Flamengo joga hoje na Argentina em busca de uma oitava vitória consecutiva. Reencontra o Estudiantes, contra quem já jogou na Copa Libertadores do ano passado. O técnico rubro-negro era outro, mas o Flamengo já estava em grande forma. Dos últimos 10 jogos, tinha vencido oito, contra dois empates e nenhuma derrota. A fase da Copa Libertadores também estava diferente, com um quarta de final, um jogo que valia semifinal, que valia ouro no caminho do tetra.
Depois de passar da fase de grupos com susto e eliminar o Internacional sem susto, Flamengo estava nas quartas de final, contra o Estudiantes. Na ida, com Maracanã cheio, Flamengo fez grande jogo. Porém, na reta final, Plata foi expulso e Léo Pereira fez gol contra. A vitória de apenas um gol de diferença deixava as chances argentinas vivas na volta.
Depois da eliminação em 2024 na mesma fase contra Peñarol, Flamengo precisava absolutamente da classificação. Em 25 de setembro de 2025, o técnico e ídolo Filipe Luís escalou Flamengo assim: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira, Alex Sandro; Jorginho, Saúl Ñíguez, Arrascaeta; Gonzalo Plata, Samuel Lino, Pedro. Detalhe para a participação de Gonzalo Plata, depois da Conmebol anular o segundo cartão amarelo da ida por causa de uma intervenção do VAR fora das regras previstas.
Jogo de Copa Libertadores na Argentina sempre é especial, ainda mais na mata-mata. No estádio Jorge Luis Hircshi, Flamengo teve a primeira chance de gol, Pedro tocou com um carrinho, mas o zagueiro Facundo Rodríguez conseguiu impedir o gol. Depois foi a vez do Estudiantes de ameaçar o gol, com um chute de voleio de Arzamendia. O goleiro rubro-negro Agustín Rossi quase falhou, mas segurou a bola.
Saúl Ñíguez, ainda sem fazer um gol com o Manto Sagrado, quase fez dois contra o Estudiantes, com dois chutes de longe. O primeiro tocou na trave, o segundo apenas passou por perto. Nos acréscimos, o longo cruzamento de Santiago Núñez chegou até a segunda trave, até Gaston Benedetti, que pegou de voleio. Agustín Rossi meio falhou e deixou a bola entrar. Estudiantes abria o placar e chegava ao empate na soma dos dois jogos.
No segundo tempo, o jogo ficou ainda mais tenso e, ao mesmo tempo, quase morno. O lateral Gaston Benedetti escapou na esquerda e chegou ao cara-a-cara com Rossi. Por segundos, fez o segundo dele no jogo. Porém, o VAR anulou o gol e aliviou a torcida rubro-negra. Ou aumentou o nível de ansiedade. Em Paris, coloquei um despertador para acordar às 2:30 da manhã e não faltar o jogo. Confesso que não lembro exatamente como eu me sentia. Com a grande fase do Filipe Luís e o nível alto do time, tinha um bom pressentimento sobre a Copa Libertadores de 2025. Mas era jogo de volta na Argentina, era igualdade no placar, era impossível ficar tranquilo.
No tempo normal, não teve outros lances para tirar o fôlego. O jogo acabou assim, 1×0 para Estudiantes, na soma 2×2. Que seja bendito o fim da regra do gol fora. O jogo agora era a disputa de penalidades, que consagrou heróis e crucifixou vilões. Do lado do Flamengo, o maior nome era o goleiro argentino Agustín Rossi. Inclusive, Rossi jogou no Estudiantes no início da carreira, estreando no campeonato argentino com o time de La Plata aos 19 anos. Mas foram ao total apenas três jogos com o Estudiantes, depois brilhou em outros times da Argentina e chegou ao Flamengo. E já se destacou nos pênaltis, pegando tentativas de especialistas como Ganso, Thiago Almada e Gabigol. Mas agora era a Copa Libertadores. Do outro lado, tinha também um grande goleiro, o Fernando Muslera, 39 anos e 133 jogos com a seleção uruguaia.
De novo, não lembro de meu estado emocional antes da disputa de penalidades. Mas era impossível para mim ficar tranquilo. Quem ficou tranquilo é o Jorginho, que nunca errou um pênalti com a camisa do Flamengo, mesmo em jogos importantíssimos, como contra o Bayern, ou depois o Palmeiras e o PSG. Na Argentina, Jorginho pulou, cobrou e abriu o placar na disputa. José Sosa achou a gaveta, Luiz Araújo também foi firme. Agora era a vez do Gaston Benedetti, que tinha feito o gol durante o tempo normal. O roteiro foi visto tantas vezes que podia ser antevisto. O herói virou vilão, Benedetti cobrou, Rossi escolheu um lado e a mão oposta ficou firme, calando um estádio inteiro.
Em Paris, eu começava a respirar melhor, ainda mais depois da finalização de Carrascal. O Cetré, com muita força, manteve a esperança viva para a hinchada argentina. Com gelo no sangue, Léo Pereira chutou forte e preciso, achando a gaveta. Agora lembro de minha ansiedade durante a disputa. Nem conseguia acreditar como Léo Pereira podia ter cobrado de uma maneira tão fria com tanta pressão, eu que mal conseguia respirar. Enfim, Léo Pereira fez o golaço e deixou para Rossi a oportunidade de brilhar e de matar o Estudiantes.
E foi o caso. O capitão argentino Ascacíbar cobrou (mal), Rossi defendeu, virou herói e começava a se eternizar ao lado de grandes goleiros argentinos rubro-negros, como Chamorro, Domínguez e Fillol. Agora, apenas o paraguaio García pode talvez impedir Rossi de ser o maior goleiro gringo da história do Flamengo. Ainda há muitos pênaltis para defender, muitas taças para conquistar. Certeza é que neste dia, Flamengo sobrevivia ao inferno argentino e caminhava em direção ao tetra.








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