
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #118: Botafogo-PB 3×3 Flamengo 1999

Flamengo joga hoje dois jogos, um amistoso com o time principal nos Estados Unidos, e o campeonato carioca com o time reserva no estádio Almeidão, na Paraíba. Flamengo é o único time nacional do Brasil, capaz de encher qualquer estádio, em qualquer estado do Brasil. Vamos então ficar no Brasil e no Nordeste para o jogo eterno do dia, com um jogo da Copa do Brasil no Almeidão.
Na estreia da Copa do Brasil de 1999, Flamengo foi em João Pessoa, Paraíba, para enfrentar o Botafogo local. O Almeidão estava cheio, com 34.289 pagantes, e estava rubro-negro. Impressionante a capacidade de Flamengo de levantar as multidões nos estádios, do Maracanã até qualquer lugar do Brasil, ainda mais no Nordeste, terra de flamenguistas. Foi mais uma vez o caso no 28 de fevereiro de 1999, quando o ídolo e eterno Carlinhos escalou Flamengo assim: Clemer; Pimentel, Ronaldo, Fabão, Athirson; Jorginho, Narciso, Cleisson, Beto; Leandro Machado, Romário.
Com apenas 4 minutos de jogo, numa falta com 30 metros de distância, Beto soltou a bomba e Normando desviou a bola nas próprias redes. Explosão no Almeidão, Flamengo já na frente. Dez minutos depois, Botafogo reagiu com o próprio Normando, que se recuperou depois do gol contra e empatou com uma cabeçada. Dez minutos depois, novo gol, jogada começou nos pés de Athirson, que avançou de 20 metros na esquerda e achou na profundidade Beto. Uma finta para fixar o defensor, Beto esperou mais um pouco, esperou a chegada de Athirson, fez o passe certinho, Athirson fez o cruzamento certinho e Romário, acontecia também, se atrapalhou na hora de fazer o gol. Mas com um pouco da sorte dos craques, Romário se recuperou e fez o gol do pé esquerdo. O estádio só não reclamou de uma bola na mão do Baixinho porque era inteiramente rubro-negro.
No segundo tempo, mais um gol chegando de uma falta, e depois de uma bola na trave, o outro zagueiro do Botafogo, Freitas, chegou e empatou mais uma vez para o time da casa. Botafogo até teve a oportunidade da virada com um pênalti, mas Clemer se avançou um pouco e defendeu a cobrança de Vivi. Mais uma explosão no Almeidão. E em seguida, o verdadeiro time da casa voltou mais uma vez na frente no placar. No meio de campo, um passe de Narciso que só não foi mais perfeito que a finalização de Romário. O Baixinho foi mais uma vez cirúrgico, do momento do domínio da bola, já na direção do gol, até a finalização, precisa e certa, sem qualquer esperança para o goleiro. Romário realmente era um jogador diferente, pena que não teve mais time ao seu lado para disputar títulos mais importantes.
Botafogo chegou mais uma vez no empate, de novo com um gol depois de bola parada, Vivi se recuperando do pênalti perdido com um gol num escanteio. O 3×3 foi o placar final, Flamengo passou da primeira fase com vitória no Maracanã na volta, ainda passou em cima da Ponte Preta e de Grêmio, mas parou nas quartas de final contra Palmeiras, fracassando nos últimos momentos do jogo no Parque Antártica. Uma pena, para qualquer rubro-negro, do Rio de Janeiro até o Nordeste.
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Jogos eternos #117: Flamengo 6×0 São Cristóvão 1978

Hoje, Flamengo finalmente volta em campo com o início do campeonato carioca. Vamos então para o jogo eterno do dia de uma abertura do campeonato carioca, um campeonato que mudou a história do Flamengo, quando finalmente conquistou o título em 1978 depois de várias decepções e iniciou a melhor era de sua história, com uma geração de ouro.
O campeonato carioca de 1978 começou contra o São Cristóvão, um time que hoje, e faz tempo, não joga mais na primeira divisão do campeonato carioca, mas um time tradicional, que viu passar Leônidas da Silva, Fio Maravilha e, além de tudo, revelou o Ronaldo Fenômeno. Em 1978, São Cristóvão ainda era um bom time do campeonato carioca e no 3 de setembro de 1978, Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim para o início do campeonato carioca: Raul; Toninho Baiano, Manguito, Nelson, Júnior; Paulo César Carpegiani, Adílio, Zico; Tita, Cláudio Adão, Cleber.
No Maracanã, na frente de 36.802 pagantes e uma geral que ainda era uma geral, Flamengo não tardou a brilhar. Na direita, Tita para Zico que, com um toque só mas um toque do gênio que era, deixou Cláudio Adão sozinho na frente de gol, que só tinha a vencer o goleiro para abrir o placar. Logo depois, na esquerda, uma tabelinha certinha entre Adílio e Cleber, que fez o segundo gol do dia.
No segundo tempo, um toque de Cleber para Cláudio Adão, que teve tempo, muito tempo, para chutar e fazer o gol fácil. Depois, o gol mais bonito do dia. Uma dupla tabelinha entre Júnior e Adílio e a bola sobrou nos pés de Zico na grande área. Nosso Rei driblou um e achou o pequeninho espaço no cantinho para fazer o gol. Um gol só para Zico, o espaço entre a trave e o goleiro era menor do que a própria bola, mas Zico achou um jeito de fazer o gol. E Zico fez o doblete, depois de cruzamento de Cláudio Adão, Zico deixou a bola cair uma vez no gramado e voleiou sem chance para o goleiro. A goleada estava cada vez maior, agora Flamengo 5×0 São Cristóvão.
E o sexto e último gol foi o mais fácil, o mais bizarro também. Jogada começou com Zico no meio de campo, que tentou lançar Adílio, o zagueiro do São Cristóvão interveio e recuou para o goleiro Geraldão, que soltou no chão com bola na mão, e já bola não mais na mão. Geraldão deixou escapar a bola e Adílio só teve a empurrar nas redes. Flamengo estreava bem num campeonato que terá um final ainda mais feliz, com o gol eterno do Deus da Raça, Rondinelli.
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Times históricos #25: Flamengo 1955

Ainda homenageando Zagallo, vamos voltar ao ano de 1955, um dos maiores da história do Flamengo. Zagallo já era titular nesse time, que tinha um dos ataques mais poderosos de sua história, com craques, apenas craques, só craques. Ainda tinha Rubens que desfilava sua classe no meio de campo. Nesse período, a temporada ia um pouco além do calendário gregoriano e Flamengo ainda visava o bicampeonato carioca 1954 no início de 1955.
O ano de 1955 do Flamengo começou então já no 2 de janeiro, com um empate 1×1 contra o America no Maracanã, gol de Benítez. Flamengo tinha um toque de Paraguai, com também o técnico Fleitas Solich, trazido pelo presidente Gilberto Cardoso, que tomou posse em 1951. Gilberto Cardoso está para mim no top 3 dos presidentes da história do Flamengo ao lado de José Bastos Padilha, que abriu o Flamengo ao povo nos anos 1930 e Márcio Braga, que conquistou o mundo nos anos 1980. Nos anos 1950, Gilberto Cardoso abriu Flamengo ao mundo, com excursões na Europa e contratações de craques e técnico estrangeiros.
