Francêsguista

Francês desde o nascimento, carioca desde setembro de 2022. Brasileiro no coração, flamenguista na alma. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #370: Flamengo 3×1 Botafogo 2018

    Jogos eternos #370: Flamengo 3×1 Botafogo 2018

    Flamengo joga hoje contra Botafogo em pleno carnaval, para uma vaga na semifinal do campeonato carioca. Em 2018, também teve um Flamengo x Botafogo decisivo durante o carnaval, na semifinal da Taça Guanabara.

    Por causa de reformas no Maracanã, o jogo aconteceu no Raulino de Oliveira em Volta Redonda, onde Flamengo andava invicto em clássicos: 8 jogos, 5 vitórias e 3 empates. Em 10 de fevereiro de 2018, o técnico Paulo César Carpegiani escalou Flamengo assim: César; Pará, Réver, Juan, Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá, Diego; Éverton Ribeiro, Éverton, Henrique Dourado. Destaque para Henrique Dourado, artilheiro do Brasileirão de 2017 com a camisa do Fluminense e que fazia sua estreia com o Manto Sagrado. Outra estreia era a de Diego com a camisa 10. Depois de jogar o Brasileirão de 2017 com a camisa 35, Diego assumiu a camisa 10 que era naturalmente dele.

    No Raulino de Oliveira, com a maestria de seu novo camisa 10 Diego, Flamengo dominou completamente o início de jogo. Henrique Dourado quase fez de cabeceio e Lucas Paquetá mandou uma bola de falta no travessão. Aos 35 minutos, outra falta cirúrgica de Diego, o pequeno motorzinho Éverton chegou, cabeceou e abriu o placar em Volta Redonda.

    O segundo tempo começou como o primeiro ato: dominação inteira do Flamengo. Aos 4 minutos do segundo tempo, Éverton Ribeiro deixou para Diego que cruzou na segunda trave. Lucas Paquetá, de primeira, deixou a bola perto do gol, para a chegada de Henrique Dourado. O artilheiro chegou, ceifou, ampliou a vantagem. O Ceifador fazia gol na estreia, fazia sua comemoração icônica e depois dedicou o gol ao filho, que acabava de completar 6 anos.

    Na metade do segundo tempo, Kieza fez um gol para o Botafogo, que começou a acreditar numa improvável virada. Renatinho cobrou uma falta, para fora. E nos acréscimos, com a vitória já quase certa, Vinícius Júnior, que entrou no lugar de Lucas Paquetá, recebeu de fora da área, abriu o pé e achou a gaveta do Jefferson para fazer o golaço e matar o Botafogo. A comemoração também é icônica, histórica, de Souza até Hernane, de Gabigol até Bruno Henrique. Ainda garoto de 17 anos, Vinícius Júnior fez o chororô e esquentou o final do clássico. Flamengo estava na final, Botafogo só podia chorar. No carnaval carioca, a festa era rubro-negra.

  • Jogos eternos #369: Flamengo 2×1 Vasco 1955

    Sem jogo hoje e com o carnaval se aproximando, eu vou de um jogo aniversariante de 71 anos atrás, quando o Flamengo também antecipou o carnaval. No campeonato carioca 1954, Flamengo conquistou os dois primeiros turnos e só precisava de mais uma vitória para ser campeão, sem necessidade de jogar uma final nem de vencer o último jogo do terceiro turno. Para conquistar o título, o adversário era ideal, Vasco.

    Já campeão carioca de 1953, o Flamengo do feiticeiro Fleitas Solich continuou a brilhar em 1954, até no início de 1955 quando o campeonato carioca se estendeu. Para o jogo decisivo contra Vasco, Pavão e Evaristo, dúvidas antes da partida, foram confirmados. Em 12 de fevereiro de 1955, o técnico Fleitas Solich escalou Flamengo assim: García; Tomires, Pavão; Servílio, Dequinha, Jordan; Rubens, Paulinho, Índio, Evaristo de Macedo, Benítez.

    O Vasco também tinha um timaço, principalmente Pinga, Vavá e Ademir. Este último abriu o placar no seu estilo particular, com um rush passando na frente de Dequinha e Jordan. Logo depois, o zagueiro vascaíno Elias se machucou, mas sem substituições na época, ficou em campo. Flamengo aproveitou. No final do primeiro tempo, “Benítez deu ótimo passe à Índio que avançou em direção à meta. Elias, seu oponente não pôde intervir, o ‘center-forward’ após alguns passos não teve dificuldade em atirar rasteiro, no canto esquerdo, cortando qualquer possibilidade a Victor González de praticar a defesa”, escreveu o Jornal do Brasil no dia seguinte.

    Flamengo empatou e virou na metade do segundo tempo. “Paulinho foi otimamente servido por Rubens. Desvencilhou-se de seu marcador e logo depois de entrar na área, deu uma ‘queda de corpo’ para iludir Victor González e desferiu no outro lado um violento shoot enviesado, desempatando o prélio”, prosseguiu o Jornal do Brasil. Vale a pena dizer que outros jornais como o Correio da Manhã e o Jornal dos Sports vieram assistência de Índio e não de Rubens. Certeza é que o gol foi de Paulinho, que foi segundo o Jornal dos Sports, “a ‘arma secreta’ do bicampeonato. Voltando a repetir a brilhante atuação que cumpriu frente ao America, o veloz e arisco ponteiro rubro-negro, com seus constantes deslocamentos e infiltrações, conseguiu desmoronar o sistema defensivo da retaguarda vascaína”.

    Fla virou, o juiz apitou e o Mengo foi campeão, bicampeão. Era uma festa em campo, no vestiário, nas arquibancadas e em toda a cidade. Foi a “vitória do legítimo campeão”, “um triunfo de campeão, de uma equipe harmoniosa e raçuda que impôs a transcendência de sua categoria”, para o Jornal dos Sports, que relatou o apito final e a festa rubro-negra no gramado: “Os jogadores abraçavam-se. Uns riam, outros choravam de emoção num espetáculo que impressionou vivamente”.

    Nos vestiários, o técnico paraguaio Fleitas Solich ficou emocionado: “Dirigir estes rapazes é uma satisfação. O feito deles constitui a maior alegria de minha vida esportiva”. O presidente Gilberto Cardoso abraçou o “crack paulista” Rubens e foi ao banheiro, de terno, sapatos e gravata. Ainda o Jornal dos Sports, sobre o eterno presidente: “E Gilberto Cardoso que esqueceu-se que era Dr. presidente do clube, saiu radiante com os cabelos e correrem água, camisa ensopada e calças e sapatos completamente embebidos. Era a alucinação, o extremo a que podem chegar os homens quando reduzem-se a simples torcedores, esquecendo-se de suas condições e atribuições. Mas não era para menos. O Flamengo vencerá de forma inilidível um campeonato e só podia ser assim: muita euforia, muitos aplausos, muita alegria”.

