
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #288: Flamengo 3×0 Vasco 2000

Três dias atrás, escrevi sobre um Flamengo x Vasco de 1975, exatamente 50 anos após o jogo. Ainda sem jogo do Flamengo, eu vou de outro aniversario do Clássico dos Milhões, agora de 25 anos.
E não foi qualquer Clássico dos Milhões, era a final do campeonato carioca. E não era qualquer Vasco, era o Vasco de Romário e Edmundo, um time que conquistou o Brasileirão e a Copa Mercosul no final do ano. No início do ano, Vasco venceu a Taça Guanabara, aplicando um 5×1 sobre Flamengo com 3 gols de Romário. Flamengo perdeu (liberou) o próprio Romário no final de 1999 e vivia novos sonhos com a empresa ISL. Ainda sem as contratações de peso (algumas que não pesaram tanto) do segundo semestre como Alex, Edílson, Denílson e Gamarra, Flamengo se recuperou no campeonato carioca e conquistou a Taça Rio. A final era Flamengo x Vasco, era Clássico dos Milhões.
A vontade para Vasco era de vingança, já que perdeu a final do campeonato carioca um ano antes contra Flamengo. Mesmo sem Juninho, Vasco tinha um timaço, Mauro Galvão na zaga, Amaral e Pedrinho no meio, e claro, a dupla Romário – Edmundo na frente. Vasco era o favorito, mas Flamengo tinha no banco um ídolo, Carlinhos Violino, de volta após uma cirurgia cardíaca, para sua sexta e última passagem como técnico do Mengo. No 11 de junho de 2000, o ídolo Carlinhos escalou Flamengo assim: Clemer; Maurinho, Juan, Fabão, Athirson; Leandro Ávila, Mozart, Fábio Baiano, Iranildo; Tuta, Reinaldo.
Flamengo dominou o início do jogo, com Iranildo como maestro do time. Helton fez boa defesa num chute de longe de Fábio Baiano, Mozart também chutou de longe e Helton fez outra grande defesa. Vasco só conseguiu ameaçar a meta rubro-negra na segunda parte do primeiro tempo e foi a vez de Clemer brilhar num chute potente de Paulo Miranda. Em resposta, Tuta quase fez o golaço de letra, mas Helton defendeu mais uma vez. O Flamengo dominava absolutamente o primeiro tempo, porém no placar a igualidade persistia. Romário, de volta de lesão, foi perfeitamente anulado pela zaga rubro-negra e o juiz apitou o intervalo sem gol marcado.
O segundo tempo começou igual o primeiro tempo, Flamengo dominando, sem conseguir fazer o gol libertador. Tuta quase fez outro golaço, agora de bicicleta, e mais uma vez Helton defendeu. O jogo estava bloqueado e se abriu com a expulsão de Nasa por um segundo amarelo. Athirson, mais uma vez reinando na sua ala esquerda, voltou no meio e chutou de longe, Helton fez outra defesa. O goleiro era o único a impedir o naufrágio do Vasco.
Na parte do campo de Vasco, Edmundo conseguiu um drible em cima de Athirson mas errou no passe fácil a 30 metros do gol vascaíno. Tuta tocou atrás de bico para Fábio Baiano, já acionando Athirson. No domínio da bola, Athirson girou de sola em direção ao gol e chutou cruzado, sem tanta força, mas um chute preciso e rasteiro, para finalmente vencer Helton, para abrir o placar, esquentar o Maraca. E quase já matar um Vasco que mostrou quase nada durante o jogo. Um gol merecido, o décimo no torneio de Athirson, o craque do campeonato.
Faltava 15 minutos para o final do jogo e Flamengo continuou a dominar, Athirson continuou a atacar. O lateral-esquerdo acelerou, pedalou, gingou na frente de um Amaral mais uma vez perdido na frente de um rubro-negro. Athirson cravou a falta no lado esquerdo, ideal para um cruzamento. Helton posicionou a barreira, tentou acalmar o time. Uma cena que se repetira, de outro lugar do campo, no mesmo Maraca, com outro jogador para bater a falta e se eternizar no Clássico dos Milhões. Em 2000, a cobrança foi para Fábio Baiano que, esperto, tentou, e achou, diretamente a gaveta. Um golaço, um dança de Fábio Baiano e aplausos do sempre calmo Carlinhos.
No tempo adicional, quando ao mesmo tempo Gustavo Kuerten se aproximava de conquistar o Roland Garros e meu coração já dividido entre Brasil e França, Maurinho cruzou na direita para Lúcio, que cabeceou mal. O cabaceio errado se transformou em assistência linda para outro jogador que saiu do banco durante o jogo, Beto. Era o terceiro gol do Flamengo, o Maracanã se transformou em festa e canto de baile funk com referência a um Velho Lobo, que se eternizará num outro Clássico dos Milhões um ano depois: “Tá dominado, tá tudo dominado / Tá dominado, tá tudo dominado / ih, ih, ih, vai ter que me engolir”. Flamengo vencia a primeira, faltava 90 minutos de pura emoção para conquistar um título menos marcante que o de 2001, mas que nunca podemos esquecer.
