
Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.
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Jogos eternos #423: Flamengo 2×1 São Paulo 2009

Antes do jogo de hoje contra São Paulo, Flamengo tem 7 pontos a menos que o líder Palmeiras. Falta ainda um turno inteiro – e mais um jogo para Flamengo, para conseguir o primeiro lugar. Ou seja, cada jogo é importante, mas ainda tem muito tempo.
Em 2009, a situação era mais desesperada e, com três quartos do campeonato já disputados, quase ninguém ousara sonhar com o título. O objetivo mais realista, já grande, era uma classificação para a Copa Libertadores. Apesar da boa fase, Flamengo estava apenas no 8o lugar, 12 pontos a menos que o líder, na época já Palmeiras. O hexa era improvável.
O próximo adversário do Mengo era um gigante e hexacampeão, São Paulo, que tinha vencido os três últimos campeonatos nacionais. Em 2009, estava na vice-liderança e sonhava com um tetra consecutivo. O jogo prometia ser equilibrado. Em 10 de outubro de 2009, o técnico Andrade escalou Flamengo assim: Bruno; Everton Silva, Álvaro, Ronaldo Angelim, Juan; Maldonado, Willians, Petkovic; Zé Roberto, Everton, Dênis Marques. Sem Adriano, convocado com a Seleção brasileira, o maior protagonismo caiu nas costas do veterano Dejan Petkovic, que vivia uma nova e excelente fase com a chegada no banco do ídolo Andrade.
A chuva quase ininterrupta nos dias anteriores impediu que o Maracanã ficasse completamente lotado. Mesmo assim, tinha 57.210 pagantes e 60.280 presentes no estádio. Flamengo dominou o início do jogo, com duas oportunidades para Dênis Marques, sem achar a rede. Petkovic apareceu no lado esquerdo, fez bom passe para Juan, que pegou de voleio, de novo fora do gol de Rogério Ceni. Na metade do primeiro tempo, São Paulo finalmente conseguiu levar perigo. Dagoberto lançou Hernanes, que dominou perfeitamente, até driblando o goleiro Bruno. O Profeta só teve que empurrar na rede vazia para abrir o placar, contrariando a fisionomia do jogo e as esperanças da Nação.
Flamengo estava atrás mas não se desanimou, nem o Maracanã. Zé Roberto, outro jogador rubro-negro em grande fase, escapou na direita e cruzou. Rogério Ceni fez a defesa parcial, a bola voltou para Juan, que chutou com o pé direito. Ceni foi vencido, mas Renato Silva salvou em cima da linha. De 30 metros, Everton Silva soltou a bomba, Rogério Ceni fez a defesa, o Maraca dobrou o apoio ao Mengo. Num longo cruzamento de Pet, Ronaldo Angelim fez um ótimo cabeceio, mas Rogério Ceni salvou mais uma vez. Ainda não era a hora do Magro de Aço se eternizar no Flamengo. O intervalo acabou assim, com uma vantagem de um gol para São Paulo, que ameaçou apenas uma vez a meta rubro-negra. Do outro lado, o Flamengo lutou muito, mas Rogério Ceni parou tudo. Parecia esse tipo de jogo em que o ídolo são-paulino era simplesmente invencível.
O segundo tempo começou igualmente: chute de um jogador rubro-negro, defesa do goleiro tricolor. O técnico Andrade mexeu, com as entradas em campo de Toró e Bruno Mezenga. Num lateral, Bruno Mezenga brigou na dividida de cabeça, a bola ficou livre na grande área, Toró chegou primeiro, Jorge Wagner chegou atrasado e cometeu o pênalti. Era um duelo de ídolos veteranos entre Petkovic, especialista em bolas paradas, e Rogério Ceni, também mestre neste quesito, tanto em defesas quanto em cobranças. De 11 metros, Petkovic chutou, e mais uma vez Rogério Ceni defendeu, calando por um segundo o Maracanã. Só que Ceni, especialista também nisso, se adiou e o juiz mandou tirar de novo. Petkovic tinha outra chance.
Quando o pênalti se repete, acho que o cobrador perde a vantagem natural. Fica a dúvida: chutar no mesmo canto, com nova possibilidade de errar, ou trocar de lado, também com o risco de perder. Petk escolheu outro caminho, chutou no meio do gol, com uma cavadinha espetacular, humilhando Rogério Ceni. Para mim, é uma das cavadinhas mais sensacionais da história do futebol, num estilo próximo ao do Benzema na Liga dos campeões contra Manchester City em 2022. No meu top 5 de panenkas, como se chama na minha França, tem aquela do Petkovic contra São Paulo, junto com outros especialistas, como Pirlo, El Loco Abreu, Benzema e Zidane.
Flamengo empatou e o Maracanã explodiu, cantou até o final do jogo. Na arrancada de 2009, o Maraca fez muita diferença, ganhou jogos quase sozinho. Claro, também tinha alguns craques em campo. No minuto seguinte, Rodrigo chegou sozinho na grande área flamenguista, mas errou feio no chute. O Maracanã cantou ainda mais, comemorou mais forte. Mesmo com o empate no placar, a vitória parecia já ser do Mengo. Num chute de longe de Pet, Rogério Ceni brilhou mais uma vez e adiantou a glória rubro-negra.
E a glória chegou no Maracanã. Faltando 10 minutos para o final do jogo, Bruno Mezenga fez um passe lindo de peito para Petkovic. O Maestro dominou, acelerou, esperou e fez o passe mágico de pé esquerdo, no espaço certo, no momento certo. Zé Roberto só teve que chutar de primeira. Nem tocou perfeitamente na bola, que venceu o Ceni e chegou mansamente na rede do Tricolor. Era o gol da virada, da alegria, da euforia. Com uma atuação impecável de Petkovic, Flamengo vencia mais um jogo e prolongava o sonho da Libertadores. E talvez neste dia, dentro dos 60 mil iluminados no estádio Mário Filho, alguns já sonhavam com uma glória ainda maior.
