Ainda amargado com o último jogo entre Flamengo x Vasco, um empate com sabor de derrota, eu vou para a crônica do dia de um jogo aniversariante, que completa hoje 43 anos. Um Clássico dos Milhões com final feliz, tanto no jogo quanto no campeonato com a conquista do Tri.
No Brasileirão de 1983, Flamengo e Vasco se enfrentaram nas quartas de final. Talvez o Clássico dos Milhões mais importante da história do Brasileirão. Os dois times já se enfrentaram meses antes na final do campeonato carioca de 1982, com final feliz para o Vasco. Em 5 de maio de 1983, o ainda novato técnico Carlos Alberto Torres escalou Flamengo assim: Raul; Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Vítor, Adílio, Zico; Elder, Júlio César Barbosa, Baltazar.
Como na última crônica, um Flamengo x Vasco de 1992, tinha muita gente no Maracanã: 111.260, apenas contando os pagantes. E como o jogo de 1992, teve muitas faltas: 42 apenas no primeiro tempo! Assim, teve chances de golaço de falta de Zico, mas o experiente goleiro Mazarópi foi bem na bola. Outra falta, mais da direita, mais para um cruzamento, mais com o pé mágico de Júnior. Elder cabeceou para fora e o placar ficou no 0x0.
Aos 25 minutos, outra falta para o Flamengo, agora no círculo central, sem perigo imediato. Júnior cobrou rapidamente, para Vítor, para Zico, que dominou com o pé esquerdo e, com o pé direito, deixou de trivela para Júnior, já de olho no lance. De primeira, Júnior achou Adílio na profundidade. Com o fôlego de um meia e a finalização de um centroavante, Adílio venceu o Mazarópi e fez mais um gol decisivo contra Vasco, faria outros depois. Um golaço, um gol típico do tão inesquecível Flamengo de 1978 a 1983.
O jogo foi muito violento, com uma falta absurda de Orlando sobre Zico, valendo um cartão amarelo mas era mais para ser vermelho direito. O juiz José Roberto Wright chamou os dois capitães, Roberto Dinamite e Zico, dois símbolos de classe e fair play. Pediu para um jogo menos violento antes de ser obrigado a dar cartões vermelhões num déjà-vu. No final do primeiro tempo, melhorou o futebol e melhorou o Vasco. Elói infernizou a defesa rubro-negra com dribles, Serginho chutou e Raul defendeu parcialmente. No duelo com Roberto Dinamite, Mozer conseguiu tocar a bola com a cabeça mas encobriu o próprio goleiro. No intervalo, Flamengo 1×1 Vasco.
No segundo tempo, o jogo foi menos violento. Assim, Flamengo foi o mais perigoso. Escreveu o Jornal dos Sports no dia seguinte: “Os dois times voltaram mais soltos e isto beneficiou o Flamengo que deixava Zico e Adílio em liberdade para criar e provocar pânico na defesa do Vasco”. Porém, a primeira oportunidade do segundo tempo foi do Vasco. Mas Raul, perto da aposentadoria, defendeu bem a cobrança de falta de Marquinho.
Na metade do segundo tempo, o técnico Carlos Alberto Torres chamou o Júlio César Barbosa para deixar seu lugar ao Gilmar Popoca na próxima saída de bola. Bola rolando, Marinho, em posição de ponta-direita, conseguiu um chapéu sobre Gilberto Coroa e cruzou. Mazarópi falhou na saída, a bola desfilou na pequena área vascaína e chegou até a esquerda. Júlio César esticou a perna, tocou na bola, deixou na rede. Flamengo voltou na frente no placar.
Até o final do jogo, Zico quase fez de voleio, Roberto Dinamite quase fez de cabeceio, achando o travessão. Júlio César – ainda em campo, Carlos Alberto Torres preferiu substituir Baltazar após o gol – teve um cara-a-cara com Mazarópi, mas demorou muito para chutar. Adílio passou entre três adversários na grande área e chutou com o pé esquerdo, mas o goleiro vascaíno defendeu. Depois de último escanteio do Vasco, o Wright finalmente apitou o final do jogo e deixou feliz a maioria dos Milhões. Flamengo vencia, mais uma vez com grande jogo de Zico, “o melhor jogador da partida. Só não fez chover no Maracanã” segundo o Jornal do Brasil. Flamengo podia até perder de um gol de diferença na volta e se classificar para a semifinal. Com outro show de Adílio e Zico, o Mengo empatou e continuou a caminhar para o tricampeonato.








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