
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Na geral #17: E Fla foi vice de novo

E mais uma vez, Flamengo perdeu um título em 2023, perdeu a última oportunidade de salvar um pouco a temporada de 2023. Mas não foi o caso, Flamengo foi vice de novo. Não sei qual eliminação foi a mais dolorosa, a mais vergonhosa, a mais perdida. Já no início do ano, teve a derrota na Supercopa, uma outra na Recopa, a desilusão no Mundial, onde nem foi vice, a vergonha do carioca. Quatro competições perdidas e Flamengo conseguiu fazer pior no segundo semestre com a chegada de Sampaoli, que nunca convenceu e pouco venceu.
No segundo semestre, mais vergonhas, foi eliminado na Libertadores já nas oitavas, contra Olimpia, que é um bom time, mas longe de ser candidato ao título, Flamengo perdendo também mais uma vez a oportunidade de um Fla-Flu na maior da América. No Brasileirão, vergonhas foram em diversos jogos, quando tinha a possibilidade de reduzir a distância com os times de cima, Flamengo perdia, fazia mais um vexame.
Faltava a Copa do Brasil para salvar um pouco a temporada, inclusive uma competição onde Flamengo era o último campeão. E para mim, era a oportunidade de fechar o ciclo. Cheguei no Rio de Janeiro em setembro de 2022 e meu primeiro jogo no Maracanã foi a semifinal da Copa do Brasil, contra São Paulo, olha a ironia. Estava no estádio quando Flamengo foi tetra em cima do Corinthians de Vítor Pereira, agora sem ironia. Em 2023, eu estava na arquibancada do Maraca na terceira fase contra Maringá, nas oitavas contra Flu e nas quartas contra o Athletico, já estava de volta na França na semifinal contra Grêmio. Vi todas as fases em duas edições diferentes e queria ganhar a duas Copas. Não foi o caso.
Antes do jogo de volta da final contra São Paulo, eu estava mais ou menos confiante, não por causa do nível do Flamengo de 2023 em campo ou das histórias fora do campo, mas porque sou de um otimismo exagerado quando se fala do Flamengo. Ainda sem apartamento em Paris, assisti sozinho ao jogo de ida na casa de meus pais. Flamengo jogou muito mal e relembro que no primeiro tempo, falei para mim que Flamengo ia tomar um gol. Dez segundos depois, Calleri abria o placar e decretava o placar final ao mesmo tempo. Nada de vidente para mim, era obvio que Flamengo ia tomar o gol, só não esperava isso tão rapidamente.
Apesar da derrota no Maracanã, o placar era reversível e a vitória do Flamengo era possível. Com um título em jogo, era impossível para mim de faltar o jogo no consulado Fla Paris. Garanti minha hospedagem em Paris com meu amigo Danilo, peguei o trem e cheguei no Fleurus, mais de um ano depois de meu último jogo no consulado, um 1×1 contra Ceará no 4 de setembro de 2022, apenas um dia antes de minha ida ao Brasil. Fui muito feliz de ver de novo Cidel, Waldez, Danilo, Sammy, Thiago, Bruno e outros flamenguistas ainda não conhecidos, mas já irmãos. A casa estava cheia e só faltava Flamengo ganhar.
E Flamengo conseguiu o primeiro lance de perigo antes do primeiro minuto, mas Pedro perdeu o ângulo. A virada era possível, Gerson teve mais uma oportunidade, mas demorou a chutar. Flamengo dominou o início de jogo, mas o início só. São Paulo passou a ter controle da bola e do jogo, e foi quase um milagre que Flamengo abriu o placar, com bom trabalho de Erick Pulgar e finalização de Bruno Henrique, com um pouco de sorte, bom oportunismo e muito talento. Os dois são quase os únicos a se salvar, durante o jogo e a temporada inteira.
A virada era possível mas Flamengo tomou um gol cinco minutos depois, alguns segundos antes do intervalo. Passo da responsabilidade individuais para a responsabilidade coletiva, é impossível tomar um gol assim. E no segundo tempo, Flamengo fez o que fez durante quase toda a temporada, nem deu a impressão que queria reverter o placar, que a virada era possível. Tomou mais uma vergonha em campo, depois de tomar outra vergonha extra-campo, com mais uma briga, a terceira em dois meses, entre Marco Braz e um torcedor. Sobre o Flamengo, não tem muito a falar mais.
Agora estou feliz para Dorival Júnior, que merecia mais essa conquista que o Flamengo inteiro. Ainda não entendo a escolha da diretoria de buscar o Vítor Pereira, e acho que é isso mesmo, não tem nada a entender, foi mais um erro da diretoria. Também estou feliz para Lucas Moura, que saiu do São Paulo com título da C opa Sudamericana e voltou mais de 10 anos depois, numa época onde muitos jogadores foram em outros lugares de menos tradição e de mais dinheiro, para conquistar um título inédito para São Paulo, um clube pelo qual tenho carinho por ser o primeiro grande time brasileiro que eu vi ao vivo, quando conquistou o Mundial em 2005.
Agora, voltando ao Flamengo, é torcer para gastar ainda mais dinheiro numa multa rescisória de mais um treinador que decepcionou, de várias formas, no Flamengo. Agora é torcer para uma classificação na Libertadores, o que vai ser nada fácil. Hoje, Flamengo está na sétima colocação, fora até da pré-Libertadores. Flamengo pode conhecer mais uma vergonha na pior temporada do clube desde que o trabalho de Eduardo Bandeira de Mello começou a ter benefícios, em 2015. Claro, na história do clube, teve times piores, lutando contra o rebaixamento, mas a frustração de hoje é de ver o elenco de 2023, de qualidade alta, de folha salarial alta, um elenco que estava acostumado a ganhar e que se acostumou, sem revolta ou questionamento, a perder.
O Flamengo de 2023 foi ridículo. Ainda não tenho o Manto Sagrado do ano e, como gosto de colocar o nome de um jogador nas costas, esperava a final da Copa do Brasil para escolher o herói da decisão. Não teve, mas vou colocar o nome de Bruno Henrique, porque incrivelmente ainda não tenho a camisa dele, e foi um dos únicos que se salvou esse ano, voltando de uma lesão muito grave, voltou a jogar muito, com raça, amor e paixão, como sempre deveria ser o caso quando alguém veste o Manto Sagrado. Mas Flamengo hoje é mais perto de acomodação, ódio e desgosto.
