Jogos eternos #397: Grêmio 0x1 Flamengo 2019

Flamengo joga hoje na Arena do Grêmio, onde sempre é difícil de jogar. Na verdade, para o Flamengo tem duas fases distintas no estádio inaugurado em 2012. Nos oito primeiros jogos, o Mengão empatou três vezes, perdeu 5 jogos e nunca venceu. Daqui para frente, são também 8 jogos, com um retrospecto bem diferente: 5 vitórias, um empate e duas derrotas. Vamos então para a crônica do dia da primeira vitória rubro-negra lá, em 2019.

Nessa sequência de partidas, tem um jogo pivô, um antes e um depois. Um jogo já eternizado no Francêsguista, o Cincum, quando Flamengo goleou Grêmio 5×0 no Maracanã na semifinal da Copa Libertadores de 2019. Depois disso, o Grêmio nunca mais foi o mesmo rival. Era o Flamengo que impunha medo no confronto, mesmo em Porto Alegre.

Menos de um mês depois do Cincum, os dois times se reencontraram, agora na Arena do Grêmio. Com a final da Copa Libertadores se aproximando, Jorge Jesus escalou contra Grêmio um time misto, quase reserva. Em 17 de novembro de 2019, o técnico português escalou Flamengo assim: Diego Alves; Rodinei, Thuler, Rhodolfo, Renê; Piris da Motta, Diego, Arrascaeta; Reinier, Lucas Silva, Gabigol.

Mesmo com o time reserva, era o Flamengo de Jorge Jesus, sempre ofensivo, sempre buscando o gol. Lucas Silva teve a primeira oportunidade de gol, mas Paulo Victor fechou bem o ângulo e fez a defesa. E nem era o time reserva, era um time misto, com Gabigol e Arrascaeta, que tabelaram para assustar mais uma vez a defesa do Grêmio. Porém, Gabigol chutou de trivela, sem força, sem fazer o gol ainda.

Grêmio reagiu com uma tentativa de Bruno Cortez, mas o Flamengo tinha um paredão chamado Diego Alves, que também pegou uma cobrança de falta viciada e desviada pela barreira. E o show rubro-negro voltou com a magia de Arrascaeta, que driblou um, driblou um segundo e deixou para Gabigol. O ídolo cruzou no chão. Léo Moura, antigo ídolo e agora gremista que nunca mais vencerá a Copa Libertadores, tocou na bola com a mão. O juiz não duvidou e apitou o pênalti. Na cobrança, claro Gabigol, e claro hoje tem. Gabigol pegou o goleiro no contrapé e deixou mais um pesadelo na casa do Grêmio.

No segundo tempo, Gabigol quase fez o segundo, mas a bola passou em cima do travessão. O então gremista Éverton Cebolinha driblou bem, mas chutou muito mal. Gabigol, por reclamação e aplausos irônicos, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. A torcida gremista comemorou, o Gabigol provocativo mostrou os cinco dedos da mão, um para cada gol, e a Arena inteira se calou.

Com um homem a mais, o Grêmio buscou o empate e multiplicou os chutes. Foram 22 contra 9 para o Flamengo. Mas nenhum no fundo do gol. Flamengo vencia pela primeira vez na Arena do Grêmio e se aproximava de conquistar também o Brasileirão. O título seria confirmado no dia seguinte à glória eterna de Lima, com a ajudinha do… Grêmio, o Imortal matado pelo Mengo.

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O autor

Marcelin Chamoin, francês de nascimento, carioca de setembro de 2022 até julho de 2023. Brasileiro no coração, flamenguista na alma.

“Uma vez Flamengo, Flamengo além da morte”