Flamengo joga hoje contra o Atlético Mineiro na Arena MRV, palco em que o Mengão ainda está invicto com 3 vitórias e um empate em 4 jogos. No tradicional Mineirão, o retrospecto não era tão bom e a última vitória rubro-negra no Brasileirão é de 2009, com o inesquecível gol olímpico do Petkovic.
Para o jogo eterno do dia, fico com Petkovic e o Mineirão, mas vou de outro jogo, no início da década. O iugoslavo não era a única estrela do time patrocinado pela ISL. No segundo semestre, a ISL trouxe um pacote de reforços com Gamarra, Denílson e Edílson. O Jornal do Brasil via a volta do “futebol moleque” e da “irreverência”. Porém, na estreia de Edílson, contra River Plate na Copa Mercosul, Flamengo perdeu no Maracanã, apesar de um gol de Petkovic.
Depois de dois amistosos na Espanha contra o Atlético de Madrid e o Betis, com gol de Edílson em cada jogo, a estreia rubro-negra do Capetinha no Brasileirão ficou marcada contra o Atlético Mineiro. Por sua vez, o Denílson ainda devia esperar para ser inscrito por causa das dívidas já existentes da ISL. Assim, em 2 de setembro de 2000, o técnico Carlinhos escalou Flamengo assim: Júlio César; Maurinho, Juan, Fabão, Marco Antônio; Leandro Avila, Rocha, Lê, Petkovic; Edílson, Adriano.
Edílson precisou de apenas 8 minutos para assustar o Mineirão com um bom drible. Porém, depois de bela jogada coletiva e finalização de trivela de Valdir Bigode, foi o Atlético Mineiro que abriu o placar, com 12 minutos de jogo. No minuto seguinte, Valdir Bigode quase fez o segundo, mas Júlio César fez boa defesa.
Flamengo reagiu com um chute cruzado de Edílson, mas a bola apenas flirtou com a trave. O Petkovic chutou de longe, o goleiro atleticano defendeu. No final do primeiro tempo, Edílson achou Adriano, que girou e chutou, fora do gol. Logo depois, Adriano cruzou, Edílson desviou de cabeça, Petkovic tentou finalizar, mas Kléber defendeu mais uma vez. Flamengo tinha muitos craques, na verdade três, mas ainda nada de gol no Mineirão.
Com apenas 5 minutos na segunda etapa, Flamengo ameaçou mais uma vez o gol do Galo. Petkovic chutou de longe, a bola explodiu na trave. Logo depois, num escanteio, Petkovic tentou o gol olímpico, no mesmo cantinho em que se eternizará nove anos depois. Em 2000, Kléber foi vigilante e impediu o golaço. O gol só parecia questão de tempo. E realmente foi. Aos 10 do segundo tempo, Petkovic pedalou e achou Adriano perto do gol. O Imperador driblou um, driblou outro e chutou. Mais uma defesaça de Kléber, mas a bola seguiu viva na grande área. Petkovic não desistia de nenhuma bola e foi o primeiro a chegar, um pouco antes do Kléber, quase forçado a cometer pênalti. O juiz apitou, o Pet cobrou. Gol do Pet, gol do Flamengo, 1×1 no placar.
Depois do gol do empate, o jogo ficou mais equilibrado. Cada time teve chance de fazer, sem fazer. Faltava um craque para desequilibrar o jogo. Ou talvez mais que um craque. Petkovic fez uma finta sensacional e cruzou no chão para Adriano ou Edílson, mas Cláudio Caçapa salvou o gol, desviando a bola para escanteio. Na cobrança, uma cabeçada atleticana, a bola ficou muito alto no ar e finalmente caiu no pé de Pet. Com a perna ruim que não existia, o camisa 10 conseguiu um domínio absurdo para matar a bola. Na sequência, chutou forte com o pé direito. Kléber defendeu apenas parcialmente, Edílson pegou de voleio e quebrou o pescoço do Galo. Gol do Capetinha, virada do Mengo, 2×1 no placar.
No final do jogo, Adriano ganhou uma bola do zagueiro, driblou o goleiro, mas com o gramado ruim, a bola soltou e Adriano chutou para fora. Com uma grande atuação do trio ofensivo, Flamengo vencia de virada e chegava na 6a colocação, 5 pontos atrás do líder Fluminense e ainda com uma rodada a menos. “O caminho da vitória passa pelos pés de quem sabe jogar bom futebol. Edílson e Petkovic me lembraram os bons tempos de um futebol que era jogado com graça, leveza, dribles e passes precisos. O futebol-arte sobrevive aos carrinhos”, escreveu Sérgio Noronha no Jornal do Brasil. E mais, o craquaço Alex seria mais um grande reforço rubro-negro nos dias seguintes. Flamengo tinha tudo para triunfar, mas com problemas de dinheiro e de ego, nem chegou entre os 12 primeiros para chegar na fase final do Brasileirão de 2000. Uma decepção, que não tira o brilho da estreia do Edílson Capetinha.








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