Mas Flamengo é Flamengo, na vitória ou na derrota, sempre sou Flamengo. Valia a pena o esforço, ir no consulado, rever os amigos da Fla Paris, torcer juntos, esperar dias melhores. Afinal, torço pelo Maior do Mundo. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #96: Flamengo 3×1 São Paulo 1996

Com a derrota 1×0 no Maracanã, Flamengo está numa posição muito difícil e fica bem longe de conquistar a Copa do Brasil 2023. Mas, apesar do futebol fraco em campo, das histórias inacreditáveis extra-campo, estou de um otimismo exagerado quando o tema é Flamengo. Tem que acreditar, Flamengo pode vencer uma Copa nacional em cima do São Paulo, como foi o caso em 2001, quando Flamengo conquistou a Copa dos campeões, depois de uma vitória 5×3 na ida. Flamengo até derrotou São Paulo numa final continental, a Copa de Ouro 1996, por coincidência a crônica #96 dos jogos eternos.
A Copa de Ouro era uma espécie de Recopa Sudamericana, ou uma Supersupercopa Libertadores, com os vencedores de várias competições continentais numa época onde a CONMEBOL não parava de inovar. A Copa de Ouro era também chamada de Copa de Oro Nicolás Leoz, do nome do presidente da CONMEBOL de 1986 até 2013, quando renunciou ao cargo aos 84 anos por causa das acusações de corrupção durante o FIFAgate.
A Copa de Ouro começou em 1993, voltou em 1995 e foi disputada pela última vez em 1996. Neste ano, tinha Grêmio, vencedor da Copa Libertadores 1995, São Paulo, vencedor da Copa Máster de CONMEBOL 1996, Rosario Central, vencedor da Copa CONMEBOL 1995 e Flamengo. Infelizmente, Flamengo não conquistou um título continental nessa época, mas se classificou como finalista da Supercopa Libertadores 1995 depois da desistência do campeão, Independiente.
A Copa de Ouro 1996 se disputou no mês de agosto em Manaus. Na semifinal, Flamengo derrotou 2×1 Rosario Central com um doblete do jovem Fábio Baiano. Do outro lado, São Paulo se classificou para a final também com uma vitória 2×1, contra Grêmio. Para a grande final, no 16 de agosto de 1996, Joel Santana escalou Flamengo assim: Roger; Paulo César, Fabiano, Ronaldão, Gilberto; Márcio Costa, Mancuso, Fábio Baiano, Nélio; Sávio, Marques. Do lado do São Paulo, um técnico campeão do mundo no banco, Carlos Alberto Parreira, e alguns futuros pentacampeões, como Rogério Ceni, Edmílson e Belletti.
No antigo Vivaldão, estádio de Manaus demolido em 2010, primeiro lance saiu dos pés de Mancuso. Na verdade, o gringo fez toda a joga, foi no início, no meio, na finalização. Com uma dupla tabelinha, Mancuso invadiu a área, antecipou a saída de Rogério Ceni, sofreu um pênalti. Sem Romário, que foi transferido no Valencia dois meses antes, Sávio cobrou a penalidade máxima. E cobrou muito bem, com força e precisão, abriu o placar para Flamengo. Com apenas 15 minutos de jogo, o ídolo Sávio já brilhava, mas ele tinha ainda mais estrela.
No fim do primeiro tempo, o colombiano Víctor Aristizábal empatou depois de bom cruzamento de Guilherme. Mas esse jogo tinha a estrela e o talento de Sávio. Com dois passes de 40 metros, Flamengo passou de sua área até o cara a cara entre Sávio e o goleiro, até o já meio gol. Sávio chegou com velocidade e calma, as duas coisas são difíceis de combinar, mas não para um craque como Sávio. Com uma finta, Sávio deixou a bunda de Rogério Ceni no chão, abriu o caminho do gol, colocou de novo Flamengo na frente. Mais uma jogada e um golaço de Sávio com o Manto Sagrado.
E no finalzinho, mais uma vez Sávio. No meio de campo, Iranildo, que entrou durante o jogo, abriu para Sávio, que já no domínio da bola, se posicionou para fazer o gol. Ainda ajustou o corpo para abrir o ângulo, chutar de pé esquerdo, ajustar o goleiro. Um gol fácil para um craque, mas um gol quase impossível a fazer para o jogador comum. Mas para a sorte do Mengo, Sávio era craque, sempre foi craque, nunca deixou de ser craque.
Já falei numa outra crônica que Sávio fazia ao menos um jogo eterno a cada ano. Teve o jogo contra Grêmio um ano antes, o jogo contra o Real Madrid um ano depois. Ainda não eternizei o jogo contra Palmeiras em 1994, mas Sávio brilhou em outros jogos eternos no francêsguista, contra Juventude e Vélez Sarsfield em 1995, Vasco e Internacional em 1996, também Goiás em 1997. Sávio brilhou nos campos e conquistou títulos, um em cima de São Paulo. Ainda não é tarde demais Flamengo de 2023…
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Jogos eternos #95: Goiás 0x4 Flamengo 1986

O confronto Goiás x Flamengo é sinônimo de saudade para mim. Há um ano, eu voava pelo Brasil, para realizar o sonho de um vida, morar na cidade mais linda do mundo, Rio de Janeiro. Criei esse blog para escrever sobre minha maior paixão, Flamengo, e o primeiro jogo eterno foi um jogo contra Goiás, uma goleada 4×1 em 1997 com gol de Sávio e hat-trick de Romário. Hoje, eu vou de outra goleada na Serra Dourada, em 1986.
O Brasileirão de 1986 é talvez o mais complicado da história, anunciando a necessidade de uma mudança no futebol brasileiro, que aconteceu de forma parcial no ano seguinte, com o Clube dos 13 e a Copa União. A Copa Brasil, como era chamado o Brasileirão em 1986, teve 80 times, contando os 36 do Torneio Paralelo, uma espécie de Série B. Na primeira fase, Flamengo fechou seu grupo de 11 times no primeiro lugar e se classificou para a segunda fase, agora com 9 times, com os 4 primeiros classificados para as oitavas de final.