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Jogos eternos #422: Chapecoense 1×3 Flamengo 2015

Finalmente, o Flamengo está de volta em campo. Depois de um mês e meio de parada por causa da Copa, Flamengo reestreia hoje no Brasileirão, contra Chapecoense. Depois do primeiro turno, Flamengo está na segunda colocação, já com 7 pontos a menos (e uma rodada a menos) que o líder Palmeiras. Por sua vez, a Chapecoense é a lanterna, com apenas uma vitória em 18 jogos. A vitória do Flamengo na Arena Condá é uma obrigação.
Em 2015, a situação era diferente no fim do primeiro turno. Flamengo era bem mediano, com 23 pontos e um 13o lugar na tabela. A Chape, na sua segunda participação no Brasileirão, era um pouco melhor, o nono colocado com 28 pontos. No início do segundo turno, Oswaldo do Oliveira substituiu Cristóvão Borges como técnico e o Flamengo mudou, conseguindo cinco vitórias consecutivas. Contra Cruzeiro, um jogo eterno no Francêsguista, Flamengo venceu 2×0 com golaços de Alan Patrick e Luiz Antônio. O Mengão estava de volta no G-4 pela primeira vez desde 2011.
Para o jogo contra Chapecoense, Flamengo ainda não tinha à disposição Paolo Guerrero, lesionado no tornozelo, e Alan Patrick, suspenso. Ederson, que faltou vários jogos por causa de uma lesão na coxa direita, estava de volta no grupo. Em 13 de setembro de 2015, o técnico Oswaldo de Oliveira escalou Flamengo assim: Paulo Victor; Pará, César Martins, Samir, Jorge; Márcio Araújo, Héctor Canteros, Éverton; Paulinho, Marcelo Cirino, Kayke. Do lado da Chapecoense, tinha alguns ídolos que morreram um ano depois na tragédia do voo LaMia, como o goleiro Danilo, o meia Cléber Santana e o artilheiro Bruno Rangel.
Na Arena Condá, Flamengo começou melhor e precisou de apenas 11 minutos para abrir o placar. César Martins cruzou na direita, Paulinho pegou de voleio e quase destruiu a gaveta. Ao lado de Paulinho, César Martins foi o nome do primeiro tempo. Com 33 minutos, desarmou um jogador e fez o toque leve de cobertura, Kayke desviou de cabeça para Marcelo Cirino na grande área. O camisa 7 girou e fez o passe atrás no espaço livre para Canteros. A jogada foi linda na construção e igualmente na finalização. Canteros achou a outra gaveta de Danilo para mais um golaço do Flamengo.
No segundo tempo, a Chapecoense voltou melhor e passou a dominar o jogo, conseguindo um pênalti marcado por Daronco. Na cobrança, o artilheiro e capitão Bruno Rangel chutou na direita, Paulo Victor ficou no meio e tomou o gol. A série de vitórias rubro-negras estava em risco. Faltando dois minutos para o final do jogo, Flamengo fez o contra-ataque rápido, Ederson, que saiu do banco dez minutos antes, fez o passe para Kayke, que venceu Danilo e fez o gol que decretou a vitória.
Flamengo conseguia uma sexta vitória seguida e igualava seu recorde de 1978 e 1982, com adversários bem mais modestos. O Mengo ficava no G-4 e sonhava com a volta à Copa Libertadores. Porém, o final do campeonato foi muito ruim: duas vitórias, dois empates e nove derrotas, que custaram ao Oswaldo de Oliveira seu emprego. Flamengo fechou o Brasileirão no 12o lugar, muito longe de uma classificação na Copa Libertadores. Já o recorde de vitórias consecutivas seria superado em 2019, o Flamengo de Jorge Jesus alcançando oito triunfos seguidos. Mas isso é outra história…
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Jogos eternos #421: Guarani 0x1 Flamengo 2004

A reestreia do Flamengo no Brasileirão se aproxima e aproveito a data para eternizar um último jogo aniversariante. Na semana passada, escolhi um jogo contra Vasco em 2008 e escrevi que o Flamengo dos anos 2000 era imprevisível. Além do vexame da Copa Libertadores, Flamengo estava na liderança do Brasileirão com 5 pontos a mais que o segundo colocado, mas fracassou e perdeu o título.
E teve pior, no início da década, Flamengo lutou várias vezes contra o rebaixamento. No Brasileirão de 2004, Flamengo teve que esperar a 9a rodada para finalmente vencer um jogo! A sequência seguinte foi um pouco melhor e logo depois, Flamengo voltou a mergulhar na crise. Teve três derrotas seguidas, duas em casa contra Vasco e Juventude, sem sequer fazer um gol. O técnico Abel Braga não resistiu a mais uma vergonha e foi demitido. Como interino, foi chamado um ídolo e campeão, Andrade.
Antes do jogo contra Guarani, Flamengo estava simplesmente na 24a e última colocação, com apenas 12 pontos em 16 rodadas. Guarani estava só um pouco melhor, na 20a colocação, com 16 pontos. O jogo já era uma questão de vida ou morte. Em 20 de julho de 2004, o técnico Andrade escalou Flamengo assim: Diego; Gauchinho, Henrique, Fabiano Eller, Roger; Da Silva, Ibson, Douglas Silva, Jônatas; Jean, Whelliton. Com certeza, uma das piores escalações da história do Flamengo, com apenas Ibson se salvando.
Antes da partida, o técnico interino Andrade recebeu do Japão o apoio do amigo e maior ídolo rubro-negro, Zico: “Torcemos pelo amigo Tromba. Que Deus lhe ilumine”. Com uma frase só, a fase do Flamengo já tinha mudado. Porém, ainda era um time com nenhuma confiança, com quase nenhum craque. No frio de Campinas, com apenas 2.703 pagantes no Brinco de Ouro, o jogo foi ruim, o Flamengo também. “A defesa continua confusa. O meio-campo, sem criatividade. E o ataque, uma nulidade”, até escreveu o Jornal do Brasil.