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Jogos eternos #287: Flamengo 2×1 Vasco 1975

Sem jogo do Flamengo hoje, eu vou para um jogo que aconteceu exatamente 50 anos entre Flamengo e o arquirrival Vasco. O Clássico dos Milhões foi o melhor clássico do futebol carioca a partir da segunda metade dos anos 1970 por causa de dois jogadores de alta categoria e classe dentro e fora do campo, Zico para nós, Dinamite para eles.
No campeonato carioca de 1975, Flamengo foi bem mediano na Taça Guanabara com 5 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Precisava vencer o segundo turno para já se classificar no triangular final. Andava bem melhor no segundo turno, a Taça Augusto Peira da Motta, ainda era invicto com 6 vitórias e 2 empates. Problema é que Botafogo fazia ainda melhor, com apenas um ponto perdido, justamente contra Flamengo. A vitória rubro-negra contra Vasco era obrigatória.
No 8 de junho de 1975, para mais um Clássico dos Milhões, o técnico Joubert escalou Flamengo assim: Cantarele; Júnior, Jayme, Luís Carlos, Rodrigues Neto; Liminha, Geraldo, Zico; Doval, Luisinho Lemos, Edson. No lado vascaíno, além de Roberto Dinamite, destaque para Edu Coimbra, o irmão de Zico, que ingressou Vasco neste ano de 1975 depois de 10 anos brilhando no America. E Flamengo, além de Zico, tinha dois craques no meio de campo, o saudoso Geraldo, que nos deixou no ano seguinte, e o argentino Doval, que também morreu cedo.
No Maracanã, com mais de 75 mil presentes na arquibancada e na geral, Flamengo precisou de apenas 12 minutos para abrir o placar. Doval lançou Geraldo, que fintou Zanata e voltou atrás para o próprio Doval. O chute de Doval não saiu forte, porém preciso, com um pouco de efeito que deixou o também argentino Andrada vencido. Flamengo dominou o resto do primeiro tempo, sem fazer o outro gol.
Após o intervalo, Vasco voltou melhor e empatou aos 7 minutos do segundo tempo. Numa falta cobrada por Edu, o lateral Paulo César aproveitou da indecisão na pequena área e fuzilou Cantarele. A esperança vascaína durou apenas 5 minutos. Geraldo abriu na direita para Júnior, que entrou em velocidade na grande área, porém sem dominar bem a bola. A jogada ficou indecidida até chegar aos pés de Zico. Aí já era decidido. Zico dominou a bola, deixou quicar no chão uma vez e chutou no gol. O Vasco inteiro reclamou da arbitragem, alegando uma mão de Zico, porém não adiantava, Flamengo venceu, o Clássico dos Milhões era rubro-negro.
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Jogos eternos #286: Flamengo 4×1 River Plate 1959
Na última crônica, para antecipar o Mundial de clubes, eternizei um jogo entre Flamengo e Corinthians no torneio octogonal de Rio de Janeiro de 1961, com times brasileiros, argentinos e uruguaios. Eu faço agora um passo de dois anos atrás com um torneio ainda mais prestigioso, o Torneio Internacional de Lima, também chamado de Gran Serie Sudamericana Inter Clubs.
O torneio tinha apenas 6 times, 6 gigantes: Flamengo, River Plate, Peñarol, Colo-Colo, Alianza Lima e Universitario. Sem dúvida, foi inspirado da Copa dos campeões europeus e o embrião da Copa Libertadores, criada no ano seguinte, ainda com o nome de Copa dos Campeões. Exaustado com o interminável (supersuper)campeonato carioca 1958, Flamengo estreou no Torneio Internacional de Lima com derrota 2×0 contra Peñarol, mas se recuperou com vitórias sobre Universitario e Colo-Colo. Por sua vez, River Plate, tricampeão argentino entre 1955 e 1957, foi o único a derrotar Peñarol, campeão uruguaio em 1958. Assim, os três favoritos ainda eram candidatos ao título final.
Assim, o jogo entre Flamengo e River Plate era decisivo, quase uma semifinal. No 3 de fevereiro de 1959, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: Fernando; Joubert, Pavão, Jadir, Jordan; Milton Copolillo, Moacir; Luis Carlos, Henrique Frade, Dida, Babá. O Flamengo andava desde a primeira rodada sem um dos seus maiores craques no meio de campo, Dequinha, machucado contra Peñarol. Mas se ainda queria o titulo, a vitória era obrigação.
Em Lima, terra de milagres, terra de Flamengo x River inesquecíveis, foi o time argentino que dominou o início do jogo, obrigando o goleiro rubro-negro Fernando a fazer várias defesas. O jogo era difícil, na sua crônica no Jornal dos Sports, Carlos Marcondes escreveu: “Também não se entrosou de início a dianteira do clube da Gávea, perdendo-se Moacir em fintas inúteis. Mesmo assim, quando conseguia realizar seu intento de fornecer pelotas ao comando, coube a Henrique desperdiçar infantilmente inúmeras oportunidades”. Flamengo reagiu e passou a dominar o jogo, ainda sem fazer o gol. “Apenas os tentos não surgiam porque não estavam em noite inspirada os homens-goals comandados por Fleitas Solich. Nem Dida, nem Henrique ou mesmo Luís Carlos conseguiam traduzir em números a superioridade e pressão que passou a surgir desde os vinte minutos da primeira etapa” ainda escreveu Carlos Marcondes.