    No Maracanã, a alegria se contagiava. De novo o Jornal dos Sports: “Nas arquibancadas, a torcida do Flamengo começou a dar início ao carnaval da vitória cantando sambas e fazendo aparecer bandeiras e flâmulas numa demonstração que a torcida compareceu já na certeza de que seria à noite do título supremo. A noite do bicampeonato que o Flamengo tanto perseguiu e conquistou-o de forma extraordinária e merecidamente”. No público, entre os “simples torcedores” e anônimos, tinha uma estrela, a famosa atriz e cantora Carmen Miranda, que fez sucesso nos Estados Unidos e estava de volta ao Brasil. Assistiu pela primeira vez a um jogo no Maracanã, que tinha menos de 5 anos de vida, torcendo claro, para o Flamengo.

    A festa rubro-negra se espalhou nas ruas de Rio de Janeiro. “O estádio do Maracanã demorou a ser abandonado pela grande torcida do Flamengo. E esta quando o fez, foi para realizar passeatas pelas ruas que circundam o estádio terminando pela cidade. Foi uma noite rubro-negra. Uma noite em que o Flamengo comemorou a conquista de um título justo e brilhante sob todos os aspectos”, fechou o Jornal dos Sports. O carnaval rubro-negro se estendeu até o final do campeonato, quando Flamengo venceu Bangu e desfilou com a escola de samba da Mangueira, outro jogo eternizado no Francêsguista. E a alegria prosseguiu até o final do campeonato carioca de 1955, até o início de 1956, quando Flamengo alcançou o tricampeonato carioca. Já sem Carmen Miranda e Gilberto Cardoso, que faleceram durante o ano de 1955. Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte.

  • Jogos eternos #368: Vitória 1×2 Flamengo 2002

    Jogos eternos #368: Vitória 1×2 Flamengo 2002

    Na última crônica, eternizei um jogo de 2002, uma das piores temporadas da história do Flamengo. Deu sorte, Flamengo goleou 7×1 Sampaio Corrêa e se classificou para as quartas de final do campeonato carioca. No Brasileirão de 2006, Flamengo também começou mal, com apenas um ponto em dois jogos. Antes do jogo de hoje contra Vitória no Barradão, fico então com o ano de 2002, em que Flamengo também foi mal no campeonato nacional.

    No Brasileirão de 2002, Flamengo fez uma campanha pífia, começando com 5 vitórias, 4 empates e 8 derrotas. Na rodada anterior, Flamengo perdeu o clássico contra Vasco e ficou na zona de rebaixamento. Faltando poucos jogos para o final da primeira fase, Flamengo precisava reagir na Bahia e escapar de um vergonhoso rebaixamento. Em 20 de outubro de 2002, o técnico Evaristo de Macedo escalou o Flamengo assim: Diego; Alessandro, André Bahia, André Dias, Alessandro Alves; Felipe Melo, André Gomes, Jorginho, Fábio Baiano; Zé Carlos, Liédson. Um time ruim sim, mas com obrigação de vencer.

    No Barradão, o jogo prometia ser difícil já que Vitória ainda estava invicto em casa na temporada: 21 vitórias, 6 empates e nenhuma derrota entre jogos do Nordestão, do supercampeonato baiano, da Copa do Brasil e do Brasileirão. E o início do jogo realmente foi difícil para o Mengão. Leílton e Aristizábal tiveram chance para o time baiano, sem fazer. Aos 14 minutos, Flamengo finalmente reagiu. No lado esquerdo, Liédson pedalou e cruzou, Felipe Melo ajustou na cabeça. Zé Carlos, baiano oriundo de Ipirá, pegou de voleio e abriu o placar no Barradão.

    O resto do primeiro tempo aconteceu sem muitas emoções, a não ser uma dupla expulsão de Xavier e Zé Carlos, deixando o jogo em 10 contra 10. Numa falta de Fernando de bem longe, Diego fez uma bela defesa e o intervalo chegou com uma vantagem de um gol para o Flamengo. No início do segundo tempo, outra falta de Fernando, agora mais colocada que forte, outra grande defesa de Diego. Com uma hora de jogo, num cruzamento da direita, Liédson, baiano oriundo de Cairu, cabeceou e ampliou o placar.

    Liédson foi um dos únicos a se salvar no time de 2002 e ainda ameaçou a meta do Vitória, sem fazer gol. Até o final do jogo, Vitoria fez um gol em cobrança de falta de Allan Dellon e Fábio Baiano, baiano oriundo de Feira de Santana, foi expulso. Flamengo resistiu, a vitória era do rubro-negro que jogava em branco. O Mengo foi o único a vencer Vitória no campo deles em 2002, saía da zona de rebaixamento e se aproximava da permanência, confirmado algumas semanas depois. Mesmo nos anos ruins, com elenco fraco, tinha espaço para uma vitória na Bahia. Imagina então agora.

  • Jogos eternos #367: Flamengo 5×2 Olaria 2002

    Jogos eternos #367: Flamengo 5×2 Olaria 2002

    Flamengo começou muito mal a temporada de 2026, em todas as competições. Em 8 jogos, teve apenas uma vitória e já acumula cinco derrotas. Ainda está vivo no campeonato carioca, mas tem obrigação de vencer o último jogo contra Sampaio Corrêa, melhor ainda de goleada.

    Os números são os piores desde 2002, quando Flamengo esperou seu 16o jogo da temporada para finalmente vencer uma partida! No ano do penta, o torneio Rio – São Paulo, que vivia sua última edição, teve uma reformulação, com um número recorde de 16 participantes. Um ano depois do inesquecível campeonato carioca de 2001 com o gol de Pet, o campeonato estadual ficou em segundo plano e foi chamado de Caixão. O nome era uma referência ao folclórico cartola Eduardo Viana, presidente do Americano e da própria FERJ, e que tinha o apelido de Caixa D’Água. Como é o caso em 2026, Flamengo jogou o Carioca de 2002 com um time de reservas e juniores. O time titular já era limitado e o rubro-negro fechou o primeiro turno na lanterna, com apenas uma vitória em 11 jogos. Tinha desinteresse em campo, na televisão e nas arquibancadas, destaque negativo para um Fla-Flu em Olaria na frente de apenas 200 pessoas.

    E Flamengo, mesmo com os titulares de volta, não melhorou na segunda fase, a Taça Rio. Perdeu contra Madureira e Volta Redonda e empatou contra o America. Já eliminado sem glória da fase de grupos da Copa Libertadores, Flamengo precisava de uma reação, contra Olaria. Em 28 de abril de 2002, o técnico Lula Pereira escalou Flamengo assim: Júlio César; Alessandro, Juan, Flávio, Athirson; Rocha, Fabiano Cabral, Felipe Melo, Juninho Paulista; Andrezinho, Leandro Machado.

    No estádio Giulite Coutinho em Mesquita, Flamengo começou bem o jogo. Com apenas três minutos de jogo, Leandro Machado aproveitou de um rebote do goleiro para abrir o placar. Aos 16 minutos, Juninho fez um belo gol de falta para ampliar o placar. O artilheiro virou garçom, Juninho Paulista fez um belo passe para Felipe Melo, que deslocou o goleiro e fez o terceiro gol do jogo. No final do primeiro tempo, Olaria conseguiu fazer o gol da esperança, 3×1 no placar parcial.

