fluminense já no segundo tempo. Quinze minutos depois, Petkovic cobrou o escanteio, que passou na frente de todo mundo, até os pés de Edílson, do outro lado, que cruzou. O já capitão Gamarra mandou de primeira, fez o gol do empate, o golaço. Esse time tinha grandes jogadores, mas problemas ainda maiores, com briga de egos e falta de pagamento da ISL, parceria do time. Mesmo sem conquistar títulos em 2000, Gamarra ficou pela quarta vez na seleção ideal sul-americana do ano.

    E em 2001, Gamarra voltou a conquistar títulos. No campeonato carioca, Gamarra se machucou no jogo de ida da final e não disputou o jogo de volta, quando Petkovic se eternizou no minuto 43. Mesmo assim, Gamarra conquistou o campeonato carioca, depois de já ter no currículo o campeonato gaúcho e o campeonato paulista. Em julho, Flamengo chegou na final da Copa dos campeões, que valia vaga na Libertadores. Flamengo conquistou o título depois de dois jogos contra o São Paulo, uma vitória 5×3 na ida, uma derrota 3×2 na volta, dois jogos eternos no Francêsguista. Depois de nove anos, Flamengo voltava na Copa Libertadores. Mas esses dois jogos foram os últimos de Gamarra com o Manto Sagrado. Explica o próprio Gamarra no GloboEsporte, sobre ISL: “Eles me deram um dinheiro na frente, e depois a gente fracionou que tinha que ser nos 12 meses de trabalho. E eu recebi dois meses… Fiquei dez meses sem receber. Mas fui muito feliz no Flamengo. A gente se divertia. Só que as necessidades que a gente via no pessoal que tava começando eram totalmente diferentes das nossas, que já tinha um pouco de dinheiro guardado. Muitos estavam passando muito mal. Até os funcionários a gente tinha que ajudar pra no dia seguinte eles voltarem. O Flamengo tava numa crise muito forte. Apareceu um grego que disse ‘vou te pagar, vem comigo’, e eu acertei com o AEK, da Grécia”. Um fim totalmente compreensível, uma grande pena que a ISL fez uma gestão tão desastrosa.

    Gamarra voltou na Europa, no AEK, e conquistou a Copa da Grécia de 2002. Jogou mais uma Copa do Mundo, mais uma vez sem cometer nenhuma falta, mais uma vez com eliminação nas oitavas. Depois, assinou com a Inter de Milão, uma passagem que teve mais baixos que altos, com concorrência duríssima, mas tempo suficiente para conquistar a Copa da Itália de 2005. E mais uma vez, Gamarra voltou ao Brasil, agora no Palmeiras. E mais uma vez, voltou a brilhar, ficou ao lado de Diego Lugano na seleção ideal do Brasileirão e da seleção sul-americana em 2005. Jogou mais uma Copa do Mundo, em 2006, quando fez gol contra antes da primeira falta. No primeiro jogo, o Paraguai perdeu 1×0 contra a Inglaterra com um gol contra de Gamarra aos 2 minutos de jogo. O Paraguai foi eliminado na primeira fase e Gamarra voltou a jogar no seu pais, quando assinou com o Olímpia, onde pendurou as chuteiras em 2007.

    Carlos Alberto Gamarra conseguiu ser ídolo em vários clubes do Brasil e o Flamengo não é exceção. Com o Manto Sagrado, foram apenas 30 jogos e 1 gol. Mas na verdade, foi muito mais do que isso. Foi classe, foi garra, foi liderança. Única coisa que faltou foi justamente as faltas, as faltas apitadas pelo juiz, as faltas de pagamento da ISL também. Mas Gamarra marcou os torcedores flamenguistas que acompanharam a época, mostrou, 20 anos antes do Marí, que sim, era possível fazer marcação impecável, sem recorrer a violência.

  • Jogos eternos #124: Flamengo 3×0 Sergipe 1985

    Jogos eternos #124: Flamengo 3×0 Sergipe 1985

    Vamos voltar a combinar o estádio do jogo do dia com o do jogo eterno, mais uma vez no Nordeste, agora no Sergipe no estádio Lourival Baptista, em Aracaju. Flamengo jogou pela primeira vez no Batistão em 1969, ano de inauguração do estádio. Para hoje, vamos voltar a um jogo de 1985, um amistoso contra Sergipe.