No primeiro tempo, Flamengo teve apenas uma chance. A palavra agora para o Jornal dos Sports: “Sem qualquer inspiração, o time rubro-negro pouco criou. Ibson se encarregou de perder uma oportunidade com a bola rolando. Todas as outras surgiram em cobranças de faltas endereçadas à arquibancada do estádio pelo cabeça-de-área Douglas Silva. Triste sina. Pior mesmo somente as falhas do zagueiro Henrique, que teve sua atuação salva pelas defesas milagrosas de Diego, em noite para lá de inspirada”.
No início do segundo tempo, quase um replay do lance do primeiro tempo, Whelliton para Ibson na direita. O meia chutou cruzado, de trivela, e, dessa vez, venceu o goleiro. Depois de 412 intermináveis minutos, Flamengo finalmente voltou a marcar. A salvação era Ibson mesmo. Apesar do gol, a fisionomia da partida não mudou. “O jogo continuou com o nível técnico baixo, como já havia sido no primeiro tempo, mas os jogadores rubro-negros mostrando pelo menos a disposição que a torcida exige”, prosseguiu o JDS. E o jogo acabou assim, sem brilho, mas com vitória, que foi insuficiente para tirar o Flamengo da última colocação.
Nas avaliações do Jornal dos Sports, o time teve uma nota média de apenas 3,69, o goleiro Diego sendo o melhor do jogo com nota 7. Nem o Ibson se salvou: “Acabou se perdendo na mediocridade do time. Só se encontrou quando fez o gol. Nota 5”. Assim, a maior figura do jogo era o técnico interino Andrade, “iluminado por Zico” segundo a manchete do Jornal dos Sports. “Essa vitória foi importante para devolver a confiança aos jogadores. Não posso esconder que sonho continuar como técnico”, revelou Andrade depois do jogo. Não foi realmente o caso. Ainda em 2004, o Tromba voltou duas vezes como interino depois do fracasso dos técnicos PC Gusmão e Ricardo Gomes. Andrade garantiu a permanência e só foi efetivado cinco anos depois, na glória do Hexa. Era o fim do tenebroso Flamengo dos anos 2000.
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Jogos eternos #420: Flamengo 5×2 Campo Grande 1982

O Campo Grande sumiu do mapa do futebol carioca, mas foi um clube importante da Cidade Maravilhosa nas décadas de 1960 até de 1980. Teve seu maior título em 1982 quando conquistou a Taça Prata, na época a Série B do campeonato brasileiro. Para a crônica do dia, eu vou justamente de um jogo de 1982, na estreia do campeonato carioca.
O jogo aconteceu duas semanas depois da Tragédia do Sarriá, quando a Seleção brasileira foi eliminada da Copa. Zico, Júnior, Leandro e os outros voltaram mais cedo para casa. O jogo contra Campo Grande marcou a reestreia com o Manto Sagrado da dupla Zico – Júnior. “No Flamengo reaparecem Zico e Júnior. Normalmente os jogadores que reaparecem depois de longa permanência em seleção brasileira, especialmente em Copa do mundo, jogam mal”, previa Washington Rodrigues no dia do jogo para sua crônica no Jornal dos Sports. E Leandro ficava fora do jogo.
Há uma frase conhecida do grande presidente rubro-negro George Helal sobre Leandro: “No auge da carreira, Leandro chegou na minha sala para renovar o contrato e, assinou em uma folha A4 em branco dizendo: ‘os valores não importam, o fundamental é jogar no Flamengo’”. Pesquisando nos jornais da época, a realidade parece menos romântica. Leandro esperou a Copa para renovar no Flamengo, apostando com boas atuações para ter um aumento salarial. Porém, não foi completamente o caso e depois da Copa, teve um impasse entre o pai do jogador e a diretoria do Flamengo.
Vale lembrar que o presidente do clube na época não era George Helal, mas Antônio Augusto Dunshee de Abranches, que um ano depois cometeria o crime de vender Zico. Em 1982, foi o vice-presidente Eduardo Motta que denunciou a atitude de Leandro: “Antes da Copa, tínhamos uma estrutura montada. Oferecemos ao Leandro as mesmas garantias oferecidas a Júnior e Zico. Ele porém, preferiu valorizar a coisa, causando alguns pequenos problemas, se preocupando com detalhes que consideramos insignificantes. Então, ele foi o grande culpado do negócio ter melado. Só podemos pagar o que oferecemos. O restante era da publicidade, que agora não existe mais em virtude da retração do mercado”. A oferta da diretoria passou assim de 2,2 milhões de cruzeiros mensais para 1,2 milhão de cruzeiros. Uma queda de quase a metade do valor.
Segundo a imprensa, o pai de Leandro chamou Eduardo Motta de “maluco”, o que ele negou. O presidente do Flamengo não gostou e o proibiu de entrar na sede do clube, ainda falando que “Leandro, se não estiver satisfeito pode começar a procurar clube”. Mais uma vez, Eduardo Motta detalhou as negociações com o pai de Leandro: “Ele exigiu que o Flamengo ficasse com o compromisso de pagar o Imposto de Renda, o que não concordei e ele começou a discutir comigo. Vendo que não havia acordo, rasguei o local onde Leandro já havia assinado […] O Flamengo não mudou nada. Continuamos oferecendo ao Leandro o mesmo que propusemos na última vez. Acontece que as empresas que cobriram a diferença estão em fase de retraimento, já que o Brasil não se sagrou campeão do mundo. O grande culpado desta situação foi o Leandro mesmo”.