    Num campeonato bizarro, num jogo bizarro, Olaria trocou de camisa no intervalo, o que não melhorou muito a visibilidade do jogo. O que não mudou é o domínio do Flamengo. Felipe Melo deixou a bola passar entre suas pernas, que chegou até o pé mágico de Athirson. Com um chute de bem longe, Athirson achou a gaveta e fez mais um golaço no jogo. No final do jogo, Olaria fez um gol de pênalti e no finalzinho, numa triangulação com Juninho Paulista e Leandro Machado, Roma fez outro belo gol para decretar o placar final: 5×2.

    Flamengo goleou, reagiu um pouco no campeonato e levou o Fla-Flu no Maracanã “quase lotado”, com 7.647 pessoas. A reação foi bem modesta, Fla empatou contra Vasco e perdeu contra Botafogo, Bangu e o Americano. O Americano do Caixa D’Água conquistou os dois turnos, mas não conquistou o título. Mais bizarro ainda, os quatro gigantes eram classificados no terceiro turno pelo único motivo de ser grande, sem necessidade de resultados. Assim, Flamengo, lanterna na Taça Guanabara e no 7o lugar na Taça Rio, foi no terceiro turno.

    Como Botafogo e Vasco, Flamengo usou o time de reservas. Apenas Fluminense, no ano do centenário, usou a força máxima. Na semifinal, outra bizarrice, Fluminense levou no último minuto um gol de cabeça do goleiro de Bangu, anulado sem motivo pelo juiz. Na final, contra o Americano, Fluminense venceu e levou o Caixão, o “pior campeonato carioca da história”. Para o Flamengo, mesmo num torneio abaixo das expectativas baixas, sempre tinha a possibilidade de uma goleada.

  • Ídolos #50: Juan Maldonado

    Ídolos #50: Juan Maldonado

    Hoje é o aniversário de um dos maiores laterais esquerdos da história do Flamengo, na tradição de jogadores elegantes, técnicos e ofensivos. Alguns já foram eternizados na categoria dos ídolos, Júnior claro, Athirson também, ainda nosso técnico Filipe Luís.

    Numa outra crônica, falei que gostava de dupla de laterais, Leandro – Júnior primeiramente, Jorginho – Leonardo logo depois, ainda teve Rafinha – Filipe Luís no time histórico de 2019. E antes disso, teve Léo Moura – Juan. Quando comecei a assistir aos jogos do Flamengo em 2007, Léo Moura e Juan eram os melhores jogadores do time. Dois laterais, sendo destaques principais de nosso Mengo. Só isso.

    Juan, de nome completo Juan Maldonado Jaimez Júnior, nasceu em 6 de fevereiro de 1982, em São Paulo. Passou pela base do São Paulo FC, que também tem tradição de laterais. Sem estrear no Tricolor, foi vendido em 2001 no grande Arsenal de Thierry Henry, Patrick Vieira e Dennis Bergkamp entre outros. Na lateral-esquerda, tinha a concorrência de Ashley Cole e depois de Gaël Clichy. O lateral brasileiro disputou apenas dois jogos com os Gunners e foi emprestado ao Millwall. Em 2004, voltou ao Brasil, no Fluminense, onde conquistou o campeonato carioca de 2005 e foi vice-campeão da Copa do Brasil.

    No final de 2005, assinou com o Flamengo, onde foi apresentado ao lado de Ronaldo Angelim e de outros dois reforços bem menos memoráveis, Marabá e Rodrigo. Depois de anos de sofrimento, os torcedores do Flamengo nem sabiam das felicidades que estavam chegando. E a alegria para Juan começou logo na estreia contra a Portuguesa, quando fez um gol num cruzamento de Léo Moura. Uma grande dupla de laterais tinha nascido. Escreveu Marcel Pereira no seu livro A Nação: “Foi com Leonardo Moura e Juan, entre 2006 e 2009, que o rubro-negro voltou a ter uma dupla de padrão verde e amarelo”.

    Juan se firmou como titular na lateral-esquerda e ainda fez um golaço de fora da área contra Botafogo no campeonato carioca, um jogo eternizado no Francêsguista. Também fez um gol na goleada 5×1 contra Guarani na Copa do Brasil. Mas em toda sua trajetória no Flamengo, nenhum gol ultrapassa o gol contra Vasco na final da Copa do Brasil de 2006. Escreveu Marcos Eduardo Neves no livro 20 jogos eternos do Flamengo: “Provando a máxima de Gentil Cardoso – ‘A melhor defesa é o ataque’ –, Juan colocou seu nome na história. Cria do São Paulo, com passagem discreta pelo Arsenal, da Inglaterra, Juan Maldonado Jaimez Júnior, de acordo com o último sobrenome, estava no lugar certo. Lateral esquerdo do Flamengo, o jogador, que havia seis meses trocara o Fluminense pelo mais cotado dos Fla-Flus, em busca de maior reconhecimento em seu país natal, estava pronto para se tornar o ‘Don Juan’ de uma noite de gala que entorpeceria a torcida”.

    Na ida, Flamengo venceu 2×0, outro jogo eternizado no blog. Tinha uma mão na taça, faltava ao menos um empate para deixar mais uma vez Vasco no vice. Flamengo fez mais. No Maracanã, aos 27 minutos, o lateral-direito Léo Moura chutou, bola foi bloqueada e voltou para o lateral-esquerdo, que se eternizou na história do clube com um chute mortal. Flamengo era bicampeão da Copa do Brasil, Vasco vice, Juan ídolo eterno. O jogador de então 24 anos explicou no final do jogo: “Eu, como lateral, nunca tive a pretensão de fazer um gol na final, ainda mais o do título. Sempre que paro pra pensar que fiz isso, fico meio viajando. Foi mais do que eu tinha sonhado. Foi maravilhoso. Aquilo vai ficar gravado na minha memória para sempre. Foi muito especial, talvez o maior momento da minha carreira”.

    Juan continuou a ser decisivo com o Flamengo, principalmente quando valia muito. Na disputa de penalidades contra Botafogo na final do campeonato carioca de 2007, não tremeu e converteu a cobrança dele. Na final de 2008, de novo contra Botafogo, fez duas assistências no segundo jogo que consagrou Flamengo Rei do Rio pela 30a vez. E em 2009, Flamengo completou o tricampeonato carioca em cima do Botafogo, de novo com Juan decisivo. Na ida, provocou um pênalti que ele mesmo converteu. Na volta, fez mais um drible desconcertante para provocar uma falta que Kléberson transformou em golaço. Na disputa de penalidades, outra vez Juan na cobrança, outra vez no fundo do gol, outra vez Flamengo campeão. De novo, Juan ídolo eterno.

    Foi eleito na seleção ideal do Brasileirão de 2007, o que lhe rendeu uma convocação na Seleção para o ciclo da Copa de 2010. No início do Brasileirão de 2009, abriu o placar contra Vitória, mas saiu machucado e faltou a metade do Brasileirão. Voltou na reta final do campeonato, com uma nova função. Explicou já na sua volta: “Agora, tenho que ter uma preocupação maior em marcar. Antes, podia atacar com mais liberdade. Tínhamos um esquema de três zagueiros que facilitava a minha vida neste sentido”. Mesmo sem fazer gols, Juan foi importantíssimo no Brasileirão, até o jogo decisivo contra Grêmio. Para Flamengo TV, Juan elegeu esse jogo o mais importante de sua carreira, até na frente do jogo contra Vasco da Copa de 2006. Porque agora, Flamengo era campeão brasileiro, depois de 17 anos na fila. E Juan, um ídolo eterno.