    Depois de ser eliminado na segunda fase do Brasileirão de 1985, Flamengo fez alguns amistosos no Brasil, entre Santa Catarina e o Nordeste. No 6 de agosto de 1985, para o jogo contra Sergipe, o técnico Sebastião Lazaroni escalou Flamengo assim: Cantarele; Jorginho, Ronaldo, Mozer, Adalberto; Andrade, Adílio, Zico; Elder, Paulo Henrique, Bebeto. Tinha o meio de campo de ouro dos anos 1980, Zico tinha acabado de voltar a vestir o Manto Sagrado depois de dois anos na Itália. Era mais velho sim, mas o craque é sempre craque, para a eternidade.

    O adversário, Sergipe, conquistou o campeonato sergipano 1984, mas decepcionou no Brasileirão de 1985, com a 44a e última colocação da classificação geral. O estádio, o Lourival Baptista, era lotado. E o operador de câmera perdeu o início do primeiro gol, mas dá para perceber que o chute de Mozer foi belo, e mais importante, a finalização foi nas redes. Ainda no primeiro tempo, o craque apareceu, Zico recebeu na grande área na direita e cruzou alta, o então jovem Bebeto só teve a empurrar de cabeça a bola nas redes.

    O terceiro e último gol do dia, já no segundo tempo, foi um golaço. Mais uma vez um cruzamento alto para Bebeto, mas essa vez, Bebeto dominou de peito e, de costas para o gol, girou, chutou, gavetou. Bebeto jogou a idolatria para fora com a ida no Vasco e ele não teria a crônica dele na categoria dos ídolos, mas mesmo assim, não pode esquecer que ele jogou muito com o Flamengo.

    No final, uma vitória fácil do Flamengo, mas o melhor jogador da partida, inclusive com troféu nas mãos, foi o goleiro de Sergipe, Luizinho. Só isso serve para mostrar o quanto jogava o Flamengo dos anos 1980, um time que ficou na eternidade.

  • Jogos eternos #123: Flamengo 3×0 Volta Redonda 1993

    Jogos eternos #123: Flamengo 3×0 Volta Redonda 1993

    Flamengo joga hoje contra Volta Redonda e vamos rapidamente voltar a um jogo no ano histórico de 1993, no Caio Martins. No 23 de abril de 1993, o técnico Jair Pereira escalou Flamengo assim: Adriano; Cláudio, Júnior Baiano, Rogério, Andrei; Marquinhos, Luís Antônio, Júlio César Garcia, Djalminha, Marcelinho Carioca; Nílson. Um time jovem, com vários craques da casa.

    E os craques da Gávea brilharam, já no segundo tempo, Luís Antônio de trivela para uma bola alta, desviada de cabeça pelo Djalminha, nos pés de Marcelinho Carioca, que chutou com um toque só, um chute cruzado, que bateu na trave e entrou nas redes. Marcelinho Carioca, um ídolo no Francêsguista, também fez o segundo, um golaço, fixando o goleiro com um drible de corpo antes de fazer o gol.

    No final do jogo, o terceiro e último gol do dia, com uma bola mal defendida pela zaga de Volta Redonda, o também jovem craque Djalminha chegou, bateu de primeira, bateu de voleio, e fez o gol. Uma vitória fácil, com estampa e selo da base do Flamengo. Uma pena que essa geração promissora, campeão da Copinha 1990, da Copa do Brasil 1990 contra Goiás, do campeonato carioca 1991 contra Fluminense, do Brasileirão 1992 contra Botafogo, foi desmontada assim. Acho que com outro craque da base, Sávio, a trajetória de Romário no Flamengo teria sido bem diferente e bem mais vitoriosa coletivamente.

  • Jogos eternos #122: Flamengo 3×0 Botafogo 1982

    Jogos eternos #122: Flamengo 3×0 Botafogo 1982

    Como foi o caso com o último jogo eterno, uma vitória contra Vasco na Taça Guanabara com show de Zico em 1976, vamos continuar com um jogo eterno da Taça Guanabara, com Zico brilhando, alguns anos mais tarde, em 1982.