Assim, o passe de Leandro foi colocado à venda e teve ameaças de o vender para Olaria, que jogava na segunda divisão do campeonato carioca, também de não inscrever o jogador na lista para a Copa Libertadores. Por sua vez, Leandro ficou firme: “Gosto muito do Flamengo, acho sua diretoria excelente, mas pelo que me foi oferecido é impossível. Estou tranquilo e disposto a parar de jogar até aparecer clube interessado em me contratar […] Errei quando coloquei meu pai como procurador. Agora eu mesmo discuto a questão com a diretoria”. Desse jeito, Leandro ficou fora do jogo contra Campo Grande. Em 18 de julho de 1982, o técnico Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: Cantarele; Antunes, Marinho, Figueiredo, Júnior; Andrade, Adílio, Zico; Tita, Lico, Peu.
No Maracanã, tinha um pouco mais de 30 mil pagantes e muito mais presentes. Com poucas bilhetarias disponíveis e a hora do jogo se aproximando, vários torcedores invadiram o Maracanã. A Nação tinha saudade de seu time e de seus craques. E Zico precisou de apenas oito minutos para mostrar que, mesmo não sendo campeão do mundo com a seleção, era o ídolo de sempre. Bem lançado por Adílio, Zico antecipou a saída do goleiro e fez o toque leve de cobertura para abrir o placar. E se Zico não estava na finalização, estava na criação. Com 20 minutos de jogo, Nosso Rei fez um lindo toque de trivela para Lico. No bate-rebate, a bola chegou até o pé de Peu, que chutou firme para fazer o segundo gol rubro-negro do dia. Antes do intervalo, o Campo Grande conseguiu um gol, também de cobertura, Neném surpreendendo Cantarele.
No segundo tempo, de novo o astro de Zico brilhou mais que o dos outros. Na criação, Zico fez outro passe sensacional de trivela para Peu, que antecipou a saída do goleiro e conseguiu o pênalti. Na finalização, Zico chutou bem, a meia altura, e converteu o pênalti para fazer seu segundo gol do jogo. Zico aparecia muito no jogo e Júnior nem tanto, até fazer o golaço do dia. O goleiro de Campo Grande afastou o perigo com o punho, a bola quicou uma vez e chegou até Júnior, que, de fora da área, pegou de voleio, com um lindo chute indo embaixo do travessão.
O Flamengo se relaxou um pouco e tomou mais um gol, com uma falha de Antunes que, claro, Leandro não faria. Já nos acréscimos, Wilsinho acelerou na direita, driblou um e cruzou. Zico não conseguiu tocar na bola, Adílio pegou de voleio e decretou o placar final: 5×2. O jornalista Washington Rodrigues estava errado. Talvez os jogadores normais decepcionassem na reestreia depois da Copa, mas Zico e Júnior eram craques fora de série. Para o Jornal do Brasil, o melhor do jogo foi Zico, para o Jornal dos Sports, foi Júnior. Empate entre os dois craques.
Para fechar a crônica, falo sobre o outro craque Leandro e sua novela que se estendeu por mais dez dias. O final foi feliz, Leandro assinou um novo contrato, mostrou que o caso não era sobre dinheiro, como ele mesmo explicou e provou: “Renovei por 12 meses. Estou feliz porque adoro o Flamengo e não queria mesmo sair daqui. Assinei em branco, acreditando que o presidente vai me pagar o que mereço. Se for Cr$ 100 mil, Cr$ 500 mil ou Cr$ 2 milhões, jogarei sem problemas. Assinei em branco porque confio nele. Posso dizer apenas que não há publicidade no contrato”. George Helal estava certo, mesmo no auge, Leandro assinava em branco, o fundamental era jogar no Flamengo. O camisa 2 ainda falou na renovação: “Não importa quanto vou receber, e sim o fato de continuar na Gávea”. A diretoria de Dunshee de Abranches vencia uma batalha contra um ídolo, aplicou um ano depois a mesma estratégia de (não)pagamento de salários por patrocinadores com Zico e voltou atrás da palavra. E dessa vez, o final foi bem trágico…
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Jogos eternos #419: Flamengo 3×1 Vasco 2008

Ainda sem jogos oficiais do Flamengo, aproveito mais uma vez a data para comemorar outro jogo aniversariante. E mais uma vez, escolho o maior rival do Flamengo, o Vasco, que sempre é bom de derrotar, ainda mais para ficar na liderança do Brasileirão.
Em 2008, Flamengo viveu um de seus maiores traumas, com a eliminação da Copa Libertadores contra o América de México em pleno Maracanã. Apesar da derrota, Flamengo tinha um grande time e começou bem o Brasileirão, com 7 vitórias, dois empates e apenas uma derrota nos dez primeiros jogos. Flamengo era o líder do campeonato, mas era ainda o Flamengo dos anos 2000. Antes do jogo contra Vasco, o técnico Caio Júnior recebeu uma proposta milionária do Catar e ainda não tinha dado uma resposta. Pior ainda, depois do empate contra o Atlético Mineiro, os jogadores Marcinho, Bruno e Diego Tardelli foram surpresos numa festa com prostitutas. Marcinho também foi acusado de agressão a uma garota de programa. Os jogadores foram multados e o clima na Gávea ficou pesado.
Ainda por causa do vexame na Libertadores, a torcida rubro-negra colocou em cada jogo uma faixa com uma mensagem simples e direta: “O Brasileiro é obrigação”. A faixa até incomodava os jogadores, mas ficou na arquibancada. A vitória em cima do Vasco virou uma dupla, talvez tripla obrigação: vencer o clássico, ficar líder, alegrar a Nação. Em 13 de julho de 2008, o saudoso técnico Caio Júnior escalou Flamengo assim: Bruno; Léo Moura, Ronaldo Angelim, Fábio Luciano, Juan; Airton, Jônatas, Cristian, Ibson; Marcinho, Souza.