    Em 2010, Juan seguiu como titular absoluto, mas sem as atuações impecáveis de antes. Fez seu último gol com o Manto Sagrado contra Grêmio Prudente, sem querer, querendo cruzar, acabando encobrindo o goleiro. Fez seu último jogo contra Santos, para fechar o Brasileirão de forma melancólica. Voltou para seu clube de origem, São Paulo, e conquistou o campeonato paulista de 2012 com o Santos de Neymar. Passou em seguida por vários clubes do Brasil: Vitória, Coritiba, Goiás, Avaí, CSA, Tombense, até pendurar as chuteiras com o Boavista em 2019. Com 32 gols em 256 jogos, é o terceiro maior artilheiro do Flamengo dentro os laterais esquerdos, ultrapassado apenas por Júnior e Athirson. Apenas isso. Conseguiu não ser apenas o cara que fez o gol contra Vasco na final. Porque Juan, durante anos, com desarmes certos, cruzamentos lindos e gols decisivos, foi muito mais que isso.

  • Jogos eternos #366: Flamengo 1×0 Internacional 1987

    Jogos eternos #366: Flamengo 1×0 Internacional 1987

    Flamengo joga hoje contra o Internacional no Maracanã, na segunda rodada do Brasileirão depois de derrota contra São Paulo na estreia. Há um ano, até menos, o Mengão começou o Brasileirão em cima do Internacional e o final foi feliz. A lógica é sonhar com mais um Brasileirão, é virar decacampeão. Para dar sorte, vamos lembrar um Brasileirão conquistado em cima do Inter, a Copa União de 1987.

    O Brasileirão de 1987 não foi apenas o campeonato mais polêmico do Brasil. Também foi um dos maiores. Só grandes times, só craques em campo, só estádios cheios. Já falei na crônica sobre o time histórico de 1987 do contexto da criação de Copa União. O Clube dos 13, reunindo as maiores potências do futebol brasileiro, conseguiu o que a CBF não sabia fazer: organizar e financiar o campeonato nacional. Conseguiu patrocinadores como Varig, Othon e Coca-Cola, conseguiu o apoio da grande mídia, como Placar e Globo. Foi uma revolução, um “golaço do futebol brasileiro” segundo o jornalista Juca Kfouri, que não pode ser chamado de flamenguista. O também não-flamenguista Armando Nogueira viu “um momento decisivo na história do futebol brasileiro”. Ivan Drummond, agora sim flamenguista, foi além: “É a ressurreição do futebol brasileiro”.

    A Copa União aconteceu e foi um sucesso. Na estreia porém, o Flamengo perdeu contra o São Paulo, talvez mais um sinal para o decacampeonato chegar. O início já foi o fim da linha para o técnico Antônio Lopes, substituído pelo Carlinhos, já eterno como jogador, ainda não como técnico. O Flamengo era considerado como um time decadente. Sócrates se aposentou, Mozer e Adílio foram vendidos, Leandro e Zico viviam com lesões. “Cada partida que Leandro disputa é uma obra de arte do departamento médico”, afirmou o médico do Flamengo, o Dr Giuseppe Taranto quando o jornalista Cláudio Mello e Souza escreveu: “Por mais brioso e disciplinado que seja, Zico voltará ao time do Flamengo mais como símbolo do que como jogador. Ninguém nega que ele sabe tudo de bola. Depois de certo tempo e de muitas contusões, porém, o saber, simplesmente, deixa de poder”.

    Durante o campeonato, o jovem Leonardo chegou da base, o zagueiro Edinho chegou da Itália, Renato Gaúcho se afirmou. E Zico voltou, podia fazer o que sabia fazer, ainda que de momentos pontuais, faltando vários jogos. Foi um time misto entre a juventude e a experiência, mas de craques só, todos com passagens na Seleção brasileira, exceção para o também craque Ailton. Lembra Zico no livro 100 anos de bola, raça e paixão, do trio Arturo Vaz, Paschoal Ambrosio Filho e Celso Júnior: “Era um time muito bom. Tinha o Zé Carlos, o Jorginho, o Leandro, o Andrade, o Ailton, o Zinho, o Bebeto, o Renato… Era só craque […] Estava com os meniscos arrebentados. Tinha que operar, mas aí não jogaria. Os médicos então deram uns pontos no joelho. Eu não podia saltar e nem apoiar a perna esquerda na queda. Quando fiz um gol de falta contra o Santa Cruz […] dei um pulo, porém, quando caí, sem querer me apoiei com a perna esquerda. Os pontos arrebentaram na hora. Nos jogos seguintes meu joelho inchava muito. Ficava o tempo todo com uma bolsa de gelo fazendo tratamento”.

    O campeonato ultrapassou as ambições dos dirigentes do Clube dos 13. A CBF queria sua fatia do bolo, mesmo sem ser convidado para a festa. Explicou Juca Kfouri para a Folha de S. Paulo em 1995: “Em 1987, a CBF anunciou que não tinha dinheiro para organizar o campeonato brasileiro. Então, os 13 clubes de maior torcida no país resolveram fundar o Clube dos 13 e fazer o campeonato, ao qual se deu o nome de Copa União. A CBF aceitou […] Diante do sucesso do evento – que teve média de 21 mil torcedores e mais o equivalente a 20 mil pessoas por jogo em patrocínio, números europeus – os clubes que ficaram de fora pressionaram a CBF para que fosse realizado um campeonato paralelo, uma espécie de Segunda Divisão, e o SBT se interessou em transmiti-lo. Foi então, já com a Copa União em andamento, que a CBF impôs no regulamento do seu torneio que deveria haver um cruzamento entre o que chamou de Grupo Verde, Copa União, e o Grupo Amarelo, a Segunda Divisão. Os clubes da Copa União, por unanimidade, e muito antes da fase final, resolveram desconhecer a novidade da CBF”. Tem muitos detalhes para os detalhistas, muitas verdades e mentiras para os cegos do clubismo e uma única verdade: o Brasileirão de 1987 foi a Copa União.

    Na semifinal contra o Atlético Mineiro, um jogo eterno na história do Flamengo e no Francêsguista, o Mengo venceu no Mineirão com gols de Zico, Bebeto e Renato Gaúcho, um trio mágico. Lembra o jornalista Mauro Beting no excelente livro No campo e na moral, Flamengo campeão brasileiro de 1987, de Gustavo Roman: “Zico já seria importante, só por ser o Zico. Nesse esquema montado pelo Carlinhos, ele atuou um pouco mais à frente, encostando e municiando os atacantes Renato e Bebeto. E foi justamente por esse posicionamento que o Galo conseguiu marcar gols decisivos, contra o Santa Cruz e o Atlético, este no Mineirão. Até pelo nível de exigência absurdo que ele se impunha, o Zico queria ganhar um campeonato importante pelo Flamengo, para compensar o pênalti perdido na Copa de 1986. Ele se sacrificou demais e atuou no sacrifício as últimas quatro partidas”.