No 12 de fevereiro de 1955, de virada contra Vasco, o “Rolo Compressor” do Flamengo conquistou o campeonato carioca 1954. Era tempos de carnaval, Flamengo festejou o título no Maracanã alguns dias depois com uma goleada contra a Estrela Vermelha da Iugoslávia, doblete de Evaristo de Macedo, gols de Zagallo e Babá. O último jogo do campeonato carioca também virou uma festa, uma das mais impressionantes da história do Maracanã. Pela primeira vez, a escola da Mangueira desfilou no Maracanã, com a presença de Marta Rocha, primeira Miss Brasil eleita e segunda colocada na eleição de Miss Universo 1954, e de duas atrizes americanas mais famosas da época, Ginger Rogers e Elaine Stewart. E mais, a Samba Rubro-Negro de Wilson Batista virou hit no Rio de Janeiro e não posso faltar de lembrar a letra: “Flamengo joga amanhã, eu vou pra lá, vai haver mais um baile, no Maracanã, o Mais Querido tem Rubens, Dequinha e Pavão, eu já rezei pra São Jorge, por Mengão ser campeão”. E para uma festa completa, Flamengo goleou 5×1 Bangu, o Flamengo era o dono da cidade.
No Torneio Rio – São Paulo, Flamengo estreou com goleada 5×1 contra Santos e mais um doblete de Evaristo de Macedo. Flamengo finalmente fechou a competição no quarto lugar, três pontos a menos do que o campeão, a Portuguesa. Em pleno Centenário de Montevidéu, Flamengo derrotou 3×2 o Peñarol, mais uma vez com um doblete de Evaristo de Macedo. No comando de Jayme de Almeida e com um time reserva, mas que tinha entre outros Índio, Hermes e Henrique Frade, Fla conquistou na Bahia a Taça da Amizade. E Flamengo voltou a maltratar os uruguaios, conquistando o Troféu Marechal Eurico Gaspar Dutra com duas vitórias 3×2 sobre o Nacional no Maracanã. Na ida, gols de Esquerdinha, Índio e Evaristo de Macedo. Na volta, gols de Evaristo de Macedo, Duca e Joel. Flamengo tinha um timaço, foram muitos gols, 155 em 1955 em apenas 60 jogos, com Zagallo já ajudando na marcação e dando mais liberdade aos outros jogadores do ataque.
No Torneio Internacional Charles Miller, entre o Maracanã e o Pacaembu, Flamengo perdeu contra o America e o Corinthians, mas derrotou os dois time estrangeiros, Benfica 1×0 gol de Evaristo, Peñarol 2×1 doblete de Joel. No campeonato carioca, Flamengo estreou com vitória, 2×0 contra Canto do Rio, gols de Rubens e Paulinho, e goleou em seguida Madureira, Bonsucesso e a Portuguesa. Ainda venceu Botafogo, antes de conhecer a primeira derrota no campeonato, no Fla-Flu. O grande ídolo Rubens jogou um pouco menos, entre lesões e conflito com Fleitas Solich. Duca e Paulinho passaram a jogar mais, e ainda reinava no meio de campo Dequinha, que substituiu Modesto Bría e será substituído pelo Carlinhos, só craques, só ídolos. Evaristo de Macedo, artilheiro da temporada com 34 gols, rompeu os ligamentos do joelho e foi substituído por um jovem atacante alagoano, futuro craque e ídolo, Dida, que fez vários gols, inclusive um hat-trick contra Canto do Rio. Flamengo tinha um timaço e Fleitas Solich recebeu o apelido de “Feiticeiro” por revelar tantos jovens jogadores.
Infelizmente, o Flamengo não foi só vitórias, craques e festa no Maracanã. No 26 de novembro, Flamengo perdeu seu presidente, de forma dramática. No ginásio do Maracanazinho, Gilberto Cardoso assistia a um jogo de basquete de nosso Flamengo e Guguta fez no último segundo a cesta que ofereceu ao Flamengo a vitória 45-44 contra Sírio e Libanês. O coração rubro-negro de Gilberto Cardoso não aguentou, o presidente morreu de uma parada cardíaca fulminante. Tinha apenas 49 anos. Escreveu Henrique Pongetti: “Gilberto Cardoso foi vítima de um acidente sentimental. Os cardiologistas podem dar um nome complicado ao acidente reduzindo-o a um mero caso fisiológico. Eu acho que foi amor ao rubro-negro num coração insuficiente, coração de qualquer outro ser humano. Doença não havia: havia falta de espaço”. Além do presidente, Flamengo perdeu uma torcedora ilustre, a atriz Carmen Miranda, que se apaixonou pelo Mengo ao mesmo tempo que se apaixonou por um remador do clube, Mário Augusto Pereira da Cunha, já em 1925. Carmen Miranda fez sucesso nos Estados Unidos, mas deu sorte ao Flamengo quando assistiu ao jogo contra Vasco no fevereiro de 1955, com vitória de virada do Mengo e bicampeonato carioca. Carmen Miranda faleceu em agosto de 1955, também jovem, com apenas 45 anos.
No sepultamento de Gilberto Cardoso, o padre Góes, outro nome ilustre na história do Flamengo, prometeu o tricampeonato carioca. Mas só chegará no início de 1956, quando Flamengo passou a usar um calça preta em homenagem ao seu querido presidente. Gosto do uniforme tradicional de calça branca, mas também acho muito lindo com a calça preta, ainda mais com essa homenagem ao Gilberto Cardoso, que tinha o rubro-negro no corpo e na alma. Deixo o jogo do título, com goleada contra America e atuação magistral de Dida, para uma outra crônica. Flamengo fez seu último jogo do campeonato carioca em 1955 contra Fluminense. O tricolor Didi abriu o placar, mas depois foi só Flamengo, apenas Flamengo. Com hat-trick de Paulinho, doblete de Dida, gol de Joel, Flamengo goleou 6×1. A goleada foi tão imoral que os jogadores do Fluminense foram multados pela diretoria.
No final do ano, Gilberto Cardoso, que merecidamente deixou seu nome ao ginásio do Maracanazinho, mesmo no céu rubro-negro, fez outro milagre: reuniu Flamengo e Vasco. No 23 de dezembro, um combinado Flamengo-Vasco enfrentou um time que juntava também dois inimigos, o Racing e o Independiente da Argentina. Com camisa rubro-negra e calça preta, o combinado Fla-Vasco abriu o placar graças ao Paulinho. Os argentinos empataram, e no início do segundo tempo, Dida deixou de novo os cariocas na frente, antes do terceiro gol assinalado pelo vascaíno Parodi. Os quatro times jogaram depois o Torneio Internacional do Rio de Janeiro, também chamado de Torneio Internacional Gilberto Cardoso. Na semifinal, Flamengo derrotou o Racing 2×1, gols de Dida e Babá. No 30 de dezembro de 1955, no Maracanã, Flamengo conquistou facilmente o título, com vitória 3×0 contra o Independiente, gols de Milton, Dida e Duca. Assim acabava o ano de 1955, com mais um sucesso contra um time estrangeiro, confrontos de quem o Gilberto Cardoso foi um dos maiores incentivadores. Na presidência de Gilberto Cardoso entre 1951 e 1955, Flamengo fez 49 jogos contra times estrangeiros, da Europa e da América do Sul, com um retrospecto incrível: 31 vitórias, 15 empates e apenas 3 derrotas. Assim era o Flamengo do início dos anos 1950, Rolo Compressor e campeão, mesmo nas tristezas mais pesadas.