Fora dos últimos dois jogos por causa de uma lesão muscular, Ibson estava de volta e melhor ainda, com empréstimo renovado até o final do ano. Com 7 minutos de jogo, Ibson fez lindo lançamento para Juan, que dominou de peito, invadiu a grande área e sofreu o pênalti. Na cobrança, o mesmo Ibson, com categoria, para pegar no contrapé o goleiro e abrir o placar. O Maraca explodiu na maioria dos seus 63.611 pagantes, recorde da edição do Brasileirão até aqui.
No final do primeiro tempo, Cristian cobrou uma falta na grande área vascaína, o goleiro Tiago e o zagueiro Eduardo Luiz se desentenderam, o capitão rubro-negro Fábio Luciano aproveitou para fazer um lindo gol de voleio. O golaço do dia chegou porém na metade do segundo tempo. O centroavante Souza tentou driblar na grande área e sem espaço, recuou para Juan. O lateral fez o mesmo: tentou o drible e foi forçado a fazer o passe atrás para Cristian, a 30 metros do gol. O meia nem pensou de drible ou de jogada de efeito. Dominou a bola e mandou a bomba. O goleiro reagiu tarde demais, a bola foi morrer no ângulo para matar o Vasco. De todos os ângulos, foi um golaço. Era o segundo gol de Cristian com o Manto Sagrado, o último também, já que deixou o clube no mês seguinte.
A vitória estava certa e a torcida podia comemorar, torcer para um campeonato que não vinha desde 1992. O gol vascaíno, do jovem Alex Teixeira com passe do veterano Edmundo, nem assustou. Flamengo era o dono do Clássico dos Milhões, era o dono do campeonato, com 5 pontos de vantagem sobre o vice-líder. Porém, era ainda o Flamengo dos anos 2000. Caio Júnior recusou a proposta do Catar, mas o time perdeu durante o campeonato jogadores importantes como Renato Augusto, Marcinho e Souza. Depois da vitória contra Vasco, o Mengo marcou apenas dois pontos nos 7 jogos seguintes. A polêmica faixa tinha que ficar na arquibancada do Maracanã por mais um ano.
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Jogos eternos #418: Flamengo 3×0 Santos 1993

Na última crônica, eternizei um Flamengo x Santos no Brasileirão de 1992, conquistado dias depois pelo Flamengo. Hoje, eu avanço de um ano e dois dias para eternizar um outro Flamengo x Santos, no Torneio Rio-São Paulo.
O Torneio Rio-São Paulo foi idealizado pelo também eterno Mário Filho e teve sua primeira edição em 1933. Consolidou-se nos anos 1950-1960, com a construção do Maracanã e um conjunto de craques nunca visto antes e depois na história do futebol brasileiro. Inclusive, acho que no dossiê de reunificação dos campeonatos brasileiros em 2010, o Torneio Rio-SP poderia ter sido incluído. Flamengo venceu de forma não-oficial o torneio de 1940, que não teve fim, e em 1961, com atuação mágica de Dida no jogo eterno contra o Corinthians. Em 1966, o torneio de novo não teve desfecho. Um ano depois, outros estados foram representados na competição, que virou o torneio Roberto Gomes Pedrosa.
Em 1993, com um buraco no calendário antes do início do Brasileirão, o Torneio Rio-São Paulo voltou depois de 27 anos de ausência. O Jornal dos Sports viu “a restauração de uma tradição do futebol brasileiro”. Foi um torneio curto, com apenas 8 times. Dos gigantes cariocas e paulistas, apenas o São Paulo FC, com um calendário já cheio, não participou e foi substituído pela Portuguesa.
No Torneio Rio-SP, Flamengo estreou com um empate 1×1 no Fla-Flu, gol de Renato Gaúcho, que em 1995 vestiu a camisa do Fluminense e fez gol contra o próprio Flamengo. Depois, Flamengo fez outro empate 1×1, contra Palmeiras, gol de Djalminha, que em 1996 vestiu a camisa do Palmeiras e fez gol contra o próprio Flamengo. Em 1993, Djalminha fazia seus últimos jogos com o Manto Sagrado quando Renato Gaúcho voltava à sua terceira passagem no Mengo. E voltou fazendo o que sabia fazer: em 14 jogos, fez 8 gols.
A final do Brasileirão de 1992 foi disputada entre dois cariocas mas o início do Torneio Rio-SP viu uma dominação paulista nos jogos interestaduais. O empate 1×1 entre Flamengo e Palmeiras foi a única vez que um clube carioca escapou de uma derrota contra o paulista em 4 jogos. Assim, antes do jogo Flamengo x Santos, o clube carioca ainda buscava a primeira vitória da edição em cima dos paulistas. Em 10 de julho de 1993, o técnico Evaristo de Macedo escalou Flamengo assim: Gilmar; Fábio Baiano, Júnior Baiano, Rogério, Piá; Fabinho, Marquinhos, Luís Antônio, Rodrigo Mendes; Marcelinho Carioca, Renato Gaúcho.
Sem o Maracanã, fechado depois da tragédia durante a decisão do Brasileirão, o estádio escolhido também era tradicional mas bem menos histórico, o Caio Martins em Niterói. E o Mengo precisou de apenas 19 minutos para fazer um gol. Na esquerda, Luís Antônio cruzou alto, Renato Gaúcho, sozinho na segunda trave, só teve de cabecear para abrir o placar. O resto do primeiro tempo só teve uma anedota, relatada pelo Jornal dos Sports: “De destaque ainda no primeiro tempo apenas um perturbador torcedor, provavelmente vascaíno, que do prédio em frente ofuscava a visão do goleiro Gilmar com reflexos de um espelho. A Polícia Militar agiu e o torcedor sumiu”.