    Em 1982, Flamengo era campeão de tudo, do campeonato carioca, da Libertadores e do Mundial no fim de 1981, do Brasileirão no início de 1982. Mas a metade do time e o Brasil inteiro eram abatidos. A Seleção, maior símbolo do futebol-arte ao lado do Flamengo, perdeu a Copa do Mundo, contra o pragmatismo italiano. Leandro, Júnior, Zico e os outros perderam a oportunidade de ser campeões do mundo com o Brasil, talvez faltou no time Andrade, Adílio, Tita ou Nunes. Menos de duas semanas depois da Tragédia do Sarriá, Flamengo estreou com goleada 5×2 contra Campo Grande, doblete de Zico, ainda goleou 4×0 a Portuguesa, doblete de Zico, e já perdeu a invencibilidade, contra Americano. Recuperou-se com uma goleada ainda maior, 8×0 contra Madureira, 3 gols de Zico, 2 gols de Tita, gols de Andrade, Adílio e Lico. Um timaço, melhor de que qualquer seleção.

    No 14 de agosto de 1982, para o jogo contra o Botafogo, Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: Cantarele; Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Tita, Lico, Wilsinho. E como foi o caso no último jogo eterno no blog, Flamengo abriu o placar com menos de um minuto de jogo. Leandro achou na profundidade Zico, que deixou sem chance para o goleiro Paulo Sérgio com um chute cruzado perfeito. No final do primeiro tempo, uma jogadaça de Wilsinho, que passou com facilidade entre Abel, também vítima do Flamengo no último jogo eterno quando defendia o Vasco em 1976, e Josimar, futuro jogador da Seleção e que iniciava sua carreira. Wilsinho ainda driblou o goleiro, forçado a cometer o pênalti. Claro, o pênalti foi transformado com categoria pelo Zico, que já marcava seu nono gol em 5 jogos neste início do campeonato carioca.

    E claro, ainda tinha Zico no terceiro e último gol do dia, já no segundo tempo. Andrade para Zico, que girou e achou de cobertura Wilsinho na grande área. Washington tentou o corte, mas deixou Adílio em condição de fazer o gol. No final, Flamengo 3×0 Botafogo, com mais um show e dois gols de Zico, que em 1982, seria pela última vez de sua carreira o artilheiro do campeonato carioca.

  • Jogos eternos #121: Flamengo 3×1 Vasco 1976

    Jogos eternos #121: Flamengo 3×1 Vasco 1976

    Um Flamengo x Vasco, no campeonato carioca, tem inumerosas possibilidades de jogos eternos. Só nesse blog já foram vários, do gol do Tri de Valido de 1944 até a classificação na final de 2022, sem esquecer do jogo de 1991 com Júnior brilhando, de 1996 com Sávio e Romário brilhando e claro, o gol do Tri de Petkovic em 2001. Também deixei uma homenagem ao Roberto Dinamite com um 2×2 na Taça Guanabara de 1975, com Zico e Dinamite brilhando.

    Vamos avançar de um ano só para chegar na Taça Guanabara de 1976. Flamengo começou perfeitamente a competição, com 5 vitórias em 5 jogos. Para o primeiro clássico do ano, no 4 de abril de 1976 contra Vasco, Carlos Froner escalou Flamengo assim: Cantareli; Toninho Baiano, Jayme, Rondinelli, Júnior; Merica, Geraldo, Zico; Caio Cambalhota, Luisinho Lemos, Zé Roberto. Um time de ídolos e de dois irmãos, Caio Cambalhota e Luisinho Lemos. Vasco também tinha grandes jogadores: o goleiro Mazarópi, o futuro técnico Abel Braga, o tricampeão do mundo Marco Antônio e um ataque poderosa com Zanata, Dé, Luiz Fumanchu e claro, Roberto Dinamite. Um Clássico dos Milhões que, mesmo sem decidir nada, reuniu no Maracanã 174.770 presentes, o quinto maior público da história do Maracanã, o segundo do Flamengo e o primeiro do Flamengo x Vasco. Já era um jogo eterno antes do primeiro minuto.

