Jogos eternos #403: Flamengo 5×0 Coritiba 2008

Flamengo joga hoje contra Coritiba, último jogo do Mengo antes da longa parada por causa da Copa. Ótimo seria fechar com uma goleada, como aconteceu em 2008.

Na época, na reta final do Brasileirão, Flamengo brigava por uma classificação na Copa Libertadores. Por sua vez, como é o caso hoje, Coritiba estava na primeira parte da tabela. Em 23 de outubro de 2008, o saudoso técnico Caio Júnior escalou Flamengo assim: Bruno; Léo Moura, Jaílton, Ronaldo Angelim, Luizinho; Airton, Toró, Kléberson, Ibson; Marcelinho Paraíba, Obina.

No Maracanã meio vazio, o primeiro lance de perigo foi para o Coritiba, mas Bruno fez uma dupla defesa para impedir a abertura do placar. Logo depois, Obina entrou em ação, achando a trave num cabeceio firme. Era só o início do show Obina, meu primeiro ídolo no Flamengo.

Aos 20 minutos de jogo, Jaílton errou o passe na profundidade. Era uma bola perdida para todo mundo, menos o Obina, que não desistiu do lance e chegou na bola antes da zaga adversária, forçada a cometer o pênalti. Marcelinho Paraíba deixou a bola para o aniversariante do dia, Léo Moura, que festejava seus 30 anos. Léo Moura pegou a bola e chutou a meia altura. O goleiro conseguiu a defesa, mas no rebote, o mesmo Léo Moura chegou e conseguiu colocar a bola na rede, aliviando a Nação.

Na metade do primeiro tempo, Obina pegou a bola à 30 metros do gol, fez um lindo domínio e girou para abrir espaço. O chute apenas flirtou com a trave. Tabelando com Marcelinho Paraíba, Ibson quase deixou o gol dele, mas de novo a bola escapou do gol. Flamengo levava perigo com contra-ataques rápidos. Aos 36 minutos, de novo Marcelinho Paraíba, de novo para Ibson, que lançou na frente Kléberson. Na direita, o meia pentacampeão invadiu a área e tocou para Obina, que teve tempo de dominar e ajustar o chute. Gol do Flamengo, gol do meu primeiro ídolo rubro-negro. Obina não fazia uma grande temporada, fazendo apenas seu quarto gol no Brasileirão, mas era meu ídolo, o primeiro no meu coração, e claro, melhor que Eto’o.

No segundo tempo, Flamengo continuou com os contra-ataques, principalmente usando o fôlego de Léo Moura, que não parecia ter 30 anos. Porém, nem Obina, nem Fernando, que entrou no lugar de Luizinho, conseguiram fazer o terceiro gol. Faltando 15 minutos para o final do jogo, outro contra-ataque rápido do Mengo. Obina fez dois cortes lindos e chutou, mas um último zagueiro conseguiu o desvio e impediu o terceiro gol.

Dois minutos depois, Flamengo partiu mais uma vez para o ataque. Ibson, ainda em fase exuberante, tabelou com Maxi Biancucchi, primo de um tal Messi. Ibson recuperou a bola e, de primeira, fuzilou o goleiro, achando a gaveta. O técnico Caio Júnior, que morreu na tragédia de Chapecoense em 2016, não conquistou títulos com o Flamengo, mas o futebol era lindo de ver, eu gostava de assistir aos jogos na época e o técnico é lembrado até hoje.

O Flamengo fazia mais um gol e não desistia de procurar ainda outro. Ronaldo Angelim recuperou uma bola perto do gol rubro-negro e Fierro lançou Obina na esquerda. O ídolo driblou um adversário com uma finta de corpo, chegou antes de outro defensor e puxou a bola. Já perto do gol, Obina cruzou no chão, a bola desfilou na linha do gol e chegou até a segunda trave, até o Maxi Biancucchi, que fez o gol que Messi não fez. Um gol com o Manto Sagrado, maior glória de um jogador de futebol.

Já era goleada, mas o Flamengo de Caio Júnior queria ainda mais, para uma festa linda com sua torcida. Nos acréscimos, Obina, ainda ele, driblou um com bela finta, deixou a bola entre as pernas de outro. Na dividida, Ibson chegou primeiro e cravou outro pênalti. Obina pegou a bola mas a torcida pediu outro ídolo da época, o goleiro Bruno. Uma tragédia que Bruno cometeu um crime tão horrível e apagou a história dele, porque ao lado de Obina, Léo Moura e Ibson, foi um de meus grandes ídolos, fazendo desse Flamengo um time muito especial no meu coração de ainda jovem apaixonado rubro-negro. Enfim, neste dia, com estilo à la Djalminha, de cavadinha, Bruno fez o quinto gol do dia, o gol do placar final. O juiz nem esperou a saída de bola do Coritiba e apitou o final do jogo logo após o gol. Era uma festa completa no Maracanã.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”