    Com tantas dores, Zico cedeu seu lugar para Flávio no Mineirão e a cena se repetiu no Beira-Rio, no jogo de ida da final. Bebeto abriu o placar e quase no minuto seguinte Amarildo empatou para um placar final de 1×1. Fala Zico, no mesmo livro de Gustavo Roman: “Nosso time era experiente demais. Sabia o que queria. Fomos pra Porto Alegre para marcar forte e aguentar a pressão do Inter. Só que nossa marcação foi tão eficiente que eles não conseguiram nos atacar. E nós só não saímos de lá com a vitória porque eles conseguiram empatar o jogo dois minutos depois de abrirmos o placar. De qualquer forma, o resultado foi fantástico para a gente. No Maracanã, não perderíamos o título de maneira alguma”. Acrescenta Renato Gaúcho no livro 6x Mengão de Paschoal Ambrosio Filho: “Todo mundo que vem jogar contra o Flamengo, no Maracanã, já está sabendo da força que vai encontrar na arquibancada. E eu, antes mesmo de jogar no Flamengo, já sentia essa força. Eu sabia o que era encarar o Fla no Maracanã. Além de termos um grande time, liderado pelo Zico, nós tínhamos a força da torcida”.

    No dia do segundo jogo da final, uma forte chuva deixou dois mortos no Rio de Janeiro e ameaçou a boa conduta do jogo. Mesmo assim, foram mais de 90 mil pessoas no Maracanã, inclusive Franz Beckenbauer, que no dia anterior, dirigiu a seleção alemã num amistoso contra o Brasil no estádio Mané Garrincha. Antes do jogo, teve um minuto de silêncio por outra tragédia, um acidente aéreo cinco dias antes no Peru, que matou todo o time e comissão técnica do Alianza Lima. Em 13 de dezembro de 1987, exatamente seis anos após Flamengo conquistar o mundo em Tóquio, o técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo; Andrade, Ailton, Zinho, Zico; Renato Gaúcho, Bebeto. A grande notícia era a titularidade de Zico, dúvida antes do jogo, como ele mesmo explicou depois: “Ficou aquela coisa: joga ou não joga, joga ou não joga. Fui para o jogo. Eu entrava apavorado porque sabia que tinha uma bomba-relógio aqui no joelho. Ia ter que operar”.

    Era uma luta para o tetra entre o Internacional, campeão em 1975, 1976 e 1979 e o Flamengo, campeão em 1980, 1982, 1983. O campeão do final dos anos de 1970 contra o campeão do inicio de 1980, para uma quarta coroa. No mesmo dia, Sport e Guarani empataram 11×11 na disputa de penalidades, não tem erro, o desempate acabou em empate mesmo. E, menos os torcedores dos dois times, ninguém ligava, o Brasil parou para ver a verdadeira decisão no Maracanã. E Flamengo começou a ganhar antes mesmo de vencer no placar. Bem no início do jogo, um urubu invadiu o campo. “Reza a lenda que, se o bicho for capturado por alguém do time adversário (como aconteceu no Fla x Flu decisivo do Carioca de 1983), o rubro-negro perde o campeonato. Quem tratou de ir à caça da ave foi o ponta Renato”, escreveu Gustavo Roman. Renato Gaúcho pegou o urubu sob os delírios da torcida, o Flamengo já tinha a vantagem psicológica.

    Bola rolando, Jorginho cruzou na direita aos 15 minutos. O Internacional se defendeu e a bola caiu nos pés de Paulo Roberto. Renato Gaúcho não desistiu e ganhou a bola com a mesma facilidade que tinha pegado o urubu. Com mistura de raça e técnica, tentou invadir a grande área, a defesa colorada afastou o perigo, ainda de maneira parcial. A bola voltou a ser rubro-negra. A magia do Flamengo voltou. Em um toque, Ailton para Zinho, Zinho para Andrade. A bola é bem tratada, fica nos pés do mestre. Lembra Andrade no livro 20 jogos eternos do Flamengo de Marcos Eduardo Neves: “As pessoas esperavam que eu chutasse. Eu batia bem de fora da área, estava numa posição boa. Mas conduzi a bola de cabeça erguida, vi a movimentação do Bebeto na diagonal e a defesa saindo. O Bebeto era um jogador que, no olhar, entendia tudo. Quando meti, ele arrancou. O Taffarel tentou sair, mas hesitou. No que hesitou, o Bebeto chegou antes e deu o toquinho. A mesma alegria que ele teve com o gol, eu tive com o passe. Saí correndo que nem maluco naquele campo enlameado. Era um passe que significava o título”.

    O Maracanã explodiu, das arquibancadas até a geral, com “um típico gol do Flamengo, muito toque de bola e finalização precisa” segundo Galvão Bueno. Bebeto, que tinha feito apenas dois gols nos dois primeiros turnos, deixou sua marca em cada jogo das semifinais e finais, ultrapassando Zico na artilharia: “Acabei artilheiro do Flamengo. Isso me emociona muito. Tudo o time mereceu esse título. O gol nasceu de uma jogada que faço sempre com o Andrade. Ele toca pra mim e eu giro o corpo levando meu marcador. Achei até que a bola estava mais para o Taffarel. Mas entrei com tudo e cheguei na frente”.

    O Maracanã ainda se inflamou com chapéu de Renato Gaúcho, dribles de Jorginho, de Zico, de Andrade. O time tinha só craques, era talvez o melhor time do mundo, com certeza melhor que Porto e Peñarol, que jogaram a decisão do Mundial no mesmo dia. Zico quase achou a gaveta num cobrança de falta e deixou a torcida mais uma vez feliz com um toque de calcanhar. E mais ainda no minuto seguinte, agora com uma caneta. Mesmo com o joelho inchado, Zico tinha futebol para todo mundo, sobretudo para a Nação rubro-negra.

    Com tanta chuva, o gramado ficou pesado, o que impediu o Mengão de brilhar ainda mais. “O campo nos prejudicou demais. Nosso time era muito técnico. Talvez, um dos melhores da história do clube. Mesmo assim, dominamos a partida e fizemos um jogo brilhante. Atuamos com a cabeça e o coração de um campeão. Foi sensacional. Mostramos que éramos time de chegada”, lembrou Zico. O Internacional precisava fazer um gol, mas o Zé Carlos, que jogava com a camisa de Nielsen, campeão carioca em 1978 como goleiro reserva, teve pouco trabalho. Do outro lado, Bebeto, Renato Gaúcho e Zinho por duas vezes quase fizeram o gol do título, sem vencer Taffarel.

    O ritmo do jogo era intenso, na esquerda Zinho acelerou e deixou para Bebeto cruzar. Zico dominou de peito, fintou, eliminou dois zagueiros no mesmo drible, mas não conseguiu finalizar. Merecia muito esse gol. “Fiquei triste, lendo nos jornais que eu estava acabado, que deveria parar, deixar de enganar o Flamengo. Foi duro enfrentar esses ataques. Eu não me sentia incapaz de continuar jogando. Aprendi a lidar com a minha limitação atual e ser útil ao Flamengo”, falou Zico depois. Um Zico limitado vale mais de que qualquer jogador. Pouco tempo depois, Zico driblou um colorado, obrigando-o a cometer a falta. Zico caiu no círculo central e olhou para o banco, para a placa do juiz assistente com o número 10. Era a saída do maior ídolo do maior clube do Brasil, na frente da maior torcida do mundo, que cantava a plenos pulmões e com toda a alma: “Zico, Zico, Zico”.

