Flamengo e Cruzeiro se enfrentam hoje nas oitavas da Copa Libertadores, para uma revanche da edição de 2018, na mesma fase. Na época, Cruzeiro eliminou Flamengo e eu precisei buscar outros confrontos para a crônica do dia. Flamengo x Cruzeiro é um clássico das Copas, na Copa do Brasil, mas também em outras competições internacionais, como a Supercopa Libertadores e a Copa dos campeões. Eu escolho então para hoje o primeiro Cruzeiro x Flamengo das Copas, em 1995.
A competição era a Copa do Brasil e o ano era do centenário do Flamengo. Ainda no primeiro semestre, Flamengo eliminou Gama na estreia da Copa do Brasil e goleou Kaburé para chegar às quartas de final, contra Cruzeiro. Flamengo tinha um ataque de sonhos com Sávio e Romário. Três dias antes, o Baixinho martirizou o Vasco para sua volta contra o ex-clube. Os jornais ainda falavam da provável contratação de Edmundo para, sem saber no momento, transformar o sonho em pesadelo. No momento, tinha só Sávio e Romário. Em 10 de maio de 1995, para o jogo contra Cruzeiro, o técnico Vanderlei Luxemburgo escalou Flamengo assim: Roger; Marcos Adriano, Jorge Luiz, Válber, Branco; Fabinho, Charles Guerreiro, Marquinhos, William; Sávio, Romário.
No Mineirão, com um gramado ruim, o primeiro tempo foi difícil, sem muitos lances de perigo. No dia seguinte, o Jornal dos Sports escreveu: “O Flamengo não chegou a apresentar um bom futebol no primeiro tempo. Aliás, se apresentasse, certamente teria deixado o alto e pesado gramado do Mineirão com pelo menos um gol de vantagem”. A solução quase veio de faltas, com tentativas de Jorge Luiz e Branco, mas o goleiro cruzeirense Dida interveio. No final do primeiro tempo, Romário, muito bem cercado pela defesa da Raposa, quase fez a diferença. “A grande chance do Flamengo aconteceu aos 45 minutos, quando o Romário cabeceou livre e Dida fez boa defesa, na melhor oportunidade do time no primeiro tempo”, prosseguiu o JDS.
No segundo tempo, acreditando na vitória, Cruzeiro passou a dominar o jogo e só não abriu o placar por causa da grande atuação do goleiro rubro-negro Roger. O técnico Vanderlei Luxemburgo finalmente mexeu, Rodrigo Mendes entrando no lugar de William. “Eu coloquei o Rodrigo no lugar do William porque havia um bom espaço para ele trabalhar na esquerda, ao lado do Sávio, em contra-ataques. No entanto, ele insistiu em sair pelo meio”, explicou depois do jogo o professor Luxemburgo.
E no último minuto do jogo, quando o empate parecia já certeza, Rodrigo Mendes finalmente investiu na esquerda e achou Romário, que finalmente se livrou de Ademir e tocou atrás para Sávio. Com um toque só, o Anjo Loiro conseguiu o chute colocado, fora do alcance de Dida, para fazer o único gol do dia. Romário e Sávio, que durante o jogo inteiro “viviam de jogadas isoladas” segundo o Jornal do Brasil, colocavam o Mengo perto da semifinal. Avaliando a atuação de Romário com nota 7, o Jornal dos Sports escreveu: “Paredão, escondido e sonso. Apareceu e liquidou”. Nos jogos fechados, bastava um ou dois craques para fazer a diferença.
Na mesma edição, o Jornal do Brasil escrevia que “o último round da disputa pelo passe de Edmundo tem dois pugilistas do futebol carioca (Flamengo e Botafogo)”. Flamengo ia aprender de uma maneira dura, para ganhar campeonatos e ter um time consistente, não bastava colocar em campo o maior número possível de craques no ataque.








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