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Jogos eternos #116: Flamengo 2×3 São Paulo 2001

Vamos continuar às homenagens ao Zagallo com esse jogo entre Flamengo e São Paulo de 2001. E olha a ironia, homenageando um dos maiores vitoriosos do futebol brasileiro com, pela primeira vez no Francêsguista, um jogo eterno que acabou com uma derrota do Flamengo. Mas a derrota não impediu o título do Flamengo, o último da carreira de Zagallo, mais uma vez campeão, então tudo está na ordem.
Eu já escrevi sobre a competição, a Copa dos Campeões, com campeões de várias competições estaduais e nacionais, e o jogo de ida da final, uma chuva de gols entre Flamengo e São Paulo no Almeidão de João Pessoa. No final, um jogo eterno aqui e uma vitória 5×3 do Flamengo. Três dias depois, as duas equipes ficaram para o jogo de volta no Nordeste, desta vez em Maceió, no estádio Rei Pelé. O estádio foi chamado assim porque a inauguração aconteceu poucas semanas depois do tricampeonato da Seleção, Pelé fazendo show nos gramados mexicanos, sob a maestria do técnico Zagallo. E mais, jogo aconteceu em Maceió, cidade natal de Zagallo. O ciclo estava quase fechado, só faltava o título.
No 11 de julho de 2001, Zagallo escalou Flamengo assim: Júlio César; Alessandro, Juan, Gamarra, Cássio; Leandro Ávila, Rocha, Beto, Petkovic; Edílson, Reinaldo. Flamengo se classificou para a Copa dos Campeões como campeão carioca, com o gol eterno de Pet contra Vasco, também um jogo eterno no Francêsguista. Já o São Paulo se classificou graças a vitória no Torneio Rio – São Paulo e a grande atuação de um jovem craque, Kaká. São Paulo tinha um timaço, ao lado de Kaká, tinha Rogério Ceni e Belletti, que também foram pentacampeões do mundo um ano depois. O Tricolor tinha uma dupla de ataque poderosa com França e Luís Fabiano, e ainda tinha Júlio Baptista no banco. Um timaço, mas Flamengo tinha um maestro na armação do jogo, Petkovic, e um maestro no banco, Zagallo.
Precisando da vitória, São Paulo partiu ao ataque, sem fazer o gol. Flamengo reagiu, também sem fazer o gol. São Paulo insistiu, ainda sem fazer o gol. O jogo estava longe da chuva de gols do jogo de ida, até o finalzinho do primeiro tempo, quando França recebeu a bola na esquerda, avançou e achou Kaká. Bem ao seu estilo, Kaká fez um drible curto, e chutou bem, chutou forte, chutou preciso, bola na gaveta, São Paulo na frente no jogo, mas Flamengo ainda campeão.
São Paulo podia acreditar ao título no intervalo, momento para os técnicos de achar as palavras certas para incentivar o time. Zagallo era um mestre neste quesito. Com apenas dois minutos no segundo tempo, uma falta para Flamengo, na direita. Petkovic era um mestre neste quesito. Pet cruzou, a curva foi sensacional, Juan cabeceou, a bola foi nas redes. Flamengo empatou no jogo e estava bem perto do título.
O título se aproximou ainda mais dez minutos depois, com uma falta a 25-30 metros do gol são-paulino. Petkovic eternizou-se na história do Flamengo com o golaço de falta na hora do Tri contra Vasco, no minuto 43 no Maraca. Mas alguns cegos, loucos, burros tiveram a ousadia de dizer que foi sorte. Não, era trabalho, talento, dedicação, era um gol com a cara do Flamengo, do Petkovic. Então Petkovic fez um gol bis, a mesma corrida, o mesmo chute, a mesma força, o mesmo ângulo. E Rogério Ceni virou Helton, só conseguindo se aproximar da bola, sem impedir o golaço. E mesmo com os dois gols de França e a vitória parcial de São Paulo, Flamengo virou campeão, voltou na Libertadores quase dez anos depois da última participação. Assim, foi, na sua cidade natal, o último título de Zagallo, concluindo uma das carreiras mais vitoriosas de todos os tempos.
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Ídolos #28: Zagallo

O início do ano de 2024 do Flamengo começa de maneira muito difícil, alguns dias depois do falecimento de Denir, Mário Jorge Lobo Zagallo morreu aos 92 anos e se juntou no céu aos outros ídolos da primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, em 1958. Porque Zagallo não é só um ídolo do Flamengo, é um dos maiores brasileiros de todos os tempos, uma referência do futebol no mundo, ainda hoje, é provavelmente por muito tempo, talvez a eternidade, o único a ter quatro Copas do Mundo.
Mário Jorge Lobo Zagallo nasceu no 9 de agosto de 1931 em Maceió, Alagoas, terra também de Marta, e chegou antes de seu primeiro aniversário no Rio de Janeiro. Ingressou a base do Flamengo e fez seu serviço militar, assistindo como soldado no campo a maior tragédia da Seleção, o Maracanaço em 1950. Um ano depois, foi lançado no time principal do Flamengo pelo Flávio Costa numa goleada 6×0 contra Goytacaz num amistoso. Seu primeiro jogo no campeonato carioca só chegou no início de 1953, quando o técnico era Jayme de Almeida. Um mês depois, fazia seu primeiro gol com o Manto Sagrado, contra Boca Juniors no Maracanã. Fez apenas um jogo do campeonato carioca de 1953, suficiente para ser campeão no comando de Fleitas Solich. Já no início da carreira, Zagallo conhecia grandes treinadores e o que ele parecia só saber fazer: ser vitorioso, ser campeão.
Em 1954, Zagallo virou titular num ataque que tinha mais craques do que vagas: Rubens, Joel, Índio, Evaristo, Benítez, Dida e o próprio Zagallo, que fez 3 gols durante o campeonato carioca. Mas Zagallo era muito mais que os gols, ao lado de Telê no Fluminense, foi um dos primeiros pontos recuados, ajudando na marcação no meio de campo, ajudando os companheiros do ataque a ter mais liberdade. Zagallo foi um soldado do futebol, disciplinado e vitorioso. Conquistou o bicampeonato carioca em 1954, o tricampeonato em 1955, o segundo tri da história do Flamengo. Em 1956, o tetra não veio, mas Zagallo fez neste ano seu único doblete com o Manto Sagrado, numa vitória 6×2 contra Monte Alegre.