E no final do primeiro tempo, finalmente saiu o gol do Flamengo, em dose dupla. “Somente quase ao final da primeira etapa, ou seja, aos 42 minutos pode o Flamengo traduzir no marcador sua superioridade, com um tento de Luís Carlos, recebendo na ponta, ótimo passe de Henrique. Nem bem os portenhos se haviam refeito do golpe quando aos 44 minutos Henrique fugiu pelo setor esquerdo e fuzilou com um tiro seco e enviesado, marcando o segundo goal dos rubro-negros”. Sem mudanças no intervalo, o segundo tempo também não mudou. “Acontece ainda que o panorama foi exatamente igual ao do final da primeira etapa. Domínio técnico, tática e territorial da equipe brasileira” prossegue Carlos Marcondes.
Norberto Menéndez, que teve a proeza de ser ídolo de River Plate e depois do Boca Juniors, fez um gol para River, mas a alegria dos argentinos, ou “portenhos” como se chamava mais frequentemente na época, durou pouco tempo, muito pouco. Ainda o Jornal dos Sports na edição do dia seguinte: “Nem bem sentiam-se os portenhos confortados com a diminuição do placard, foi dada a saída, de Henrique, para Moacir, deste para Babá e, sempre de primeira para Henrique, que marcou um minuto após o tento adversário, restabelecendo a diferença no marcador, com o placar de 3×1”. O Flamengo estava muito superior e fez um quarto gol, agora com Babá: “Em boa combinação de Moacir com Babá, este último enveredou pelo setor esquerdo, driblando sensacionalmente seu marcador Ballesteros. Com um ângulo livre, atirou sem que o goleiro Ovejero pudesse fazer qualquer esforço para a defesa. Era o tento número quatro que caracterizava a vitória e a manutenção da liderança”.
Fecho meu trabalho de escriba do dia com a analise de Carlos Marcondes sobre a goleada: “Na realidade, não há o que reclamar por parte dos portenhos pela vitória rubro-negra. Foi justa, incontestável e insofismável”. Melhor ainda o último jogo, já eternizado no Francêsguista, mas vale repetir. Flamengo perdia 0x3 contra Alianza Lima e no segundo tempo fez 4 gols em 8 minutos para virar o jogo e conquistar o título. Uma virada monumental, uma vitória épica, um “Carnaval em Lima”, um troféu de prestígio, um Flamengo imortal.
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Jogos eternos #285: Flamengo 2×1 Corinthians 1961

Flamengo goleou Fortaleza e mira agora o Mundial dos clubes nos Estados Unidos. Estou ansioso para a competição e ver os confrontos entre clubes de diferentes países e continentes. Há anos e anos que existem competições internacionais, algumas oficiais como hoje e outras amistosas como era mais comum nos dias mais distantes.
Em 1961, mesmo com a Copa Libertadores já criada, o presidente do Boca Juniors, Alberto José Armando, inclusive que deu seu nome ao mítico estádio da Bombonera, idealizou um torneio da América do Sul com 2 gigantes do Rio de Janeiro (Flamengo e Vasco), de São Paulo (Corinthians e São Paulo), da Argentina (Boca Juniors e River Plate) e do Uruguai (Nacional e Cerro). Há outros clubes que pediram o reconhecimento deste torneio como uma Copa Libertadores. Não quero que seja o caso do Flamengo, acho que só apequena o clube, porém precisamos falar sobre esse torneio e de sua importância na época.
Prova é o Jornal dos Sports, que falava na edição do dia de abertura do “Torneio Octogonal, cujo certame nasce cercado da mais acentuada expectativa”. Flamengo estreou no Torneio Octogonal Sul-Americano contra o Corinthians, inclusive os dois times se reencontraram três meses depois na final de um outro torneio importante que sumiu, o Torneio Rio-São Paulo, com título do Flamengo e jogo eternizado no Francêsguista. Antes disso, para a estreia do Torneio Octogonal, no 4 de janeiro de 1961, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: Ari; Joubert, Bolero, Jadir, Jordan; Carlinhos, Gérson; Luís Carlos, Henrique Frade, Babá, Dida.
Nem todos os espectadores haviam chegado ao Pacaembu quando Flamengo abriu o placar, já no primeiro minuto do jogo. Segundo a reportagem do Jornal dos Sports, “a bola veio ter aos pés de Dida, que, em excelente situação, chutou bem, para assinalar o primeiro goal do Flamengo”. O jogo ficou equilibrado e Gérson quase fez de falta, Gilmar defendeu parcialmente e teve o tempo de afastar o perigo antes da chegada de Dida. Antes do intervalo, o Corinthians quase empatou, mas o juiz uruguaio Esteban Marino, que um ano depois será pivô da absolvição de Garrincha para jogar a final da Copa, assinalou um impedimento.