    Não tem informações sobre quantas pessoas faltaram o primeiro gol do dia, mas deve ter muitos. Bola rolando, bola na direita, Geraldo dominou a bola de peito e deixou para Zico, para Zico fazer uma finta e achar de novo na grande área Geraldo, que antecipou a saída do goleiro e cruzou no chão, Luisinho só teve a empurrar a bola no fundo das redes. Com apenas 15 segundos, Flamengo marcava um gol contra Vasco, que nem teve tempo de tocar a bola. Já era um jogo eterno no primeiro minuto.

    O centroavante Luisinho vivia uma seca de gols e reclamava do Geraldo, que segundo ele não lhe passava a bola. Luisinho foi punido e não jogou a partida anterior, contra o São Cristóvão, voltou para o jogo contra Vasco e Geraldo lhe prometeu muitas bolas para fazer gols. Cumpriu a promessa em menos de um minuto. Também vale destacar a cumplicidade entre Zico e Geraldo na jogada, se achavam de olhos fechados e cérebros abertos. Falavam a mesma linguagem do futebol. A morte de Geraldo algumas semanas depois foi um drama. Ele tinha tudo para se encaixar perfeitamente no Flamengo campeão de tudo no início da década de 1980.

    No segundo tempo, Tadeu, bom nome para jogar no Flamengo, entrou no lugar de Geraldo e fez lançamento para achar Júnior perto do gol. A bola bateu no tornozelo de um defensor vascaíno, na perna de Júnior, Zico chegou, deixou a bola cair uma vez e, na entrada da grande área, bateu de perna esquerda, achou a gaveta de Mazarópi. Um golaço de Zico, mais um gol do Galinho contra Vasco. Nosso Rei foi comemorar com a geral cheia de alegria. Uma confissão agora, a tela de meu computador é uma foto desse momento, em preto e branco, com Zico de costas, com a Nação feliz. Não sei se um dia mudarei de tela, de tanta icônica essa foto é.

    Dez minutos depois, já na parte final do jogo, Zico pegou a bola no campo do Flamengo, começou a acelerar e ninguém conseguiu parar Deus. Passou entre dois adversários, achou na esquerda Luisinho e foi no centro, na direção do gol. Luisinho achou de novo Zico e, talvez dos 174.770 espectadores e 22 jogadores, mais comissões técnicas, só Zico viu esse passe. Com um toque só, de calcanhar, Zico deixou Luisinho sozinho na frente do gol, Abel só teve o tempo de voltar para cometer o pênalti. Uma jogada genial, mais uma, de Zico, que converteu sem problemas o pênalti, Mazarópi ficando no centro.

    O Dé deixou o placar final para 3×1, mas quem eternizou mais uma vez o jogo eterno foi Deus, Nosso Rei, Zico.

  • Jogos eternos #120: Remo 2×3 Flamengo 2003

    Jogos eternos #120: Remo 2×3 Flamengo 2003

    Vamos continuar a combinar o estádio do jogo do dia e do jogo eterno com mais um jogo no Nordeste, agora no Mangueirão de Belém. E como foi o caso com a penúltima crônica e o jogo contra Botafogo no Almeidão, vamos de um jogo da Copa do Brasil.

    Como em 1999, Flamengo estreou na Copa do Brasil de 2003 contra o Botafogo de Paraíba. Classificou-se sem maiores problemas, depois passou de Ceará e enfrentou nas oitavas de final mais um time do Nordeste, o Remo. Na ida no Maracanã, Flamengo fez quase todo o trabalho e venceu 4×0. Mas ainda tinha o jogo de volta em Pará e no 30 de abril de 2003, o técnico Nelsinho Baptista escalou Flamengo assim: Diego; Váldson, André Bahia, Fernando, Luciano Baiano; Fabinho, Jônatas, Cássio, Felipe; Jean, Andrezinho.

    No Mangueirão, o primeiro tempo viu a defesa do dia pelo goleiro veterano do Remo, Ivair, num chute de Andrezinho, que ia diretamente na gaveta. O segundo tempo viu muitos gols, o primeiro com Jean, bem colocado na pequena área do time paraense para fazer o gol fácil. Três minutos depois, Flamengo ampliou depois de uma jogada coletiva e um chute cruzado de Cássio. O mesmo Cássio cometeu um pênalti e o Remo reduziu a vantagem. Por pouco tempo, o golaço do dia chegou dos pés do camisa 10, craque e cérebro do Mengo, Felipe, que matou a bola com a sola do pé, abriu o espaço com um drible curto e chuto do pé esquerdo mágico. A bola foi diretamente na gaveta, Remo 1, Flamengo 3, golaço de Felipe, que jogou pouco no Flamengo, mas mesmo assim, jogou muito, com jogadaças e golaços do craque que ele era.