Em 1957, Zagallo fez gol nas goleadas 7×0 e 8×0 contra Canto do Rio e Madureira, fez gol contra o Santos de Pelé e contra o Botafogo de Garrincha. O primeiro foi goleado 4×0, com gol de Zagallo no primeiro minuto de jogo, o segundo conseguiu o empate 3×3 no Maracanã. Zagallo não brilhou só no Rio de Janeiro, também fez gol na Europa, na vitória 4×0 contra Burnley no Nou Camp, um jogo eternizado no Francêsguista. No Torneio Rio – São Paulo 1958, Flamengo goleou Botafogo 4×0 e Zagallo jogou muito. Algumas semanas depois, Zagallo estreava na Seleção Brasil, com 26 anos, pouco antes da Copa do Mundo, e estreou muito bem, com 2 gols contra o Paraguai. Tinha na sua posição jogadores mais craques, mais gênios, com Pepe e Canhoteiro. Mas Zagallo era diferente. Explica o próprio Zagallo no livro As melhores seleções brasileiras de todos os tempos, de Milton Leite: “Eu era um jogador de 100 metros, fazendo aquele vai e vem, ajudando na marcação e na armação, já era assim no Flamengo. Pepe e Canhoteiro eram as duas forças para irem à Copa, mas eu acabei conquistando o lugar por jogar de outro jeito”. E Zagallo foi na Copa, virou titular, fez gol na final, e o Brasil foi campeão, mudou sua história.
E Zagallo, único flamenguista a ser campeão do mundo como titular, o Brasil tinha Dida, Joel e Moacir na reserva, mudou de clube. Zagallo era um jogador diferente, também um homem diferente. Aceitou no Flamengo um salário menor para ser dono de seu passe no fim do contrato, o passe impedia vários jogadores de mudar de clube, mesmo em fim de contrato. Não para Zagallo, que tinha propostas de Palmeiras e da Portuguesa. Mas, esperto, esperou a Copa, se valorizou ainda mais, e teve propostas ainda maiores. E, contra a vontade dos dirigentes rubro-negros, mas conforme ao desejo da mulher que queria ficar no Rio de Janeiro, Zagallo assinou com o Botafogo de Didi, Garrincha, Nílton Santos e muitos outros, onde conquistou mais dois campeonatos cariocas, em 1961 e 1962. No Flamengo foram 218 jogos e 26 gols, o último, como o primeiro, contra um time argentino, num 3×3 contra o Racing na Bombonera.
Zagallo não era mais do Flamengo, mas ainda era ídolo, do Flamengo, e do Brasil, conquistando em 1962 uma segunda Copa do Mundo, de novo como titular. Talvez sem Zagallo, o Brasil não teria brilhado tanto, Zagallo sendo o equilíbrio do time. “O Zagallo era o único atacante que ajudava o meio-campo” explicou o primeiro capitão campeão do mundo, Bellini. Depois, Formiguinha como era chamado por causa da atividade na defesa, teve algumas lesões e aposentou-se no Botafogo aos 34 anos. Mesmo discreto, Zagallo era um líder dentro do campo, tinha que ser fora, virou treinador, ficou o homem vitorioso que ele sempre foi. De novo com Botafogo, conquistou o bicampeonato carioca 1967-1968 e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1968, que depois virou um Brasileirão. E mais, Zagallo virou técnico da Seleção, confirmou Pelé como titular, Tostão também, parece obvio hoje mas não era na época, e recuou Piazza na zaga. E de novo, foi campeão. Antes dos 40 anos, Zagallo se tornou o primeiro homem da história do futebol a ser campeão do mundo como jogador e como técnico.
Zagallo repetiu a dupla de sucesso do Tri com o então preparador físico Carlos Alberto Parreira, conquistando com Fluminense o campeonato carioca 1971 que parecia muito perdido. E Zagallo voltou no Flamengo, agora como técnico, em 1972. E Zagallo de novo ganhou o campeonato carioca, já o quarto como treinador depois de ter conquistado cinco como jogador. Porém, Zagallo deixava no banco um jovem promissor que tinha estreado um ano antes no time principal, um certo Zico. Com Zagallo, Zico disputou apenas 8 dos 74 jogos do Flamengo em 1972. Relembra Zico no livro Zico, 50 anos de futebol, de Roger Garcia: “Eu poderia ter saído por causa do Zagallo. E só permaneci em atividade mesmo porque o Antoninho apareceu na Gávea pedindo para eu jogar no juvenil. O Zagallo de fato raras vezes me solicitou, e quando o fez, me botava 15, 20 minutos, fora da minha posição, na ponta-direita, no meio-campo, na ponta-esquerda”.
Em 1973, Zico jogou muito mais jogos, mas quase sempre como reserva. Zagallo saiu do Flamengo no final do ano, Zico virou titular absoluto e campeão carioca em 1974. E o técnico Joubert, que tinha jogado com Zagallo no Flamengo nos anos 1950, dedicou o título ao próprio Zagallo: “Foi ele quem me incentivou, quem acreditou no meu trabalho e que me indicou para substituí-lo”. Com a Seleção, Zagallo ficou na quarta colocação na Copa do Mundo de 1974, um resultado ruim para ele, e passou por vários clubes entre Rio de Janeiro, onde dirigiu os quatro gigantes, e o futebol árabe. Em 1994, voltou a fazer a dupla de sucesso com Carlos Alberto Parreira, agora na função de coordenador técnico da Seleção. Era a quarta Copa do Mundo de Zagallo, um recorde até hoje, talvez para sempre. Em 1998, Zagallo voltou na final da Copa, mas foi derrotado pelo meu país, a França. Como já falei várias vezes nesse blog, descobri o futebol com 6 anos durante a Copa do Mundo de 1998 e me apaixonei diretamente pelo Brasil. Zagallo, na época um senhor de 67 anos, foi então o técnico do primeiro time de meu coração. E claro, na época, estava longe de saber o quanto ele era um monumento do futebol.
Zagallo foi, ainda é, um monumento do futebol. Não é exagero considerar ele ao lado de Pelé o personagem mais importante do futebol brasileiro. Vale a pena deixar um trecho do livro Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos de André Kfouri e Paulo Vinicius Coelho: “Não há brasileiro mas intimamente ligado à Seleção. Hoje em dia, quando alguém diz que determinada camisa ‘é minha segunda pele’, é quase impossível acreditar. Mas imagine Zagallo falando dessa forma sobre a camisa de Seleção Brasileira de futebol e diga se não soa absolutamente autêntico”. E depois de todos os sucessos com Botafogo e a Seleção, Zagallo voltou no Flamengo no final de 2000. Na final do campeonato carioca 2001, Flamengo perdeu o jogo de ida com falta do jovem Juan nos dois gols vascaínos. Mas Zagallo manteve sua confiança no Juan, falando para ele que ia chegar até a Seleção, e em todos os outros jogadores. Escreve Marcos Eduardo Neves no seu livro 20 jogos eternos do Flamengo: “O time confiava no que dizia Zagallo. Sem vaidade, aos 69 anos de idade, o comandante vibrava feito menino, conclamando cada um a dar o melhor de si. Como, por sinal, houvera feito em abril de 1956, quando conquistou o Tri dentro de campo para o clube. Em referência ao brasileiro campeão mundial de boxe, Zagallo pedia onze ‘Popós’ em campo. Com sete pratas da casa entre os titulares – o goleiro, os quatro zagueiros, o meia Rocha e o atacante Reinaldo –, personalidade e identificação não iriam faltar”.