No segundo tempo, Flamengo voltou a dominar e Renato Gaúcho ainda foi a maior figura do jogo. “A superioridade só não foi transformada em gols em razão da boa atuação do goleiro Gomes e do azar do Flamengo nas finalizações”, prosseguiu o Jornal dos Sports. Só nos cinco minutos finais, Flamengo garantiu a vitória. Luís Antônio lançou Renato Gaúcho, que cruzou no chão na segunda trave, para o gol fácil de Marcelinho. Três minutos depois, num cruzamento de Piá, Renato Gaúcho dominou de peito, mas não conseguiu finalizar. A bola escapou até Luís Antônio, que fintou de pé esquerdo e finalizou de pé direito. “Era Flamengo 3 a 0 e agora sim o placar mostrava a verdadeira superioridade que o time teve durante todo o jogo”, finalizou o Jornal dos Sports.
Porém, Flamengo perdeu o Fla-Flu seguinte e ainda perdeu o jogo decisivo contra o mesmo Santos. Conhecia uma quarta eliminação depois de ficar fora da Copa Libertadores, da Copa do Brasil e do campeonato carioca. Os outros cariocas também decepcionaram e a final do Torneio Rio-São Paulo foi o Derby Paulista entre o Corinthians e Palmeiras. Para Flamengo, sobrou apenas a artilharia geral para Renato Gaúcho…
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Jogos eternos #417: Flamengo 3×1 Santos 1992

A Seleção brasileira está eliminada da Copa do Mundo e volto então com a programação original. Eu já escrevi aqui que eu sou flamenguista desde meu nascimento, até antes de nascer. Sou brasileiro no coração e flamenguista na alma. Acreditando na reencarnação e já tive a sensação de ter sido brasileiro na minha última vida passada. Na verdade, me parece o motivo mais sensato para explicar um amor tão forte pelo Brasil em geral e o Flamengo em particular. Tenho uma certeza quase matemática que eu já vivi grandes glórias rubro-negras de outra época, num outro corpo.
Assim, hoje eu escrevo sobre meu primeiro jogo como torcedor do Flamengo nesta encarnação, com apenas um dia de existência. Eu nasci no dia 7 de julho, dia do primeiro Fla-Flu da história, da estreia de Pelé na Seleção brasileira, da atuação mágica de Ronaldo Fenômeno na semifinal da Copa contra os Países Baixos, de um jogo eterno do Mengo contra Toronto, com mais um show de Zico. Em 1992, fiz meu primeiro grito, com passaporte francês e sangue vermelho e preto.
Flamengo estava na fase final do Brasileirão e o grupo estava apertadíssimo: São Paulo com 6 pontos, Flamengo e Santos com 5 pontos, Vasco com 4 pontos. E tinha apenas uma vaga para a final. Na última rodada, Flamengo precisava vencer o Santos e ainda contar com a ajuda do rival Vasco, que absolutamente precisava derrotar São Paulo para oferecer a vaga ao Flamengo. Era complicadíssimo, mas eu com um dia de vida, eu já sabia, nada era impossível para o Mengo. Em 8 de julho de 1992, o eterno técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Gilmar; Fabinho, Wilson Gottardo, Júnior Baiano, Piá; Uidemar, Júnior, Zinho, Júlio César Garcia; Nélio, Gaúcho.
No Maracanã, tinha menos de 30 mil presentes, mas era o Maraca antigo, ainda com a geral, com os cantos “Mengo” e a fé rubro-negra, com raça, amor e paixão. O Maracanã explodiu quando a três quilômetros de lá, o antigo ídolo Bebeto abriu o placar para o Vasco no São Januário e deixou aberta a classificação do Mengo. “O jogo seguia em alto nível tático até que o gol de Bebeto, em São Januário, mudou completamente o panorama do jogo no Maracanã, quando o relógio marcava cerca de 15 minutos. Daí em diante, Flamengo e Santos partiram para o desespero. Suas táticas foram esquecidas com os dois times passando a jogar na base da garra”.
E na raça, Flamengo levou o melhor. Logo depois do gol de Bebeto, o ídolo Gaúcho desviou de cabeça uma cobrança de falta, Nélio dominou de peito, fez uma embaixadinha para abrir o caminho do gol e chutou, sem força nem precisão. Porém, Índio desviou o chute, que enganou o goleiro. Assim, Nélio, craque carioca nascido em 1971 e irmão de vários jogadores, que surgiu da base do Flamengo com outros grandes nomes como Marcelinho, Djalminha e Paulo Nunes, fez o primeiro gol de minha existência rubro-negra. Amém.
Santos também podia sonhar com uma classificação e lutou para o empate. E no amor, Flamengo levou o melhor. Júnior, craque consagrado de 38 anos recém-completados, cobrou uma falta e forçou Bernardo a fazer o gol contra. No São Januário, Bismarck e Edmundo fizeram gols para o Vasco e colocaram Flamengo perto da decisão. Porém, no Maracanã, o jogo ficou tenso. Júnior Baiano cometeu um pênalti, cobrado por Paulinho, defendido por Gilmar. Logo depois, Marcelo Passos fez o primeiro gol santista. Flamengo estava perto de uma enorme decepção, o jogo se tornava irrespirável.
E na paixão, Flamengo levou o melhor. Nos acréscimos, Nélio tabelou com Júlio César e abriu para Gaúcho. O artilheiro estava num jejum de 6 jogos e prometeu um gol. E cumpriu. No passe de Nélio, Gaúcho errou o domínio, acertou o chute. Mesmo desequilibrado, conseguiu chutar com força e precisão para vencer o goleiro, para fazer o terceiro gol rubro-negro, para colocar o Mengo na decisão. Na minha França, com apenas um dia de existência, eu já conhecia a alegria de uma vitória do Flamengo. Para fechar sobre a reencarnação, eu tenho a sensação que meu último falecimento foi difícil. Meu nascimento em 1992 também foi. Por causa de um problema no parto, passei os 15 primeiros dias de minha vida no hospital. Assim, mesmo antes de meu corpo conhecer minha casa na França, minha alma ainda estava no Maracanã cheio, com o Flamengo campeão brasileiro.