    O técnico Carlinhos sabia o valor do ídolo a quem um dia, no crepúsculo de sua brilhante carreira de jogador, deu as chuteiras em sinal de passagem de testemunho. Falou Carlinhos depois do jogo: “Não posso destacar qualquer jogador na partida, mas não tenho como deixar de falar de Zico. Ele foi de uma importância fundamental para o Flamengo. Mas não apenas pelo nome que possui e que preocupa o adversário. O que destaco nele foi o espírito de união e a força que transferiu aos mais jovens, fazendo com que estes entrassem em campo psicologicamente em condições de render tudo o que podiam”. Por isso tenho um carinho especial para o título de 1987. Tinha uma Seleção, o saudoso goleiro, os jovens laterais que serão campeões do mundo em 1994, a zaga experiente que brilhou nas Copas de 1982 e 1986, o meio de campo com a experiência de Andrade e a juventude de Zinho, o tão precioso e trabalhador Ailton, uma dupla ofensiva com Renato Gaúcho e Bebeto, que tem tudo que um ataque pode sonhar, tinha tudo isso sim. Mas tinha sobretudo Zico, que voltava de lesões, de um pênalti perdido, de críticas duras, de muitos sofrimentos. Zico voltou, brilhou e venceu. Um roteiro de filme, com um final feliz.

    Como líder do time, ao deixar o gramado, Zico pediu raça aos onze companheiros em campo para os minutos finais. Como um símbolo, num dos últimos lances da partida, uma falta do Internacional, foi o atacante Renato Gaúcho que afastou o perigo com um cabeceio. Era um time de técnica, de raça também. De um coração de campeão. Zé Carlos pegou uma última bola, a geral pegou fogo, o juiz pediu a bola e apitou. Flamengo era campeão, tetracampeão.

    De novo a palavra para Zico: “Quando deixei o campo para Flávio entrar estava sentindo muitas dores. Já sabia que teria que operar mais uma vez. E foi no vestiário, logo após o apito final que nos garantiu a taça com gol de Bebeto, que senti uma das maiores emoções da minha vida. Dava para sentir a explosão da torcida com a conquista, seguida por um coro de ‘Zico, Zico’ que ecoava dentro do meu coração. Retornei ao campo coroado para cobrar ao lado dos meus companheiros, mas parecia que o Maracanã inteiro estava me passando energia. Era o ponto final de uma jornada vitoriosa a ser dividida com quem jogou, com quem esteve no banco de reservas, com toda a equipe de apoio e com um décimo segundo jogador que sempre está presente nas grandes conquistas rubro-negras: a torcida”. E o título tinha um sabor ainda mais especial para Nosso Rei: “Foi um título emocionante. Não só em função de tudo que eu havia passado, mas por causa do Thiago. Foi o primeiro ano que ele pôde me acompanhar melhor, nunca tinha me visto”. Foi uma união entre um pai e um filho, um ídolo e uma Nação, uma justiça divina e uma realidade mágica em campo.

    No Maracanã, a taça foi entregue pelo Carlos Miguel Aidar, presidente do Clube dos 13 e também do São Paulo FC, bem longe das rivalidades mesquinhas de hoje entre os clubes gigantes. “A CBF deve entender que o Flamengo é o autêntico campeão brasileiro. Não tem sentido fazer com que ele e o Inter cruzem com quem vem de baixo”, ainda falou Aidar. A mídia, seja carioca, seja paulista, também considerava a Copa União como o Brasileirão. “A imediata comoção que tomou contra de todos no Maracanã tratou de impor o direito que a CBF insiste em desprezar. Como deixar de reconhecer o mérito de campeão brasileiro a um time que, mesmo com seus altos e baixos, se destacou entre os 16 melhores do nosso futebol? Como apagar a eufórica vibração? Como torná-la ilegal?”, questionou o Jornal do Brasil, que ainda manchetou: “Fla colore o futebol de vermelho e preto”. Até uma das maiores glórias do futebol homenageou Flamengo, o alemão Franz Beckenbauer falando: “Fiquei encantado com os toques rápidos do time do Flamengo e, principalmente, com Zico, que mostrou sua genialidade em vários lances”.

    Para fechar, não o (não)debate com os idiotas do clubismo, mas apenas a crônica sobre um dos maiores jogos da história do Flamengo, de novo a palavra de Zico no livro 100 anos de bola, raça e paixão, publicado em 2012: “Ninguém me tira essa conquista. Quem levou porrada fui eu, quem se sacrificou fazendo tratamento 24 horas por dia para jogar fui eu. Tenho sangue e passaporte português. Se eu chegar em Portugal e contar que aqui no Brasil a CBF não considera esse título porque no campeonato de 1987 o campeão da primeira divisão tinha que disputar a condição de melhor do Brasil com o campeão da segunda divisão, vão dizer que é piada. E realmente é. Não tem jeito. O Flamengo foi tetra em 87 e atualmente é hexa”. Ouso mais, no final do ano, o Flamengo será deca.

  • Jogos eternos #365: Flamengo 3×0 Athletico Paranaense 2020

    Jogos eternos #365: Flamengo 3×0 Athletico Paranaense 2020

    Flamengo joga hoje na Supercopa do Brasil contra o Corinthians, no estádio Mané Garrincha. Os dois times já se enfrentaram na competição, em 1991, na segunda e última edição durante muitos anos. O Corinthians venceu e a competição sumiu do calendário brasileiro. Assim, Flamengo nunca tinha vencido a Supercopa, perdendo a oportunidade contra São Paulo em 2007 e o próprio Corinthians em 2010. O torneio apenas voltou em 2020, de novo com Flamengo.

    Em 2019, Flamengo foi campeão de quase tudo. Campeonato carioca, Brasileirão, Copa Libertadores. No nível nacional, apenas deixou a Copa do Brasil, para o Athletico Paranaense, que também conquistou a Copa Sudamericana 2018 e se afirmou como uma potência nacional. Inclusive, o Furacão eliminou Flamengo nas quartas de final da Copa. Para o Flamengo, era uma possível vingança. Sobretudo, era a celebração do maior time da América, liderada pelo Jorge Jesus no banco e vários craques em campo. Um time de artistas, destaque para o trio inesquecível de 2019, Arrascaeta – Bruno Henrique – Gabigol.

    Como é o caso hoje, o jogo aconteceu no Mané Garrincha, palco de grandes decisões nacionais. Em 16 de fevereiro de 2020, o técnico Jorge Jesus escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Gustavo Henrique, Filipe Luís; Willian Arão, Gerson, Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Bruno Henrique, Gabigol. Com exceção de Gustavo Henrique no lugar de Pablo Marí, era o time que se eternizou em Lima. Em 2020, Flamengo ainda jogava por música.