    O segundo gol de Remo, com carrinho de Márcio Belém, não serviu para nada, o dono do Mangueirão era o Flamengo.

  • Ídolos #29: Tita

    Ídolos #29: Tita

    Do time campeão de tudo em 1981, todos os titulares são ídolos. Claro, Tita não é exceção. Misturava como poucos raça e técnica, era o jogador ideal para acompanhar o trio de ouro AndradeAdílioZico, o artilheiro Nunes, as avançadas do lateral Leandro. Todos passando nas categorias da base do clube. Craque, o Flamengo faz em casa. Deixo já a palavra para Deus, Zico: “O Tita, pela direita, era raçudo toda vida e marcava bastante. Daí, o Leandro tinha mais proteção para avançar”.

    Milton Queiroz da Paixão nasceu no Rio de Janeiro no 1o de abril de 1958. Chegou na base do Flamengo em 1970, jogando no meio de campo. Mas quando chegou no time principal, o meio de campo estava cheio de talento: Andrade, Adílio, Zico. Não tinha espaço, a solução foi de ir na ala direita. No ataque, o estilo de jogo permitia as incursões permanentes de Leandro no campo adversário. Na defesa, o estilo de jogo permitia ao Zico de ter menos responsabilidades. E Tita também virou um ótimo goleador. No primeiro jogo com o time principal, no 28 de janeiro de 1977, uma goleada 9×0 contra Central e um gol de Tita. No segundo jogo, mais uma goleada, 7×0 contra Portela, e mais um gol de Tita.

    Mas a primeira decepção veio logo depois, no 28 de setembro de 1977. Decisão do campeonato carioca, no Maracanã, contra Vasco, com 152.059 presentes. Tita entrou no decorrer do jogo com a fama de exímio batedor de pênaltis. E na disputa final, Tita perdeu a penalidade, Flamengo perdeu o título. Mas esse time era uma família. Ainda Zico, agora no livro Zico, 50 anos de futebol, de Roberto Assaf e Roger Garcia: “ Quando perdemos aquele Estadual, saímos todos juntos no ônibus e fomos para o Barril 1800, ao lado do Jorge Ben, que fez até uma música para aquele pênalti que o juiz não deu. Ali, fizemos um acordo que não íamos deixar barato aquele negócio. Fomos até muito criticados pelo Flávio Costa e pelo pessoal da Boca Maldita. Disseram que a gente perdeu o título e foi comemorar. Nós sabíamos que tínhamos um time forte e que as coisas iam mudar. Fomos ali para dar um apoio ao Tita, que deu um tremendo azar, pois só entrara em campo porque o Coutinho sabia que ele batia pênalti muito bem”. Acrescenta Leandro, no livro Os dez mais do Flamengo, de Roberto Sander: “Nós tínhamos uma família na Gávea. Parece até que é combinado, pois todos do time daquela época falam a mesma coisa: eu, Zico, Júnior, Andrade, Tita, Adílio. Ficávamos satisfeitos de estar no clube, de manhã e à tarde. Nossa segunda casa sempre foi o Flamengo, a gente gostava daquele ambiente”.

    Tita se recuperou, fez um golaço, talvez o mais bonito da carreira dele com o Manto Sagrado, para dar a vitória ao Mengo contra o XV de Piracicaba no Brasileirão de 1978. E Flamengo finalmente conseguiu um título com a geração de ouro, o campeonato carioca 1978, com a cabeçada inesquecível de Rondinelli. Foi bi em 1979 e ainda em 1979, conseguiu o Tri. No penúltimo jogo, contra Vasco, na ausência de Zico, Tita jogou com a camisa 10 e jogou muito. Na frente de 115.934 torcedores, Tita fez 2 gols, inclusivo o gol da vitória 3×2, de cabeça. Flamengo confirmou o título uma semana depois, com um empate sem gols contra Botafogo. Na campanha, Tita fez 14 gols em 29 jogos, destaque para a vitória 3×0 contra o Americano, quando Tita fez os 3 gols do jogo. Também em 1979, fez 4 gols num jogo só, um amistoso contra ABCR, com goleada 7×0.