O jogo ainda andava equilibrado e os dois goleiros Ari e Gilmar brilharam. No intervalo, Moacir entrou no lugar de Dida, mas o Corinthians empatou no início do segundo tempo graças a um gol de Lanzoninho. O Pacaembu pegou fogo mas gelou dois minutos depois. “Um chutaço de Henrique voltou no ataque. Vinha parar nos pés de Gérson, mas o meia, proposicionalmente, deixou passar e Moacir aproveitou bem: enfiou o pé com decisão. Era o segundo goal rubronegro”. Mesmo sem imagens, um gol com marca de gênio de Gérson e feiticeira do experiente técnico paraguaio Fleitas Solich.
Na frente no placar, Flamengo passou a dominar mas quase concedeu o empate. “Joaquinzinho ia marcar, apareceu Jadir na hora exata para afastar a escanteio”. Jadir salvou, Flamengo conseguiu a vitória no Pacaembu e estreou bem num Torneio Octogonal conquistado três semanas depois.
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Jogos eternos #284: Flamengo 2×1 Fortaleza 2020

Flamengo joga hoje contra Fortaleza, último jogo antes da ida aos Estados Unidos para o Mundial dos clubes. Tenho muitas esperanças para o Mundial e eu vou para a lembrança do dia de um jogo ainda recente, ano do último título brasileiro, com alguns craques que teriam merecidos jogar essa competição se ela tivesse criada antes.
Em 2020, apesar do título no final, Flamengo começou mal o campeonato com duas derrotas. Melhorou, mas ainda estava apenas na sexta colocação após a 7a rodada e um outro jogo eternizado aqui, uma vitória 5×3 na Bahia. Três dias depois, numa Maracanã ainda vazio por causa da pandemia, Flamengo enfrentou outro time nordestino, Fortaleza. No 5 de setembro de 2020, o técnico Domènec Torrent escalou Flamengo assim: Gabriel Batista; Isla, Gustavo Henrique, Rodrigo Caio, Filipe Luís; Willian Arão, Gerson, Arrascaeta; Everton Ribeiro, Michael, Pedro. Ou seja, três jogadores, Gerson, Arrasca e Pedro que podem escrever a história no Super Mundial, mais o técnico Filipe Luís. Sem esquecer os craques que já saíram do Flamengo.
Com apenas 6 minutos, o jogo contra Fortaleza já entrou na história. Everton Ribeiro fez um passe sensacional de trivela, Pedro dominou de peito e fez o voleio. O goleiro Felipe Alves defendeu, apenas de forma parcial. Everton Ribeiro chegou e se eternizou mais uma vez no Flamengo. Quando a lógica queria que o jogador chutasse o mais forte possível para a bola entrar no gol, Everton Ribeiro apenas fez uma cavadinha para tirar o goleiro da jogada e concluiu de cabeça. Depois de já um golaço contra Bahia, Everton Ribeiro fazia outra maravilha, um gol eleito pela CBF o mais bonito do Brasileirão de 2020. Esses dois gols, junto com o gol contra Cruzeiro em 2018, são para mim o top 3 dos gols mais bonitos de Everton Ribeiro com o Manto Sagrado. E minha preferência maior vai para o gol contra Fortaleza, pela rapidez do raciocínio, pela capacidade de fazer o gesto nada evidente, mas absolutamente adequado. Os gols contra Bahia e Cruzeiro são de poucos jogadores, de craques capazes de tal pintura, o gol contra Fortaleza ainda menos.
Cinco minutos depois, Isla fez falta burra e concedeu o pênalti, Juninho empatou. Em seguida, Fortaleza quase virou, Osvaldo tocando na trave. Flamengo voltou a dominar, mas sempre travava no goleiro ou com um chute fora do gol. Rodrigo Caio, Arrascaeta, Michael e Pedro tentaram, mas nada do gol antes do intervalo. Sem público, jogo ficou mais morno no segundo tempo, o técnico Doménec precisava mexer.
De pivô, Gabigol, que entrou no intervalo no lugar de Pedro, tentou, mas chutou para fora. Bem servido por Everton Ribeiro, Gabigol teve outra chance, mas chutou fraco. Sem arrependimento, estava em impedimento. Faltando cinco minutos para o final do jogo, o craque Everton Ribeiro apareceu de novo, deixou a bola na direita para Matheuzinho, que também entrou no decorrer do jogo. Matheuzinho cruzou no chão, Gabigol de primeira, ajustou o pé, ajustou o goleiro, fez a alegria da Nação, em casa só. Flamengo vencia do jeito que gostava, um gol no final do predestinado Gabigol, e um golaço, uma pintura, uma obra de arte inesquecível de nosso craque de sempre, Everton Ribeiro.
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Jogos eternos #283: Flamengo 5×0 Deportivo Táchira 1991

Flamengo joga hoje em casa com a absoluta necessidade de vencer para se classificar nas oitavas da Copa Libertadores. O adversário é Deportivo Táchira, que nem pontuou uma vez nos 5 primeiros jogos. Apesar disso, não podemos ficar arrogantes, a derrota no Maraca contra Central Córdoba lembra essa necessidade.