E no 27 de maio de 2001, claro um jogo eterno no Francêsguista, com estátua de Santo Antônio no bolso de Zagallo, com bola na gaveta de Pet, Flamengo foi campeão, Vasco vice, Flamengo tricampeão. No final do ano, Zagallo chegou aos 281 jogos como técnico do Flamengo. Ainda é hoje o quarto com mais jogos na história do clube atrás de Flávio Costa, que lançou Zagallo como profissional, Fleitas Solich, técnico no tricampeonato 1953-1955 com Zagallo no time, e Carlinhos, que estreou no time principal em 1958, ano da saída de Zagallo do clube. Mas de todos os 281 jogos, o mais marcante é sim o jogo do título contra Vasco, maior alegria de toda uma geração de rubro-negros. Falou um exaltado, quase alucinado Zagallo no final do jogo: “Era minha última oportunidade de conquistar um novo Tri. Este tricampeonato, na minha vida, valeu como se eu tivesse ganho outra Copa do Mundo”. Assim foi a prova final de um dos maiores ídolos do futebol mundial em geral e do Flamengo em particular.
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Jogos eternos #115: Flamengo 1×0 Goiás 1990

O time sub-20 do Flamengo estreou na Copinha, competição de juniores que Flamengo ganhou pela primeira vez em 1990, com um dos melhores times, se não o melhor, da história da competição. Para o jogo de hoje, um jogo profissional como sempre, mas já com alguns jogadores da base, um título também inédito de 1990, a final da Copa do Brasil contra Goiás.
A Copa do Brasil só foi criada em 1989 e neste ano, Flamengo perdeu na semifinal contra o futuro campeão, Grêmio. Um ano depois, Flamengo voltava na competição, classificado como vice-campeão do campeonato estadual. Na época, tinha apenas 32 times na Copa do Brasil e faltava assim vários grandes times. Flamengo não vencia o campeonato carioca 1986, mas mesmo assim, conseguiu a vaga para a Copa do Brasil de 1990.
Flamengo estreou na competição com duas goleadas contra Capelense, a primeira um jogo eterno no Francêsguista. Passou de Taguatinga, time do Distrito Federal, Leonardo fazendo gol tanto na ida do que na volta. Flamengo eliminou Bahia com gol de Aílton no final do jogo, e quase ganhou o ingresso para a final já no jogo de ida da semifinal, com vitória 3×0 contra Náutico, Gaúcho fazendo dois gols no segundo tempo. O 2×2 na volta, gols de Djalminha e Renato Gaúcho, serviu para anunciar o placar agregado da final do Brasileirão dois anos depois, 3×0 e 2×2 contra Botafogo, e para chegar na final da Copa do Brasil como invicto.
Flamengo podia pela segunda vez neste ano de 1990 conquistar um título inédito depois da Copinha. Piá e Djalminha jogaram as duas finais, Nélio também entrou no jogo na volta da Copa do Brasil. Ainda tinha Júnior Baiano, Rogério Lourenço e Marquinhos, que não jogaram nenhuma das finais, mas que são campeões dos dois torneios. Por causa de obras no Maracanã, a final da Copa do Brasil de 1990 aconteceu no estádio Mario Helênio de Juiz de Fora, também palco do último jogo de Nosso Rei Zico com o Manto Sagrado, um 5×0 no Fla-Flu, também eternizado no blog.
No Minas Gerais, Flamengo enfrentou para um título inédito Goiás, que tinha eliminado nas fases anteriores dois gigantes mineiros, Cruzeiro e o Atlético Mineiro. No 1o de novembro de 1990, Jair Pereira escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Aílton, Vitor Hugo, Fernando, Piá; Júnior, Marquinhos, Zinho, Djalminha; Renato Gaúcho, Gaúcho. Um time de craques e ídolos, prontos para escrever a história. Flamengo dominou o primeiro tempo, Renato Gaúcho parecia estar envolvido em cada lance perigoso do Flamengo, mas o placar não saía do 0x0. No intervalo, nada de gol, nada de título decidido.
No segundo tempo, Goiás voltou melhor e chegou a levar perigo na área do Flamengo, com um goleador nato, Túlio Maravilha. Mas Zé Carlos foi bem, tanto na linha do gol que nas saídas. Com uma hora de jogo, Djalminha abriu na esquerda para Piá, que chegou em velocidade e sofreu falta dura de Richard, merecidamente avertido pelo juiz. Na cobrança, de novo Djalminha, craque e filho de craque, Djalma Dias. Djalminha cruzou de pé esquerdo, a curva foi perfeita, a chegada na segunda trave de Fernando também, o zagueiro cabeceou e fez o gol de um título que se aproximava.
Flamengo venceu 1×0 e Fernando, expulso no final do jogo de ida, não viu o jogo de volta. E o Serra Dourada não viu gols, mas viu o Flamengo ser campeão, pela primeira vez e como invicto, da Copa do Brasil. Pena que essa geração de jovens craques da casa não foi mais longe, mas deu alegrias e títulos, a Copa do Brasil de 1990, o campeonato carioca de 1991 e o Brasileirão de 1992.
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Jogos eternos #114: Flamengo 2×1 Volta Redonda 2021

O ano de 2024 começou com uma notícia muito ruim para o Flamengo, o falecimento de Denir, histórico massagista do clube. O jogo eterno de hoje não é para o jogo mesmo, mas para Denir, que levantou neste dia de 2021 a taça de campeão, quase 40 anos depois de sua chegada no Flamengo.
No 24 de abril de 2021, para o jogo contra Volta Redonda, Rogério Ceni escalou Flamengo assim: Diego Alves; Matheuzinho, Bruno Viana, Gustavo Henrique, Renê; Willian Arão, Gerson; Michael, Vitinho, Gabigol, Pedro. Um time misto, por causa dos jogos da Copa Libertadores no mesmo período. Porém, o jogo estava importante e decidia o vencedor da Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato carioca. Com dois pontos atrás de Volta Redonda, Flamengo precisava absolutamente da vitória para ser campeão.
Num Maracanã vazio por causa da pandemia de Covid, Flamengo dominava o jogo, ainda sem marcar, apesar de duas boas oportunidades de Gabigol. No final do primeiro tempo, aproveitando de um passe muito bom de Gustavo Henrique e da semi-falha do goleiro adversário, Michael abriu o placar. Mas Volta Redonda empatou ainda antes do intervalo, Bruno Barra fazendo o gol num escanteio. Com uma hora de jogo, Matheuzinho recebeu a bola no campo do Flamengo, acelerou e ganhou 30 metros até fazer um passe para Vitinho, que teve tempo suficiente para ajustar o goleiro e fazer o gol do título com um belo chute.