    Também em 1979, Tita estreou com a Seleção brasileira. E estreou no melhor estilo, na Copa América, contra o maior adversário, a Argentina, no maior palco, o Maracanã e seus 130.000 apaixonados neste dia. Zico abriu o placar com apenas 3 minutos de jogo, para o delírio da geral. A Argentina empatou e no segundo tempo, Tita brigou numa segunda bola, tomou posse, tabelou com Zico, infiltrou a grande área e, meio de bico, meio de trivela, fez um gol de cobertura, um golaço sensacional, o gol da vitória. No jogo seguinte, Tita abriu o placar na vitória 2×0 contra a Bolívia. Infelizmente, o Brasil foi eliminado na semifinal contra o Paraguai.

    Em 1980, na segunda fase do Brasileirão, Flamengo enfrentou outro candidato ao título, o Palmeiras. Num jogo já eternizado no Francêsguista, Flamengo se vingou da derrota 4×1 no Maracanã do ano anterior. No Morumbi, Flamengo goleou 6×2, com dobletes de Zico e de Tita, que mandou “tchau” para a torcida palmeirense. No jogo de volta, com a camisa 10, fez o gol do empate de cabeça. Quando Zico estava ausente, Tita não só pegava a camisa 10 que ele adorava, também pegava a função de Zico, organizando o time e fazendo gols, como fez contra Bangu na última rodada da segunda fase, quando Flamengo ganhou 3×0 e Tita fez os três gols, inclusive o último de falta. Isso é mais uma façanha de Tita, conseguia em alguns momentos substituir ninguém menos de que Zico. Mas podiam brilhar juntos, Flamengo conquistou em 1980 seu primeiro título brasileiro, com 9 gols em 22 jogos de Tita, segundo artilheiro do time, atrás apenas de Zico, obvio.

    Tita também fez gols na Europa, durante a excursão do Flamengo em 1980, quando marcou gols na Itália e na Espanha. De volta no campeonato carioca, brilhou ao lado de Zico na goleada 7×1 contra Niterói. Zico fez 4 gols, Tita dois. Fechou o ano com um gol contra Botafogo, mas foi Fluminense que levou o título carioca. O ano de 1981 seria diferente, e começou para Tita com a Seleção, onde foi titular no time que chegou na final do Mundialito, uma minicopa do mundo no Uruguai. Participou dos jogos de eliminatórias e no último jogo, fez 2 gols na vitória 5×0 contra a Venezuela. No final do jogo, Tita falou: “Foi meu último jogo pela ponta-direita. Daqui por diante vou disputar minha posição pelo meio”. O técnico Telê só respondeu: “Ah! Ele falou isso é?”. E nunca mais convocou Tita. Acho que foi um comentário bem infeliz do Tita, já tinha muitos craques no meio de campo e ele jogava numa posição e numa função que ele conhecia com o Flamengo, cobrindo as avançadas de Leandro, que era titular absoluto na Seleção. Talvez com o Tita, o problema da ala direita da Seleção teria sido resolvido e o Brasil tetracampeão do mundo.

    Mas mesmo assim, Tita foi campeão do mundo, com o Maior do Mundo, no 3×0 contra Liverpool. Flamengo goleou e a dupla Leandro – Tita funcionou, como escreveu Gustavo Roman no seu livro Sarriá 82: “Leandro e Tita protagonizaram um overlapping no segundo tempo de jogo, que a torcida aplaudiu como se tivesse presenciado um gol de placa”. Tita ainda ganhou o Brasileirão de 1982, fazendo um gol nas quartas de final contra Santos. Em 1983, foi emprestado ao Grêmio e continuou vencedor, conquistando uma segunda Copa Libertadores. Nem teve tempo de jogar o Mundial de clubes, Flamengo o chamou de volta, Tita virou camisa 10 com a saída de Zico e continuou goleador. No campeonato carioca, fez 11 gols em 14 jogos, infelizmente Flamengo deixou escapar o título no triangular final. No final do ano, participou do jogo de despedida de Raul no Maracanã, e fez os dois gols do Mengo na derrota 3×2.