Flamengo começou a segunda fase com um empate 1×1 contra Grêmio, em seguida venceu o Atlético-GO, empatou contra Fluminense, perdeu contra Central e fez mais um empate, contra Guarani. Com 5 pontos em 5 jogos, ainda tinha tempo com jogos de ida e volta, mas Flamengo já precisava de uma reação na Serra Dourada contra Goiás, que tinha perdido seus dois únicos jogos feitos até aqui.
No 2 de novembro de 1986, Sebastião Lazaroni escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Aílton, Leandro, Aldair, Jorginho; Andrade, Sócrates, Zinho, Júlio César Barbosa; Bebeto, Kita. Um time excepcional, mesmo sem Zico, que ainda se recuperava da terrível lesão no joelho. O Flamengo contava com a volta de Sócrates, que por causa da preparação para a Copa do Mundo e de várias lesões, não tinha jogado com o Flamengo desde o mês de fevereiro e um Fla-Flu inesquecível, com goleada 4×1 e hat-trick de Zico, um jogo eterno no francêsguista.
E Sócrates brilhou já no primeiro tempo, com meia hora de jogo e jogada iniciada no meio de campo nos pés de Júlio César, camisa 10. Passe para o antigo e ainda craque Leandro, que achou Sócrates entre vários defensores. Antes mesmo de receber a bola, Sócrates se posicionou em direção ao gol e de um toque só, de trivela, deixou para Kita, que venceu o goleiro de cobertura. Cinco minutos depois, o antigo e ainda craque Andrade achou na direita Bebeto, que já no domínio da bola, levou vantagem sobre o defensor. Bebeto cruzou e de cabeça, Kita, número 9, fez o doblete.
Kita, gaúcho de nascimento, iniciou sua carreira no Juventude antes de ir no Internacional, onde foi artilheiro do campeonato gaúcho 1983. Mas foi no pequeno Inter de Limeira, interior de São Paulo, que ele se revelou. Em 1986, Inter de Limeira conquistou seu primeiro campeonato paulista, Kita foi artilheiro da competição, fazendo gol na final contra Palmeiras. Ganhou o interesse de grandes clubes e no segundo semestre de 1986, Flamengo venceu a disputa com o Corinthians e levou Kita, que no seu primeiro jogo com o Manto Sagrado fez 2 gols contra… o Corinthians.
No segundo tempo, Sócrates brilhou mais uma vez. Seu carrinho limpo na bola iniciou um contra-ataque para Bebeto, que puxou a bola e deu para Júlio César conseguir uma falta perto da grande área. Sem Zico, bola parada para outro craque, Sócrates. Dois passos e com a precisão e a tranquilidade do craque, Sócrates achou a gaveta para fazer seu primeiro gol com Flamengo, um golaço. Pena que chegou um pouco tarde no Flamengo e não jogou mais tempo com Zico, uma dupla que elevou o futebol-arte com a Seleção brasileira e que poderia ter feito ainda mais jogando no mesmo clube.
No final do jogo, numa jogada rápida, Kita driblou o goleiro, completou o hat-trick, fechou a goleada. Kita jogou ainda no Flamengo em 1987, mas sem o mesmo brilho de antes. Sócrates também deixou Flamengo em 1987, pouco depois da eliminação de Flamengo nas oitavas de final do Brasileirão 1986 contra o Atlético Mineiro. Infelizmente, Kita teve um triste fim, em 2011, depois de uma infecção durante uma cirurgia, teve o pé esquerdo amputado. Quatro anos depois, morreu de câncer com apenas 57 anos. Quem também morreu aos 57 anos é o próprio Sócrates, que morreu de um choque séptico de origem intestinal causado pelo consumo excessivo de álcool, o único inimigo a sua genialidade. Ah Doutor, que saudade eu tenho de você…
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Jogos eternos #94: Flamengo 5×3 São Paulo 2001

Antes do jogo de ida da final da Copa do Brasil entre Flamengo e São Paulo, vamos de uma outra final nacional entre os dois times, a Copa dos Campeões em 2001. A competição foi criada um ano antes e reunia os campeões de torneios regionais, como o Torneio Rio – São Paulo, a Copa Nordeste, a Copa Sul-Minas, a Copa Norte e a Copa Centro-Oeste. Tinha também o campeão paulista, o Corinthians, e o campeão carioca, Flamengo, aliás o tricampeão carioca, depois de um golaço de falta imortal de Petkovic.
Um mês depois do jogo eterno contra Vasco, Flamengo estreou na Copa dos Campeões com vitória 4×2 sobre Bahia, campeão da Copa Nordeste. Na semifinal, Flamengo passou de Cruzeiro, campeão da Copa Sul-Minas e enfrentou na final São Paulo, vencedor do Torneio Rio – São Paulo e que tinha eliminado Sport e Coritiba. Além de um título nacional, a Copa dos Campeões valia a última vaga brasileira na próxima Libertadores.
No 8 de julho de 2001, o eterno Zagallo escalou Flamengo assim: Júlio César; Alessandro, Juan, Gamarra, Cássio; Leandro Ávila, Beto, Rocha, Petkovic; Reinaldo, Edílson. Um time com ídolos em cada linha e uma dupla de ataque que brilhou muito durante a competição, com 5 gols para Reinaldo e 4 para Edílson. Do lado de São Paulo, muitos jogadores que vestiram a camisa amarela, Rogério Ceni, Belletti, Luís Fabiano e França, e até no banco, com a entrada em campo de Kaká e Júlio Baptista no decorrer do jogo.
No Almeidão, estádio de João Pessoa na Paraíba, primeiro lance de perigo veio no primeiro minuto com uma falha da zaga tricolor, mas nem Edílson nem Reinaldo conseguiram fazer o gol. Com 4 minutos, uma falta para Flamengo com 25 metros de distância, um pouco na direita, um lugar que trazia lembranças ótimas para os flamenguistas, ainda mais apenas um mês depois do gol de Pet. Mas Petkovic não cobrou e foi Beto que chutou uma bomba no ângulo, muito bem defendida pelo Rogério Ceni. Mas 10 minutos depois, Rogério Ceni foi driblado pelo Reinaldo, que passou atrás para Edílson, que só teve a empurrar nas redes. Festa no Almeidão, que durou pouco tempo, três minutos depois do gol de Edílson, Luís Fabiano, o artilheiro da Copa dos Campeões, empatou com um gol bem parecido ao de Edílson.