Flamengo tem que ganhar, melhor ainda de goleada, para garantir o primeiro lugar. Em 1991, Flamengo também enfrentou o Deportivo Táchira, na época Atlético Táchira. No jogo de ida das oitavas de final, Flamengo venceu 3×2 na Venezuela e andava tranquilo antes do jogo de volta no Maracanã. Porém, não podia menosprezar o adversário e precisava jogar seriamente. No 24 de abril de 1991, o técnico Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Gilmar; Ailton, Adílson, Wilson Gottardo, Piá; Zé Ricardo, Júnior, Marquinhos, Marcelinho Carioca; Alcindo, Gaúcho.
Num Maracanã quase vazio, Flamengo precisou de apenas 9 minutos para abrir o placar. Júnior abriu na direita para Ailton, que cruzou. Marcelinho tentou dominar de peito, um zagueiro venezuelano tocou de cabeça e Gaúcho, que já tinha feito 3 gols na ida, chegou e fez uma bicicleta para o golaço do dia.
Flamengo estava bem no jogo, porém precisou esperar o segundo tempo para fazer outro gol e segurar a classificação. De novo com Júnior, que na direita fez o toque leve para Marquinhos, que dominou de peito, e antes da bola cair no chão, venceu o goleiro. Cinco minutos depois, ainda Júnior, agora de escanteio, situação ficou confusa na grande área, última palavra para Marcelinho, que tocou a bola no fundo do gol.
E cinco minutos depois, Flamengo ganhou uma bola, que voltou nos pés de Júnior, claro. Com as pernas de um Vovô-Garoto, Júnior puxou o contra-ataque por quase 50 metros, e com a elegância e a maestria do craque, fez o passe perfeito na profundidade para Marcelinho Carioca. O camisa 17 não perdoou o goleiro para fazer seu segundo do dia, o quarto do Mengo. Com 2 gols, Marcelinho Carioca podia ceder seu lugar a um outro craque da base, porém um pouco mais velho, Zinho.
E faltando 15 minutos para o final do jogo, chegou Zinho, depois de cruzamento de Alcindo e cabeçada de Marquinhos, bola ficou na esquerda, Zinho chutou cruzado e definiu o placar: 5×0. Sem tremer, Flamengo estava classificado para a próxima fase. Foi uma goleada no final sim, porém não um jogo fácil o tempo todo. O Flamengo construiu o jogo fácil. Que assim seja hoje.
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Jogos eternos #282: Palmeiras 1×3 Flamengo 2021

Faz quase 10 anos que Flamengo e Palmeiras lutam pelo título do Brasileirão. Mesmo anos sem conseguir, estão quase sempre no G-4, quase sempre um lutando contra o outro. O Brasileirão de 2025 não parece ser diferente, Palmeiras é líder, Flamengo na segunda colocação, 4 pontos atrás. Ou seja, a derrota em São Paulo já é proibida.
Em 2021, era a mesma coisa. No final do primeiro turno, tinha outro líder, o Atlético Mineiro, mas Palmeiras tinha 4 pontos de vantagem sobre Flamengo antes do jogo no Allianz Parque. E Flamengo andava com vários desfalques por causa de lesões, entre eles Gabigol, Bruno Henrique, Diego, Rodrigo Caio e Filipe Luís. Assim, no 12 de setembro de 2021, o técnico Renato Gaúcho escalou Flamengo assim: Diego Alves; Isla, Gustavo Henrique, Bruno Viana, Ramon; Willian Arão, Andreas Pereira, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Michael, Pedro.
Sem público no Allianz Parque por causa do Covid, primeiro lance de perigo foi para Flamengo. Pedro quase aproveitou de uma falha de Danilo para abrir o placar, mas no final se machucou na trave. Aos 9 minutos, o palmeirense Wesley, na direita, fintou, chutou e quase abriu o placar. Cinco minutos depois, agora na esquerda, Wesley se livrou de Isla com facilidade e chutou no canto oposto, vencendo Diego Alves para fazer o primeiro gol da partida.
Flamengo também tinha um ponta pequeno e driblador, Michael. Dois minutos depois do gol palmeirense, Éverton Ribeiro chegou na direita, e fez um cruzamento lindo com o pé “fraco” que não tem, conseguindo uma curva perfeita. O pequeno Michael pulou, cabeceou, empatou. Zé Rafael e Vitinho, que entrou no lugar de mais um machucado, Arrascaeta, tentaram de longe, sem achar o gol. O intervalou chegou numa igualidade no placar.
No início do segundo tempo, num escanteio bem batido pelo Vitinho, Pedro pulou, cabeceou, virou. A bola foi perfeitamente colocada na rede, Weverton só ficando em pé, olhando para a bola, o gol, a virada. No final do jogo, o golaço do dia, Michael driblou Marcos Rocha e chutou com força, mais uma vez sem chance para Weverton. Flamengo vencia e se aproximava do Palmeiras na tabela, da liderança também, e chegava a uma série de 9 jogos sem perder contra Palmeiras. Infelizmente, o título brasileiro não veio, e pior, a série invicta contra Palmeiras foi interrompida no jogo seguinte na final de Liberta, de uma forma ainda traumática.