    Tita foi artilheiro da Copa Libertadores em 1984 com 8 gols em 10 jogos e jogou no Flamengo até 1985. Fez seu último gol numa goleada 5×0 contra Bonsucesso que, para variar, viu Zico brilhar. Tita voltou no Rio Grande do Sul, agora no Internacional, e até jogou no Vasco. Não acho que essa passagem no rival manchou a história de Tita no Flamengo, como não é o caso para outros jogadores, como Andrade, Júnior Baiano ou Petkovic. No Vasco, ganhou o campeonato carioca 1987, fazendo o único gol da final contra o próprio Flamengo, e o Brasileirão de 1989, um ano de ouro para Tita, que também conquistou a Copa América com a Seleção. Entre as duas passagens no Vasco, jogou na Europa, no Bayer Leverkusen e Pescara, e encerrou a carreira em 1998 no Guatemala, depois de passar por vários clubes mexicanos.

    Mais importante, Tita voltou a vestir o Manto Sagrado em 1990, para dois jogos de despedida, de dois monstros sagrados, Zico e Nunes. Na despedida de Zico, Tita vestiu a camisa 7 eterna. Na despedida de Nunes, sem Zico mas com Leandro, Andrade e Júnior, Tita vestiu a camisa 10 e fez um gol, de cabeça, foram vários gols de cabeça durante a carreira. Com o Manto Sagrado, foram 134 gols em 391 jogos, números impressionantes, mas não suficientes para explicar toda a importância de Tita no maior time da história.

  • Jogos eternos #119: Flamengo 1×0 Eintracht Frankfurt 2019

    Jogos eternos #119: Flamengo 1×0 Eintracht Frankfurt 2019

    Flamengo continua hoje a pré-temporada nos Estados Unidos, com um jogo em Orlando. Vamos voltar alguns anos atrás como outra pré-temporada nos Estados Unidos, num ano histórico, em 2019. Flamengo começou com um empate conta o Ajax, que também fez história em 2019, chegando na semifinal da Liga dos campeões, e Fla conseguiu o ponto extra, vencendo a disputa de penalidades. Dois dias depois, Flamengo estava de novo em campo, precisando da vitória para ser campeão.

    Em 2019, Flamengo já jogava em Orlando, Florida, terra de muitos brasileiros, então de muitos flamenguistas. No 12 de janeiro de 2019, o então técnico Abel Braga escalou Flamengo assim: César; Rodinei, Rhodolfo, Rodrigo Caio, Trauco; Piris da Motta, Ronaldo, Jean Lucas, Thiago Santos; Vitor Gabriel, Henrique Dourado. Um time ainda longe de ser o time ideal da temporada de 2019, mas já pronto para conquistar um título.

    No Orlando City Stadium, hoje Inter&Co Stadium, o Eintracht Frankfurt, que ficou na 7a colocação no campeonato alemão deste ano, começou a dominar o jogo, sem muitos lances de perigo. Flamengo jogava de contra-ataque, também sem muito perigo. No meio do primeiro tempo, o capitão do Eintracht, o argentino David Abraham, foi expulso por uma cotovelada em Piris da Motta. Em seguida, Henrique Dourado foi no cara a cara com o goleiro, mas faltou velocidade para chutar no gol. Faltando dez minutos para o intervalo, Rodinei achou de pé esquerdo Jean Lucas, sozinho na segunda trave. Jean Lucas errou um pouco no chute, que finalmente enganou o goleiro Kevin Trapp e foi morrer no fundo das redes. No intervalo, vantagem de um gol para o Flamengo.

    No segundo tempo, alguns lances, sem muito perigo, e no final, Flamengo teve oportunidade de ampliar o placar, com Willian Arão, Renê, Éverton Ribeiro e Diego. Sem gol, mas sem consequência, o Flamengo manteve o 1×0 e foi o campeão. Ainda mais importante que o título, Flamengo começava a juntar as peças do time, já em campo, e também fora, com a oficialização da transferência de Gabigol e o quase acerto de Arrascaeta. Alguns rivais, até não-rivais, tentaram desmerecer a conquista, falando de uma Copa Mickey. Obvio, não era um título importante, mas era interessante de ter resultados contra times europeus. Ainda mais obvio, os rivais e não-rivais não teriam mais nada para zoações no final do ano.

O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”