Mas a festa, e o título, deviam ser do Mengo. Com 25 minutos de jogo, Petkovic cobrou uma falta na segunda trave, quase na terceira trave na verdade. Gamarra, como o craque que era, deixou a bola viva, e Edílson, também craque, bicicletou. A bicicleta transformou-se em presente para Reinaldo, que fez o gol de cabeça.
E quem fazia o gol se tornava garçom para o gol seguinte. Dez minutos depois do segundo gol, Beto achou Reinaldo, a 30 metros de distância. Beto invadiu a grande área, e Reinaldo fez um passe que enganou toda a defesa do São Paulo, deixando Beto livre para fazer o terceiro gol. No intervalo, vantagem de dois gols para o Mengo.
No início de segundo tempo, como foi no início do primeiro tempo, uma falta muita perigosa para o Flamengo. Mas de novo, Pet não cobrou, o chute de Cássio foi na direção do ângulo, mas de novo Rogério Ceni fez grande defesa. E Beto, que fez o terceiro gol, fez uma quase assistência no quarto gol. Jogada começou com Petkovic, que ganhou uma bola dividida no meio de campo. Abriu na direita para Beto, que com um toque tentou a triangulação para Edílson na esquerda. O zagueiro Jean chegou primeiro, mas chutou a bola na perna de Edílson, que fez o gol sem querer. Não importava para a maioria do Almeidão, Flamengo fazia mais um gol e se aproximava do título.
Num escanteio, Rogério Pinheiro descontou, São Paulo passou a dominar, Júlio César fez grandes defesas, mas se inclinou mais uma vez num outro escanteio da direita, agora com gol de Luís Fabiano. São Paulo inflamava o jogo, fazia tremer a torcida do Mengão, que finalmente saiu do chão no último gol do jogo. Edílson, que tinha feito o quarto gol, voltou a ser decisivo com um drible de vaca na grande área e um chute forte no gol, desviado pelo Rogério Ceni na perna de Rogério Pinheiro, que fez o gol contra. Flamengo ganhava 5×3 num jogaço e três dias depois, apesar de uma derrota, mas com outro golaço de falta de Pet, Flamengo passava em cima do São Paulo e era o campeão nacional.
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Ídolos #24: Juan

Juan é outro jogador que conheci na Europa, no Bayer Leverkusen e na Roma, também vi jogar com a Seleção, mas além de tudo, Juan é rubro-negro, desde seu nascimento, no 1o de fevereiro de 1979.
Criado de Humaitá, na Zona Sul de Rio de Janeiro, Juan já era flamenguista antes de ser jogador do Flamengo. E antes de ingressar a base do clube, já conhecia outro ídolo do Flamengo, Júlio César, com quem jogava futsal no Grajaú Country Club. Chegou no Maior do Mundo com 9 anos, como meio-campista, mas rapidamente se destacou na zaga. Passou por todas as categorias da base e estreou profissionalmente no 5 de julho de 1996, com vitória 1×0 num amistoso contra Desportiva Ferroviária. Juan tinha apenas 17 anos, precisa muita personalidade para jogar na zaga do Flamengo sendo ainda um menor.
A estreia no Brasileirão aconteceu um mês depois, no Maracanã, com vitória sobre Atlético Mineiro e fim de um jejum de 5 jogos sem vencer o Galo. Juan era sinônimo de sorte e de gol também, o primeiro chegou em 1997 contra o Internacional numa vitória 1×0. Também fez o gol da vitória 3×2 contra Grêmio, para o fim de um outro jejum ainda mais incomodante, Flamengo não vencia Grêmio no Maracanã no Brasileiro há 8 jogos!
Juan também fez um gol num Fla-Flu no Torneio Rio – São Paulo 1998, mas foi em 1999 que ele começou a ser o ídolo na Nação, com golaço contra o Internacional no dia do aniversário do clube, e mais importante, com título da Copa Mercosul, fazendo gol na ida, conquistando a taça na volta, um jogo eterno no francêsguista. Com o título, se firmou definitivamente como titular depois de não jogar o campeonato carioca.
Em 2000, formou uma das maiores zagas da história do Flamengo com o gringo Gamarra e levou o campeonato carioca, conquistado em cima do Vasco. Fez outros gols, inclusive nos dois jogos contra River Plate nas quartas de final da Copa Mercosul, infelizmente não foram suficiente para conquistar o bicampeonato. O bi para Juan veio no campeonato carioca em 2001, quando Flamengo derrotou Vasco com o gol eterno de Petkovic. Fla também conquistou nesse ano a Copa dos Campeões, com mais um gol de Juan na final contra São Paulo. Juan sabia fazer duas coisas, conquistar títulos e fazer gols, além de também, claro, cumprir o papel principal de um zagueiro, impedir muitos gols e anular muitos atacantes.
Em 2001, além do campeonato carioca e da Copa dos Campeões já conquistados, Flamengo jogou de novo a Copa Mercosul, de novo com gols de Juan. Um golaço de trivela conta San Lorenzo na fase de grupos, mais um gol na volta, e ainda mais impressionante, um doblete no 4×0 contra Independiente nas quartas de final. O adversário na semifinal foi Grêmio, e com apenas 5 minutos no Maracanã, Juan fazia mais um gol, seu quinto na competição. E com um detalhe incrível, nos 5 gols quem deu a assistência foi Petkovic! Flamengo tinha uma jogada armada na época, falta de Pet, cabeçada de Juan, gol do Fla. Contra Grêmio, 2×2 na ida, 0x0 na volta, e nos pênaltis, Petkovic e Juan fizeram, Reinaldo e Beto também, e Flamengo voltava na final. Três dias depois, Juan fazia mais um gol, no Brasileirão contra Palmeiras, como você já sabe, falta de Petkovic, cabeçada de Juan, realmente o zagueiro artilheiro.