Flamengo era o campeão e quem levantou a taça foi Sr Adenir Silva, o Denir. O massagista tinha se afastado no Flamengo no final de 2020 por causa dos casos positivos de Covid no clube. Deixou muitas saudades entre os jogadores, que fizeram depois essa linda homenagem com Denir levantando a taça de campeão depois de voltar ao seu dia a dia. Um dia a dia de quase 40 anos, Denir chegou no Flamengo em 1981. Talvez não coincidentemente, Flamengo levantou sua primeira taça de campeão da Copa Libertadores menos de um mês depois da chegada de Denir.
Denir viu de perto a geração de Zico e de todos os craques da década de 1980, depois vários ídolos passaram entre as mãos de Denir, como Romário, Sávio, Petkovic, Adriano, até a geração multicampeã de 2019, entre outros Bruno Henrique, Filipe Luís, Diego e Gabigol, que costumava beijar as mãos de Denir, em sinal de respeito e gratidão. O Denir foi campeão de tudo com o Maior de todos e ainda ganhou a Copa do Mundo 2002 com a Seleção. Mas o legado de Denir vai além dos títulos.
No Flamengo, tudo muda, a diretoria, os jogadores, até a torcida. E às vezes, a ligação do Flamengo com o povo, traço histórico do clube, fica mais distante. Com Denir, o povo se sente representado no Flamengo. Denir tinha essa humildade que não podia ser forçada ou disfarçada, uma humildade que se vê no sorriso, na atitude simples, uma humildade que conquista todos. Por isso, era ídolo dos torcedores rubro-negros.
Outro massagista histórico do futebol brasileiro, Mário Américo escreveu nas suas memórias: “O massagista, no futebol, tem que ser um psicólogo, porque o jogador recorre mais a ele que ao médico, e o torna seu confidente”. Por isso, Denir era amigo dos jogadores, trazia um pouco de simplicidade e autenticidade no dia a dia irreal dos jogadores. Denir trabalhou com o mesmo profissionalismo e a mesma dedicação durante 40 anos. Por isso, era respeitado até pelos torcedores rivais.
Diagnosticado com um câncer no cérebro em 2022, voltou no Ninho do Urubu para uma homenagem depois da cirurgia em 2023. Recebeu uma placa e deveria virar busto na Gávea de tanto um patrimônio histórico do clube ele é. Hoje, Denir se juntou no céu rubro-negro ao Jorginho, outro massagista histórico do Flamengo e falecido em 2020 por causa da Covid, e aos 10 garotos do Ninho, de quem Denir vai cuidar com a mesma atenção que ele teve durante mais de 40 anos no Flamengo. Descanse em paz Denir, você vai deixar muitas saudades.
Para fechar a crônica, deixo a nota oficial do Flamengo sobre o falecimento de Denir: “Hoje, o Flamengo chora. Perdemos um dos nossos. Adenir Silva, o nosso Deni, nos deixou aos 75 anos. Um pilar de nossos valores, um símbolo máximo do rubro-negrismo, um griô em vermelho e preto. Poucas são as palavras capazes de definir um homem que se tornou ídolo da Maior Torcida do Mundo sem jamais ter entrado em campo como atleta do clube. Desde 26 de outubro de 1981 – até a eternidade –, o Flamengo foi e é Deni. Por 42 anos, dois meses e cinco dias, o Manto Sagrado foi cuidado com o capricho, a altivez e a sabedoria de um guardião apaixonado por nossas cores e por quem somos. Que sempre nos lembremos de Deni quando nos lembrarmos do Flamengo – sempre foram e para sempre serão sinônimos”.
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Jogos eternos #113: Flamengo 7×0 Real Sociedad 1990

Para a última crônica do ano, vamos de uma goleada contra um adversário europeu, a Real Sociedad, num país onde Flamengo fez história, o Japão. Em 1990, Flamengo era órfão de Zico e começou o ano com uma decepção, ficando fora da fase final do campeonato carioca, disputada entre Fluminense, Vasco e Botafogo. Depois, jogou a Copa do Brasil, a maior glória do ano, e alguns amistosos em vários estados do Brasil e no Chile. No mês do agosto, atravessou o mundo e voltou para o Japão, onde escreveu a página mais gloriosa da história do clube.
Nove anos depois do 3×0 contra Liverpool, o adversário era também europeu, a Real Sociedad, que terminou a Liga 1989/1990 num excelente quinto lugar. A competição era amistosa, a Copa Sharp, com um prêmio de 60 mil dólares. O estádio era o Tóquio Dome e o campo era sintético, coisas de japoneses. O técnico rubro-negro era Jair Batista, que, no 6 de agosto de 1990, escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Zanata, Vitor Hugo, Rogério, Nelsinho; Aílton, Júnior, Zinho, Bobô; Renato Gaúcho, Gaúcho.
E no Japão, na frente de 56 mil espectadores, Flamengo de novo fez história. De novo, jogou bonito. Com 19 minutos, uma triangulação no meio de campo, e Bobô, um autentico craque, pena que não vingou no Flamengo, abriu na direita para Renato Gaúcho, também craque. O cruzamento foi rasteiro e preciso, e o saudoso Gaúcho concluiu a jogada coletiva com tranquilidade. No final do primeiro tempo, mais um golaço coletivo, com Zinho para Renato Gaúcho, que completou a tabelinha com um toque de calcanhar que só os gênios conseguem fazer. Zinho esperou a saída do goleira para achar de novo Renato Gaúcho, que chutou com força no gol vazio. No intervalo, dois gols a mais para o Flamengo, que ia continuar a brilhar no segundo tempo.
Com apenas dois minutos no segundo tempo, Gaúcho aproveitou da apatia da defesa espanhola para fazer o segundo dele do dia. Dez minutos depois, mais uma vez Gaúcho mais rápido do que a zaga da Sociedad, e mais uma vez Renato Gaúcho recebeu a bola sem goleiro para o gol fácil. Em seguida, Bobô, camisa 10 de Zico nas costas, driblou o goleiro e fez o quinto gol do dia. Mesmo sem Zico, Flamengo ainda era um timaço, capaz de golear até os europeus. Também porque, no papel e no campo, Flamengo era muito mais time do que a Real Sociedad.
Na metade do segundo tempo, mais um erro da zaga espanhola, e mais uma vez Gaúcho não perdoou, com um chute preciso para completar o hat-trick. Gaúcho podia ceder seu lugar para Bujica, que fez o último gol do dia, um golaço com um chute poderoso diretamente na gaveta. No final, uma goleada 7×0, um show do Flamengo que maravilhou mais uma vez os torcedores do Japão, e até o juiz, que pediu autógrafos para os jogadores rubro-negros no fim do jogo. Nove anos depois de botar os ingleses na roda já em Tóquio, Flamengo talvez não era mais o melhor time do mundo, mas ainda era capaz de humilhar quaisquer europeus.