    No Mané Garrincha, o Flamengo era bem superior e já dominou no início do jogo. Com apenas três minutos de jogo, Willian Arão, bem lançado pelo Gabigol, quase surpreendeu Santos para abrir o placar. Aos 15 minutos, de novo Gabigol como garçom, com ótimo cruzamento, agora para Bruno Henrique, que fugiu da zaga e deslocou o goleiro com um cabeceio certíssimo. O Mengo já estava na frente, como jogava fácil o Flamengo de Jorge Jesus.

    O Flamengo fez um e queria mais. Era assim o Flamengo de Jorge Jesus. Aos 28 minutos de jogo, Filipe Luís cruzou, Márcio Azevedo recuou mal, “olha a besteira que fez” falou Galvão Bueno, de volta a narração depois de faltar a final da Libertadores por problemas de saúde. Oportunista, Gabigol aproveitou o presente, pegou a bola e já exibiu a placa: “Hoje tem gol do Gabigol”. A taça já estava nas mãos rubro-negras. O Furacão virou brisa e só conseguiu reagir no final do primeiro tempo. Diego Alves fez uma defesa segura num chute de Marquinhos Gabriel e ainda saiu da grande área com um cabeceio certo para afastar o perigo.

    No início do segundo tempo, Flamengo continuou a dominar, mas nem Gabigol, num chute fora, nem Arrascaeta, numa falta fora, nem Bruno Henrique, falhando driblar o goleiro, conseguiram achar o gol. Na verdade, Bruno Henrique e Gabigol já tinham feito um gol durante a partida. Apenas faltava Arrascaeta para completar o trio mágico de 2019. Na metade do segundo tempo, Bruno Henrique escapou na esquerda, “partiu 35 quilômetros por hora”, Gabigol já na grande área, pronto para o gol. O passe de BH27 foi desviado pelo goleiro e sobrou para Arrascaeta, que pegou de primeira, no meio do gol vazio, no fundo da rede. O trio era completo, a goleada também. O Flamengo prolongava o ano mágico de 2019, a Supercopa estava de volta e já acabava na galeria de taças rubro-negras.

  • Jogos eternos #364: Santos 0x1 Flamengo 1980

    Jogos eternos #364: Santos 0x1 Flamengo 1980

    Flamengo reestreia hoje no Brasileirão, com um novo calendário, o campeonato nacional começando agora já no início do ano. O palco é o Morumbi e o adversário é São Paulo. Há pouco tempo lembrei da estreia do Brasileirão de 1982, também contra São Paulo, mas no Maracanã, com virada do Mengo e show de Zico. Para o jogo eterno do dia, eu fico no Morumbi mas troco de adversário, Santos, para outra estreia de um Brasileirão, também vencido pelo Flamengo no final. E mais uma vez, com Zico decisivo.

    Em 1980, Flamengo ainda não tinha conquistado o Brasileirão na sua história. E como é o caso hoje, teve mudança do calendário, fechando o ano de 1979 com o Brasileirão, começando 1980 com o nacional também. Flamengo vinha de uma decepção, com eliminação dura contra Palmeiras no Maraca. Ao menos, isso é diferente em 2026. Menos de três meses depois, Flamengo estava de volta no Brasileirão, agora no Morumbi, contra Santos. Em 24 de fevereiro de 1980, o técnico Cláudio Coutinho escalou Flamengo assim: Raul; Carlos Alberto, Marinho, Rondinelli, Júnior; Andrade, Carpegiani, Zico; Reinaldo, Adílio, Tita.

    No Morumbi, o Flamengo dominou o início da partida. Por pouco, Reinaldo e Adílio não abriram o placar. Aos 20 minutos de jogo, Reinaldo roubou a bola nos pés de João Paulo, aplicou um drible de vaca sobre Neto e serviu Zico. O craque e camisa 10 não perdoou, de primeira chutou firme e colocado, sem chance para o goleiro. Flamengo fazia o primeiro e quase fez mais, com Zico iniciando jogadas brilhantes. Porém, os outros jogadores, principalmente Tita improvisado como centroavante, não concluíram. No intervalo, um gol de vantagem só para o Mengo.

    No segundo tempo, Santos reagiu, principalmente com Nílton Batata, que teve duas boas oportunidades. O goleiro Raul impediu o empate. O técnico rubro-negro Cláudio Coutinho também reagiu. “Substituiu Tita por Carlos Henrique e o Flamengo ficou melhor do que estava. Carlos Henrique passou a jogar bem aberto na ponta esquerda e Adílio caiu para o meio dando mais apoio ao meio de campo”, escreveu o Jornal dos Sports. Assim, o Flamengo controlou o jogo e conseguiu a vitória por um gol de vantagem. “A vitória acabou sendo justa, embora o resultado não diga o que foi o jogo. O Flamengo esteve sempre melhor que o Santos e perdeu a grande oportunidade de golear o adversário”, prosseguiu o Jornal dos Sports.

    Por sua vez, o Jornal do Brasil concluía sua matéria assim: “Flamengo mostrou no ‘quadrado’ de Coutinho, que tem um novo esquema, mas que precisa reforçar sua defesa e conseguir um centroavante, já que Tita, deslocado para a posição, pouco fez”. Flamengo começava bem o Brasileirão, compraria o artilheiro das decisões Nunes, e fecharia ainda melhor o campeonato.

  • Jogos eternos #363: Flamengo 2×0 Bahia 2018

    Jogos eternos #363: Flamengo 2×0 Bahia 2018

    Agora é oficial, Lucas Paquetá entrou na trend “2026 é o novo 2016” e está de volta ao Flamengo. Uma contratação de grande valor, tanto em dinheiro quanto em futebol. Lucas Paquetá ainda tinha muito mercado para jogar na Europa. A atitude do jogador foi decisiva para deixar as libras inglesas e voltar no Maior do Mundo. Prevaleceu o amor rubro-negro.

    Para festejar a volta, pensei inicialmente em eternizar um jogo na Arena Corinthians, com vitória 3×0 do Mengo, dois gols de Lucas Paquetá. Porém, faltava na equação o Maracanã, a Nação. Assim, eu vou de um jogo no Maraca, contra Bahia, no início do Brasileirão de 2018. Lucas Paquetá tinha acabado de ser anunciado na lista dos reservas para a Copa do Mundo. Para mim, era o melhor jogador do Brasil da atualidade e merecia uma vaga nos 23 convocados. Não aconteceu, o futebol de Lucas Paquetá ficou no Flamengo, no Maior do Mundo.

    Na rodada anterior ao jogo contra Bahia, Flamengo venceu o Atlético Mineiro, um jogo já eternizado no Francêsguista, e tomou a liderança. Na quarta-feira seguinte, São Paulo venceu Botafogo e dormiu na liderança. Flamengo precisava vencer Bahia para retomar seu lugar. Em 31 de maio de 2018, tarde de sol no Rio de Janeiro, o técnico Maurício Barbieri escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rodinei, Léo Duarte, Rhodolfo, Renê; Jonas, Lucas Paquetá, Diego; Éverton Ribeiro, Vinícius Júnior, Henrique Dourado.