Na final contra San Lorenzo, Flamengo fez um 0x0 na ida e o jogo de volta, previsto no 19 de dezembro, foi adiado para início de 2002 por causa de protestos na Argentina. No 24 de janeiro, Flamengo fez 1×1 na Argentina, Juan iniciou na disputa de penalidades, mas perdeu seu pênalti e Flamengo perdeu o título. Claro, não dá para saber, mas acho que se Flamengo tinha jogado a partida no fim da temporada de 2001 como era previsto, teria sido o campeão.
Juan ainda jogou no Flamengo no primeiro semestre de 2002, mas com tantas qualidades, o destino obvio era a Europa. Jogou 5 temporadas no Bayer Leverkusen, mais 5 na Roma, fazendo outros gols e conquistando a Copa da Itália em 2008. Com a Seleção, conquistou duas Copas das confederações, sendo reserva, e duas Copas América, sendo titular. Também jogou duas Copas do Mundo como titular, em 2006 e 2010, seu último jogo com a Seleção sendo na eliminação contra a Holanda em 2010. Na Seleção, foram 79 gols e 7 gols, o primeiro contra o Costa Rica na Copa América 2004 e o último contra o Chile na Copa do Mundo 2010, dois gols que mostram o repertório de Juan, um jogador mortal no jogo aéreo, mas também capaz de dar apoio ao ataque com aceleração na defesa adversaria e precisão no cara a cara com o goleiro.
Depois de 10 anos na Europa, era o tempo de volta ao Brasil, em 2012, com já 33 anos, mas o destino não foi Flamengo. Não o culpo, a diretoria do Flamengo era na época uma bagunça, quase uma várzea. Às vezes o lado profissional é mais determinante que o amor pelo clube. Juan chegou no Internacional, conquistou o tricampeonato gaúcho entre 2013 e 2015 e, claro, fez gols. Um primeiro de cabeça já na estreia com a camisa do Inter, um doblete contra Lajeadense, um gol contra o próprio Flamengo, que não comemorou e até chamou de “gol triste” e o último contra Santa Fé nas quartas de final da Libertadores de 2015, para relembrar que Juan era decisivo nos jogos importantes.
E finalmente, Juan voltou no Maior do Mundo, 14 anos depois de sair do Flamengo, e assinou um contrato de um ano. Em 2016, foi titular durante o campeonato carioca mas jogou pouco no Brasileirão, apenas 9 jogos. Renovou e voltou a se destacar em 2017, no jogo contra a Portuguesa, um jogo eterno no francêsguista, fez uma linda assistência de calcanhar par Leandro Damião e depois voltou a fazer um gol com o Manto Sagrado, 15 anos depois do último. Também marcou contra a Chapecoense nas oitavas de final da Copa Sudamericana. Na semifinal da Copa Sudamericana, empatou contra o Junior Baranquilla para o delírio do Maracanã. O gol era importante e decisivo, e tinha uma marca ainda mais especial, com esse gol, Juan fazia seu 32o gol para o Flamengo e igualava Júnior Baiano para se tornar o maior zagueiro-artilheiro da história do Flamengo. Um fato impressionante e Juan merece muito esse recorde.
Juan foi campeão carioca em 2017, mas merecia um título mais importante nesse ano. Infelizmente, Flamengo perdeu a final da Copa Sudamericana e também a Copa do Brasil, onde Juan, com 38 anos, jogou muito nas duas finais contra Cruzeiro, sendo eleito o melhor do jogo na ida e fazendo gol com categoria na disputa de penalidades na volta. Em 2018, Juan renovou seu contrato mais uma vez por um ano e foi titular na Copa Libertadores. Infelizmente, teve uma lesão muito grave durante um treino, uma ruptura do tendão de Aquiles, que necessitava uma cirurgia. O grupo sentiu muito essa ausência e vale relembrar a classe de outro ídolo, Diego, que mostrou para o Maracanã a camisa de Juan depois de fazer um gol contra a Chape.
A direção também fez o certo, renovou o contrato até abril de 2019 para deixar Juan o tempo de recuperar. E Juan mostrou mais uma vez, com 39 anos, que era um jogador, um ser humano diferente. Fez todos os esforços para voltar e conseguiu jogar de novo, vale também relembrar a atitude de Abel Braga, que o fez entrar no fim do jogo contra Madureira, onde claro, Diego lhe cedeu a faixa de capitão. Na abertura do Brasileirão, Juan fez sua despedida e entrou no último minuto no lugar de Éverton Ribeiro que, claro, lhe cedeu a faixa de capitão. Teve festa dos jogadores, da comissão técnica, volta olímpica, festa da torcida. Impressionante como Juan é unanimidade no Flamengo, não tem um torcedor que duvide de seu amor e compromisso pelo rubro-negro.
Este minuto ofereceu ao Juan o título de campeão brasileiro. Pena que não é campeão da Libertadores. Fica então os números, 332 jogos e 32 gols com o Manto Sagrado, fica as imagens, desarmes e cabeçadas, gols e gritos de capitão, gritos do peito rubro-negro. Fica para mim outras imagens, quando apresentou ao Maracanã a taça do campeonato carioca, junto com Adriano que tinha a do Brasileirão e Adílio a da Libertadores, uma imagem que simboliza o ano histórico de 2019 e toda a tradição do Flamengo. E tenho na memória uma entrevista do Juan quando era bem pequeno, ainda na base, uma entrevista de 14 segundos e 3 perguntas. Quando crescer, Juan queria ser “jogador de futebol”, um jogador “comum”, olha a humildade do garoto, e gostava mais de “Zico”. Bem Juan, você nunca foi jogador comum, e mais, você é ídolo do Flamengo.
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Jogos eternos #93: Flamengo 1×0 Athletico Paranaense 2016

Enfim, Flamengo está de volta em campo, não no Maracanã, que precisa descansar depois de tantos jogos do Flamengo, Fluminense e até do Vasco. Jogo de hoje está no Kleber Andrade, em Cariacica, no Espírito Santo, terra de flamenguistas. Afinal, o Espírito Santo está no Brasil e o Brasil inteiro é Flamengo, em maioria ou em boa proporção. Confesso que gosto muito do estádio Kleber Andrade, da arquitetura e das várias cores da arquibancada. Flamengo fez vários jogos no Kleber Andrade como mandante e já enfrentou o Athletico Paranaense no estádio, em 2016.