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Ídolos #27: Athirson

No 3 de dezembro de 2023, Filipe Luís pendurou as chuteiras e se despediu do futebol, no Maracanã. Para sua despedida, Filipe Luís convidou seu ídolo na infância, Athirson. Para Lance, Athirson explicou sobre Filipe Luís: “Ele jogava no Figueirense, na base, e pediu para ser gandula pra ficar perto de mim, me vendo jogar. E depois do jogo pediu para tirar foto comigo. É muito louco… tirei foto com um menino que depois virou uma dos maiores laterais esquerdos do país”. A referência não é à toa, entre Athirson e Filipe Luís, tem semelhanças, na classe em campo, na técnica, na identificação com o Manto Sagrado.
Ainda fala Athirson sobre a despedida de Filipe Luís: “Quando Filipe Luís entrou em contato comigo, fiquei emocionado e muito feliz. Fico grato pelo respeito e pela lembrança. Um pedido desse não tem preço. Ele se espelhava em mim. Eu nunca imaginei que poderia atingir um talento tão grande dentro do campo. Foi um prazer imenso poder desfrutar aquele momento. Afinal, a nossa relação ainda está se estreitando. Ele fica um pouco nervoso em estar perto de um ídolo, algo que é normal. Eu também ficava com medo de ficar perto do Zico, Leonardo e Júnior”. É isso, junto com Leonardo e Júnior, também Jordan e Juan, Athirson e Filipe Luís estão na galeria dos maiores laterais esquerdos da história do Flamengo.
Athirson nasceu no 16 de janeiro de 1977 no Rio de Janeiro. Jogou numa escolinha de Urca e com apenas 8 anos, já estava na base do Flamengo, onde aprimorou sua técnica com o futsal. Com o time principal, Athirson estreou em 1996 num amistoso contra o América de Natal no Machadão. Uma semana depois, já conhecia a maior alegria do mundo, ser campeão com o Flamengo, conquistando a Copa Ouro com uma atuação inesquecível do ídolo Sávio no jogo eterno contra São Paulo. Fez seu primeiro gol com o Manto Sagrado algumas semanas depois, contra Grêmio no Brasileirão de 1996.
Em 1997, Athirson participou do campeonato sul-americano sub-20, estreando com gol contra a Venezuela, acabando o torneio como o único brasileiro a integrar a seleção do campeonato. No Mundial da categoria, participou dos 5 jogos do Brasil, até a eliminação nas quartas de final contra a Argentina. No Flamengo, fez um gol na estreia do campeonato carioca contra Volta Redonda, mas nos meados do ano, se machucou no púbis e ficou 3 meses fora. Voltou contra São Paulo e brilhou muito, fez o único gol do jogo, seu primeiro no Maraca. Ainda promessa, foi emprestado em 1998 para Santos, onde conquistou a torcida e mais um título, a Copa Conmebol contra Rosario Central. Volto no Flamengo em 1999, voltou como realidade, se consagrou definitivamente na lateral-esquerda. Já no início do ano, fez, talvez sem querer, um golaço no histórico 4×4 contra Botafogo. Parecia cruzamento mas a dúvida existe porque Athirson era extremamente técnico, colocava a bola onde queria. Dois meses depois, agora nenhuma dúvida. De novo contra Botafogo, soltou uma bomba de 30 metros, diretamente no ângulo do goleiro. Vitória 1×0, golaço de Athirson. E três semanas depois, Athirson fez outro golaço, também de fora da área, contra Vasco, também vencido.
Na final do campeonato carioca, outro Clássico dos Milhões, um Flamengo x Vasco, com Vasco vice e com Flamengo campeão. E no final do ano, Flamengo mais uma vez campeão, agora continental, com a Copa Conmebol. E Athirson foi muito decisivo, assistência para Leandro Machado nas quartas contra Independiente, gol de pênalti na semifinal contra Peñarol. E no jogo de ida da final contra Palmeiras, um cruzamento perfeito para o gol do 4×3 de Reinaldo, faltando alguns minutos para o jogo acabar no Maracanã. E na volta, um jogo eterno, um 3×3 no Parque Antártica lotado, Flamengo campeão. Neste ano de 1999, também estreou com a Seleção brasileira, contra a Nova Zelândia na Copa das confederações, onde o Brasil foi finalista.
Em 2000, Athirson viveu um de seus melhores anos. No início do ano, ao lado de Ronaldinho Gaúcho, conquistou com a Seleção sub-23 o pré-olímpico, fazendo gols contra a Colômbia e o Chile. Com a Seleção principal, jogou 22 minutos contra a Tailândia, tempo suficiente para fazer duas assistências de escanteio, para Roque Júnior e Émerson. Nos seus 13 primeiros jogos com Flamengo neste ano, Athirson fez 9 gols! Contra Friburguense, fez 3 gols com 3 belos chutes do pé esquerdo. Também fez o gol da vitória no Fla-Flu no último momento e os dois gols da virada contra Botafogo, o último um golaço. Athirson parecia jogar com facilidade, mas era a facilidade que vem de um trabalho intenso de todos os dias, virou um exímio batedor de pênaltis e também de faltas, numa época que tinha Petkovic no time. No jogo de ida da final do campeonato carioca contra Vasco, Athirson brilhou muito, abrindo o placar com sua marca, um chute de fora da área do pé esquerdo colocado no canto do gol. Flamengo estava perto do bicampeonato.
Infelizmente, Athirson foi pego no doping com o uso do estimulante femproporex logo depois do jogo contra Vasco. Foi suspenso, perdeu o jogo de volta, também perdeu o jogo contra o Uruguai com a Seleção onde estava convocado. Athirson, mesmo assim eleito melhor jogador do campeonato carioca, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça Desportiva, voltou a jogar quase dois meses depois, e voltou com gol, contra Grêmio. Mas depois, Athirson parecia ter perdido um pouco de seu futebol e não fez outro gol durante a temporada. Também faltou sorte quando era o momento de ir na Europa, onde era alvo do Barcelona de Guardiola, Xavi, Rivaldo e Kluivert. Explica Athirson para o GloboEsporte: “O Barcelona fez a proposta primeiro. Meu pai foi para Barcelona para ver realmente a proposta. Mas, na época, o Barcelona estava com problemas políticos e não podia contratar nem vender ninguém. Por conta disso, o empresário que levou a proposta falou que tinha um contato na Juventus e que tinha a possibilidade de fechar lá. Meu pai foi para Turim ouvir a proposta. Era para eu ter ido ao Barcelona, até pelas minhas características. Na Itália é um futebol de marcação, de comprometimento, de empenho, de força física […] Foi uma passagem de aprendizado. Eu tive muitas dificuldades porque eu era muito ofensivo. O Ancelotti me usava no meio de campo. Às vezes ele me botava no meio no lugar de Zidane, mas eu não gostava, porque eu não queria entrar no lugar do Zidane, eu queria jogar com ele”. Na Juventus, foram apenas 5 jogos na Série A 2000-2001, onde a Velha Senhora ficou com o vice-campeonato.