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Jogos eternos #416: Flamengo 5×1 Seleção de Noruega 1962
A Seleção brasileira joga hoje contra a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. Como fiz com os jogos precedentes, escolho para a crônica do dia um jogo do Flamengo na Noruega. O Flamengo jogou lá três vezes na história, o que me dava três opções, todas de goleadas: 6×1 contra um combinado e 12×1 contra Brann em 1956, e um 5×1 contra uma seleção da Noruega em 1962.
Eu quase fui da goleada 12×1 contra Brann em 1956. Foi uma das 10 vezes que Flamengo fez 12 gols ou mais, a penúltima, quatro meses antes do 12×2 contra São Cristóvão no Maracanã. E mais, um dia depois, o Botafogo de meu ídolo Garrincha jogava em Troyes, minha cidade natal na França. Porém esse blog é sobre o Flamengo e, mesmo pesquisando, tinha poucas coisas nos jornais sobre o 12×1 contra Brann. Eu escolho então o jogo de 1962 contra uma seleção de Noruega.
E também, com um pouco de superstição, prefiro escolher um jogo em plena época de Copa do Mundo, vencida pelo Brasil. Também tem poucas coisas sobre o jogo do Flamengo de 1962 nos jornais. Tinha a guerra na Argélia, uma catástrofe aérea na França com a morte de 130 pessoas, e claro, tinha a Copa do Mundo no Chile. O Brasil estava invicto, mas devia jogar sem Pelé. Toda a fé estava no momento em cima de Garrincha e Amarildo.
Durante esse tempo, o Flamengo fazia uma excursão na Europa. Depois de jogos na Espanha, Suécia e União Soviética, o Mengão fez mais um jogo na Noruega, contra uma seleção local. Em 5 de junho de 1962, o histórico técnico Flávio Costa escalou Flamengo assim: Mauro; Décio Crespo, Vanderlei, Joubert, Jordan; Carlinhos, Nelsinho; Joel, Henrique Frade, Dida, Miranda. Destaque no time para dois campeões do mundo em 1958, Joel e Dida.
E Joel e Dida brilharam na Noruega. Sem imagens do jogo, deixo o relato quase completo, quase só de marcadores e minutos, do Jornal do Brasil no dia seguinte: “Joel fez o primeiro gol aos 12 minutos, Dida aumentou para 2 a 0 aos 17 minutos e Miranda marcou o terceiro aos 19 minutos. Aos 24 minutos Joel voltou a marcar, aumentando para 4 a 0 e Dida fez o último gol do Flamengo aos 32 minutos. Depois disso os rubro-negros se limitaram a fazer passar o tempo, numa brilhante demonstração de domínio de bola”.
Um Flamengo relâmpago fez 5 gols em um pouco mais de 30 minutos. No segundo tempo, o time norueguês fez o gol de honra, que decretou o placar final: 5×1 para o Mengão. Flamengo derrotava uma seleção nacional pela primeira vez desde 1958, quando venceu a própria seleção brasileira um pouco antes da Copa do Mundo. Só faltava para a Seleção vencer a Copa de novo…
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Jogos eternos #415: Flamengo 2×2 Corinthians 1996

Depois de um mês parado, Flamengo está de volta em campo hoje com um amistoso contra o River Plate. Para o jogo eterno do dia, escolho um outro amistoso, que completa hoje 30 anos, um Flamengo x Corinthians de 1996, em Manaus.
Na época, todo mundo tinha na boca apenas um nome, que ainda dividia as opiniões: Bebeto. Sete anos depois da saída traumática para o Vasco, Bebeto estava de volta ao Mengo. Entre os dois momentos, Bebeto conquistou o Brasileirão de 1989 com o clube cruzmaltino e passou quatro anos na Espanha, no time da Corunha. Com um pouco de desgaste de ambas as partes, o craque baiano voltou ao Brasil. Um ano depois do fracasso dos Bad Boys, Flamengo tinha um novo ataque dos sonhos, com Sávio, Romário e Bebeto.
“É hora de voltar, meu coração me diz”, explicou Bebeto para o Jornal do Brasil. Porém, a traição de 1989 ainda pesava na alma de cada torcedor rubro-negro. Para esquecer, precisava de gols e títulos, precisava de vitórias, mesmo em amistosos. Para o jogo da reestreia contra o Corinthians, em 3 de julho de 1996, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Roger; Zé Maria, Jorge Luis, Fabiano, Gilberto; Márcio Costa, Djair, Nélio; Sávio, Bebeto, Romário.
Romário reencontrava Bebeto, o parceiro dos Jogos Olímpicos de 1988, da Copa América de 1989 e claro, do Tetra em 1994. Com o apoio de Sávio, Flamengo tinha um dos, se não o melhor, ataques do mundo. Invicta pela Seleção brasileira, a dupla Romário – Bebeto tinha tudo para dar certo, mas podia dar errado também. “Todo mundo considera um risco, no futebol de hoje, formar um time deixando lá na frente, nada menos de três jogadores ofensivos. Essa é a doutrina do futebol europeu, onde, por sinal, craque-atacante é coisa rara”, advertiu já em 1996 o grande Armando Nogueira.
No estádio Vivaldão de Manaus, o Flamengo começou melhor o jogo, sem abrir o placar. Na metade do primeiro tempo, Bebeto perdeu uma bola e no contra-ataque, o corintiano Edmundo, que fez 9 gols em 23 jogos no Flamengo no ano anterior, foi lançado em profundidade e abriu o placar. “De útil, no primeiro tempo, Bebeto acertou apenas uma cobrança de falta, que saiu rente à trave esquerda de Nei, aos 45 min”, julgou no dia seguinte o Jornal do Brasil.