    No Maracanã lotado com mais de 50 mil, o primeiro lance de perigo foi justamente para Lucas Paquetá. Num passe de Diego, o meia chutou de longe, no meio do gol, o que permitiu a defesa do goleiro. Logo depois, Lucas Paquetá fez bom lançamento para Vinícius Júnior, que cruzou. Jonas não ajustou bem o chute e a bola passou em cima do travessão. Paquetá vivia uma grande fase, num cruzamento da esquerda, dominou de peito, aplicou um chapéu e tentou uma bicicleta. Faltou um pouco de força para fazer o golaço. Na metade do primeiro tempo, ainda Lucas Paquetá, agora de cabeceio num escanteio de Diego. O goleiro desviou no travessão e impediu a abertura do placar. No Maraca, era Flamengo só, quase só Paquetá.

    Faltando cinco minutos para o intervalo, Diego fez uma incursão na defesa baiana e deixou para Renê. O lateral errou no chute, o que se transformou em uma tabelinha com Diego. No domínio, Diego enganou o goleiro e só teve a empurrar a bola nas redes para abrir o placar. Nos acréscimos do primeiro tempo, Henrique Dourado fez o passe atrás para Lucas Paqueta. O meia dominou, deixou para Renê e já chamou a bola de volta na frente do gol. Agora o lateral não errou e completou a tabelinha no espaço certo. De cavadinha, Lucas Paquetá fez o golaço e foi comemorar com a Nação. Teve dancinha, Maraca lotado, golaço de Paquetá. Agora sim, a festa era completa.

    No início do segundo tempo, Vinícius Júnior, outro craque da base que precisa voltar em casa, inflamou ainda mais o Maracanã com várias pedaladas na frente de João Pedro. O segundo tempo ficou mais equilibrado, com maior lance para o Bahia. Diego Alves, que vestia a camisa amarela dos grandes goleiros do Flamengo, fez uma dupla defesa na frente de Zé Rafael e depois Élber. A vitória era do Mengo, a liderança também. A festa era no Maraca, comandada pela dancinha de Lucas Paquetá. Infelizmente, Flamengo perdeu um pouco o folego no resto do Brasileirão e Lucas Paquetá não conseguiu a grande conquista que merecia com seu clube de coração. Agora o livro rubro-negro de Paquetá está reaberto.

  • Jogos eternos #362: Flamengo 2×0 Fluminense 2012

    Jogos eternos #362: Flamengo 2×0 Fluminense 2012

    De volta com os titulares, Flamengo venceu Vasco e já se recuperou no campeonato carioca. Agora é vencer outro clássico, o Fla-Flu, para se aproximar das quartas de final. Em 2012, Flamengo começou a segunda fase do campeonato carioca, a Taça Rio, com uma derrota contra Boavista. Se recuperou vencendo Duque de Caxias e enfrentou Fluminense para confirmar.

    O Fla-Flu, o primeiro do ano do centenário do Flamengo, tinha muitos desfalques. Com jogo de Libertadores na quarta, o técnico tricolor Abel Braga poupou os principais jogadores, Deco, Thiago Neves e Fred. Do lado do Flamengo, tinha também a Libertadores chegando, e vários jogadores lesionados: Felipe, Léo Moura, Aírton, Willians, Camacho e Maldonado. O Renato Abreu tinha um problema no coração e Botinelli estava suspenso. Assim, em 11 de março de 2012, o técnico Joel Santana escalou Flamengo assim: Paulo Victor; Rafael Galhardo, Marcos González, David Braz, Magal; Muralha, Luiz Antônio, Kléberson, Thomás; Ronaldinho, Vágner Love.

    Antes do apito inicial, o Fla-Flu já tinha dois personagens rubro-negros. O craque mágico de sempre, Ronaldinho, com um tabu que incomodava. Em 11 clássicos cariocas com o Manto Sagrado, Ronaldinho ainda não tinha feito sequer um gol. E tinha também o craque mais esforçado, igualmente pentacampeão em 2002, Kléberson. O meia brilhou no Flamengo no final da década de 2000, alcançando o bicampeonato carioca, o primeiro sob o comando de Joel Santana, e o Brasileirão de 2009. No início de 2011, perdeu espaço no time e foi mandado embora pelo Vanderlei Luxemburgo. Voltou ao Flamengo em 2012, mas não fez sequer um jogo, nem foi inscrito na Copa Libertadores e quase rescindiu. Finalmente, com tantos desfalques no meio de campo, Kléberson foi escalado no Fla-Flu pelo Papai Joel.

    No Engenhão – o Maracanã estava com obras – Fluminense começou melhor, mas Paulo Victor fez a primeira de muitas defesas. Flamengo reagiu com Kléberson, que chutou fraco, permitindo a defesa de Diego Cavalieri. Na metade do primeiro tempo, o Ronaldinho Gaúcho apareceu. No meio do campo, abriu na direita e fez uma dupla tabelinha com o lateral-direito Rafael Galhardo, escalado no lugar de Léo Moura. Carleto fez uma falta desnecessária e o juiz marcou pênalti. Na cobrança, Ronaldinho chutou firme e pegou Cavalieri no contrapé. Finalmente, o Bruxo deixava sua magia num clássico carioca.

    Quatro minutos depois, o lateral-esquerdo Magal, escalado no lugar de Júnior César, impediu a saída de bola e cruzou na segunda trave. Kléberson recuperou, chutou cruzado e venceu Cavalieri. O agora camisa 30 se tornava mais um personagem efêmero do eterno Fla-Flu. Ainda no final do primeiro tempo, Ronaldinho deu um pisão sobre Wagner. Já tinha recebido um cartão amarelo severo no início do jogo e foi expulso. O Bruxo estava fora, o Fla-Flu se tornava mais difícil e icônico. Precisava de um outro personagem rubro-negro.

    E o herói do Fla-Flu se vestiu tudo de branco, calçava luvas. Ainda no primeiro tempo, o goleiro Paulo Victor, escalado no lugar de Felipe, fez defesaça num chute de longe de Carleto. Fez outra defesa milagrosa na frente de Jean, sozinho na grande área. O goleiro até levou os braços no céu. Tinha a proteção do profeta. Em 1963, o grande tricolor Nelson Rodrigues anunciava, pelo meio do profeta, a vitória do Fluminense no Fla-Flu decisivo. E Flamengo foi campeão, com grande atuação do goleiro quase desconhecido Marcial. Depois do título rubro-negro, escreveu Nelson Rodrigues: “ Amigos, ao terminar o grande Fla-Flu, o profeta tratou de catar os trapos e saiu do Maracanã, mas de cabeça erguida. Era um vencido? Jamais. Vencido, como, se temos de admitir esta verdade límpida e clara – o Fluminense jogou mais […] Marcial andou fazendo intervenções decisivas, catando bolas quase perdidas. Amigos, eu sei que os fatos não confirmaram a profecia. Ao que o profeta só pode responder: – ‘Pior para os fatos!’”.

    No segundo tempo, com um a mais em campo, Fluminense cresceu no jogo. E Paulo Victor foi gigante, com intervenções decisivas, na frente de Rafael Moura, nos chutes de longe de Diguinho e Leandro Euzébio. Flamengo lutou, resistiu e venceu. Repetia o profeta os fatos: com ídolos eternos e heróis improváveis, o Fla-Flu se veste de vermelho e negro.

O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”