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Times históricos #34: Flamengo 1994

No livro 100 anos de bola, raça e paixão, o trio Arturo Vaz – Celso Júnior e Paschoal Ambrósio Filho escreveu: “O ano de 1994 poderia até ser apagado do calendário flamenguista que ninguém sentiria falta”. Bem, teve alguns jogos de destaque, ainda que poucos. Prova disso, se podemos chamar assim, em agora mais de 280 crônicas no meu blog, desde 1974 e a consagração de Zico, além do maior acesso às imagens dos jogos, o ano 1994 é o único que ainda não teve jogos eternizados no Francêsguista. Teve algumas temporadas ruins, o biênio 1988-1989, ou 2002, 2003, 2005, 2012, 2014 no século XXI, mas teve ao menos um jogo já eternizado aqui. Em 1994, nenhum, porém terá no futuro, já que a temporada não foi só frustração.
A frustração de 1994 começou antes da temporada, com a perda dos craques da base, Djalminha, Marcelinho Carioca e Júnior Baiano. Ainda perdeu Piá e Luís Antônio, outros jogadores criados em casa. Até é normal perder alguns garotos, mas saíram baratos, com pouca compensação. Em crise financeira, Flamengo fez apenas empréstimos e chegaram jogadores como Marco Antônio Boiadeiro, Carlos Alberto Dias e Valdeir. Destaque para a contratação de Charles, campeão brasileiro com Bahia em 1988 e com boa passagem no Cruzeiro. Como já tinha o Charles Guerreiro no elenco rubro-negro, virou Charles Baiano. A dois anos do centenário, Flamengo perdeu muito com a saída de suas promessas, mas ao menos ainda tinha Sávio, a estrela da temporada. Flamengo tinha também um ídolo no banco, Júnior, definitivamente aposentado e que já tinha treinado o Mengo em 1993, voltou para ser o técnico do Flamengo.
A temporada começou com um amistoso na Gávea, já com uma derrota, contra Grasshopers, time da Suíça. Na estreia do campeonato carioca, Flamengo fez um empate 1×1, gol de Wallace. Para seu primeiro jogo com o Manto Sagrado, contra Madureira, Charles Baiano fez seu primeiro gol, num outro empate 1×1. Flamengo finalmente venceu, contra Volta Redonda e Itaperuna, mas perdeu o primeiro clássico, 3×1 contra Vasco. O segundo clássico, contra Fluminense, também deu derrota, o hat-trick do saudoso Ézio respondendo ao doblete de Charles Baiano. E para fechar a primeira fase, outro clássico, outra vez sem vitória, agora um 1×1 contra Botafogo.
Como era ano de Copa do Mundo, o campeonato carioca partiu para uma formulação simples e um formato reduzido. Depois da Taça Guanabara, teve um quadrangular final com os 4 gigantes do Rio. E finalmente Flamengo começou a vencer os clássicos, 3×1 contra Fluminense e Botafogo, 2×1 contra Vasco com doblete de Charles Baiano, um jogo que deve ser eternizado aqui. Flamengo estava bem, porém tinha dois poréns. Ainda tinha um segundo turno, e teve uma bonificação de pontos em relação aos jogos da Taça Guanabara. Fluminense ganhou um ponto por vencer o grupo B, Vasco dois pontos por vencer o grupo A e ter a melhor campanha. O Flamengo nenhum.
O Flamengo x Vasco do segundo turno também está na história do Clássico dos Milhões, por um motivo quase único, as duas torcidas se uniram num mesmo canto. Na manhã do 1.o de maio de 1994, a morte do ídolo do Brasil, Ayrton Senna, foi confirmada. No Maracanã, tinha quase 80 mil e as duas torcidas cantaram juntas: “Olê, olê, olê, olá, Senna, Senna”. Um momento de arrepiar e chorar. Como não podia ser diferente, ficou no empate o tempo todo ou quase, Índio abriu o placar e no minuto seguinte, Jardel empatou. Flamengo 1×1 Vasco e uma homenagem linda para aliviar um pouco a dor.
Mas claro, Flamengo x Vasco não era amizade. Na mesma rodada, Fluminense humilhou Botafogo 7×1 e botou fogo no campeonato, eliminando ao mesmo tempo Botafogo. Todo poderoso na federação carioca, o vice-presidente vascaíno Eurico Miranda inverteu as duas últimas rodadas, Flamengo pegou então um Fluminense embalado e Vasco enfrentou um Botafogo já eliminado.
Flamengo perdeu o Fla-Flu 2×0 e Vasco derrotou facilmente Botafogo. Na última rodada, Flamengo venceu Botafogo 1×0, gol de Charles Baiano, artilheiro do campeonato com 14 gols em 16 jogos. O Mengão torcia para um empate no último jogo entre Vasco e Fluminense para ser campeão, porém Vasco venceu com dois gols de Jardel e conquistou o campeonato, o tricampeonato, o único da história do Vasco, marcado pelas manobras de Eurico Miranda. Um campeonato para esquecer para o Flamengo e o fim da linha para o técnico Júnior.