Pela primeira vez, o jogo eterno no francêsguista é de 2016, um ano de transição para Flamengo. O Maracanã não estava disponível por causa dos Jogos Olímpicos e Flamengo mandou o último jogo do primeiro turno no Kleber Andrade. No 6 de agosto de 2016, um sábado, Zé Ricardo escalou Flamengo assim: Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz, Chiquinho; Willian Arão, Márcio Araújo, Mancuello; Fernandinho, Éverton, Guerrero. Um time longe do nível do time de 2019, mas também longe do time de 2014 ou 2015. Três semanas antes, Diego assinou com o Flamengo, e se ele ainda não estava em condição de jogar, a esperança voltava nas ruas de Rio, do Espírito Santo e do Brasil inteiro.
Flamengo começou pressionando o Athletico Paranaense, Paolo Guerrero teve uma oportunidade de gol, mas errou feio. Numa falta, o canhoto argentino Federico Mancuello quase fez o gol, mas o goleiro Santos, que jogava no lugar do titular Weverton, convocado no último minuto com a Seleção olímpica, fez a defesa. O Athletico Paranaense reagiu e Walter quase fez um golaço, com um chute de longe que explodiu na trave. Num escanteio de Mancuello, uma confusão na área e um chute de Réver, que flirtou com a trave. No segundo tempo, foi uma cabeçada de Paolo Guerrero que flirtou com a trave. Em dois tempos, Fernandinho chutou, a rede balançou, mas no exterior do gol. Com um passe perfeito de Mancuello, Guerrero antecipou a saída, quase só faltava fazer o gol, mas o peruano demorou muito, e o empate ficou. O gol estava muito perto, o Kleber Andrade estava perto de explodir, mas não tinha gol ainda.
Não tinha gol até a hora de jogo quando Fernandinho ganhou uma bola, preservou a pelota usando sua força física e chutou cruzado. Mancuello mostrou sua técnica, mostrou que, se não era sempre titular era um jogador muito bom, e fez um golaço de letra. Explosão no Kleber Andrade, que continuou a vibrar até o fim do jogo, com vários lances dos dois times, mas não teve outro gol. Flamengo ganhava pelo placar mínimo, conquistava a décima vitória do campeonato com golaço de um gringo. E, antes dos jogos do domingo, Flamengo passava da 5a colocação até o posto de líder. Flamengo finalmente fechou o primeiro turno no quarto lugar e no fim, o título não veio, mas durante alguns jogos, Flamengo fez vibrar o Kleber Andrade e acreditar o Brasil inteiro, menos alguns, que o Maior do Brasil podia voltar a ser o campeão.
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Jogos eternos #92: Alianza Lima 3×4 Flamengo 1959
Hoje a Seleção brasileira joga em Lima, no estádio Nacional. Flamengo fez muita história em Lima, mas no estádio Monumental, no 23 de novembro de 2019, com o Milagre de Lima. Flamengo também jogou no estádio Nacional, pela primeira vez em 1952, e voltou 7 anos depois para o torneio hexagonal.
Um ano antes da criação da Copa Libertadores, o Peru organizou um torneio amistoso com algumas das maiores potencias do continente: os dois maiores clubes do Peru da época, Universitario e Alianza Lima, um gigante do Chile, Colo-Colo, um pentacampeão uruguaio entre 1958 e 1962 além de conquistar as duas primeiras Copas Libertadores no período, Peñarol, e um dos maiores da América do Sul, o River Plate de Norberto Menéndez e Ángel Labruna. Por sua vez, Flamengo já tinha brilhado em Lima numa excursão de 1958, com vitórias sobre Alianza Lima e Centro Iqueño e empate contra Universitario, e assim foi convidado para o hexagonal de Lima, também chamado de Gran Serie Suramericana Inter Clubs.
No início do ano de 1959, Flamengo ainda jogava o campeonato carioca 1958, quando precisou de duas fases a mais para designar o campeão. No 17 de janeiro de 1959, Flamengo empatou contra Vasco e perdeu o campeonato, quando o hexagonal de Lima já tinha começado. Por isso, Flamengo começou a competição quando outros times já tinham feito dois jogos. E sem tempo de recuperar-se fisicamente e emocionalmente, Flamengo começou mal em Lima, com derrota 2×0 contra Peñarol e ainda perdeu de lesão um de seus líderes, Dequinha. O campeonato já estava quase perdido.
Flamengo se recuperou com vitória 2×0 sobre Universitario, gols de Henrique e Moacir, e atropelou Colo-Colo com 4 gols nos 22 primeiros minutos, o time chileno salvando a honra no final do jogo. E Flamengo foi ainda mais impressionante contra River Plate, que tinha ainda alguns dos jogadores da “Maquinita” tricampeã argentina entre 1955 e 1957. No estádio Nacional, Luís Carlos abriu o placar, Henrique fez o doblete e o pequeno Babá fechou para 4×1 com um drible que deixou Ballesteros no chão. O Jornal dos Sports viu uma “vitória justa, insofismável e sem apelação”. Flamengo era o líder do hexagonal e precisava de um empate contra o time da casa, Alianza Lima, para ser campeão.
No 6 de fevereiro de 1959, um Carnaval no Rio. E em Lima, o técnico paraguaio Fleitas Solich escalou Flamengo assim: Fernando; Joubert, Pavão, Jadir, Jordan; Dequinha, Moacir; Luís Carlos, Moacir, Henrique Frade, Manoelzinho, Babá. Tinha a volta de um ídolo com Dequinha, mas Flamengo perdia para o último jogo um outro ídolo, Dida. O que ficava como sempre era a mistica da camisa e a raça rubro-negra.
