Com a parada por causa da Copa, Flamengo só vai reestrear daqui um mês e meio, contra a Chapecoense. Para o jogo eterno do dia, eu vou de outro jogo contra a Chape, que completa hoje exatamente 11 anos.
E em 11 anos, a situação mudou muito para o Flamengo. No ano de 2014, Flamengo passou a pausa da Copa na 19a e penúltima colocação, com apenas uma vitória em 9 jogos. Tinha um sério risco de rebaixamento, mas o Flamengo se salvou no final. Em 2015, de novo Flamengo começou mal o campeonato e trocou de técnico, com a saída de Vanderlei Luxemburgo. O novo técnico Cristóvão Borges – tempos sombrios – perdeu o Fla-Flu logo na estreia e ainda perdeu contra o Cruzeiro. Com 5 partidas no Brasileirão, Flamengo tinha apenas um ponto, de novo estava na 19a colocação, na briga contra o rebaixamento.
Em 6 de junho de 2015, para o jogo contra Chapecoense, o técnico Cristóvão Borges escalou Flamengo assim: Paulo Victor; Luiz Antônio, Wallace, Samir, Pará; Marcio Araujo, Jonas, Canteros, Gabriel; Marcelo Cirino, Eduardo da Silva. Realmente tempos difíceis do Flamengo, com quase ninguém do elenco que traz boas lembranças. O ingresso valia apenas par ver o Manto Sagrado.
No Maracanã, cheio na Norte e quase vazio nas outras arquibancadas, Flamengo teve o primeiro lance de perigo, mas o cabeceio do capitão Wallace apenas flertou com a trave. Em seguida, Gabriel fez ótimo lançamento, Marcelo Cirino não conseguiu finalizar. Eduardo chutou cruzado, de novo a bola escapou do gol. Num outro escanteio, a bola fugiu da grande área e voltou para Gabriel, que chutou de longe. A bola foi desviada e chegou na rede, mas do outro lado do gol. Canteros cobrou uma falta, que passou só um pouco em cima do travessão. No intervalo, apesar do franco domínio do Flamengo, o placar ainda era 0x0.
No segundo tempo, Gabriel foi o jogador que mais apareceu, ainda de forma caótica. Errou no cruzamento, que quase se transformou em gol, mas o saudoso goleiro Danilo ficou vigilante. Logo depois, Gabriel errou no chute, que quase se transformou em assistência, mas Marcelo Cirino não conseguiu tocar na bola. Com uma hora de jogo, Cirino escapou da defesa da Chape, obrigada a cometer uma falta para impedir o gol. O juiz Daronco mostrou o cartão vermelho para Vilson e o jogo ficou mais fácil para o Mengo.
Cinco minutos depois, Luiz Antônio cruzou na direita, Danilo saiu mal e a bola voltou para Gabriel, que chutou de novo. Danilo ainda desviou a bola, o que impediu o zagueiro de salvar em cima da linha. Era o gol do camisa 17, o gol da liberação para a Nação. No final do jogo, Paulo Victor fez uma linda defesa para garantir o resultado. Flamengo não jogava bem e não tinha jogadores de destaque. Mas tinha o peso do Manto Sagrado para sair momentaneamente da zona de rebaixamento.
Para fechar a crônica então, só me vem uma frase do eterno tricolor Nelson Rodrigues, sobre nosso Flamengo: “Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor imponente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável”.







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