O eterno técnico Carlinhos voltou e Flamengo partiu para amistosos no Brasil inteiro: no Norte (Rondônia, Amazonas), Nordeste (Piauí, Ceará), Centro-Oeste (Distrito Federal), Sudeste (Espírito Santo) e Sul (Paraná), destaque com uma vitória 1×0 sobre o Vasco no Castelão de São Luís. Depois Flamengo partiu na Ásia e voltou num lugar onde fez mais que história. Botou os ingleses na roda e atingiu o ápice da glória, o 3×0 contra Liverpool com dois gols de Nunes e atuação mágica de Zico. Treze anos depois, Zico botou o Japão no mapa do futebol, ou o futebol no mapa do Japão, e teve seu jogo de despedida com o Kashima Antlers, contra Flamengo claro. E Flamengo tinha outro camisa 10 de ouro, o Anjo Loiro da Gávea, Sávio, que fez os dois gols da vitória do Flamengo. Não estragou a festa, só a deixou mais bonita.
Em seguida, Flamengo disputou o torneio internacional de Kualu Lumpur na Malásia. No momento em que a Seleção conquistava o Tetra, Flamengo passou em cima da seleção olímpica da Austrália e do Leeds para se classificar na final contra o Bayern de Munique. O jogo deve ser eternizado aqui, o Bayern abriu o placar com um pênalti do francês Jean-Pierre Papin aos 17 minutos. O goleiro rubro-negro ainda foi expulso no lance e estreou pela primeira vez o goleiro Fábio Noronha, de apenas 18 anos. Flamengo ainda perdeu por lesão o Charles Baiano e uma goleada podia ser temida. Mas Flamengo foi heroico, virou com mais uma grande atuação de Sávio e foi campeão. Em seguida, empatou duas vezes contra o Celtic, na Irlanda e na Escócia.
Com a lesão de Charles Baiano, que ficou fora de todo o Brasileirão, Sávio ficou cada vez mais sozinho como destaque do time. O Flamengo decepcionou no campeonato nacional, a estreia foi até razoável, com 2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, destaque para um 5×2 contra o Corinthians e um hat-trick de Magno. Flamengo também decepcionou na Supercopa Libertadores, perdeu logo na estreia contra Estudiantes, sem fazer gol. Entre os dois jogos contra o time argentino, o Mengo venceu 1×0 Bragantino, gol de Sávio, e 3×0 Sport, 3 gols de Sávio. O Anjo Loiro estava muito sozinho no time… E Flamengo ainda piorou no Brasileirão. Depois de uma vitória 2×0 sobre Palmeiras, com outra atuação memorável de Sávio, Flamengo passou 10 jogos sem vencer, fazendo apenas 3 gols na série! Terminou o campeonato com uma vitória 2×0 contra o Corinthians e uma campanha vergonhosa: 7 vitórias, 9 empates, 9 derrotas e apenas 23 gols marcados em 25 jogos.
A Copa Rio, uma competição da Fferj para designar o segundo representante carioca na Copa do Brasil, não era para salvar a temporada e nem salvou. Na primeira fase, Fla perdeu 1×0 contra Madureira na ida e se classificou nos pênaltis na volta, na frente de apenas 17 espectadores na Gávea, pior público da história do futebol carioca. Na semifinal, foi eliminado pelo America. Realmente, com exceção de alguns jogos eternos de Sávio, o ano de 1994 poderia até ser apagado do calendário flamenguista que ninguém sentiria falta.
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Jogos eternos #281: Flamengo 2×1 Botafogo-PB 1999

Flamengo vola a jogar hoje contra o Botafogo de Paraíba depois da vitória 1×0 na ida. Em 1999, Flamengo também estreou na Copa do Brasil contra Botafogo de Paraíba e começou com um 3×3 no Nordeste, um jogo eterno no Francêsguista.
Para o jogo de volta, no 10 de março de 1999, o técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Clemer; Fábio Baiano, Luís Alberto, Fabão, Athirson; Jorginho, Vagner, Beto, Iranildo; Caio, Leandro Machado. Com poucas imagens disponíveis, já vou para a abertura do placar, no final do primeiro tempo. Caio driblou um zagueiro que fez falta dura, a defesa do Botafogo parou, o juiz mandou seguir, Leandro Machado seguiu, fez o drible curto e chutou para abrir o placar.
No início do segundo tempo, Airton cobrou uma falta que surpreendeu Clemer e foi no fundo da rede. Botafogo empatou e botou incerteza no jogo mas na metade do segundo tempo, numa outra falta cobrada por Iranildo, Rodrigo Mendes, que tinha entrado no lugar de Caio, cabeceou e deu a vitória ao Mengo. Sem mais para hoje, o Flamengo estava classificado para a próxima fase da Copa do Brasil.