No intervalo, o técnico Joel Santana deu bronca, sem efeito. Com uma hora de jogo, o corintiano Souza driblou dois rubro-negros e cruzou atrás para o gol de Ricardo Mendes. Só então o Flamengo reagiu, com seu melhor jogador, Romário. O Baixinho gingou na frente de Alexandre Lopes e chutou cruzado, no fundo da rede. Dois minutos depois, Bebeto tabelou com Romário e abriu o pé para chutar com efeito. Nei fez bela defesa e no rebote, Iranildo chutou livre, mas o volante Gilmar Fubá salvou em cima da linha.
Só no final do jogo, já no meio da noite, o Flamengo alcançou o empate. Iranildo cobrou um escanteio, o goleiro falhou na saída e Romário cabeceou para fazer o segundo gol do Mengo, o segundo dele. Flamengo conseguia o empate e tinha motivos de esperança para seu ataque dos sonhos. “Nós ganhamos tudo que disputamos juntos e tenho certeza que aqui vai ser igual”, julgou Bebeto no final do jogo.
No Jornal do Brasil, escreveu no dia seguinte o grande Sérgio Noronha: “O Flamengo não consegue se livrar do estigma de ter um ataque dos sonhos. Recomeçou tudo ontem no amistoso contra o Corinthians […] O sonho é embalado pelas mesmas frases. ‘Craque se entende dentro do campo’, ou ‘eles sabem que alguém tem que se sacrificar um pouco, de vez em quando’, e existe até a abertura para a declaração de Joel, que diz ainda não ter a fórmula para juntar Bebeto, Romário e Savio, mas terá que encontrá-la. Nem sempre os craques se entendem, dentro ou fora do campo”.
E no Flamengo de 1996, os craques nem se encontraram em campo. Com lesão de Bebeto e ida e vinda de Romário no Valencia, a dupla do tetra participou de apenas um jogo oficial, contra o Internacional, quando Romário voltou do empréstimo na Espanha. No Beira-Rio, o Flamengo abriu o placar, Romário saiu machucado e o Inter virou com dois gols de Fabiano. Flamengo ficou fora da fase final do Brasileirão e Bebeto, com 7 gols em 21 jogos, teve números ainda inferiores aos do Edmundo em 1995, sem reencontrar o amor da Nação. De novo, o sonho virou pesadelo.
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Jogos eternos #414: Flamengo 5×0 Shimizu S-Pulse 1995

A Seleção brasileira joga contra o Japão, na segunda fase da Copa do Mundo. O Japão traz ótimas lembranças ao Flamengo. Foi lá que teve o maior jogo da história do Flamengo, o 3×0 contra Liverpool, claro, um jogo eterno no Francêsguista. Mas eternizei outros jogos do Mengo no Japão: o 1×0 contra o Bayer Leverkusen em 1988 com um gol de Zico para conquistar a Copa Kirin, uma goleada 7×0 contra a Real Sociedad em 1990, uma vitória 2×1 contra Kashima em 1994 com dois gols de Sávio na despedida de Zico. Teve vários jogos e hoje eu escolho o último jogo do Flamengo em terras japonesas, em 1995.
Era o ano de centenário e o Flamengo decepcionava. Perdeu o campeonato carioca contra Fluminense, foi eliminado na semifinal da Copa do Brasil pelo Grêmio e perdeu seus três jogos na Copa dos campeões mundiais. Precisando de um título no ano do centenário, Flamengo contratou ainda mais pesado e assinou com Edmundo, para formar um ataque dos sonhos ao lado de Sávio e Romário. Na sua estreia contra Guarani, o Animal fez o único gol rubro-negro depois de uma tabelinha sensacional com Romário. Flamengo parecia estar no caminho certo.
Logo depois, Flamengo partiu para uma excursão na Ásia. Estreou com vitória contra o Red Diamonds com gols de Marquinhos, Romário e Edmundo. Mas o sonho rapidamente se transformou em pesadelo. Apesar de mais um gol de Edmundo, Flamengo perdeu contra Kashiwa Reysol, na época lanterna do campeonato japonês. Ainda teve durante o jogo uma discussão entre Romário e Sávio, que já tinha se desentendido com Edmundo no jogo anterior. O clima ficou tão tenso que teve rumores de uma saída de Sávio, constrangido com os novos Bad Boys.
Para o último jogo no Japão, Flamengo enfrentou o Shimizu, time fundado em 1991 e que teve como técnicos Émerson Leão e Rivelino. Ainda tinha jogadores brasileiros, como Carlos Alberto Dias, Toninho e Ronaldão, que assinou em seguida com o Flamengo. Em 5 de agosto de 1995, o técnico Edinho escalou Flamengo assim: Emerson; Fabiano, Jorge Luís, Herbert, Lira; Márcio Costa, Djair, Marquinhos; Sávio, Edmundo, Romário. Um time mal equilibrado, mas que tinha jogadores diferentes na frente.
E para a despedida do Japão, o Mengo não decepcionou, com brilho dos três craques do ataque. No dia seguinte, o Jornal dos Sports escreveu: “Romário teve uma atuação destacada. Fez dois gols e comandou o time. A ponto de ser considerado, pelos organizadores do amistoso, como o melhor em campo. Por isso, foi premiado e recebeu o reconhecimento popular. Ao deixar o campo foi entusiasticamente aplaudido”.
Além dos dois gols do Baixinho, a goleada 5×0 foi completada por dois gols de Rodrigo Mendes, que entrou no lugar de Sávio, e um de Edmundo. Sávio também fez um bom jogo, como relatou o Jornal dos Sports: “Sávio teve boa atuação. Ele jogou até os 27 minutos do segundo tempo, sendo substituído no mesmo momento de Edmundo, com quem vai formar o ataque da Seleção Brasileira, no amistoso da próxima quarta-feira, no Estádio Olímpico de Tóquio, com a Seleção Japonesa.” Por sua vez, o Flamengo seguia para a China e se afastava dos problemas de relacionamento entre os jogadores. Por um momento só.