No início do jogo, aproveitando uma falha de Fernando, o Alianza Lima abriu o placar. Antes do intervalo, mais um gol para o time peruano. E com 10 minutos no segundo tempo, mais um gol do time da casa. Alianza 3×0 Flamengo, festa no estádio, o Alianza Lima tinha uma mão e 4 dedos na taça. Mas aconteceu nesse momento uma coisa que só pode acontecer uma vez na história de alguns clubes, nenhuma para os demais mortais. Flamengo reagiu no minuto seguinte ao terceiro gol do Alianza, o substituto de Dida, Manoelzinho, recebendo um passe de Babá antes de fazer o gol. E dois minutos depois, um escanteio, mais um gol de Manoelzinho, de cabeça. E três minutos depois, mais um passe de Babá, mais um gol de Manoelzinho. Alianza 3×3 Flamengo, uma loucura total, sem o estádio ter a capacidade de entender o que acontecia em campo.
E Flamengo foi além do possível, do racional, do imaginável. Apenas um minuto depois do empate, Manoelzinho chutou uma bomba, o goleiro defendeu, mas Henrique fez o gol da virada, uma das maiores não só da história do Flamengo, mas da história do futebol mundial. A folia do Carnaval de Rio ganhou Lima, em menos de 10 minutos, Flamengo passou de uma derrota 0x3 a uma vitória 4×3. Flamengo era o campeão, um título que alguns times mortais poderiam reclamar como uma Copa Libertadores. Não para Flamengo, que fazia mais: mostrava que para quem vestia o Manto Sagrado, tudo era possível, até o impossível, até quando tudo parecia perdido. Era o primeiro Milagre de Lima.
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Jogos eternos #91: Paysandu 1×4 Flamengo 2005

Hoje a Seleção brasileira joga em Belém, no estádio do Mangueirão, onde Flamengo já jogou várias vezes. Vamos então para a lembrança do dia de um jogo nesse estádio, no ano muito difícil de 2005, que já foi eternizado no francêsguista.
Provavelmente o ano 2005 foi o ano em que Flamengo ficou mais perto de um rebaixamento. Flamengo ficou muito tempo na zona de rebaixamento e se salvou graças aos ídolos, como meu primeiro particular no Flamengo, Obina, que fez um gol decisivo contra Paraná. Para o jogo contra Paysandu, Flamengo já estava livre do rebaixamento e jogava o último jogo do ano, sem risco de conhecer a maior vergonha para um clube gigante. No 4 de dezembro de 2005, Joel Santana escalou Flamengo assim: Diego; Léo Moura, Renato Silva, Rodrigo Antônio, André Santos; Fabiano, Júnior, Renato Abreu, Fellype Gabriel; Diego Souza, Obina.
Como foi muitas vezes o caso nesse ano, começo do jogo foi difícil para o Flamengo e as maiores oportunidades de gol foram para Paysandu. Mas no 13o minuto, Léo Moura, com seu jeito particular, se aproximou da grande área e achou Obina, de costas para o gol. Jogada esperada era uma tabelinha, mas Obina, com a inteligência do craque, nem tocou na bola, só deixou a bola passar. Léo Moura percebeu, completou uma espécie de tabelinha sozinho e abriu o pé para abrir o placar. Paysandu voltou a dominar, Diego voltou a fazer defesas impressionantes, Obina perdeu um gol feito e antes do intervalo, Rodrigo empatou para Paysandu.
No início do segundo tempo, num longo lançamento, Renato Abreu, outro ídolo que chegou nesse ano de 2005, fez um domínio de craque, um drible curto para abrir o ângulo no pé esquerdo, um chute colocado para colocar de novo Flamengo na frente no placar. Faltando 15 minutos para o final do jogo, o capitão Renato Abreu conseguiu o doblete com um segundo golaço, de cabeça depois de um cruzamento perfeito de Diego Souza, que na época tinha 20 anos.
Ainda teve tempo para um outro doblete, de Léo Moura, que também começava a se tornar ídolo no clube depois de passar pelos outros três grandes do Rio. No meio de campo, recebeu de Renato Abreu, passou entre dois defensores, voltou na esquerda para Renato Abreu e piquou na grande área. Com um toque de cobertura, Renato Abreu completou a dupla tabelinha, Léo Moura completou o doblete, completou a goleada. Mesmo num ano difícil, Flamengo tinha ídolos e fechou o ano com uma bela vitória no Mangueirão.
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Ídolos #23: Modesto Bría

Modesto Bría nasceu no 8 de março de 1922 em Encarnación, no Paraguai, e tinha uma encarnação de rubro-negro. Começou sua carreira no Nacional, onde foi campeão paraguaio em 1942, e no ano seguinte, com apenas 21 anos, chegou no Flamengo. Modesto Bría foi um dos primeiros ídolos gringos do Flamengo e honrou o Manto Sagrado durante 10 anos.
Modesto Bría foi indicado pelo grande repórter Geraldo Romualdo da Silva e foi o compositor e locutor Ary Barroso, outro flamenguista de alma, que foi buscar Modesto Bría em Assunção. O paraguaio chegou no final do campeonato carioca de 1943 quando Flamengo era líder, com ídolos como Domingos, Zizinho, Jaime, Biguá e Pirilo. Um time histórico, que já tinha conquistado o campeonato carioca um ano antes, e que ia ser ainda mais forte com a chegada de Modesto Bría. Escreve Roberto Sander no seu livro Anos 40, viagem à década sem copa: “Bría chegou ao Brasil quando faltavam cinco rodadas para o fim do campeonato. Chegou e conquistou imediatamente a condição de titular. Encarnou como poucos o espírito rubro-negro. Além da boa técnica, era um jogador raçudo. Sua garra contagiava. Tinha um senhor pulmão. Com a rapidez de um raio virou ídolo da torcida. Ao lado de Biguá e Jaime de Almeida, ele formou uma linha média que aliava habilidade e disposição. Marcava e apoiava com a mesma facilidade”.