Athirson voltou no Flamengo em 2002 e voltou a brilhar. Fez um golaço contra Olaria, uma bomba do pé esquerdo sim, e fez um outro hat-trick com o Manto Sagrado, contra Entrerriense. Pena que não jogou a Copa do Mundo de 2002, mas Roberto Carlos está num outro patamar, e Júnior também jogava muito, entrando bem na Copa quando teve oportunidades. No Brasileirão de 2002, Athirson brilhou já no primeiro jogo, com duas assistências no jogo contra o Inter. Também fez gol contra Goiás, de pênalti, no Fla-Flu, de pé direito, e contra Portuguesa, de novo de pênalti, depois de errar um primeiro pênalti durante o jogo. O time do Flamengo estava bem mediano e acabou o campeonato num péssimo 18o lugar. Mas o capitão Athirson jogou muito, a ponto de ser eleito Bola de Prata pelo Placar.
Em 2003, Athirson iniciou a temporada com um doblete na virada contra Friburguense. Fez um belo gol de falta contra Cabofriense, também marcou contra Botafogo e Madureira, mas Flamengo foi eliminado na semifinal do campeonato carioca, com uma derrota 4×0 no Fla-Flu. Era realmente uma época difícil e Athirson, ao lado de Júlio César, era um dos únicos a salvar a honra rubro-negra e dar alegrias a torcida, com toda sua classe e habilidade. No Brasileirão, fez apenas um gol, contra o Corinthians, e disputou seu último jogo do ano na derrota na final da Copa do Brasil contra Cruzeiro. Voltou na Juventus, mas passou quase um ano sem jogar, entre falta de espaço no time italiano e lesão no joelho. E voltou no Flamengo nos meados do ano de 2004, quando o time já tinha conquistado o campeonato carioca. Voltou a fazer gol, contra Santo André, um gol de falta importantíssimo, para conseguir o empate no jogo de ida da final da Copa do Brasil. A volta, de novo com Athirson saindo do banco, foi uma vergonha, Fla perdeu o titulo em pleno Maracanã.
Athirson fez seu último jogo com o Manto Sagrado na última rodada do Brasileirão 2004, uma vitória 6×2 contra Cruzeiro, também fez nesse jogo seu último gol, uma bomba de falta. Finalmente brilhou na Europa, no Bayer Leverkusen, e voltou no Brasil, onde passou pelo Botafogo, Cruzeiro, com quem jogou a final da Libertadores de 2009, e a Portuguesa. Aposentou-se em 2012, ano em qual conquistou o Mundialito de Futebol de 7. Também virou comentarista e técnico. Com sua classe e seus gols, Athirson deixa saudades aos torcedores rubro-negros até dessa época de vacas magras. Com o Manto Sagrado, foram 253 jogos e 37 gols. Nesse quesito dos laterais artilheiros, Athirson está apenas atrás de Júnior. E em termos de laterais esquerdos ídolos, tem poucos, muito poucos maiores do que Athirson, talvez apenas de novo Júnior e também Filipe Luís que tem, como muitos outros flamenguistas, Athirson como ídolo e inspiração.
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Jogos eternos #112: Paraná 0x1 Flamengo 2005

A temporada 2023 de Flamengo acabou e foi a pior dos anos recentes: 7 competições e nenhum título. Mas Flamengo conheceu anos até piores, longe de brigar pelos títulos, até brigando pela permanência na Série A. E o ano de 2023 foi ainda mais difícil para outros times, como Santos, que caiu pela primeira vez de sua história na Série B. Assim, além do Cuiabá, fica só dois times que nunca conheceram a vergonha de ser rebaixado, São Paulo e nosso Flamengo. Para Flamengo, a vergonha quase aconteceu algumas vezes, talvez passamos do mais perto em 2005.
O ano de 2005 já foi um time histórico no Francêsguista, vamos então diretamente para a 40a e antepenúltima rodada do Brasileirão. Com a chegada de Joel Santana como técnico, Flamengo respirava melhor e saiu da zona de rebaixamento. Mas ainda não estava livre do risco na hora de chegar em Curitiba, onde não tinha vencido desde 1998, seja contra o Athletico Paranaense, seja contra o Coritiba, um dos concorrentes para a permanência, seja contra o Paraná Clube, o adversário do dia. Nos últimos 15 jogos do Flamengo em Curitiba, foram um empate, 14 derrotas e nenhuma vitória! E Flamengo precisava desesperadamente de uma vitória.
No 20 de novembro de 2005, o Papai Joel escalou Flamengo assim: Diego; Léo Moura, Renato Silva, Fernando, André Santos; Jônatas, Renato Abreu, Fellype Gabriel, Diego Souza; Ramírez, Júnior. No Pinheirão, Flamengo começou botando pressão, Renato cruzou para Diego Souza, que bateu no travessão. Três minutos depois, novo cruzamento de Renato, para Fellype Gabriel, que fez um gol com a mão mais obvio do que Maradona em 1986. O juiz corretamente anulou o gol, amarelou Fellype Gabriel. Ainda pressão em cima do Flamengo, ainda mais quando Borges, que jogou muito depois em São Paulo, Santos e Cruzeiro, quase fez um gol para Paraná, mas Diego fez grande defesa.
Flamengo voltou a ter controle do jogo, Renato cruzou diretamente no travessão, e num outro cruzamento alto, agora de Léo Moura, o próprio Renato cabeceou, fora do gol. Flamengo tinha seus ídolos em 2005, mas estava sob risco de rebaixamento. No intervalo, ainda 0x0, Fla ainda perto do Z-4. No segundo tempo, o paraguaio Ramírez, que tinha feito dois gols no jogo anterior, também importantíssimo, contra Fortaleza, chutou, sem achar as redes. E Renato Abreu, ainda ele, chutou com força uma falta, a barreira desviou a bola, que pegou o caminho do gol, o goleiro Flávio desviou a bola, que chegou na trave. Ainda 0x0, ainda pressão no Pinheirão.
Na hora do jogo, Fellype Gabriel deu drible de vaca na grande área, chutou com força, a bola flirtou com a trave, mas do lado errado. Ainda 0x0, o gol parecia fugir do Flamengo. E Flamengo precisava fugir do rebaixamento. E o ainda não ídolo Obina entrou no jogo, no lugar de Ramírez. Obina tinha feito apenas um gol nos últimos 15 jogos e desperdiçou uma boa oportunidade num lance de Léo Moura. O gol também parecia fugir dos pés de Obina, alvo dos protestos da torcida.
Mas no minuto 47 do segundo tempo, Obina recebeu a bola na esquerda, um lance visto tantas vezes pelos rubro-negros. Obina fez um drible curto para abrir o espaço, chutou cruzado, balançou as redes, virou ídolo para a eternidade. Flamengo estava quase livre do rebaixamento, precisando agora de um ponto nos dois últimos jogos para tornar a permanência na Série A oficial. Eu comecei a acompanhar o futebol brasileiro em 2005, mas ainda sem saber do risco que ameaçava a grande história do Flamengo. Mas eu sei hoje que cada flamenguista que assistiu a esse jogo relembra onde estava, relembra da angustia e da agonia durante o jogo, e relembra do livramento e do grito de alegria no fim. Em toda sua história, Flamengo nos deu muitas alegrias e tristezas, esperanças e decepções, títulos e vexames, só não deu a maior vergonha para um gigante, ser rebaixado. Flamengo, você sempre foi gigante e sempre te apoiei até o final. Amor maior, não tem igual.