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Jogos eternos #280: Flamengo 2×1 Botafogo 2008

Flamengo e Botafogo partem hoje para mais um Clássico da Rivalidade com desejo de vingança para ambos os times. Flamengo perdeu os dois clássicos contra Botafogo no Brasileirão de 2024, mas conquistou a Supercopa do Brasil de 2025 em cima do rival. Antes do jogo, volto para um dos períodos mais acirrados da rivalidade, quando Flamengo conquistou o tricampeonato carioca 2007-2008-2009. Já eternizei aqui as finais de 2007 e 2008, a lógica queria que eu fizesse o jogo de 2009, mas eu vou entre os dois jogos citados, com a final da Taça Guanabara de 2008.
Na Taça Guanabara de 2008, Flamengo e Botafogo ambos terminaram no primeiro lugar do grupo deles, Flamengo eliminou Vasco na semifinal, Botafogo derrotou Fluminense e a final oferecia uma revanche do campeonato carioca 2007, conquistado pelo Flamengo depois de 2×2 na ida, outro 2×2 na volta. Agora a final da Taça Guanabara de 2008 tinha o charme do jogo único. No 24 de fevereiro de 2008, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Bruno; Léo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim, Juan; Jaílton, Cristian, Toró, Ibson; Marcinho, Souza.
O Maracanã estava cheio, com 78.830 almas. Flamengo entrou em primeiro e a Nação deu um show de arquibancada. Era impossível não se emocionar, ainda menos para um garoto de 15 anos na França, eu mesmo, que ainda descobria o Flamengo. Dez dias antes, meu (então) ídolo Ronaldo tinha rompido mais uma vez o tendão patelar e eu desisti por um bom momento do futebol europeu. Agora minha paixão era só Flamengo e a torcida rubro-negra me maravilhava cada vez mais.
O início do jogo foi equilibrado, mas foi Botafogo que abriu o placar, com um golaço de Wellington Paulista. No intervalo, o Papai Joel mexeu, entraram em jogo Kléberson e Obina, meu primeiro ídolo no Flamengo. Obina teve duas chances de gol, sem fazer. Com hora de jogo, num falta cobrada pelo Juan, o juiz marcou um pênalti, Ferrero agarrando Fábio Luciano. O time botafoguense parou o jogo por 5 minutos, reclamou, ainda sem lágrimas no momento. Para mim, clubismo a parte, foi pênalti, Ferrero impedindo Fábio Luciano de pular. Com calma e tranquilidade, Ibson fez o gol e fez chover no Maracanã e nas casas botafoguenses. Incomodados, os botafoguenses partiram para briga e o juiz expulsou o flamenguista Souza e o botafoguense Zé Carlos.
Flamengo quase virou, Juan venceu o goleiro, mas Edson salvou em cima da linha. Logo depois, Lúcio Flávio fez falta por trás e levou o segundo cartão amarelo. Para mim, para os outros rubro-negros e até os espectadores neutros, a expulsão foi lógica, mas os torcedores do Botafogo viram a possibilidade de construir uma narrativa. Com um jogador a mais e sete minutos para o final do jogo, sentindo que a vitória podia chegar, Joel Santana sacou o meia Toró para a entrada de Diego Tardelli, que fazia apenas seu quinto jogo com o Flamengo.
Numa saída de bola limpa do Flamengo, já nos acréscimos, Diego Tardelli pediu a bola na esquerda, ainda na parte do campo do Flamengo. Ronaldo Angelim preferiu abrir longe na direita para Kléberson, que tocou para Léo Moura. O lateral-direito fez a finta de chute, o drible curto no meio, e abriu na esquerda para a chegada em velocidade de Diego Tardelli. O resto é história, o lance está gravado na memória de qualquer torcedor rubro-negro que viu e viveu essa época do futebol carioca ainda raiz. Diego Tardelli dominou de sola, abriu o pé, chutou com efeito. A curva é impressionante, é linda, vem beijar a rede, matar de raiva ou de choro o botafoguense. Gol de Tardelli, gol do Flamengo, um dos mais marcantes da história do Clássico da Rivalidade, talvez só perdendo para o gol de falta de Júnior em 1992.
Ainda não era o gol do título, Botafogo partiu com tudo para o empate, até com goleiro na grande área flamenguista. Numa última cobrança de falta, Edson tocou de cabeça, na trave de Bruno. A sorte era do Flamengo, a festa e a taça também. Flamengo chegava a um 15.o jogo consecutivo sem perder contra Botafogo, um recorde até hoje, quando o Botafogo, mesmo na época de Garrincha ou Jairzinho, nunca ultrapassou os 9 jogos consecutivos sem perder.
Flamengo estava já classificado para a final do campeonato carioca, também vencida contra Botafogo, que por sua vez só tinha o chororô. A festa foi linda, a desolação dos botafoguenses ainda mais. Na coletiva pós-jogo, o time do Botafogo apareceu, muitos dos jogadores com lágrimas no rosto, para reclamar do juiz, falando que não queria jogar mais. Uma cena ao mesmo tempo bizarra, patética e engraçada. O presidente até anunciou seu licenciamento, que não se concretizou. O que se concretizou é a zoação dos rubro-negros, o canto eterno dos flamenguistas, o chororô também eterno dos botafoguenses. Chora o presidente, chora o time inteiro, chora o torcedor, o Flamengo é o maior do Rio.