Modesto Bría substituiu outro gringo, o argentino Volante, que deu seu nome a posição em campo. Bría estreou com um empate 2×2 no Fla-Flu e em seguida, Flamengo empatou contra São Cristóvão. Mas o time rubro-negro não era cavalo paraguaio e só goleou nos últimos 3 jogos: 5×1 contra Bonsucesso, 6×2 contra Vasco, 5×0 contra Bangu. Com apenas 5 jogos, Modesto Bría conhecia a maior experiência da vida, ser campeão com Flamengo. Em 1944, Vasco levou o Torneio Relâmpago e o Torneio Início, mas no campeonato carioca, deu mais uma vez Flamengo, deu o primeiro tricampeonato do Mengo depois de um jogo eterno contra Vasco, com o gol válido de Valido. “Fiz a maior partida de minha vida” falou depois Modesto Bría.
Ao lado de Biguá e Jaime de Almeida, Modesto Bría reinou no meio de campo, mas o Expresso da Vitória do Vasco impediu de conquistar mais títulos. Modesto Bría era tão bom que permitiu a chegada de outros paraguaios no Flamengo, o goleiro García em 1949 e o atacante Benítez em 1952. Flamengo tinha uma coluna vertebral paraguaia e caminhava para mais títulos. Em 1953, o Paraguai levou seu primeiro campeonato sul-americano, vencendo um jogo-desempate contra o Brasil. O Paraguai estava sem Modesto Bría, García e Benítez, que jogavam no exterior, mas o técnico campeão Fleitas Solich chegou semanas depois no Flamengo. Estreou sem Modesto Bría, mas com vitória 3×2 sobre Santos, gols de Joel, Evaristo e Esquerdinha, os novos ídolos.
Modesto Bría ainda jogou algumas partidas do Torneio Rio – São Paulo, mas não participou do campeonato carioca, que iniciou mais um tricampeonato do Flamengo entre 1953 e 1955. Modesto Bría fez seu último jogo com o Manto Sagrado no 10 de setembro de 1953, um amistoso contra XV de Jaú que acabou num 4×4. Como ele substituiu Volante no início da carreira, Modesto Bría foi substituído pelo Dequinha, que reinou no meio-campo rubro-negro na década de 1950. No Flamengo, foram para Modesto Bría dez anos de raça, amor e paixão, 369 jogos e 8 gols.
E na verdade, foram mais do que 369 jogos. Porque se Modesto podia pendurar as chuteiras, não podia ficar longe do Flamengo. Trabalhou no clube, às vezes como assistente do Flávio Costa e do próprio Fleitas Solich, às vezes trabalhando na base. Dirigiu o time principal do Flamengo pela primeira vez em 1959, fez outras passagens em 1967, 1971 e 1981. Depois voltou a ser assistente de Carpegiani quando Flamengo ganhou tudo no ano histórico de 1981. Também foi assistente de outro ídolo, no campo e no banco, o Violino Carlinhos, e de um ídolo apenas no banco porque era militar, Cláudio Coutinho.
Na base, o trabalho de Modesto Bría foi ainda mais impressionante. Tinha um olho clínico, convidou Gérson, jogador do Canto do Rio, para um teste no Flamengo. Reposicionou Júnior na lateral direita e recuou Mozer do meio de campo para a zaga. Talvez o momento mais importante foi em 1967 quando Celso Garcia o apresentou um jovem jogador de 13 anos, bem franzino, um certo Zico. Vendo o “lourinho muidinho” como ele falou para Celso Garcia, Modesto Bría estranhou um pouco, mas autorizou o jovem a fazer o teste. Relembra Zico no livro Zico conta sua história: “Bom, não foi um treino brilhante. Não marquei nenhum gol, mas joguei bem, sem complicar. O fato é que o Bría, no final, me mandou voltar na sexta-feira e foi logo avisando do que, no sábado, eu ia entrar no jogo contra o Everest…”. Por esse momento, e muitos outros durante 40 anos, Modesto Bría é patrimônio histórico do Flamengo.
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Jogos eternos #90: Botafogo 0x1 Flamengo 2009

Quando se fala do Flamengo, eu sou de um otimismo às vezes exagerado. Já acreditei em times muitos ruins, já acreditei em títulos muitos perdidos. Minha ideia para o jogo de hoje era um duelo para um título do Brasileirão entre Flamengo e Botafogo, a final de 1992, jogo de volta, já que o jogo de ida foi eternizado aqui. Mas apesar de todo meu otimismo em geral, não acredito ao título de 2023. Mesmo que Botafogo caia drasticamente, não vejo Flamengo, como o nível de hoje dentro e fora do campo, ganhar 15 pontos sobre o rival. O título para mim acabou, só pode ganhar, talvez, a Copa do Brasil.
Mas mesmo assim, não vou desistir de meu Mengo e vamos então para o primeiro jogo entre Botafogo e Flamengo no Engenhão, inaugurado em 2007. Flamengo já tinha jogado 3 partidas como mandante em 2008 e 2009, mas ainda não tinha jogado contra Botafogo no Engenhão, antes do 25 de outubro de 2009, já na reta final do Brasileirão. Era a época do tricampeonato carioca em cima do Botafogo, do chororô e do jejum, Botafogo não vencia Flamengo há 9 jogos.
Para o jogo contra Botafogo, o ídolo Andrade escalou Flamengo assim: Bruno; Léo Moura, Airton, Fabrício, Juan; Maldonado, Toró, Fierro, Petkovic; Zé Roberto, Adriano. Primeiro lance veio no 6o minuto, mas o chute de Zé Roberto só flirtou com a trave de Jefferson. Com 30 minutos de jogo, Adriano passou entre os dois zagueiros Juninho e Wellington, com potência e energia na grande área. Mas o Imperador não era só força física, também era técnica, era goleador, até artilheiro nesse campeonato. Com a perna esquerda de sempre, o Didico chutou sem chance para Jefferson, chutou forte para abrir o placar, chutou no gol para a alegria dos flamenguistas.
No segundo tempo, o juiz inventou um pênalti para Botafogo. Lúcio Flávio chutou, Bruno saiu do bom lado e fez a defesa. Nos acréscimos, num contra-ataque de Zé Roberto com sua caraterística velocidade, Gil, que entrou no lugar do Petkovic, tinha o gol feito, mas errou feio. Sem consequência no final, vitória do Flamengo, que ainda estava fora do G-4, mas com apenas 3 pontos atrás do líder, Palmeiras. Agora, Flamengo de 2023, é tarde demais para aprender.








